Woody Allen lança livro de memórias em abril
A editora Grand Central Publishing, uma divisão do Hachette Book Group, anunciou na segunda (2/3) que vai publicar um livro de memórias de Woody Allen. Envolto em boatos por anos e até considerado impublicável no auge do cancelamento do diretor pelo movimento #MeToo, a obra, batizada em inglês de “Apropos of Nothing” (a propósito de nada), será lançado em 7 de abril nos EUA. “O livro é um relato abrangente de sua vida, pessoal e profissional, e descreve seu trabalho em filmes, teatro, televisão, boates e publicações”, de acordo com comunicado da editora. “Allen também escreve sobre seus relacionamentos com a família, amigos e os amores de sua vida”. Os termos financeiros do acordo editoral entre o cineasta e a Grand Central não foram revelados. Além dos EUA, “Apropos of Nothing” será lançado no Canadá, Itália, França, Alemanha e Espanha, seguido por lançamentos em “países ao redor do mundo”. Ainda segundo o comunicado, Allen fará “várias entrevistas” para promover o livro. A publicações de suas memórias servirão como nova oportunidade para o diretor contar sua versão dos fatos mais polêmicos de sua vida, como o envolvimento com Soon-Yi Previn, a filha de sua então companheira Mia Farrow, com quem é casado até hoje, e a acusação de sua filha adotiva, Dylan Farrow, de tê-la molestado na infância. As acusações não são novas, mas elas ressurgiram em 2017, quando Dylan aproveitou o auge do #MeToo para resgatar a história, conseguindo criar uma reação de repúdio generalizado, como se houvesse fato novo. Allen sempre negou tudo, retrucando que a denúncia é fruto exclusivo de lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow. Ele não foi condenado quando o caso foi levado a tribunal nos anos 1990, durante a disputa da guarda das crianças, e nunca foi acusado de abuso por nenhuma atriz com quem trabalhou ao longo de meio século de carreira. Dizendo que pretendia acabar com a carreira de Allen, Dylan patrulhou todos os atores que trabalharam com ele e bombardeou as redes sociais até fazer a Amazon renegar seu acordo para distribuir os novos filmes do diretor. Graças a isso, “Um Dia de chuva em Nova York” não foi lançado nos Estados Unidos. O diretor processou a Amazon e chegou a um acordo, lançando o filme no exterior. Ele também decidiu continuar a carreira fora dos EUA, filmando um novo longa na Espanha, “Rifkin’s Festival”, com participação de Christoph Waltz (“007 Contra Spectre”), Elena Anaya (“A Pele que Habito”), Louis Garrel (“Adoráveis Mulheres”), Gina Gershon (“Não Vai Dar”) e lançamento previsto para este ano. Ao fechar com uma empresa do grupo Hachette, Allen passou a compartilhar a mesma editora de um de seus heróis literários, JD Salinger, e também de um de seus maiores detratores, seu filho Ronan Farrow, que ganhou um prêmio Pulitzer por sua reportagem sobre o produtor Harvey Weinstein, que foi responsável por impulsionar o #MeToo. Há anos Ronan se distanciou de seu pai, ao adotar a defesa da irmã.
