Jennifer Hudson anuncia fim das filmagens da cinebiografia de Aretha Franklin
A cantora e atriz Jennifer Hudson (“Cats”) anunciou no Instagram que terminou as filmagens da cinebiografia de Aretha Franklin, intitulada “Respect”, em inglês. Dizendo-se “sobrecarregada” de emoção por interpretar Aretha, ela acrescentou que “as palavras não podem expressar o quanto estou agradecida por ter sido escolhido pela própria Rainha e viver mais um sonho! Foi uma honra honrar o pedido da Rainha! A única Rainha do Soul”. Ela também compartilhou imagens da festa de encerramento, que reuniu todo o elenco e a equipe da produção. Como Hudson observou em seu post, ela foi realmente escolhida pessoalmente pela lendária cantora para interpretá-la no cinema. Isto aconteceu bem antes do começo das filmagens, já que a produção precisou adquirir os direitos musicais antes de iniciar a fase de fotografia principal. Hudson também foi convidada a cantar no funeral da estrela, que morreu em 2018, de câncer no pâncreas, aos 76 anos. A atriz trabalhou com uma equipe criativa estreante no cinema. O roteiro de “Respect” foi escrito por Tracey Scott Wilson, da série “The Americans” e da recente telebiografia “Fosse/Verdon”, enquanto a direção ficou a cargo de Liesl Tommy, que anteriormente comandou episódios de “The Walking Dead”, “Jessica Jones” e “Mrs. Fletcher”. Por outro lado, a produção musical foi assinada por Harvey Mason Jr., que trabalhou tanto com Aretha Franklin quanto com sua intérprete – em “Dreamgirls”, filme que rendeu a Hudson o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O elenco ainda destaca Forest Whitaker (“Pantera Negra”), Tate Donovan (“Rocketman”), Leroy McClain (“A Maravilhosa Sra. Meisel”), Marlon Wayans (“Seis Vezes Confusão”), Marc Maron (“GLOW”), Tituss Burgess (“Unbreakable Kimmy Schmidt”), Audra McDonald (“The Good Fight”) e a cantora Mary J. Blige (“Mudbound”). A estreia está marcada para 17 de setembro no Brasil, um mês após o lançamento nos EUA – e bem depois do lançamento de uma minissérie televisiva sobre a cantora, “Genius: Aretha”, prevista para maio no NatGeo com Cynthia Erivo (“Harriet”) no papel principal. Ver essa foto no Instagram It is officially a wrap on @respectmovie wrap it up , it’s done ! To overwhelmed to get into it right now but words can’t express how grateful I am to be chosen by the queen herself and to live out yet another dream ! It was my honor , to honor the Queens request ! The one and only Queen of soul #ArethaFranklin #respectMovie @liesltommy Uma publicação compartilhada por Jennifer Hudson (@iamjhud) em 15 de Fev, 2020 às 4:14 PST Ver essa foto no Instagram Before I go any further , I have to give credit where credit is due ! To every single cast and crew member who put your heart and soul into this project ! It was beyond a joy and a pleasure to work side by side with each and everyone of u ! Lord knows if I could post every picture , I would but u know who u r !! From the director to the DP , to hair and makeup acting coach and extras too ! To each and every driver and everyone in between ! Much Respect to all of you !!!! @liesltommy @kramorg @hairbylawrencedavis @fancy_pantsss @marlonwayans @skyedakotaturner @mgm_studios @davidjonathansimpson @lelunddurond jhud productions loves you ! Thank u all!! Uma publicação compartilhada por Jennifer Hudson (@iamjhud) em 16 de Fev, 2020 às 9:29 PST
Godfather of Harlem é renovada para 2ª temporada
O canal pago americano Epix renovou “Godfather of Harlem” para sua 2ª temporada. A serie criminal de época é uma criação de Chris Brancato e Paul Eckstein (que também criaram “Narcos”) e estrelada por Forest Whitaker (“Pantera Negra”). A produção é inspirada na vida real do chefão do crime Bumpy Johnson, papel de Whitaker, e retrata uma colisão do movimento dos direitos civis dos anos 1960 com o submundo do crime. A trama se passa no início da década de 1960 e acompanha o protagonista, um gângster negro, após cumprir dez anos de prisão e reencontrar o Harlem, que ele comandou, controlado pela máfia italiana. Disposto a retomar a influência sobre a região nova-iorquina, ele decide se aliar ao ativista radical Malcolm X, pegando carona nos discursos de agitação social para iniciar uma guerra pelo tráfico de drogas, que ameaça destruir a cidade. Vale reparar que o intérprete de Malcolm X, Nigel Thatch, já interpretou o famoso ativista no filme “Selma: Uma Luta Pela Igualdade” (2014). O elenco grandioso ainda incluiu Vincent D’Onofrio (o Chefão do Crime de “Demolidor”), Giancarlo Esposito (“Breaking Bad”), Ilfenesh Hadera (“Billions”), Paul Sorvino (“Os Bons Companheiros”), Chazz Palminteri (“Lendas do Crime”), Lucy Fry (“11.22.63”), Kelvin Harrison Jr. (“StartUp”) e Kathrine Narducci (“Power”). Além de estrelar, Whitaker também é um dos produtores da atração, ao lado de Brancato e Eckstein. A série teve 10 episódios na 1ª temporada, que estreou em 29 de setembro, alcançando 91% de aprovação da crítica, na média registrada pelo site Rotten Tomatoes.
