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    Depois de atacar o filme, Bolsonaro diz que nunca viu Bruna Surfistinha

    20 de julho de 2019 /

    Um dia depois de atacar o filme “Bruna Surfistinha” para criticar o modelo de financiamento público no cinema brasileiro, e receber respostas do diretor Marcos Baldini e da atriz Deborah Secco, o presidente Jair Bolsonaro disse que nunca viu o longa. A nova afirmação foi feita após evento numa igreja evangélica em Brasília, na sexta (19/7), ao ser questionado se tinha assistido ao filme para criticá-lo. “Eu não, pô! Vou perder tempo com ‘Bruna Surfistinha’? Tenho 64 anos de idade”, respondeu Bolsonaro, de forma ríspida. No mesmo fôlego, Bolsonaro voltou a dizer que vai proibir a Ancine (Agência Nacional do Cinema) de dar “dinheiro público” para “filme pornográfico”. Já estaria decidido, segundo ele. “O que está decidido? Dinheiro público não vai ser usado em filme pornográfico. E ponto final. Acho que ninguém pode concordar com isso. Primeiro, a Ancine, a sede eu acho que é no Leblon. Virão para Brasília. Aquelas noites badaladas, muita festa, vão fazer em Brasília agora essa festa. Estamos estudando a possibilidade, tem que ser lei, voltar a ser agência ou quem sabe extingui-la. Deixa para a iniciativa privada fazer filme. Já viram os títulos dos filmes do nosso Brasil que estão no mercado? Pelo amor de Deus!”, reclamou Bolsonaro. Os títulos dos filmes do nosso Brasil que estão no mercado desde que Bolsonaro virou presidente são, descontando documentários: “Temporada”, “Boi de Lágrimas”, “Eu Sou Mais Eu”, “O Galã”, “Tito e os Pássaros”, “A Pedra da Serpente”, “Minha Fama de Mau”, “Homem Livre”, “Sai de Baixo – O Filme”, “Cinderela Pop”, “Tá Rindo de Quê?”, “Diários de Classe”, “O Último Trago”, “Albatroz”, “Mal Nosso”, “Sobre Rodas”, “Alaska”, “Chorar de Rir”, “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, “Jorginho Guinle – $ó se Vive uma Vez”, “Bio – Construindo uma Vida”, “De Pernas pro Ar 3”, “Horácio”, “Organismo”, “Borrasca”, “A Sombra do Pai”, “B.O.”, “Mormaço”, “A Quarta Parede”, “45 Dias sem Você”, “Kardec”, “Inferninho”, “Histórias Estranhas”, “Dias Vazios”, “Beatriz”, “Deslembro”, “Blitz”, “Divino Amor”, “O Olho e a Faca” e “Turma da Mônica – Laços”. Considerando que Bolsonaro achou “Bruna Surfistinha” ruim sem ver, seria possível ele ter lamentado os títulos dos filmes sem saber de nenhum deles?

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    Diretor de Bruna Surfistinha diz que filme gerou emprego e pagou milhões em impostos