Porta-voz de Bill Cosby defende Harvey Weinstein de julgamento injusto e parcial
Condenado por estupro e agressão sexual na segunda-feira (24/2), o produtor de cinema Harvey Weinstein recebeu apoio de outro colega famoso na mesma situação, o ator americano Bill Cosby. Usando as redes sociais de Cosby, uma porta-voz do ator, Andrew Wyatt, defendeu Weinstein, dizendo que o dia foi “muito triste” para o sistema judicial americano. “Não há como alguém acreditar que Weinstein iria receber um julgamento justo e imparcial.” Para justificar esse entendimento, ele cita que os jurados não ficaram isolados e, portanto, tiveram acesso à cobertura da imprensa e aos “sentimentos da opinião pública” sobre o assunto. “Aqui está a pergunta que deve assombrar todos os americanos, especialmente homens ricos e famosos. Para onde vamos neste país para encontrar justiça e imparcialidade no sistema judicial; e para onde vamos neste país para encontrar o devido processo legal?” Cosby foi condenado em 2018 por agredir sexualmente uma mulher. A sentença garante que ele não passará menos de três anos atrás das grades antes que se torne elegível para liberdade condicional supervisionada, embora possa ficar na prisão por até uma década. Ele foi a primeira celebridade condenada por abuso sexual desde o início do movimento #MeToo, deflagrado após os ataques de Weinstein a atrizes, modelos e assistentes se tornarem públicos no fim de 2017. Desde então, vários homens poderosos do entretenimento, da política e de outros campos perderam empregos e foram processados por assédio e coisas piores. Ver essa foto no Instagram Official Statement From Andrew Wyatt Regarding The Verdict Of Harvey Weinstein: This is not shocking because these jurors were not sequestered, which gave them access to media coverage and the sentiments of public opinion. There’s no way you would have anyone believe that Mr. Weinstein was going to receive a fair and impartial trial. Also, this judge showed that he wanted a conviction by sending the jurors back to deliberate, after they were hung on many of the counts. Here’s the question that should haunt all Americans, especially wealthy and famous men…Where do we go in this country to find fairness and impartiality in the judicial system; and where do we go in this country to find Due Process? Lastly, if the #metoo movement isn’t just about Becky [White women], I would challenge #metoo and ask them to go back 400+ years and tarnish the names of those oppressors that raped slaves. This is a very sad day in the American Judicial System. #FreeBillCosby #FarFromFinished #DueProcess #JusticeReform Uma publicação compartilhada por Bill Cosby (@billcosby) em 24 de Fev, 2020 às 11:17 PST
Atores e equipe do Zorra assinam abaixo-assinado em defesa de Marcius Melhem, acusado de assédio moral
Um grupo de atores, redatores e técnicos do programa “Zorra” enviou à direção da TV Globo um abaixo-assinado em defesa do coordenador de humor da emissora, Marcius Melhem, que teria sido acusado de assédio moral. Segundo o texto, o chefe do departamento nunca praticou assédio contra qualquer um dos 55 funcionários que assinam o documento. “Temos todos aqui uma relação baseada no diálogo, profissionalismo e respeito. Toda solidariedade a Marcius Melhem diante dessa maldade, que não vai destruir a harmonia entre nós, nem o prazer de trabalhar neste projeto que nos orgulha tanto”, diz o texto. O conteúdo do documento foi revelado pelo colunista Mauricio Stycer, do UOL. Ele ainda acrescentou que os colegas de Melhem estão recolhendo assinaturas de outros programas de humor da Globo para dar apoio ao chefe, que também é comediante e está à frente de uma renovação nos programas de humor da emissora. O caso foi noticiado originalmente pelo jornalista Leo Dias, outro colunista do UOL, em 26 de dezembro de 2019. Na ocasião, Dias sugeriu que as atrizes Dani Calabresa, Renata Castro Barbosa e Maria Clara Gueiros haviam denunciado Melhem. As duas últimas negaram o fato no mesmo dia. Leo Dias também informou que Marcelo Adnet testemunhou a favor das atrizes, o que ele negou um dia depois. Até agora, nem Melhem, nem Calabresa comentaram o caso publicamente. Mas tudo indica que a humorista realmente registrou uma queixa, que estaria sendo investigada pelo comitê de auditoria e compliance do Grupo Globo (a área que avalia se o que ocorreu está em conformidade ou não com regras da empresa). A TV Globo abordou o assunto por meio de uma nota genérica de seu departamento de Comunicação. “Todo relato de assédio, moral ou sexual, na Globo é apurado criteriosamente assim que tomamos conhecimento. A Globo reafirma que não aceita qualquer tipo de assédio e, neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo.” Pode ser considerado assédio moral em ambiente de trabalho qualquer situação humilhante, constrangedora, que aconteça de forma repetitiva e prolongada durante o expediente e no exercício de funções profissionais, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Pouco antes da denúncia, em novembro, Calabresa deixou o humorístico “Zorra”. Na semana passada, ela estreou um quadro no programa “Se Joga”. Mas Leo Dias, novamente, trouxe informação polêmica sobre a atriz nos últimos dias. Ela poderia deixar a emissora por estar insatisfeita com o ambiente de trabalho.