Robert Conrad (1935 – 2020)
O ator Robert Conrad, que ficou conhecido como o cowboy espião James West na década de 1960, morreu neste sábado (8/2) aos 84 anos. “Ele viveu uma vida maravilhosamente longa e, embora a família fique triste com sua morte, viverá para sempre em seus corações”, disse o porta-voz da família, sem informar mais detalhes sobre o falecimento. Nascido em Chicago, Illinois, em 1º de março de 1935, Conrad se mudou para Los Angeles em 1958 e encontrou sucesso quase instantâneo ao ser contratado para estrelar a série “Hawaiian Eye”, em 1959, como Tom Lopaka, sócio de uma agência de detetives no Havaí. A produção durou quatro temporadas, até 1963, e se tornou tão popular que o personagem do ator ainda apareceu em quatro crossovers na série “77 Sunset Strip”. Mas foi a atração seguinte que marcou sua carreira. Exibida entre 1965 e 1969, “James West” (The Wild Wild West) acompanhava as aventuras do personagem-título e seu parceiro Artemus Gordon (Ross Martin), um mestre dos disfarces, como os primeiros agentes do Serviço Secreto dos EUA, enfrentando supervilões que ameaçavam o governo Ulysses S. Grant (de 1869 até 1877). A série combinava duas tendências disparatadas, mas que faziam sucesso na mesma época: as tramas de espionagem de James Bond e as séries de western, como “Paladino do Oeste” e “Bat Masterson”. Embora também durado quatro temporadas, seus 104 episódios se multiplicaram em reprises infinitas, devido ao fato de “James West” ter sido uma das primeiras séries coloridas da TV – a partir da 2ª temporada. A produção à cores também consagrou os olhos azuis do ator, cuja intensidade se tornou uma marca registrada tão conhecida quanto seus músculos, apertados numa roupa extremamente justa para delírio do público feminino – e LGBTQIA+, claro. As calças de James West eram tão justas que costumavam rasgar nas gravações, o que fez o ator desenvolver predileção por cuecas azuis – da mesma cor das roupas do personagem. Repleta de lutas, cavalgadas, trens em disparada e ação intensa, “James West” também permitiu a Conrad explorar sua capacidade física. Décadas antes de Tom Cruise se provar destemido, ele ficou conhecido nos bastidores de Hollywood por dispensar dublês e fazer as cenas mais perigosas da produção – riscos que eram muito maiores então, devido à precariedade dos equipamentos de prevenção de acidentes do período. Durante a gravação de um episódio, o ator quase morreu ao cair de uma altura de 4 metros direto no chão de cimento. Ele sofreu o que descreveu como “uma fratura linear de quinze centímetros com alta concussão temporal”. O acidente fez os executivos da rede CBS obrigarem o astro da série a usar dublês. Mas assim que Conrad se sentiu curado, voltou a “quebrar algumas coisas”, como sempre fazia. Por conta disso, tornou-se um dos poucos atores reconhecidos no Hall da Fama dos Dublês. De fato, sua carreira foi praticamente consequência de sua capacidade de se arriscar. Logo em seu começo, quando surgiu fazendo figurações em séries, ele conseguiu um papel de índio em “Maverick”, cuja participação no episódio se resumia a levar um tiro e cair do cavalo. Ele caiu para trás, tão bem e de forma tão corajosa, que o diretor e os produtores perceberam que aquele novato era dinheiro no banco – contratavam um ator e ganhavam um dublê grátis. Os olhos azuis, o físico encorpado, a vaga semelhança com James Dean, o fato de sua mãe trabalhar como relações públicas da Warner e namorar um executivo do estúdio também ajudaram, é verdade. Mas isso também alimentou o impulso de se provar merecedor dos papéis, arriscando-se com força maior. Essa ousadia, porém, acabou tornando “James West” mais realista que sua premissa fantasiosa propunha. E após os assassinatos de Robert Kennedy e Martin Luther King Jr. em 1968, a violência na TV passou a ser condenada por políticos em busca de um bode expiatório, levando a opinião pública a questionar seus próprios gostos em relação às séries de ação. A polêmica acabou levando ao cancelamento da atração em 1969, quando ainda era uma das mais vistas da TV americana. As reprises mantiveram “James West” popular por pelo menos mais uma década, inspirando os produtores a retomarem o personagem numa série de telefilmes, entre o final dos anos 1970 e o começo de 1980. Até que Will Smith encarnou o personagem no cinema, ridicularizando e enterrando a franquia. Conrad chamou o longa de 1999 de “horrível” e “patético” e foi à cerimônia do Framboesa de Ouro para aceitar o troféu de Pior Filme do ano como representante não oficial da produção. Embora ele tenha protagonizado diversas outras séries, nenhuma outro papel lhe rendeu o mesmo destaque. A exceção entre os cancelamentos em 1ª temporada que se seguiram foi “Black Sheep Squadron”, trama de guerra que durou dois anos, entre 1976 e 1978, e pelo qual Conrad foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática, como o Major Greg “Pappy” Boyington, um piloto que realmente existiu. Ele ainda brilhou em “Centennial” (1979), minissérie sobre 200 anos da história do Colorado, que dizia ter sido seu trabalho favorito. Conrad também teve uma pequena carreira cinematográfica, chegando a interpretar o gângster “Pretty Boy” Floyd em “Eu Sou Dillinger” (1965) e o próprio Dillinger em “A Mulher de Vermelhp” (1979), além de atuar na sátira “O Homem com a Lente Mortal” (1982), ao lado do “007” Sean Connery, e na comédia “Um Herói de Brinquedo” (1996), com Arnold Schwarzenegger. Apareceu ainda em inúmeras séries clássicas como ator convidado. O primeiro papel importante foi ninguém menos que o pistoleiro Billy the Kid num episódio de 1959 de “Colt 45”, e o último aconteceu numa participação especial de 2000 na série “Nash Bridges”. Artista versátil, ele até gravou discos, sob o nome de Bob Conrad, e aproveitou sua fama de “durão” em campanhas publicitárias, virando garoto-propaganda das pilhas Eveready. Casado duas vezes, deixa oito filhos e 18 netos.