    20 de julho de 2019 /

    O cineasta Marcus Baldini, que dirigiu “Bruna Surfistinha” (2011), resolveu se pronunciar nesta sexta-feira (19/9) a respeito dos comentários pejorativos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro contra seu trabalho. Na quinta, Bolsonaro disse não poder “admitir que com dinheiro público se façam filmes como ‘Bruna Surfistinha'”. Por meio de nota oficial, Baldini ressaltou que o longa é “um projeto importante tanto pela questão artística quanto pela econômica”. “’Bruna Surfistinha’ é um filme com olhar humano sobre um assunto relevante e presente na vida das pessoas. Seu impacto poderia até ser medido por números: mais de 2 milhões de pessoas assistiram ao filme somente nos cinemas. Mais outros milhões, na TV. Um filme que empregou 500 pessoas diretamente, pagou milhões em impostos, gerou receita para o governo e foi premiado na Academia Brasileira de Cinema”, afirmou Baldini. De acordo com ele, “o filme ajudou a fortalecer a indústria audiovisual e foi recompensado com o interesse do público, que assim se aproxima do cinema brasileiro”. “’Bruna Surfistinha’ é um filme do qual me orgulho. A diversidade é uma das belezas da humanidade e a cultura, sua expressão. O cinema não pode se reduzir a uma ou outra visão de mundo, pois isso nos limita como gente, como povo.” Além do diretor, a atriz Deborah Secco, intérprete da Bruna Surfistinha no cinema, também se pronunciou por meio de sua assessoria de imprensa, dizendo-se “triste e chocada” diante da declaração do presidente. “Fiquei muito triste e um pouco chocada de o filme ter sido colocado nesse lugar”, afirmou a atriz, para quem “a arte tem que ser ampla, abrangente”. “A gente precisa poder falar sobre tudo, para que, através da arte, consiga debater sobre tudo”, apontou, refletindo uma visão pluralista e democrática. Depois de atacar “Bruna Surfistinha”, Bolsonaro afirmou que pretende criar “filtros” (eufemismo para censura) para projetos de cinema “em respeito às famílias”. Ou então extinguir simplesmente a Ancine, que, entre outras atividades, encaminha o financiamento da maioria dos projetos cinematográficos do país. Na prática, significa mandar às vazes uma indústria inteira, sem se importar com o impacto econômico da medida.

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    Deborah Secco se diz “triste e chocada” com ataque de Bolsonaro a Bruna Surfistinha

    19 de julho de 2019 /

    A atriz Deborah Secco se disse “triste e chocada” diante da declaração de quinta-feira (18/7) do presidente Jair Bolsonaro, que disse não poder “admitir que com dinheiro público se façam filmes como ‘Bruna Surfistinha'”. Ela viveu o papel-título do filme de 2001 e defendeu a produção, por meio de sua assessoria de imprensa. “Fiquei muito triste e um pouco chocada de o filme ter sido colocado nesse lugar”, afirmou a atriz. “Temos de falar sobre tudo para que, através da arte, possamos debater sobre a realidade. Não podemos nos calar vendo tudo isso.” “A história [de ‘Bruna Surfistinha’] retrata uma história real, não só da Bruna, mas de outras mulheres que se encontram nessa situação. Queria muito que nenhuma mulher tivesse de se vender para sobreviver, mas essa não é a realidade do nosso país”, acrescentou a atriz. “Não adianta esconder o que existe. Tenho muito orgulho desse filme, que me trouxe uma nova visão sobre esse assunto [prostituição]. Espero que o mesmo tenha acontecido com outras pessoas que o viram.” Os argumentos da atriz contrastam com o discurso de Bolsonaro, que pretende criar “filtros” (eufemismo para censura) para projetos de cinema “em respeito às famílias”. Para Deborah, cancelar os repasses públicos para produções como “Bruna Surfistinha” seria uma afronta ao papel da arte, que deve tratar dos mais variados temas de uma sociedade. “A arte tem que ser ampla, abrangente, a gente precisa poder falar sobre tudo, para que, através da arte, consiga debater sobre tudo”, afirmou a estrela. “Bruna Surfistinha” foi um dos filmes mais premiados do Brasil em 2012, incluindo troféus do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro para seu roteiro e para as atrizes Deborah Secco e Drica Moraes, o troféu do SESC como melhor filme do ano em votação do público e o prêmio Contigo de Cinema. Também foi um sucesso de grande aprovação popular. O lançamento arrecadou mais de R$ 4 milhões em seu fim de semana de estreia, ficando atrás somente do desenho “Enrolados”, da Disney. Ao todo, o longa gerou renda de R$ 20 milhões e ainda deu origem à série “Me Chama de Bruna”, do canal pago Fox, que se encaminha para a 4ª temporada.

