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  • Filme

    Assassin’s Creed quer ser Avatar, mas é só outra adaptação fraca de videogame

    12 de janeiro de 2017 /

    Baseado no popular game que acompanha as aventuras de membros de uma secular irmandade de assassinos, “Assassin’s Creed” traz para o cinema a tediosa experiência de se assistir outra pessoa jogar videogame. A impressão que dá é que todo mundo na tela está se divertindo – do ator (e aqui produtor) Michael Fassbender com suas lutas coreografadas, até o diretor Justin Kurzel (que dirigiu Fassbender antes em “Macbeth”) com seus movimentos de câmera rebuscados e cenários grandiosos pra brincar – enquanto quem está sentado na poltrona só pode torcer para acabar logo, para poder fazer outra coisa. Não que seja tudo um desastre. O filme é visualmente deslumbrante e o elenco é excelente – tem ainda Marion Cotillard (também de “Macbeth”), Jeremy Irons (“Batman vs. Superman”), Brendan Gleeson (“O Guarda”), Charlotte Rampling (“45 Anos”) e Ariane Labed (“Alpes”). Mas há um problema básico na concepção, que tenta equilibrar duas linhas temporais de forma paralela por toda a história. Por um lado, acompanhamos no presente um prisioneiro (Fassbender) que tem uma espécie de memória genética despertada graças a equipamentos de extrema tecnologia. Por outro, acompanhamos esta mesma memória na figura de um antepassado dele (Aguilar, vivido pelo mesmo Fassbender, membro do credo de assassinos do título, em luta contra a Inquisição pela proteção de um objeto misterioso) na Espanha de 1492. E aí começam os problemas de uma produção que parece querer ser “Avatar”, sem os ingredientes certos pra isso. Como o assassino do presente não é capaz de interferir ou modificar o passado, não há nenhum tipo de identificação ou torcida por Aguilar, já que sua participação é apenas flashback de fatos já estabelecidos. Imagine “Matrix” com o Neo podendo apenas assistir ao que ocorre no mundo virtual, sem chance de agir por conta própria. Ao mesmo tempo, a montagem que insiste, a todo instante, cortar do passado para o presente, reforçando o espelhamento dos movimentos do assassino, quebra constantemente o clima da história vista, já que qualquer ação é interrompida em uma época para mostrar outra. As cenas de ação, inclusive, são por vezes confusas, com a câmera próxima demais, em contraste com os belos planos gerais que sempre abrem cada nova memória. A Espanha de 1492 é um cenário qualquer que nunca é realmente explorado, não há um real estranhamento do personagem do presente em estar em um lugar tão diferente, com características tão peculiares. Há um ou outro momento divertido, visual bacana (que é mérito do jogo), mas tudo engolido por uma trama confusa habitada por pessoas confusas para as quais não ligamos. Partindo de ideias no mínimo duvidosas – como a criminalidade ser algo hereditário – “Assassin’s Creed” pode até agradar aos fãs do jogo já familiarizados com sua complexa mitologia, mas ainda não é dessa vez que uma adaptação de game funciona como cinema puro e simples.

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  • Filme

    Novo trailer legendado de Assassin’s Creed revela trama fiel ao videogame

    9 de dezembro de 2016 /

    A Fox divulgou um novo trailer legendado de “Assassin’s Creed”, que mostra como a adaptação segue fielmente a trama do game. Ao contrário das anteriores, a prévia finalmente destaca o personagem de Jeremy Irons (“Batman vs. Superman”), líder de uma ordem secreta, os Templários, que planeja dominar o mundo por meio de um artefato perdido, chamado de Maçã do Éden e guardado há séculos por uma linhagem de assassinos. Um dos últimos sobreviventes desta árvore genealógica é um assassino condenado à morte, vivido por Michael Fassbender (“X-Men: Apocalipse”), que se vê forçado por Marion Cotillard (“Dois Dias, uma Noite”) a experimentar a vida de seu ancestral medieval e descobrir onde o artefato foi escondido. Assim como no videogame da Ubisoft, a premissa é simples desculpa para a recriação, em escala épica, da Idade Média, onde acontece a verdadeira ação da trama, com muitas cenas de lutas e saltos mortais que são verdadeiros mergulhos no vazio. De fato, a única diferença significativa parece ficar por conta de detalhes do protagonista, que no game tem outro nome e trabalha num bar. A adaptação foi escrita por Adam Cooper e Bill Collage (dupla de “A Série Divergente: Convergente”) e Michael Lesslie, que trabalhou com o diretor Justin Kurzel em “Macbeth: Ambição e Guerra” (2015) – por sinal, também estrelado por Fassbender e Cotillard. O elenco ainda inclui Ariane Labed (“The Lobster”), Charlotte Rampling (“45 Anos”), Brendan Gleeson (“O Guarda”) e Michael Kenneth Williams (série “Boardwalk Empire”). “Assassin’s Creed” estreia em 12 de janeiro no Brasil, três semanas após o lançamento nos EUA.