Diretor da animação O Espanta Tubarão é preso sob acusação de estupro
O diretor francês de animações Eric “Bibo” Bergeron foi preso e indiciado por uma acusação de estupro nesta quinta-feira (16/1). Ele dirigiu animações de sucesso como “O Caminho para El Dorado” (2002), “O Espanta Tubarões” (2004) e “Um Monstro em Paris” (2011). E foi na produção da última que ocorreu o caso que o levou à prisão. Uma integrante da equipe acusou o cineasta de abuso durante a produção do desenho, em 2007, e recentemente cometeu suicídio. A defesa de Bergeron disse, em comunicado à imprensa, que o diretor nega as acusações. “O Sr. Bergeron pretende restaurar a sua honra e a justiça, que foram manchadas por estas denúncias sérias contra ele. Ele gostaria de desfrutar, como todo acusado, da presunção de inocência”, disse seu advogado em comunicado. O cineasta estava trabalhando no longa “Charlotte”, uma biografia animada da pintora Charlotte Salomon, vítima do nazismo, que deve chegar aos cinemas ainda em 2020. A produtora do filme anunciou que os diretores Éric Warin (“A Bailarina”) e Tahir Rana (“O Edifício Wayne”) vão completar o trabalho. A detenção de Bergeron aconteceu apenas dois dias após a prisão de Christophe Ruggia, outro diretor de cinema francês acusado de abusos sexuais. Ruggia foi denunciado pela atriz Adele Haenel, uma das principais estrelas da nova geração do cinema do país (atualmente em cartaz no Brasil com o filme “Retrato de uma Mulher em Chamas”), de assédio e avanços quando ela era menor de idade.
Diretor francês é preso após denúncia de abuso da atriz Adele Haenel
O diretor francês Christophe Ruggia foi preso nesta terça-feira (14/1), após investigações das denúncias de abuso sexual feitas por Adele Haenel, uma das principais atrizes da nova geração do cinema do país, atualmente em cartaz no Brasil com o filme “Retrato de uma Mulher em Chamas”. O advogado de Ruggia, Jean-Pierre Versini-Campinchi, nega qualquer má conduta do cineasta. Originalmente, Haenel tinha feito a denúncia numa entrevista, mas o caso ganhou grande repercussão e ela se viu pressionada por vários artistas e até integrantes do próprio governo da França a prestar queixa criminal. A vencedora do César (o Oscar francês) de Melhor Atriz por “Amor à Primeira Briga” (2014) disse ter decidido acusar o diretor em público depois de ver o documentário “Deixando Neverland”, da HBO, com acusações similares sobre Michael Jackson. Mas acreditava que “a justiça ignora” as vítimas em sua situação. Após Nicole Belloubet, ministra da Justiça, prometer que isso não ocorreria, porque os tempos mudaram, Haenel formalizou sua denúncia três semanas depois junto à polícia de Paris. Na extensa reportagem do site de jornalismo investigativo Mediapart, publicada em novembro passado, a atriz afirmou que Ruggia começou a assediá-la quando ela foi escalada em seu primeiro filme, “Les Diables” (2002), que ele dirigiu. Haenel disse que os avanços ocorreram em várias ocasiões, desde seus 12 anos e continuaram até ela completar 15 anos. A publicação também obteve documentos que corroboram a acusação da atriz, que hoje tem 31 anos, incluindo cartas de amor enviadas pelo cineasta à então menor de idade. Assim que o caso veio à tona, Ruggia foi expulso das Société des Réalisteurs de Films (SRT), espécie de sindicato dos cineastas franceses, que criou e organiza a famosa mostra Quinzena dos Realizadores, uma das seções paralelas de maior prestígio do Festival de Cannes. Foi a primeira vez em 50 anos de história que a associação expulsou um de seus membros. A prisão de Ruggia aconteceu dias depois de procuradores franceses iniciarem outra investigação de alegações de abuso de uma adolescente que provocou ondas de choque nos círculos culturais do país. Em um livro publicado neste mês, Vanessa Springora, hoje com 47 anos e chefe da prestigiosa editora francesa Julliard, alegou ter sofrido abuso sexual de Gabriel Matzneff, um autor proeminente de 83 anos, quando tinha 14 anos.