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    Bolsonaro afirma que irá censurar ou extinguir a Ancine

    19 de julho de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro confirmou que pode fechar a Ancine (Agência Nacional do Cinema), após transferir o Conselho Superior de Cinema da Secretaria da Cultura para o Ministério Civil. Bolsonaro assumiu-se insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações profundas. Além da transferência do órgão colegiado para Brasília, para ter mais influência sobre ele, o presidente mencionou a criação de “filtros” para aprovação de projetos, durante uma solenidade sobre o Dia Nacional do Futebol, no Ministério da Cidadania, em Brasília. “Pretendemos, sim, mexer, [para a Ancine] deixar de ser uma agência e passar a ser uma secretaria subordinada a nós”, disse o presidente, adiantando que sujeitará a pasta a filtro ideológico (eufemismo para censura). “Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico”, afirmou. No dia anterior, ele tinha feito uma referência ao filme “Bruna Surfistinha” em termos parecidos. “Eu não posso admitir que com o dinheiro público se faça um filme como ‘Bruna Surfistinha’. Não temos problema com essa opção ou aquela. O ativismo que não podemos permitir, em respeito com as famílias”, disse. Apesar da citação a “Bruna Surfistinha”, filme premiado e de grande popularidade no país, o problema de Bolsonaro seria com outra produção, segundo apurou a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo. A encrenca é a mesma que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação de Bolsonaro viria de projetos aprovados pela Ancine que ele entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. O presidente confunde projetos LGBTQIA+ com pornografia. É o que se pode perceber pelo discurso público que proferiu na quinta-feira, ao dizer que não sabia o que era “não-binário”, foi pesquisar, mas não ia comentar “em respeito aos presentes”. Nesta sexta, Bolsonaro destacou, novamente, que não vai permitir financiamento estatal de “pornografia”. “Não pode dinheiro público ser usado para filmes pornográficos, só isso. Culturais, pô. Temos tantos heróis no Brasil. E a gente não fala dos heróis no Brasil, não toca no assunto. Temos que perpetuar, fazer valer, dar valor a essas pessoas que no passado deram sua vida, se empenharam para que o Brasil fosse independente lá atrás, fosse democrático e sonhasse com um futuro que pertence a todos nós”. A discussão é igual à travada há 30 anos nos Estados Unidos, quando uma mostra do fotógrafo Robert Mappelthorpe foi cancelada ao ser considerada pornográfica e acontecer numa instituição que recebia financiamento público. Na ocasião, discutiu-se até que ponto a liberdade de expressão, garantida pela constituição americana, poderia ser censurada pelo governo com a desculpa de impedir verbas federais de financiar “pornografia”. Exatamente a mesma polêmica levantada por Bolsonaro. A maior diferença entre os dois momentos é que o presidente dos Estados Unidos se manteve neutro nesta discussão, levada adiante pelo Congresso, com direito a argumentações dos dois lados. Um projeto com “filtros” para incentivos federais chegou a ser criado, mas artistas entraram com processos milionários e venceram, derrubando as restrições. Outro detalhe é que, em comemoração aos 30 anos da censura, a mesma exposição considerada “pornográfica” foi finalmente realizada no local que aceitou a pressão pelo cancelamento original, desta vez sem nenhum protesto. Isto é, sem protesto contra, já que o evento foi um ato político contra a censura, inaugurado poucos dias antes do presidente do Brasil optar por “filtrar” os projetos culturais que podem ser feitos neste país. O contraste entre as posições diz muito sobre a diferença (atraso de 30 anos) entre o que Brasil e Estados Unidos entendem como produção cultural de uma sociedade democrática. Por impulso (isto é, sem estudar o impacto das medidas), Bolsonaro já extinguiu o Ministério da Cultura, proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema e outros eventos do país, e impôs limites mais restritos aos tetos de projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Se extinguir a Ancine, será o apocalipse do cinema brasileiro. Ato que tende a agravar (mais) a crise econômica do país. Mas se Bolsonaro se importasse com isso, teria usado sua caneta Bic para tirar o setor da paralisação imposta por seu governo. Desde janeiro, aguarda-se a publicação do decreto da Cota de Tela, que estipula um determinado número de dias obrigatórios para que os cinemas exibam filmes brasileiros. O ministro Osmar Terra assinou o decreto há dois meses, mas sua publicação no Diário Oficial da União depende da assinatura presidencial. Da mesma forma, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que decide como alocar os recursos arrecadados, aguarda a escolha de novos nomes. E até uma das quatro cadeiras da diretoria da Ancine está vaga. Bolsonaro resolveu não resolver nada disso. Ao contrário, ameaça paralisar de vez o setor, ponderando extinguir a agência criada para ampliar a produção do cinema nacional ou jogar “filtros” nas regras criadas para não favorecer ninguém – como, por exemplo, um filho de presidente – , em franca atitude de intervenção no mercado. É bom lembrar que as regras de fomento garantem a competitividade natural do mercado ao incluírem a proibição de barreiras temáticas ou julgamento de conteúdos. Em 201 dias de governo, Bolsonaro ainda não propôs nenhuma medida de incentivo à economia e combate ao desemprego, mas tirou “dinheiro público” de verdade da Educação e outras pastas, paralisou várias atividades do governo e colocou em risco o financiamento bilionário de parceiros estrangeiros contra o desmatamento da Amazônia. Só não é o pior começo de governo desde a redemocratização por causa do Plano Collor.