Kirk Douglas (1916 – 2020)
Kirk Douglas, um dos últimos atores da era de ouro de Hollywood, morreu nesta quarta-feira (5/2) aos 103 anos, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo filho, o também ator Michael Douglas, em comunicado. “É com muita tristeza que meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas nos deixou aos 103 anos. Para o mundo, ele era uma lenda, um ator da era de ouro do cinema que viveu seus anos dourados. Um humanitário cujo comprometimento com a justiça e as causas que acreditava estabeleceu um padrão para todos nós aspirarmos”. O texto de Michael conclui dizendo que “para mim e meus irmãos Joel e Peter, ele era simplesmente pai, para Catherine [Zeta-Jones], um maravilhoso sogro, para seus netos e bisnetos, um avô amoroso e, para sua esposa Anne, um marido maravilhoso. A vida de Kirk foi bem vivida e ele deixa um legado no cinema que perdurará pelas gerações vindouras, e uma história como um filantropo de renome que trabalhou para ajudar o público e trazer paz ao planeta”. A causa da morte não é conhecida, mas ele sobreviveu a um acidente de helicóptero em 1991 e a um AVC em 1996, que o deixou com problemas de fala. Filho de imigrantes russos de origem judaica, que chegaram aos EUA fugindo do nazismo, Issur Danielovitch, o menino que virou Kirk Douglas, viveu uma infância pobre, entre seis irmãos. Trabalhava como faxineiro quando conseguiu impressionar o diretor da Academia de Artes Dramáticas de Nova York num teste para entrar na escola, e conseguiu uma bolsa de estudos por não poder bancar as aulas. Ele chegou a estrear no teatro em 1941, mas sua carreira foi interrompida quando foi alistado para lutar na 2ª Guerra Mundial. Por isso, já tinha 30 anos quando sua colega de curso de atuação, a icônica Lauren Bacall, convenceu o produtor Hal Wallis a lhe dar seu primeiro papel no cinema. Era para ser uma figuração, mas o teste foi tão bom que ele foi escalado num dos principais papéis de “O Tempo Não Apaga” (1946), de Lewis Milestone, como o marido alcoólico e não amado de Barbara Stanwyck, personagem complexo que antecipou o tipo de figuras que interpretaria ao longo de mais de 90 longa-metragens. Depois de enfrentar Robert Mitchum e Burt Lancaster em dois clássicos noir, “Fuga do Passado” (1947) e “Estranha Fascinação” (1947), sua fisionomia marcante, caracterizada por uma covinha profunda num queixo privilegiado, logo passou a estampar pôsteres como protagonista. Já em “Minha Secretária Favorita” (1948) deixou de interpretar o vilão para se tornar o galã romântico, em seu primeiro papel principal. Curiosamente, ele não investiu nesse perfil. Ao contrário, preferiu continuar malvado e fazer clássicos. No espaço de uma década, Douglas trabalhou com alguns dos maiores diretores do cinema americano, estrelando filmes memoráveis como “Quem é o Infiel?” (1949), de Joseph L. Mankiewicz, “Êxito Fugaz” (1950), de Michael Curtiz, “Embrutecidos pela Violência” (1951), de Raoul Walsh, “Chaga de Fogo” (1951), de William Wyler, “A Montanha dos 7 Abutres” (1951), de Billy Wilder, “O Rio da Aventura” (1952), de Howard Hawks, “Assim Estava Escrito” (1952), de Vincente Minnelli, “Mais Forte que a Morte” (1953), de Anatole Litvak, “Caminhos sem Volta” (1955), de Henry Hathaway, “Homem sem Rumo” (1955), de King Vidor, “Sede de Viver” (1956), de Minnelli e George Cukor, “Glória Feita de Sangue” (1957), de Stanley Kubrick e a dupla de westerns “Sem Lei e Sem Alma” (1957) e “Duelo de Titãs” (1959), de John Sturges. Se tivesse feito apenas estes filmes, sua filmografia seria uma das melhores de todos os tempos, repleta de clássicos e obras de mestres da sétima arte, de onde saíram, inclusive, suas três indicações ao Oscar. Mas este foi apenas o começo de sua carreira. Douglas deu vida a algumas das principais tendências do cinema hollywoodiano, transitando dos gângsteres de filme noir para os cowboys de chapéu preto, mas ficou conhecido mesmo como o nome dos filmes de qualidade. Sua primeira indicação ao Oscar veio com o papel do pugilista cínico e cruel de “Invencível” (1950), um vilão que encantou a Academia. A segunda foi como um produtor ambicioso de cinema em “Assim Estava Escrito” (1952). E a terceira acompanhou seu retrato sublime do atormentado pintor Vincent van Gogh, em “Sede de Viver” (1956). Em comum, eram todos os personagens repletos de falhas e muitas vezes detestáveis. Esta característica também marcou o jornalista sensacionalista de “A Montanha dos 7 Abutres”, que explorava uma tragédia em busca de benefício próprio, assim como inúmeros outros papéis de sua carreira. Mesmo seus heróis se caracterizavam por possuir um lado sombrio, como Ulisses, no filme homônimo de 1954, o arpoador Ned Land em “20.000 Léguas Submarinas” (1954) e o cowboy Doc Holliday, em “Sem Lei e Sem Alma”. Dizem que essa personalidade difícil não existia apenas nas telas. O ator nutria a reputação de gostar de mandar em seus diretores. Seu amigo de longa data Burt Lancaster costumava dizer que o próprio Kirk Douglas era o primeiro a admitir ser uma pessoa difícil — “Eu sou o segundo a dizer”, acrescentava na piada. Fato é que, desde 1955, passou a receber créditos em seus filmes como produtor. Esta força de bastidores acabou se provando positiva quando ele resolveu enfrentar a lista negra de Hollywood. Para saber o que era a lista negra é preciso lembrar que, após a 2ª Guerra Mundial, políticos da extrema direita tinha instaurado um clima de paranoia nos EUA, dizendo que havia comunistas em todos os lugares, inclusive na indústria cinematográfica. Dando início a uma “caça às bruxas” moderna – uma guerra ao “marxismo cultural”, expressão que não existia na época, mas que serve de parâmetro para os leitores atuais – , o Congresso americano pressionou roteiristas, diretores e atores a revelar quais de seus colegas eram esquerdistas. Quem se recusava a falar, era ameaçado de prisão e fim de carreira. Assim que os primeiros cederam, foi criada uma lista com nomes dos “comunistas” de Hollywood, a infame lista negra. Vários roteiristas foram listados e proibidos de trabalhar. Mas eles encontraram um meio de driblar os políticos, usando a assinatura de colegas e até mesmo pseudônimos. Mesmo assim, havia um clima de pânico por receio do subterfúgio ser descoberto. Quando definiu que seu primeiro filme dos anos 1960 seria “Spartacus”, Kirk Douglas resolveu contratar o melhor roteirista que conhecia, Dalton Trumbo, um escritor da lista negra. Mas ao fechar o projeto com o diretor Stanley Kubrick, ele insistiu que Trumbo fosse creditado com seu nome real. Dizia que se fossem criar problema com o produtor, ele era o produtor. Trumbo foi devidamente creditado e nada aconteceu contra ele, Kubrick