Leo Dias diz que atrizes da Globo denunciaram Marcius Melhem por assédio moral
Marcius Melhem, Coordenador do Departamento de Humor da TV Globo, teria sido acusado de assédio moral por atrizes da emissora. Segundo a Coluna do Leo Dias, Dani Calabresa, Renata Castro Barbosa e Maria Clara Gueiros foram algumas das atrizes do núcleo de humor da Globo responsáveis pela denúncia, que teria sido encaminhada para a empresa. Assim que a notícia foi publicada, Maria Clara Gueiros postou nas redes sociais uma mensagem sucinta, desmentindo a – vamos chamar de – fofoca. Renata Castro Barbosa também disse que não tinha nada a ver com isso. Nenhuma outra atriz da Globo se manifestou publicamente sobre o assunto até o momento. O máximo que Dani Calabresa fez foi sugerir um ambiente de trabalho complicado nas redes sociais. “2019 foi uma eterna prova do líder. To até agora esperando o Bial ou Tiago Leifert me avisarem que posso me mexer e ir mijar em paz”, escreveu ela na madrugada desta quinta (26/12), em tom de humor, no Twitter e no Instagram. O colunista Leo Dias afirmou que a denúncia ganhou até reforço de alguns representantes masculinos do humor na emissora. Marcelo Adnet teria testemunhado a favor das atrizes, ainda segundo Dias. Mas ele também negou a fofoca. Marcius Melhem não se pronunciou e a TV Globo abordou o assunto por meio de uma nota genérica de seu departamento de Comunicação. “Todo relato de assédio, moral ou sexual, na Globo é apurado criteriosamente assim que tomamos conhecimento. A Globo reafirma que não aceita qualquer tipo de assédio e, neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo.” Pode ser considerado assédio moral em ambiente de trabalho qualquer situação humilhante, constrangedora, que aconteça de forma repetitiva e prolongada durante o expediente e no exercício de funções profissionais, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Maria Clara Gueiros (@mcgueiros) em 26 de Dez, 2019 às 12:17 PST Ver essa foto no Instagram “Neiiiiva.. cê me reza pra 2020 não sê parecido quessa bosta desse ano Neiiiiva” rs 🍀🙏#vemcomsaude+amor2020 Uma publicação compartilhada por Daniella Giusti🍕atriz/comédia (@calabresadani) em 26 de Dez, 2019 às 6:35 PST
Um dia após vídeo ameaçador, escritor que acusou Kevin Spacey de assédio se suicida
O escritor norueguês Ari Behn se suicidou no Natal aos 47 anos. Ex-marido da princesa da Noruega Martha Louise, Behn era um autor de peças de teatro reconhecido em seu país e foi um dos homens a acusar o ator Kevin Spacey de assédio. Em 2017, ele denunciou o ator por tê-lo apalpado durante um evento do Prêmio Nobel da Paz. No mesmo ano, o escritor e a princesa Martha Louise se divorciaram, um acontecimento inédito na família real norueguesa. Ari Behn deixa três filhas, todas com a princesa: Maud Angelica, de 16 anos, Leah Isadora, 14, e Emma Tallulah, 11. Curiosamente, um dia antes do suicídio, Spacey liberou um vídeo encarnando seu personagem na série “House of Cards”, o político Frank Underwood, em que transmitiu um recado natalino ameaçador. “A próxima vez que alguém fizer algo que você não gosta, você pode atacar. Mas você também pode se segurar e fazer o inesperado. Você pode … matá-los com bondade”. Esta é a segunda morte súbita relacionada a acusadores de Spacey. Em outubro, o ator se livrou de um processo por assédio devido à morte do acusador, aparentemente de câncer. O massagista, cuja identidade permaneceu anônima, denunciou Spacey por tê-lo apalpado durante uma sessão. Depois da morte, o processo acabou cancelado na corte de Los Angeles. O ator ainda teve outro processo, movido por um rapaz que tinha 18 anos na época do assédio, retirado abruptamente na véspera de ir a julgamento. Spacey também chegou a ser investigado por oficiais do Departamento de Abuso Infantil e Ofensas Sexuais de Los Angeles, que coletaram um total de seis denúncias. Prescrição e falta de provas impediram todos os casos de ir a julgamento. Apesar das reviravoltas, que parecem vir de um roteiro da série “House of Cards”, manterem Spacey em liberdade, sua carreira acabou condenada. Ele foi acusado de assédio até por integrantes da produção da própria “House of Cards” e terminou demitido pela Netflix. A série de denúncias só veio à tona após o também ator Anthony Rapp (série “Star Trek: Discovery”) dar seu relato ao site Buzzfeed, afirmando em outubro de 2017 que tinha sido assediado sexualmente por Spacey em 1986, quando tinha 14 anos. Desde então, as acusações se multiplicaram. Como consequência, Spacey foi demitido de vários projetos e teve sua presença no drama “Todo o Dinheiro do Mundo” extirpada após o fim das filmagens. O diretor Ridley Scott chamou às pressas o ator Christopher Plummer para refazer as cenas de Spacey e o substituto foi até indicado ao Oscar.