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    Bolsonaro: “Não posso admitir que se faça um filme como Bruna Surfistinha”

    18 de julho de 2019 /

    No discurso do evento que marcou os 200 dias de seu governo, Jair Bolsonaro disse que o dinheiro público não será mais usado para bancar filmes que, segundo ele, contrariam o “respeito com as famílias”. “Com o Osmar Terra [ministro da Cidadania] fomos a um canto e nos acertamos. Eu não posso admitir que com o dinheiro público se faça um filme como ‘Bruna Surfistinha’. Não temos problema com essa opção ou aquela. O ativismo que não podemos permitir, em respeito com as famílias”, disse. “Bruna Surfistinha” foi um dos filmes mais premiados do Brasil em 2012, incluindo troféus do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro para seu roteiro e para as atrizes Deborah Secco e Drica Moraes, o troféu do SESC como melhor filme do ano em votação do público e o prêmio Contigo de Cinema. Também foi um sucesso de grande aprovação popular. O lançamento arrecadou mais de R$ 4 milhões em seu fim de semana de estreia, ficando atrás somente do desenho “Enrolados”, da Disney. O longa também não promove qualquer ativismo. E teve sua exibição classificada pelo Ministério da Justiça para 16 anos. Além de discursar, Bolsonaro assinou um decreto transferindo o Conselho Superior de Cinema da Secretaria da Cultura, que estava na pasta de Osmar Terra, para a Casa Civil no Palácio do Planalto. Insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema, o presidente pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro ainda avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Segundo informações da colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, o motivo não é exatamente “Bruna Surfistinha”, mas o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. No evento, o presidente mirou explicitamente os transgêneros, ao falar de sua ordem de suspender vestibular que reservava 120 vagas para transexuais e pessoas não-binárias, o que, para ele, é algo que não pode acontecer. Bolsonaro disse que por ser um vestibular “exclusivo” significa que “não tem espaço para quem for heterossexual”. Bolsonaro também disse que não sabia o que era “não-binário”, foi pesquisar, mas não ia comentar em respeito aos presentes. A categoria de pessoas que não se definem exclusivamente como homem ou mulher é contemplada em glossário da Organização das Nações Unidas (ONU). A Ancine, por sua vez, é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Tudo isso contribui para a crise econômica do país. Nenhuma medida de incentivo à economia e combate ao desemprego foi anunciada no evento dos 200 dias do governo.

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    Bolsonaro muda Conselho Superior de Cinema e pode extinguir a Ancine

    18 de julho de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. A mudança faz parte de decreto assinado nesta quinta-feira (18/7), em cerimônia comemorativa dos 200 dias do atual governo. Segundo informações da colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, o presidente estaria insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Ainda de acordo com a colunista, o motivo é o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. Ele também estaria preocupado com a disputa de cargos dentro da área da cultura. Criada em 2001, a Ancine é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Caso a Ancine seja extinta, pode ser o apocalipse do cinema nacional.