ou Douglas, encerrando o terror da lista negra em Hollywood. Como intertexto, esse embate aconteceu apropriadamente num filme de temática revolucionária, em que um escravo chamado Spartacus liderava um levante contra os desmandos do Senado de Roma. Consagrado como um dos principais épicos de seu gênero, “Spartacus” venceu quatro Oscars. O ator dizia que se orgulhava mais disso do que de qualquer filme que tivesse feito. Mas ainda fez muitos outros clássicos nos anos seguintes, entre eles o western “O Último Por-do-Sol” (1961), de Robert Aldrich, “A Lista de Adrian Messenger” (1963), de John Huston, “Sete Dias de Maio” (1964), de John Frankenheimer, “A Primeira Vitória” (1965), de Otto Preminger, “Os Heróis de Telemark” (1965), de Anthony Mann, “Paris Está em Chamas?” (1966), de René Clément, “Movidos pelo Ódio” (1969), de Elia Kazan, e “Ninho de Cobras” (1970), outra parceria com Mankiewicz. Apenas mais uma seleção incrível de obras de mestres do cinema. A partir dos anos 1970, sua carreira seguiu um rumo inusitado, levando-o a acumular filmes de fantasia e ficção científica. O mais curioso é que até essa etapa trash ou decadente, inferior à fase clássica, produziu bons títulos de entretenimento, como a adaptação de Jules Verne “O Farol do Fim do Mundo” (1971), a sci-fi paranormal “A Fúria” (1978), de Brian De Palma, o terror nuclear “Exterminação 2000” (1977), de Alberto Martino, a cultuada viagem no tempo de “O Nimitz Volta ao Inferno” (1980) e o divertido western cartoon “Cactus Jack, o Vilão” (1979), em que enfrentou Arnold Schwarzenegger. Além de Brian De Palma (duas vezes), ele trabalhou com outros cineastas que marcaram a era do VHS, entre eles George Miller, o criador de “Mad Max”, em “Herança de um Valente” (1982), e John Landis, o diretor de “Blues Brothers”, “O Clube dos Cafajestes” e do célebre clipe de “Thriller”, de Michael Jackson, em “Oscar: Minha Filha Quer Casar” (1991) – no qual contracenou com Sylvester Stallone. Um de seus últimos filmes, “Acontece nas Melhores Famílias” (2003), ainda lhe permitiu atuar ao lado de seu filho, o igualmente famoso ator Michael Douglas. Para dar a devida dimensão à importância e tamanho da carreira de Kirk Douglas, basta lembrar que ele ganhou seu primeiro troféu pelas realizações da vida no Globo de Ouro de 1968. Quase 30 anos depois, em 1996, foi a vez do Oscar homenageá-lo por sua impressionante filmografia. Após mais três anos, foi a vez do SAG (Sindicato dos Atores). E ele ainda estava ativo. Em 2001, foi a vez do Festival de Berlim. Até o WGA (Sindicato dos Roteiristas) lhe deu um prêmio em reconhecimento pelo que fez por Dalton Trumbo. Na verdade, a indústria cinematográfica nunca parou de homenageá-lo, desde que ele ganhou sua estrela na Calçada da Fama em 1960. E o motivo de tanto carinho é que, em contraste com os papéis de malvados, ele foi um grande herói da vida real. Não apenas por enfrentar o fascismo americano. Mas por criar a Fundação Douglas, que desde 1964 investe em vários projetos de educação e saúde, ajudando a manter casas de repouso para astros idosos, hospitais infantis, playgrounds públicos, pesquisas médicas e bolsas de estudos. Em 2018, já com 101 anos, de cadeira de rodas e com problemas relacionados a seu AVC, Kirk Douglas pôde testemunhar pela última vez como era querido em Hollywood, ao ser aplaudido de pé por toda a geração atual de atores, atrizes e cineastas. Foi a última vez em que apareceu em público, durante o Globo de Ouro.
Ivan Passer (1933 – 2020)
O diretor tcheco Ivan Passer morreu na quinta-feira (9/1) em Reno, Nevada (EUA), aos 86 anos, de causa não revelada. Ao lado de Milos Forman, Vera Chytilova e Jan Nemec, Passer esteve à frente da “new wave” do cinema da Tchecoslováquia dos anos 1960, que representou um afastamento dramático do realismo socialista promovido pelo governo comunista. Natural de Praga, Passer foi colega de ensino médio de Forman e do futuro presidente da República Tcheca, Václav Havel. E causou sensação já em sua estreia como diretor, “Iluminação Íntima”, em 1965. Até hoje, o longa permanece como uma de suas obras mais aclamadas. Também foi em 1965, logo após se formar na prestigiosa escola de cinema FAMU, que ele estreitou sua parceria criativa com Forman, escrevendo dois dos filmes mais famosos do colega, “Os Amores de uma Loira” (1965) e “O Baile dos Bombeiros” (1967), ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Após a invasão soviética da Checoslováquia pelas tropas russas em 1968, numa repressão violenta à chamada “Primavera de Praga”, Passer e Forman fugiram do país e se mudaram para os Estados Unidos. Mas enquanto Forman se consagrou com dois Oscars, pela direção dos clássicos “Um Estranho no Ninho” (1975) e “Amadeus” (1984), Passer não emplacou grandes sucessos. Seus filmes de exílio incluem o thriller “Morte Silenciosa” (1971), que contava com um jovem Robert De Niro, “O Jogo da Trapaça” (1976), com Omar Shariff, a produção britânica “O Banco dos Trapaceiros” (1977), com Michael Caine, a comédia “Criador” (1985), com Peter O’Toole, e o romance “Primeiro Verão de Amor” (1988), com Laura Dern, além de telefilmes e obras que não chegaram ao Brasil. Apesar da falta de hits, um longa desse período se tornou bastante cultuado: “Obstinação” (1981). Estrelado por Jeff Bridges, o filme era um thriller de influência hitchcockiana, ao estilo dos suspenses dirigidos por Brian De Palma naquela época. O diretor também dirigiu “Pretty Hattie’s Baby” (1991), baseada na história real de Fauna Hodel, uma garota branca adotada por uma mãe negra nos anos 1950 – a mesma história que no ano passado foi transformada em minissérie por Patty Jenkins com o título “I Am the Night”. Mas o longa nunca foi lançado, por brigas entre os estúdios que financiaram a produção – interrompida quando faltavam dois dias de filmagens agendadas. A atriz Alfre Woodward chegou a dizer que o papel de Hattie foi o melhor trabalho de sua carreira. O desastre de “Pretty Hattie’s Baby” traumatizou Passer, que passou a se dedicar a telefilmes. Ele ainda causou impacto ao decidir expor seus velhos inimigos comunistas com a telebiografia “Stalin” (1992), que rendeu um Globo de Ouro a Robert Duvall por sua interpretação do ditador soviético. Passer só retornou ao Leste Europeu após a queda do Muro de Berlim e o fim da Cortina de Ferro, para rodar seu último filme: “Nômade”, que ele codirigiu com o russo Sergei Bodrov no território do Uzbequistão. Dois anos depois, ele foi homenageado em seu país natal com um Globo de Cristal pelas contribuições artísticas de sua carreira. A homenagem aconteceu durante a edição de 2008 do Festival de Karlovy Vary, o mais importante festival de cinema do Leste Europeu.