Kevin Spacey grava vídeo bizarro de Natal sugerindo matar com bondade
O ator Kevin Spacey divulgou um vídeo bizarro nesta véspera de Natal (24/12), num tom que sugere a adoção da personalidade do presidente Frank Underwood, seu personagem na série “House of Cards”. O vídeo chega exatamente um ano após ele divulgar outra gravação excêntrica, “Let Me Be Frank”, em que comentava as acusações de assédio contra ele. A mensagem de pouco menos de 1 minuto parece mais uma vez direcionada a seus acusadores e os problemas do ator na Justiça. O recado final, porém, é assustador. “A próxima vez que alguém fizer algo que você não gosta, você pode atacar. Mas você também pode se segurar e fazer o inesperado. Você pode … matá-los com bondade”. A mensagem lembra, inevitavelmente, que um massoterapeuta que acusou Spacey de assédio morreu em setembro. Depois da morte do acusador, o processo contra o ator acabou cancelado na corte de Los Angeles. O ator também teve outro processo, movido por um rapaz que tinha 18 anos na época do assédio, retirado abruptamente na véspera de ir a julgamento. Spacey também chegou a ser investigado por oficiais do Departamento de Abuso Infantil e Ofensas Sexuais de Los Angeles, que coletaram um total de seis denúncias. Prescrição e falta de provas impediram todos os casos de ir a julgamento. Por conta disso, ele não foi condenado e ainda brincou no vídeo que 2019 “foi um ano muito bom”. As reviravoltas parecem vir de um roteiro da série “House of Cards”, em que Spacey interpretava o presidente corrupto e implacável dos Estados Unidos, capaz de dar um destino trágico a todos que cruzassem seu caminho. Ele também foi acusado de assédio por integrantes dessa produção e acabou demitido pela Netflix. O ator livrou-se, assim, de punições da justiça. Mas viu sua carreira desmoronar nos últimos dois anos, após o colega Anthony Rapp (série “Star Trek: Discovery”) relatar ao site Buzzfeed que tinha sido assediado sexualmente por ele em 1986, quando tinha 14 anos. Desde então, as denúncias contra Spacey se multiplicaram. Como consequência, foi demitido de vários projetos e teve sua presença no drama “Todo o Dinheiro do Mundo” extirpada após o fim das filmagens. O diretor Ridley Scott chamou às pressas o ator Christopher Plummer para refazer as cenas de Spacey e o substituto foi até indicado ao Oscar. Spacey não está envolvido em nenhum projeto de cinema, nem parece haver clima para a retomada de sua carreira.
“Não tenho vergonha”: Charlize Theron detalha o dia em que sua mãe matou seu pai
Durante a divulgação do filme “Escândalo”, que trata de assédio sexual no ambiente de trabalho do canal Fox News, a atriz Charlize Theron abordou seu próprio “escândalo” pessoal. Em entrevista ao site de notícias NPR, ela assumiu que “não se envergonha” de falar sobre o momento em que sua mãe matou seu pai para se defender. A atriz tinha 15 anos quando o pai alcoólatra atirou contra a porta do quarto onde ela estava escondida com a mãe. “Nenhuma das balas nos atingiu, o que é um milagre. Mas em legítima defesa, ela acabou com a ameaça”, contou, detalhando o que aconteceu. Charlize cresceu numa fazenda no interior de Johanesburgo, na África do Sul, com a mãe, Gerda, e o pai, Charles. Ela descreve o pai como um “homem muito doente” e diz que viver com um alcoólatra era “uma situação bastante desesperadora”. “A imprevisibilidade de viver com um dependente químico é algo que te marca para o resto da vida, mais do que aquele evento específico, que aconteceu numa noite”, diz. Ao falar sobre o que aconteceu, a atriz diz que o pai estava tão bêbado que “não deveria ter sido capaz de caminhar quando entrou em casa com uma arma.” “Minha mãe e eu estávamos no quarto, encostadas atrás da porta, e ele tentou forçar a entrada. Então, fizemos pressão, atrás da porta, para impedir que ele entrasse.” Segundo Charlize, o pai, então, deu um passo atrás e “simplesmente atirou contra a porta três vezes”. Por sorte, balas não atingiram mãe e filha. Foi então, diz a atriz, que a mãe “encerrou a ameaça, em legítima defesa”. Gerda não foi condenada, já