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    Ministro assina cota de tela para o cinema nacional após polêmica dos Vingadores

    7 de maio de 2019 /

    O ministro da Cidadania, Osmar Terra, assinou nesta segunda (6/5) a cota de tela de 2019 para o cinema brasileiro. Trata-se da regra que obriga cinemas brasileiros a exibirem um percentual de filmes nacionais todo ano. A assinatura aconteceu após protelação de cinco meses – todo o tempo do governo Bolsonaro – e vem no bojo da controvérsia envolvendo a estreia de “Vingadores: Ultimato”, que ocupou mais de 80% das salas totais disponíveis no Brasil em sua estreia, no fim do mês passado. A assessoria do ministro confirmou a assinatura da cota para a imprensa, mas não informou números – a quantidade mínima de dias em que as salas do país serão obrigadas a exibir produções nacionais. De todo modo, a regra deve ser publicada no Diário Oficial da União ainda nesta semana. A cota para o cinema nacional foi regulada por uma medida provisória de 2001, que determina multa de 5% sobre a receita bruta média diária de qualquer sala que descumprir a regra. Os valores da cota anual costumam ser estabelecidos no mês de dezembro. Mas isso não aconteceu em 2018 e levou cinco meses para o Ministério da Cidadania perceber os efeitos causados pelo vácuo legal. A distribuição predatória de “Vingadores: Ultimato” foi tão polêmica que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) convocou na última sexta (3/5) uma reunião com exibidores para tratar do tema. Mas, como tem sido o Estado das coisas em 2019, o encontro virou briga em torno de outro problema: a paralisação de investimento da própria Ancine no cinema nacional.

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    Cineastas protestam contra a distribuição predatória de Vingadores: Ultimato no Brasil

    27 de abril de 2019 /

    A Disney estalou os dedos e a maioria dos filmes desapareceram das salas de cinema para dar lugar à estreia predatória de “Vingadores: Ultimato” no Brasil. Mas a façanha despertou o lado Vingadores da classe cinematográfica brasileira. O longa do vilão Thanos foi lançado na quinta-feira (25/4) em 2,7 mil das 3,3 mil salas existentes no circuito nacional, ocupando cerca de 80% de todos os espaços físicos destinados à projeção de filmes no país. Isto enquanto “Shazam!” e “Capitã Marvel” continuavam a ser exibidos na maioria das salas, deixando pouco espaço para outras estreias e sufocando os filmes que já estavam em cartaz. Segundo alguns cineastas, a superprodução da Disney teria sido favorecida principalmente pela ausência da cota de tela para este ano, que espera para ser assinada pelo governo Bolsonaro, e pelo enfraquecimento da Agência Nacional de Cinema (Ancine), que tinha regras sobre o setor que não estão mais em vigor. Por conta da estreia massiva, a comédia brasileira “De Pernas pro Ar 3”, com mais de 1 milhão de ingressos vendidos em duas semanas, perdeu 300 salas do circuito. Mariza Leão, produtora do filme, reclamou para o jornal O Globo que mesmo as salas que ainda exibem o filme fatiaram suas sessões com o lançamento da Disney. “Em 153 cinemas, o filme é colocado em duas sessões diárias, e em 199 cinemas, fica em apenas uma sessão diária. Isto é uma perversidade do ponto de vista cultural e econômico”, apontou. A produtora enviou uma carta à diretoria colegiada da Ancine protestando contra a falta de regras reguladoras do mercado cinematográfico. Além da ausência da cota de tela, ela menciona no texto a regra da “dobra”, segundo a qual os exibidores eram obrigados a manter o filme em cartaz se ele atingisse uma média de público. “Filmes com performance acima de média saem de salas sem nenhuma explicação, sem nenhuma defesa. Tal fato gera prejuízos incalculáveis a investimentos tanto públicos quanto privados”, acrescentou. O cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, cujo filme “Bacurau” foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes, ecoou a reclamação da produtora em sua página no Facebook “‘De pernas pro Ar 3’ estava dando dinheiro. Quando o mercado corre sem lei, sua lógica é a de subtrair para ganhar, e não a de somar com diversidade. Os dois filmes poderiam ir bem, sem desequilíbrio”, escreveu. O outro lado da questão é defendido pelo presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras (Feneec) e diretor da rede de cinemas GNC, Ricardo Difini Leite, que não quer regulação e defende que a diminuição de salas de “De Pernas pro Ar 3” foi “natural”. “Estamos falando do maior lançamento do ano, que teve uma procura fenomenal. É precipitado dizer que ‘Vingadores: Ultimato’ vai prejudicar ‘De pernas pro Ar 3’. O filme brasileiro continua em muitas salas, mas teve diminuição da média de forma natural”, disse ao jornal O Globo. A questão realmente divide exibidores e cineastas. Daniel Caetano, presidente da Associação Brasileira de Cineastas (Abraci), acredita que a regulação é necessária e ajuda o mercado a funcionar, sendo construída em conjunto com os agentes desse mercado. “Eu entendo que o mercado tenda a esse modelo, mas acredito que faz parte das funções do governo criar mecanismos regulatórios que evitem que as leis de mercado acabem canibalizando o próprio mercado”, explica. Em nota, a Ancine disse que vai “monitorar a questão”. “O assunto é pauta da Câmara Técnica de Salas de Exibição, que conta com representantes de associações de distribuidores, exibidores e produtores do audiovisual”, limita-se a dizer. Atualmente, a Ancine encontra-se parada, sem poder investir na produção de novos filmes e séries, devido a um processo do Tribunal de Contas da União. Além do cancelamento de liberação de recursos para novos projetos, também não está sendo emitida a Salic, uma espécie de certidão de nascimento para que filmes e séries existam oficialmente. Em palestra na Rio2C, evento do audiovisual brasileiro, o diretor da Ancine jurou que a agência continua funcionando. Segundo ele, “a Ancine não parou, é só um momento de transição”. Esse “momento de transição” também inclui a falta de pressa ou interesse do presidente Jair Bolsonaro em assinar a cota de tela para este ano. Sem essa assinatura, o próximo grande lançamento do ano – o período de maio a agosto é de um grande lançamento por semana – pode ocupar 90% das salas sem infringir a (falta de) legislação do setor. A discussão não é específica sobre um filme. É sobre todo o mercado.