Carro dirigido por Steve McQueen em Bullit é vendido por US$ 3,4 milhões nos EUA
O carro Ford Mustang GT de 1968, que Steve McQueen dirigiu nas cenas clássicas de perseguição do filme “Bullitt”, foi arrematado por US$ 3,4 milhões em leilão realizado na Flórida nesta sexta-feira (11/1). Foi o preço mais alto já pago por um Ford Mustang, segundo David Morton, gerente de marketing da casa de leilões em Kissimmee, perto de Orlando. O comprador não foi identificado publicamente. “O martelo foi batido em US$ 3,4 milhões, mas com as taxas de compradores, o custo total é de US$ 3,74 milhões”, disse ele à imprensa. O veículo de “Bullit” é um dos carros mais famosos do cinema norte-americano e foi vendido sem restauração, com sua pintura verde e estofado preto originais. Ele entrou para a História do cinema devido a 10 minutos de perseguição, em que aparece voando literalmente pelas ladeira íngremes das ruas de San Francisco. E foi realmente dirigido por McQueen em várias tomadas. O ator filmou suas cenas com a janela abaixada, para que os espectadores pudessem ter certeza que era ele quem estava atrás do volante. Mas nas situações mais arriscadas, foi substituído pelo dublê Bud Ekins. Após as filmagens de 1968, o Mustang foi vendido a um funcionário do estúdio Warner Bros., que o repassou a um detetive da polícia de Nova Jersey, até finalmente chegar em 1974 a Robert Kiernan, de Madison, Nova Jersey, que manteve o carro até morrer, em 2014. Kiernan rejeitou várias ofertas pelo carro, incluindo uma do próprio McQueen, segundo o jornal New York Times. Ao morrer, ele deixou o Mustang GT de herança para seu filho, responsável pela venda atual. Lembre abaixo o trailer original de “Bullit”, que destaca a famosa cena de perseguição.
Buck Henry (1930 – 2020)
Morreu o ator, roteirista e diretor Buck Henry, duas vezes indicado ao Oscar, pelo roteiro de “A Primeira Noite de um Homem” (1967) e pela direção de “O Céu Pode Esperar” (1978). Ele também foi cocriador da série clássica “Agente 86” (1965-1970) e faleceu nesta quinta (9/1) aos 89 anos, em Los Angeles, após sofrer uma parada cardíaca no hospital Cedars-Sinai. Henry Zuckerman era filho de um general da Força Aérea dos EUA e da atriz Ruth Taylor, estrela do cinema mudo que protagonizou a primeira versão de “Os Homens Preferem as Loiras” (1928), no papel que 30 anos depois seria vivido por Marilyn Monroe. “Buck” era um apelido de infância, que ele adotou como nome artístico ao estrear como ator. O mais curioso é que Henry ficou famoso como ator antes mesmo de estrelar uma peça, um filme ou uma série, graças a uma pegadinha histórica. Entre 1959 e 1963, ele apareceu como G. Clifford Prout, presidente de uma organização conservadora, numa série de entrevistas em jornais, revistas e programas de TV, para defender a agenda da fictícia Sociedade contra a Indecência dos Animais Nus (SINA, na sigla em inglês). O objetivo era divulgar campanhas, petições e angariar fundos para vestir animais selvagens, que poderiam causar acidentes nas estradas com a distração de sua nudez, e animais domésticos, que traumatizavam crianças por exibir suas partes íntimas sem pudor. A SINA tentou até fechar o Zoológico de São Francisco por mostrar animais indecentes à menores, mas, após quatro anos de zoeira, a farsa foi descoberta. Muitos jornalistas ficaram irritados por terem caído na pegadinha. Mas isso lançou a carreira de Henry. Ele passou a integrar uma trupe de humoristas nova-iorquinos, chamada The Premise, fez stand-up e foi escrever programas de comédia, onde pudesse exercitar seu humor febril. Em 1964, ajudou a criar a série “That Was the Week That Was”, uma sátira de telejornais, em que também apareceu como ator, e roteirizou seu primeiro projeto de cinema, “O Trapalhão”, estrelado por vários integrantes da trupe The Premise. Logo depois disso, juntou-se a outro maluco beleza, Mel Brooks, para conceber uma comédia de espionagem para a televisão. Por incrível que pareça, a rede ABC não achou a premissa engraçada. Mas a NBC, que estava atrás de uma série para o humorista Don Adams, adorou o roteiro de Henry e Brooks, que resultou num dos maiores clássicos televisivos dos anos 1960. Com Adams no papel-título, “Agente 86” durou cinco temporadas, entre 1965 e 1970, continuou em telefilmes até 1995 e ainda rendeu um remake cinematográfico em 2008. Henry ganhou um Emmy de Melhor Roteiro pelo episódio de duas partes “Ship of Spies”, da 1ª temporada. Mas depois de criar o célebre Cone de Silêncio, preferiu seguir carreira no cinema. O diretor Mike Nichols estava descontente com o roteiro de seu segundo longa, que adaptava o livro de Charles Webb sobre um universitário recém-formado, envolvido com a esposa do parceiro de negócios de seu pai. Num impulso, resolveu apostar no roteirista televisivo em ascensão. O resultado foi outro clássico: “A Primeira Noite de Um Homem” (1967), que rendeu a Henry sua primeira indicação ao Oscar – de Melhor Roteiro Adaptado. Henry ainda criou um papel para se divertir no filme, como o gerente do hotel que sugere ter flagrado a atividade sexual do graduado (Dustin Hoffman) e da Mrs. Robinson (Anne Bancroft). Nichols manteve a parceria com o roteirista em seus longas seguintes, “Ardil 22” (1970) e “O Dia do Golfinho” (1973), e nesse meio-tempo Henry ainda assinou o cult psicodélico “Candy” (1968) e as comédias de sucesso “O Corujão e a Gatinha” (1970) e “Essa Pequena é uma Parada” (1972), ambas estreladas por Barbra Streisand. Paralelamente, alimentou sua carreira de ator com pequenos papéis nos filmes