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  • Assassin's Creed
    Filme

    Assassin’s Creed: Novo trailer legendado mostra Michael Fassbender no passado e no futuro

    18 de outubro de 2016 /

    A 20th Century Fox divulgou um novo trailer legendado de “Assassin’s Creed”. Além de muitas cenas de ação e imagens belíssimas da Espanha medieval, a prévia revela como as tramas paralelas, estreladas por Michael Fassbender (“X-Men: Apocalipse”) no passado e no futuro, entrelaçam-se. Baseado no popular videogame da Ubisoft, o filme acompanha um assassino condenado à pena de morte, que, após sua suposta execução, é levada para um local secreto em que se vê forçado a reviver as memórias de um ancestral da Idade Média com objetivos obscuros. O elenco ainda inclui Marion Cotillard (“Dois Dias, uma Noite”), Ariane Labed (“The Lobster”), Jeremy Irons (“Batman vs. Superman”), Brendan Gleeson (“O Guarda”) e Michael Kenneth Williams (série “Boardwalk Empire”). O filme marca o reencontro de Fassbender e Cotillard com o diretor Justin Kurzel, após a recente colaboração dos três em “Macbeth: Ambição e Guerra” (2015). “Assassin’s Creed” tem sua estreia marcada 12 de janeiro no Brasil, três semanas após o lançamento nos EUA.

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  • Filme

    A Odisseia de Alice é viagem feminista de uma bela sem recato longe do lar

    10 de junho de 2016 /

    Vivida pela excelente atriz grega Ariane Labed (“Antes da Meia-Noite”), Alice é uma engenheira que trabalha em navios de carga, dando suporte técnico às embarcações. Isso faz com que ela passe longos períodos em alto-mar, sendo a única mulher entre muitos homens, nos navios. Ela é independente, corajosa e competente. Mas é também uma linda mulher, sensual e livre. Sua presença no navio, obviamente, vai mexer com muitos daqueles homens, que passam bom tempo no mar. Alice tem um namorado norueguês, Félix (Anders Danielsen Lie, de “Oslo, 31 de Agosto”), com quem vive uma experiência fortemente sexualizada e apaixonada, quando está em terra. Mas sua próxima missão será no navio Fidelio, onde ela descobrirá que o comandante é ninguém menos do que seu antigo namorado, Gael (Melvile Poupaud, de “Laurence Anyways”), sua primeira paixão. E por aí se seguirá uma trama muito bem construída pela diretora estreante Lucie Borleteau (roteirista de “Minha Terra África”), que também escreveu a trama em parceria com Clara Bourreau (criadora da série “Adresse Inconnue”). As imagens exploram o gigantismo do navio Fidelio, por dentro e por fora, e a imensidão do mar, em contraponto às figuras humanas, sua solidão, seus desejos e suas paixões mostrados bem de perto. Tudo segue sendo muito desafiador para todos os envolvidos na odisseia de Alice. O mais interessante do filme, porém, é a abordagem da questão de gênero. A narrativa empodera essa mulher bela e forte, cujo comportamento nos surpreende em muitos aspectos, já que remete a estereótipos masculinos, assim como alguns homens mostram atitudes mais frequentemente atribuídas ao feminino. Mas não se trata de uma inversão de valores e, sim, de sua superação. Há infinitas formas de se ser homem ou mulher e as expectativas quanto aos comportamentos esperados pelos gêneros sufocam e aprisionam os que divergem dos padrões previstos. Ao relativizar esses padrões, mostrando reações pouco usuais tanto num gênero quanto no outro, o filme areja de modo muito apropriado essa questão. A infidelidade é atributo masculino? Envolvimento amoroso com uma só pessoa é prerrogativa das mulheres? Iniciativa e agressividade são coisas de homem? Há formas femininas de expressá-las? Exercer controle sobre o próprio desejo é “natural” para as mulheres e difícil para os homens? Como se dão as relações quando as pessoas inovam no comportamento esperado delas, quanto às características socialmente associadas ao gênero? São bons questionamentos que o desenrolar da história de “Odisseia de Alice” permite levantar, dando ao filme uma dimensão que extrapola o drama romântico em que se pode classificar a película (será que essa palavra ainda vale no mundo do cinema digital?). Alice é, sem dúvida, bela, mas não recatada, nem do lar. Trata-se de um filme feminista, muito apropriado para um momento em que certos conceitos são embaralhados pelos conservadores, tentando barrar conquistas que a sociedade realizou nos últimos tempos. O papel da luta das mulheres e do movimento feminista tem sido fundamental nessa história. É bom que isso seja lembrado e valorizado, também por meio dos personagens de narrativas ficcionais, como “A Odisseia de Alice”.

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