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    Revista americana Variety destaca crise do cinema brasileiro sob Bolsonaro

    23 de abril de 2019 /

    A imagem internacional da cultura brasileira já é de crise nos Estados Unidos. A revista Variety, uma das mais tradicionais publicações americanas sobre o mercado de entretenimento, publicou uma reportagem sobre a paralisação da indústria de cinema e TV do Brasil, sob o governo de Jair Bolsonaro. A revista vê a cultura brasileira ameaçada por cortes de incentivos do governo, e lamenta a estagnação do prestigioso cinema brasileiro “A agência brasileira Ancine, a principal fonte de financiamento público do cinema do país, congelou todos os seus programas de incentivo potencialmente paralisando novas produções da maior indústria de cinema e TV da América Latina”, publicou a Variety. Segundo a publicação, a decisão “dramática” deixou a indústria cinematográfica do país em choque e muito preocupada com o futuro. Também houve o corte de patrocínio estatal, o fim do Ministério da Cultura e o enterro da lei Rouanet, rebatizada de Lei de Incentivo a Cultura e com diversas restrições. Mas a Variety apontou outros dados do desmantelamento da rede de apoio estatal à produção cultural brasileira, que nem a imprensa nacional chegou a noticiar com o devido destaque. A revista revelou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) está descontinuando seu apoio financeiro para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros. Até a eleição de Bolsonaro, o Departamento Cultural do Itamaraty, no Ministério das Relações Exteriores, trabalhava junto a entidades públicas e privadas do setor audiovisual para fortalecer a presença de filmes e programas televisivos brasileiros no mundo, com o objetivo de divulgar a cultura nacional e facilitar contatos com vistas à comercialização dos bens audiovisuais. Isto acabou. A Variety também destacou o fim do apoio da Petrobras aos principais eventos de cinema do Brasil, lembrando que “a Petrobras figurou por duas décadas como o maior patrocinador corporativo do setor”. “O congelamento de incentivos apareceu em um contexto de animosidade não disfarçada entre a indústria de cinema e TV e grandes parcelas do governo Bolsonaro, que vê a indústria de entretenimento brasileira como um ralo de orçamento federal”, diz a reportagem. “A grande questão para a indústria é se o congelamento de incentivos é uma moratória temporária ou parte de um desmantelamento contínuo do apoio crucial do governo à indústria brasileira de TV e cinema. A atual falta de visibilidade de qualquer resposta a essa pergunta é, em si mesma, um fator incapacitante para novas produções”, acrescenta o texto. A revista conclui que a tensão entre o governo e os produtores de cinema e TV deve gerar protestos ao longo das próximas semanas, com possíveis manifestações durante apresentações brasileiras em grandes eventos internacionais, como o Festival de Cannes.