que escrevia e também em produções como “O Homem que Caiu na Terra” (1976), com David Bowie, e “Glória” (1980), um dos maiores clássicos de John Cassavetes, além de virar quase um integrante fixo do humorístico “Saturday Night Live”. A experiência atrás e à frente das câmeras o impulsionou a estrear como diretor. Em seu primeiro trabalho na função, dividiu o comando de “O Céu Pode Esperar” (1978) com o astro Warren Beatty. Remake de “Que Espere o Céu” (1941), o filme trazia Beatty como um jogador de futebol americano que voltava a vida no corpo de um milionário, e recebeu nada menos que nove indicações ao Oscar, inclusive Melhor Filme e Direção. Entusiasmado, Henry resolveu dirigir sozinho seu filme seguinte, que ele também escreveu. Mas “Primeira Família” (1980) foi um fracasso clamoroso de público e crítica. Ele nunca mais dirigiu outro filme. E assinou apenas mais quatro roteiros de cinema, todos comédias: a clássica “Trapalhadas na Casa Branca” (1984), com Goldie Hawn, a cultuada “Um Sonho sem Limites” (1995), que transformou Nicole Kidman numa atriz de prestígio, o fracasso “Ricos, Bonitos e Infiéis” (2001), num reencontro com Warren Beatty, e “O Último Ato” (2014), que juntou Al Pacino e Greta Gerwig sem muita repercussão. Nos últimos anos, Henry vinha se dedicando mais à atuação, fazendo pequenas participações em filmes repletos de celebridades. Ele chegou a encarnar o “difícil” papel de si mesmo em “O Jogador” (1992), de Robert Altman, em que tenta convencer o executivo de cinema vivido por Tim Robbins a produzir “A Primeira Noite de um Homem – Parte II”. Mas os demais trabalhos foram todos fiascos de bilheteria, como “À Beira da Loucura” (1999), “Gente Famosa” (2000) e “Luzes, Câmera, Ação” (2004). Acabou chamando mais atenção na TV, com papéis recorrentes nas séries “30 Rock”, na qual viveu o pai de Tina Fey (entre 2007 e 2010), e “Hot in Cleveland”, como noivo de Betty White (em 2011). Sua última aparição televisiva foi como juiz em dois episódios de “Franklin & Bash”, exibidos em 2013.
Edd Byrnes (1933 – 2020)
O ator Edd Byrnes, mais conhecido pela série clássica “77 Sunset Strip”, morreu nesta quinta (9/1) de causas naturais aos 87 anos. Byrnes chegou em Hollywood em 1955, logo após a morte de James Dean, e conseguiu várias papéis pequenos de “rebelde”, entre eles no clássico de reformatório juvenil “Reform School Girl” (1957). Logo conseguiu se destacar como um assassino que penteava compulsivamente seus cabelos em “Uma Vida em Perigo” (1958). Seu destino era trágico naquele filme, que acabou servindo de ponto de partida para a série “77 Sunset Strip” (1958-1964), mas os produtores gostaram do ator e decidiram mantê-lo – e seu pente – na atração que estavam desenvolvendo, só que em outro papel: Gerald Lloyd Kookson III, o Kookie. O novo personagem era um atendente de estacionamento do clube localizado ao lado da agência dos detetives Stuart Bailey (Efrem Zimbalist Jr.) e Jeff Spencer (Roger Smith), na Sunset Strip de Los Angeles. E quando não estava manobrando conversíveis, costumava aparecer estalando os dedos e penteando o topete rockabilly, numa tentativa de imitar Elvis Presley. De personalidade folgada, mas legal, Kookie foi o protótipo de Fonzie, que surgiria duas décadas depois em “Happy Days”. E virou um fenômeno de popularidade, com muitas fãs adolescentes – ele bateu o recorde de número de cartas recebidas nos estúdios da Warner – e inspirou até uma música, “Kookie, Kookie, Lend Me Your Comb”, que virou disco de ouro em 1959, em gravação de Connie Stevens. Uma vez, Byrnes contou ter aparecido em 26 capas de revistas diferentes… na mesma semana. Mas, infelizmente, não pôde aproveitar essa popularidade. Seu contrato o proibia de assumir papéis de protagonista no cinema. Assim, decidiu abandonar a série. Mas a carreira não decolou como ele imaginava – seu melhor papel foi como coadjuvante de Clint Walker no western “A Lei do Mais Valente” (1959) – , mergulhando no alcoolismo. Assim, acabou negociando um retorno à série, num papel mais destacado, agora como sócio da agência de detetives – e trajando paletó e gravata. Ao final da série, ele filmou um thriller de espionagem com Roger Corman (“A Invasão Secreta”, 1964) e protagonizou “Farra Musical” (Beach Ball, 1965), seu papel mais importante no cinema, dentro do ciclo dos chamados “beach movies”. Neste filme, Byrnes vivia um roqueiro que tenta juntar dinheiro para comprar sua guitarra e acaba entrando em contato com muitos artistas de verdade, via participações especiais das Supremes, The Righteous Brothers, The Four Seasons, The Hondells e até “o sensacional novo grupo” Walker Brothers. Só a trilha sonora já garante a fama de cult da produção. Depois disso, mudou-se para a Europa, onde estrelou vários spaghetti westerns. Sua trajetória, inclusive, inspirou parte da história de “Era uma Vez em Hollywood”. Ele voltou aos EUA nos anos 1970, mas jamais repetiu seu sucesso, reduzindo seu trabalho a diversas aparições em séries – de “As Panteras” a “Ilha da Fantasia”. Mesmo assim, ainda teve um último papel famoso no cinema, embora pequeno, como Vince Fontaine no musical “Grease: No Tempo da Brilhantina” (1978). O personagem era o apresentador (inspirado em Dick Clark) de um concurso televisivo de danças na escola Rydel High. Relembre abaixo. Byrnes continuou aparecendo em séries até os anos 1990 e seu último trabalho foi uma volta ao rock’n’roll, no bem-avaliado telefilme “Shake, Rattle and Roll: An American Love Story” (1999), sobre uma banda fictícia na era de ouro do rock.