que a Justiça entendeu que ela agiu em defesa própria e da filha. A atriz afirmou que não faz segredo da violência que vivenciou na família. Ao contrário. “Eu não tenho vergonha de falar sobre isso, porque acho que quanto mais falamos sobre essas coisas, mais percebemos que não somos os únicos a passar por isso”, diz. Vencedora do Oscar em 2004 (pelo filme “Monstro”), Charlize também abordou sua história de assédio, quando um diretor de cinema a tocou inapropriadamente, após convidá-la para um teste na casa dele. Charlize diz que ela pediu desculpas ao homem antes de deixar a residência, algo que a fez sentir “raiva” de si mesma. “Eu me culpei muito por não ter dito as coisas certas, por não ter feito todas aquelas coisas que a gente gostaria de acreditar que faria em situações assim”, disse, afirmando compreender o que sentiu Megyn Kelly, a apresentadora de TV que ela interpreta em “O Escândalo”. O filme, que também é estrelado por Nicole Kidman e Margot Robbie, conta a história das mulheres que trabalhavam na Fox News e que acusaram o então CEO da emissora, Roger Ailes, de assédio sexual. Charlize diz que o filme explora “a área cinzenta do assédio sexual”, similar ao que ela vivenciou na vida real. “Nem sempre se trata de abuso físico. Nem sempre é estupro”, explica. “Há um dano psicológico às mulheres, que são submetidas ao uso diário e casual de linguagem, toques ou ameaças de demissão. Essas são coisas que eu definitivamente vivenciei.”
Um Dia de Chuva em Nova York mostra desilusão de Woody Allen com a vida
Chegará o dia em que os filmes dos anos 2010 de Woody Allen serão revalorizados. Claro que isso só o tempo dirá, mas, a impressão que dá, vendo “Um Dia de Chuva em Nova York” (2019), é que o tom do filme lembra bastante o de algumas obras de Éric Rohmer ou de Hong Sang-soo. Não há um compromisso com o naturalismo nas interpretações, no ritmo das falas. No caso do filme de Allen, a velocidade dos acontecimentos é coerente com a agilidade dos diálogos. Há, como sempre, a projeção da própria persona de Woody Allen em seus personagens, e isso se vê em ambos os protagonistas. Enquanto Timothée Chalamet simboliza aquele aspecto mais amargo e pouco entusiasmado com a vida, ainda que não tanto quanto o protagonista de “Homem Irracional” (2015), que chegava ao niilismo, temos também a personagem entusiasmada, vivida com encanto por Elle Fanning. Ele vem de uma família abastada de Manhattan, embora não fique nada à vontade com suas origens e viva fugindo dos familiares e de uma festa que deveria estar presente; ela também vem de família rica, seu pai é um banqueiro em Tucson, Arizona, mas é alvo de chacota, por causa do lugar de origem, pelos amigos nova-yorquinos de Gatsby (personagem de Chalamet), que a consideram uma caipira. O filme começa com uma narração em voice-over por Gatsby, que confessa estar apaixonado por Ashleigh (Fanning), e isso lhe traz mais prazer de viver. Ela precisa ir a Nova York para entrevistar um famoso diretor de cinema para seu trabalho na faculdade e os dois partem para um par de dias em Manhattan. Gatsby tinha seus planos para o dia com Ashleigh: visitar museus, comer em bons restaurantes, passear bastante. Mas aí surgem alguns empecilhos, já que o diretor (Liev Schreiber), muito provavelmente por parecer atraído pela jovem estudante, decide dar-lhe um furo de reportagem, dizer o quanto está desgostoso com o projeto e ainda por cima mostrar uma prévia do novo filme, ainda em fase de produção. Uma oportunidade dessas Ashleigh não ia perder. E por isso vai adiando o encontro com o namorado, que vai sendo cada vez mais deixado de lado. As trajetórias de Gatsby e Ashleigh vão seguindo por caminhos opostos com relação ao encaminhamento de como ver a vida: enquanto ela parece uma criança em uma loja de doces à frente daquele universo hollywoodiano, com homens mais velhos da indústria bastante interessados sexualmente naquela jovem bela e com um figurino que lembra uma colegial, ela parece totalmente dona da situação, tanto por ser desejada até mesmo por um ator símbolo sexual (personagem de Diego Luna). Enquanto isso, sentindo uma falta enorme da namorada, Gatsby visita um set de filmagens de um amigo estudante de cinema e dá de cara com a irmã de uma ex-namorada, Chan (Selena Gomez), uma personagem atraente. Ele acaba participando do filme e a cena de beijo dos dois, num dos takes, é um dos pontos altos da temperatura erótica do filme. A outra cena boa, sensualmente falando, envolve a chegada de Ashleigh à casa do personagem de Diego Luna. Há quem veja a situação de Ahsleigh, ao final dessa situação, como humilhante, e talvez seja mesmo, mas há também algo de belamente erótico e perverso. Paralelamente, enquanto Ashleigh recebe uma bofetada ao ser exposta ao doce e ao amargo do showbizz hollywoodiano, Gatsby, ao ter uma conversa com a mãe, passa a ter uma ideia melhor de sua vida e de suas origens. Assim, “Um Dia de Chuva em Nova York” se torna um filme que apresenta uma visão agridoce da vida, num clima de desilusão que mistura parte do romantismo visto recentemente em “Magia ao Luar” (2014) com a amargura e a certeza de que a vida é que dá as cartas de “Café Society” (2016). Completando tudo isso, a fotografia linda do mestre Vittorio Storaro, que trabalhou com Allen no anterior “Roda Gigante” (2017), apresenta uma luz tão bela e tão própria do trabalho do cinematógrafo, que só é um pouco suavizada pela presença da chuva, símbolo das situações emocionalmente instáveis da vida de todos os personagens. Além do mais, não deixa de ser um alívio poder compartilhar mais uma vez o universo familiar e delicioso dos filmes de Allen, depois de tanta confusão causada pelas acusações de sua filha adotiva, que quase impediram o lançamento do filme, ao resgatar polêmicas da década de 1990 jamais comprovadas, mas revigoradas nesse momento de caça às bruxas. Mesmo agora, depois de ter entrado em um acordo com a Amazon, “Um Dia de Chuva em Nova York” segue inédito em seu país de origem. Enquanto isso, Allen já tem um novo filme em fase de pós-produção, rodado na Espanha.
Cuba Gooding Jr. já é acusado de assédio por 21 mulheres
O ator Cuba Gooding Jr. foi acusado de assédio sexual por mais sete mulheres nesta semana. Recentemente, ele compareceu ao tribunal para responder por outras 14 acusações da mesma categoria. Ao todo, 21 mulheres já o denunciaram por assédio. De acordo com o site Page Six, um dos novos casos de assédio sexual teria ocorrido em 2009 durante o Festival de Cinema de Sundance. De acordo com a cópia do depoimento obtido pelo site, uma das vítimas acusa o ator de apalpá-la e beijá-la à força enquanto eles participavam do festival em Park City (EUA), rasgando suas calças e só parando quando ela mordeu seu rosto para escapar. O advogado do artista afirmou a inocência de seu cliente em todos os casos. “Infelizmente, as pessoas saem fazendo falsas acusações contra Cuba, como muitas vezes acontece quando uma celebridade é acusada pela Promotoria em um Fórum Público. As alegações espúrias e inexpressivas oferecidas pelo Ministério Público são tão antigas e desatualizadas, sem detalhes e impedem que o Réu se defenda contra elas”. “Portanto, demonstra que o motivo do Ministério Público em apresentar essas alegações inflamatórias não tem valor probatório, mas [foram feitas] meramente para obter uma vantagem contra o réu e influenciar o júri contra o réu”, concluiu, relacionando as denúncias com a segunda sessão do julgamento do ator pela primeira denúncia, que está marcada para o dia 22 de janeiro. O processo original teve início com a acusação de uma mulher que teria sido apalpada por Gooding em um bar em Manhattan, e foi adiado após os promotores revelarem ter novas acusações contra ele em conexão com outros incidentes. Desde então, as denúncias se multiplicaram. Vencedor do Oscar por sua performance em “Jerry Maguire: A Grande Virada” (1996) e indicado ao Emmy por interpretar O.J. Simpson na 1ª temporada de “American Crime Story” (em 2016), Gooding acabou de filmar “Life in a Year”, drama indie em que contracena com Cara Delevingne (“Esquadrão Suicida”) e Jaden Smith (“Depois da Terra”).