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    Vingadores: Ultimato pode estrear em mais de 80% dos cinemas brasileiros

    22 de abril de 2019 /

    O lançamento de “Vingadores: Ultimato” vai monopolizar os cinemas do Brasil no fim de semana. Aparentemente, a Disney planeja aproveitar a paralisação da Ancine (Agência Nacional de Cinema), o fim do Ministério da Cultura, a ausência de assinatura no novo acordo de cotas de telas e outros desmontes promovidos pelo governo Bolsonaro no cinema brasileiro para realizar o maior lançamento já visto no país. Isto porque “Vingadores: Ultimato” será lançado em 2,7 mil salas na quinta-feira (25/4). O Brasil fechou 2018 com apenas 3,3 mil salas de cinemas – no país inteiro – , segundo relatório da Ancine. Assim, o lançamento da Disney ocupará 81,8% do total de telas disponíveis para a exibição de filmes no país. Por muito menos, a Ancine chegou a ameaçar o parque exibidor com a criação de regras rígidas para a circulação de cópias no mercado. Isto aconteceu após “Jogos Vorazes: A Esperança — Parte 1” utilizar 1,3 mil salas em seu lançamento em 2014. O então presidente da Ancine, Manoel Rangel, chamou de “predatória” a ocupação de quase 50% das salas existentes na época por apenas um filme. Ele alertou que a estratégia de monopólio expulsava outras produções do circuito e homogeneizava a oferta. Para evitar que a Ancine regulasse o mercado, distribuidores e exibidores assumiram um compromisso público, em dezembro de 2014, comprometendo-se a nunca mais realizar lançamentos “predatórios”. Entre outros pontos, acordaram que um mesmo filme só poderia ser exibido em até duas salas em multiplexes que possuam entre 3 e 6 salas, e só ocupar um terceiro espaço em complexos com mais de 9 salas de cinema. Mas, com a saída de Rangel da Ancine, pouco a pouco esse acordo foi sendo “esquecido”. Até ser derrubado pela Justiça Federal em novembro do ano passado. Mesmo assim, nenhum filme jamais ocupou mais de 2 mil salas no país simultaneamente. Um dos lançamentos mais amplos dos últimos tempos, “Aquaman” bateu recorde de arrecadação para a Warner com estreia em 1,6 mil salas. “Vingadores: Ultimato” será lançado em 1,1 mil salas a mais. O recorde de bilheterias do Brasil pertence ao filme anterior da franquia, “Vingadores: Guerra Infinita”, que vendeu 3,6 milhões de ingressos e faturou R$ 65,1M (milhões) no país no ano passado. O filme foi lançado em “mais de mil salas”, segundo informação genérica da distribuidora. Por sua vez, “Vingadores: Ultimato” já esgotou sessões em mais de 900 salas, de acordo com o site Ingresso.com. As transações para sessões do filme corresponderam a 96,6% das vendas totais no site, que comercializa tickets para as redes Cinemark, Playarte, Espaço Itaú, Kinoplex, Cinépolis, UCI e outras.

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    Bolsonaro volta a dizer que Lei Rouanet terá teto de R$ 1 milhão para todos projetos