Timothée Chalamet negocia estrelar cinebiografia de Bob Dylan
O ator Timothée Chalamet (“Me Chame Pelo Seu Nome”) está negociando com a Fox Searchlight o papel do cantor Bob Dylan no filme “Going Electric”, que será dirigido por James Mangold, cineasta responsável por “Logan” e “Ford Vs Ferrari”. O filme tem a benção do cantor de 78 anos, que participa como produtor, e vai adaptar o livro “Dylan Goes Electric”, de Elijah Wald, que traça a conturbada transformação de Dylan em roqueiro, após um começo de carreira dedicado à música folk. Esta transição foi registrada no famoso documentário “Don’t Look Back”, de 1967. O roteiro da adaptação está a cargo de Jay Cocks, parceiro de Martin Scorsese em “A Época da Inocência” (1993), “Gangues de Nova York” (2002) e “Silêncio” (2016). “Going Electric” será a primeira cinebiografia convencional de Dylan, que já teve sua história de vida adaptada de forma alegórica em “Não Estou Lá” (2007), de Todd Haynes, em que Cate Blanchet, Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere e Heath Ledger se revesaram como personas do cantor. Dylan também foi personagem importante de “Uma Garota Irresistível” (2006), interpretado por Hayden Christensen – e identificado no filme como “O Músico”. A produção segue a nova tendência de cinebiografias roqueiras, na esteira do sucesso e das premiações conquistadas por “Bohemian Rhapsody”, sobre a banda Queen, e “Rocketman”, sobre Elton John. Timothée Chalamet será visto a seguir em “Adoráveis Mulheres”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (9/11), além de já ter terminado as filmagens do remake de “Duna”, no qual tem o papel principal. A estreia da sci-fi vai acontecer em dezembro.
Martin West (1937 – 2019)
O ator Martin West, que foi galã dos filmes de surfe dos anos 1960, morreu na terça-feira (31/12) aos 82 anos. Nascido Martin Weixelbaum, o ator fez carreira na Broadway antes de ganhar seu pseudônimo hollywoodiano. Ele estreou no cinema já como protagonista em 1960, ao viver um guarda florestal sem um braço na aventura “Desafio à Coragem” (Freckles). Apesar disso, é mais lembrado pela boa aparência e juventude, que lhe renderam papéis em dois filmes de praia de 1965: “A Swingin’ Summer”, com Rachel Welch, e “Brotinhos de Biquini” (The Girls on the Beach), com trilha e participação dos Beach Boys. West também fez par romântico com a “brotinha” Tuesday Weld na cultuada comédia “Enganando Papai” (Lord Love a Duck, 1966), que satirizava a cultura adolescente dos anos 1960, incluindo os filmes de praia. Depois dessa fase de galã, Martin colecionou uma galeria notável de pequenos papéis em grandes filmes, com destaque para “O Caçador de Aventuras” (Harper, 1966), com Paul Newman, “Por Toda Minha Vida” (Sweet November, 1968), com Sandy Dennis, “Quando é Preciso Ser Homem” (Soldier Blue, 1970), com Candice Bergen, “Trama Macabra” (Family Plot, 1976), último filme de Alfred Hitchcock, e o cultuadíssimo “Assalto à 13ª DP” (Assault on Precinct 13, 1976), de John Carpenter. Mas essa filmografia impressionante nem sempre representou papéis proeminentes, o que o direcionou para a TV, onde formou um respeitável currículo de participações especiais. West gravou episódios dos principais seriados de western, como “Paladino do Oeste” (Have Gun Will Travel), “O Homem de Virgínia” (The Virginian), “Gunsmoke” e “Bonanza”, além de ter aparecido em “Perry Mason”, “Têmpera de Aço” (Ironside), “Os Invasores” (The Invaders), “CHiPS”, “O Homem que Veio do Céu” (Highway to Heaven) e, de forma recorrente, em “Chumbo Grosso” (Hill Street Blues), “Dallas” e na novela “General Hospital”. Seus últimos trabalhos incluem os filmes “A Marca da Corrupção” (1987), com James Woods e Brian Dennehy, e “Mac – O Extraterrestre” (1988), um “E.T.” de baixo orçamento.
Sue Lyon (1946 – 2019)
A atriz Sue Lyon, eternizada na tela como a Lolita do clássico de Stanley Kubrick, morreu na quinta-feira (26/7) em Los Angeles, aos 73 anos de idade. Uma pessoa descrita como amigo informou ao jornal The New York Times que a saúde da atriz vinha se deteriorando nos últimos anos, mas a causa da morte não foi informada. Lyon tinha feito apenas duas figurações em séries antes de ser escalada por Kubrick. Ela iniciou a carreira aos 13 anos, com uma aparição em “The Loretta Young Show”, e superou cerca de 800 candidatas aos 15 para fazer sua estreia no cinema, no papel da ninfeta mais famosa da literatura – que no polêmico livro de Vladimir Nabokov tem apenas 12 anos. “Lolita” dividiu os críticos pela descrição do relacionamento entre um adulto de meia idade (James Mason) e sua enteada adolescente. O livro de 1955 chegou a ser proibido em vários países, e o filme de 1962 enfrentou diversas restrições, a ponto de sua história precisar se afastar da trama original de Nabokov. Devido ao tema, o filme também teve que ser filmado secretamente em Londres, mas o estúdio nem pensou duas vezes ao destacar em sua publicidade imagens sugestivas de Lyon de biquíni, óculos de sol e lambendo um pirulito. O próprio Nabokov aprovou a escolha da atriz para viver seu símbolo sexual impróprio, aceitando as condições da Warner, que vetou a contratação de uma garota mais nova. Repleto de imagens fetichistas, “Lolita” escandalizou ao erotizar sua jovem intérprete. Mas, apesar da toda a polêmica que gerou em seu lançamento, acabou ganhando um forte culto ao longo das décadas, tanto que, atualmente, tem 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, atingindo um consenso crítico extremamente positivo entre as novas gerações. Não só o filme, mas sua iconografia foi incorporada à cultura pop, levando Sue Lyon à capas de discos e colagens da pop art. A personagem de Dolores Haze, a Lolita, consagrou a jovem atriz, que chegou a vencer o Globo de Ouro de Melhor Revelação do ano – categoria que não existe mais – , e lhe rendeu até uma curta carreira musical, com a gravação da música-tema “Lolita Ya Ya”, mas também limitou suas ofertas de novos papéis a ninfetas sedutoras. Ela apareceu em seguida em outro clássico, o drama “A Noite do Iguana” (1964), de John Huston, como uma “lolita” que tenta seduzir Richard Burton. Mas conseguiu ir contra o clichê em “7 Mulheres” (1966), último filme de John Ford, no qual viveu uma das sete missionárias do título, que enfrentavam uma horda de bárbaros mongóis. A atriz ainda estrelou “O Magnífico Farsante” e “Tony Rome” em 1967. Em ambos viveu garotas ricas rebeles. “Tony Rome” ainda a mostrou seminua pela primeira vez, aos 21 anos, sob lençóis, diante de Frank Sinatra. Mas seu auge não durou muito. Já nos anos 1970 foi relegada a terrores de baixo orçamento, até rumar para a TV, onde apareceu em episódios de “O Homem de Virgínia”, “Galeria do Terror”, “O Jogo Perigoso do Amor”, “Os Novos Centuriões” e “A Ilha da Fantasia”. Seu último papel foi uma repórter no clássico trash de terror “Alligator – O Jacaré Gigante”, de 1980 – um dos filmes mais reprisados do SBT – , aposentando-se de Hollywood com apenas 34 anos. Lyon se casou cinco vezes. A primeira aos 17 anos, com o ator e roteirista Hampton Fancher (que escreveu “Blade Runner”). Ela teve um filho no segundo casamento, com o fotógrafo e treinador de futebol americano Roland Harrison. E culpava seu terceiro casamento, com Cotton Adamson, por arruinar sua carreira. Ele era um assassino condenado no momento do casamento, e a união a fez perder vários papéis no começo dos anos 1970, dando início à sua decadência profissional. Seu único casamento duradouro foi o último, com um engenheiro chamado Richard Rudman. Eles só se casaram meia década após ela ter largado a atuação, em 1985, e ficaram juntos até 2002, quando se divorciaram. Curiosamente, a atriz nunca saiu de perto de Hollywood, morando em Los Angeles até sua morte. Mas recusava-se a dar entrevistas e falar de seu passado artístico.