The Assistant: Filme inspirado nas denúncias contra Harvey Weinstein ganha primeiro trailer
O estúdio indie Bleecker Street divulgou o pôster e o primeiro trailer de “The Assistant”, um drama sobre os bastidores burocráticos da indústria do entretenimento, inspirado pelas denúncias de assédio contra Harvey Weinstein e outros abusos cometidos por vários executivos poderosos, que perderam o emprego após acusações de vítimas e funcionárias. Apesar de ter sido originalmente apresentado como a dramatização do cotidiano de uma assistente de Weinstein, o executivo retratado não é nomeado no filme. Os abusos também são apresentados de forma velada, por meio de detalhes observados pela assistente do título. A prévia explora muito bem o clima de desgosto da protagonista, que testemunha situações constrangedoras e se vê forçada a comprometer seus princípios para não perder o emprego, enquanto os colegas de trabalho acham tudo que a incomoda perfeitamente normal naquele ambiente. Escrito e dirigido pela documentarista Kitty Green (“Quem é JonBenet”) em sua estreia na ficção, “The Assistant” é estrelado por Julia Garner (vencedora do Emmy por “Ozark”) e ainda traz em seu elenco os atores Matthew Macfadyen (“Succession”), Kristine Froseth (“The Society”), Dagmara Dominczyk (também de “Succession”), Makenzie Leigh (“The Slap”), Noah Robbins (“Unbreakable Kimmy Schmidt”) e Jon Orsini (“Minha Vida dava um Filme”). A estreia está marcada para 31 de janeiro nos Estados Unidos, mas ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Adèle Haenel decide registrar queixa criminal contra diretor que a assediou
A atriz francesa Adèle Haenel decidiu levar sua denúncia de assédio contra o diretor Christophe Ruggia (“Na Tormenta”) à polícia. No começo do mês, Haenel contou ao site de jornalismo investigativo Mediapart que Ruggia a assediou após escalá-la em seu primeiro filme, “Les Diables” (2002), quando ela tinha 12 anos. A atriz afirmou que os avanços ocorreram em várias ocasiões e continuaram até ela completar 15 anos. A vencedora do César (o Oscar francês) de Melhor Atriz por “Amor à Primeira Briga” (2014) disse ter decidido trazer a denúncia a público depois de ver o documentário “Deixando Neverland”, da HBO, com acusações similares sobre Michael Jackson. Mas informou que não entraria com queixa criminal, pois acreditava que “a justiça ignora” as vítimas em sua situação. Ela recebeu apoio de várias personalidades da França, inclusive de integrantes do governo, como os ministros da Cultura, do Interior e da Justiça. Nicole Belloubet, ministra da Justiça, foi além e incentivou Haenel a formalizar uma acusação na polícia, porque os tempos mudaram. Nesta terça (26/11), os advogados de Haenel confirmaram que ela foi a uma delegacia no subúrbio de Paris para registrar uma queixa formal. A medida foi uma reversão de sua decisão inicial de não entrar com uma ação legal, e acontece após Ruggia ter sido expulso da Associação dos Diretores da França. A atriz tem cartas românticas do diretor endereçadas a ela na época, quando era menor de idade. Além disso, a reportagem da Mediapart registrou a ex de Ruggia dizer que o cineasta tinha confessado que estava apaixonado pela jovem, e isso causou o fim de seu relacionamento. Ruggia, por sua vez, enviou ao site francês uma declaração por meio de seus advogados, dizendo que “refuta categoricamente” qualquer má conduta. A declaração diz que o casal tinha um “relacionamento profissional e afetuoso” e chama a denúncia de “difamatória”. O diretor também declarou ter sido o grande responsável pela carreira bem-sucedida de Haenel, por ter sido quem a descobriu. E esta declaração deixou a atriz especialmente indignada. Ela se disse “chocada por ele negar” e “mais chocada ainda com o fato de ele dizer que me descobriu, porque na verdade ele me destruiu”, registrou o Mediapart. Adèle Haenel está atualmente em cartaz na França com o filme “Retrato de uma Jovem em Chamas”, de Céline Sciamma, que tem 98% de aprovação no Rotten Tomatoes e já venceu vários prêmios, inclusive no Festival de Cannes. A estreia comercial no Brasil está marcada para 9 de janeiro.