Respect: Jennifer Hudson é Aretha Franklin no primeiro teaser da cinebiografia
A MGM divulgou os primeiros teaser e pôster de “Respect”, cinebiografia da cantora Aretha Franklin (1942 – 2018). A prévia traz apenas o título do filme e a intérprete da Rainha do Soul, Jennifer Hudson, cantando a música que dá título à produção. Hudson já ganhou um Oscar ao viver uma cantora no cinema, no filme “Dreamgirls” (2006). Não há muita informação sobre a produção de “Respect”, mas a trama deverá ser ambientada nos anos 1960 e 1970, quando Aretha se consagra como uma das maiores artistas dos EUA, cantando clássicos imortais como “I Say a Little Prayer”, “Think”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” e a faixa-título, além de viver um conturbado relacionamento com seu então marido Ted White. A equipe criativa é estreante no cinema. O roteiro foi escrito por Tracey Scott Wilson, da série “The Americans” e da recente telebiografia “Fosse/Verdon”, enquanto a direção está a cargo de Liesl Tommy, que anteriormente comandou episódios de “The Walking Dead”, “Jessica Jones” e “Mrs. Fletcher”. Por outro lado, a produção é comandada por Scott Bernstein, que recentemente fez outra cinebiografia musical de sucesso, “Straight Outta Compton” (2015), e pelo produtor musical Harvey Mason Jr., que trabalhou com Franklin e também no filme “Dreamgirls”, que consagrou Hudson. O elenco ainda destaca Forest Whitaker (“Pantera Negra”), Tate Donovan (“Rocketman”), Leroy McClain (“A Maravilhosa Sra. Meisel”), Marlon Wayans (“Seis Vezes Confusão”), Marc Maron (“GLOW”), Tituss Burgess (“Unbreakable Kimmy Schmidt”), Audra McDonald (“The Good Fight”) e a cantora Mary J. Blige (“Mudbound”). A estreia está marcada para 17 de setembro no Brasil, um mês após o lançamento nos EUA.
Claudine Auger (1941 – 2019)
A atriz francesa Claudine Auger, que estrelou o filme “007 Contra a Chantagem Atômica” (1965), morreu na quinta-feira (19/12) aos 78 anos. Auger foi a primeira Bond girl francesa, ainda na época de Sean Connery como o agente secreto James Bond. Desde então, diferentes versões do espião viveram romances com Carole Bouquet (“007: Somente Para Seus Olhos”), Eva Green (“007: Cassino Royale”) e Léa Seydoux (“007 Contra Spectre” e “007: Sem Tempo para Morrer”). Consta, inclusive, que a atriz foi contra as recomendações do estúdio e dispensou dublês para as cenas de ação de sua personagem, a célebre Dominique “Domino” Derval. Nascida em Paris em 1941, Auger chamou atenção pela primeira vez ao ser vice-campeã do concurso Miss Mundo aos 17 anos. O sucesso a transformou em modelo e acabou levando-a ao cinema. Em seus primeiros papéis, chegou a participar do clássico “O Testamento de Orfeu” (1960), dirigida e estrelada por Jean Cocteau, e da coprodução hollywoodiana “Paris, Cidade das Ilusões” (1963), estrelada por Jean Seberg. Mas eram pequenas aparições. Tudo mudou após “007 Contra a Chantagem Atômica”. No ano seguinte, ela protagonizou nada menos que quatro filmes, entre eles dois novos thrillers de espionagem, “O Homem de Marrakesh” (1966), escrito e dirigido por Jacques Deray, e “Espionagem Internacional” (1966), do mesmo diretor do filme de 007, Terence Young. A projeção lhe abriu as portas do cinema europeu, com convites para filmar em vários países do continente. Ela acabou se especializando em produções italianas, que renderam à sua filmografia comédias de sucesso como “Operação San Genaro” (1966), de Dino Risi, “Os Amores de um Demônio” (1966), de Ettore Scola, e “As Doces Senhoras” (1968), de Luigi Zampa, em que contracenou com outra Bond girl famosa, Ursula Andress, além de giallos notórios, como “O Ventre Negro da Tarântula” (1971), de Paolo Cavara, e “Mansão da Morte” (1971), de Mario Bava. Auger também contracenou com a americana Goldie Hawn em “Viagem com Anita” (1979), de Mario Monicelli, e teve uma duradoura parceria com o cineasta francês Jacques Deray, que rendeu vários filmes e telefilmes entre 1966 e 1983. Um de seus últimos papéis importantes foi no drama romântico “A Pele do Desejo” (1992), do inglês Andrew Birkin, como a mãe da protagonista vivida por Greta Scacchi.