    19 de abril de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que o governo prepara alterações na Lei Rouanet, para estabelecer um teto máximo de R$ 1 milhão por projeto. A manifestação aconteceu durante uma “live” nas redes sociais, em que Bolsonaro reiterou o que tinha dito anteriormente sobre a captação de projetos culturais. “O teto era até R$ 60 milhões. Artistas recebiam ou poderiam receber até R$ 60 milhões. Passamos esse limite para R$ 1 milhão, acho que ele tá alto ainda, mas diminuímos 60 vezes o valor desse teto. Então, mais gente, mais artistas poderão ser beneficiados da Lei Rounaet”, ele disse na noite de quinta (18/9) Na semana passada, durante uma entrevista ao programa “Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Bolsonaro tinha feito a mesma comparação numérica, mas com linguagem mais colorida, avisando que tinha decidido “travar” a Lei Rouanet e que não pretendia fazer exceções. “Eu acho que não tem que ter exceção nenhuma, porque, com todo o respeito, você com R$ 1 milhão, para você divulgar e ter um espaço junto ao povo brasileiro para a sua obra, é mais do que o suficiente”, disse, na ocasião. A afirmação colocou o setor cultural em pânico. Mas o ministro da Cidadania, Osmar Terra, correu para desmentir Bolsonaro, dizendo para a imprensa que a discussão sobre o teto da Lei Rouanet era apenas para espetáculos musicais. Mas a segunda manifestação do presidente sobre o tema manteve o entendimento original, “que não tem que ter exceção nenhuma”. A mudança na Lei Rouanet integra o “projeto cultural” de Bolsonaro para o país. Ele pode ser entendido, de forma tosca, como uma “desestatização” da cultura nacional. Juntam-se ao teto mais baixo de incentivos, o fim de patrocínios de estatais a eventos culturais e a paralisação dos investimentos da Ancine em novos filmes e séries. Não se trata de iniciativa inédita. Fernando Collor de Mello seguiu o mesmo roteiro, ao extinguir a Embrafilme em 1990. O resultado foi uma catástrofe, representada pelo lançamento de apenas dois filmes brasileiros por ano no período. A quebradeira generalizada da indústria audiovisual também ajudou a aumentar o desemprego e a pior recessão da história do país. Collor acabou impichado. A volta por cima só foi possível com a aprovação da Lei Rouanet no Congresso Nacional, que permitiu à Petrobras investir em “Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil” e “O Quatrilho”, indicado ao Oscar, que graças a seu sucesso e repercussão internacional marcaram o início da chamada “Retomada” do cinema brasileiro em 1995. Após um longo processo de reconstrução, o setor audiovisual brasileiro tem lançado mais de 100 filmes por ano, emprega cerca de 335 mil profissionais e rende mais de R$ 2 bilhões somente com impostos diretos para o governo federal – dados do levantamento do FSA (Fundo Setorial Audiovisual) de 2017. Mas a Lei Rouanet e o patrocínio estatal foram alvos de críticas de Bolsonaro durante toda a campanha presidencial, vistos como fontes de corrupção e incentivo de “marxismo cultural”. O estabelecimento de um teto de US$ 1 milhão atingiria realmente com mais força os musicais, como “O Fantasma da Ópera”, autorizado a captar R$ 28,6 milhões, mas também grandes mostras de arte, como a Bienal de São Paulo, com orçamento sempre acima dos R$ 20 milhões, além de todos os festivais de cinema importantes do país: Festival do Rio, Mostra de São Paulo, Festival de Brasília, Festival de Gramado, Anima Mundi, É Tudo Verdade, etc. – sem esquecer de museus, centros culturais e algumas orquestras que dependem da lei de incentivo para bancar suas operações anuais. Detalhe: o sistema de cadastramento para novos projetos na Lei Rouanet está fechado desde janeiro, quando Bolsonaro assumiu a presidência. Nenhum novo projeto pôde ser inscrito em quatro meses de governo, à espera de definições.

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    Ancine oficializa suspensão de verbas para produção de novos filmes e séries

    19 de abril de 2019 /

    A Ancine (Agência Nacional de Cinema) oficializou na quinta-feira (18/4) a suspensão de verbas para produção de novos filmes e séries, paralisando o investimento do setor. A paralisação é consequência de uma decisão do TCU (Tribunal de Contas da Unidão) que apontou irregularidades na fiscalização de contratos da agência e ordenou a suspensão das atividades até que a Ancine seja capaz de provar sua capacidade de analisar os contratos. O anúncio veio no mesmo dia em que quatro filmes brasileiros foram anunciados na seleção oficial do Festival de Cannes. Eles devem ficar sem verba de apoio para a viagem e divulgação. A grande ironia é que o diretor de um desses filmes, Kleber Mendonça Filho, que teria direito à verba congelada pelo TCU, enfrenta processo financeiro do mesmo TCU por uma questão técnica relacionada ao orçamento de um filme anterior. O caso de Mendonça Filho também ilustra que, se há problemas em relação à prestação de contas de diversos filmes, não há nada melhor que pente fino, multas e lista de exclusão de reincidentes. Mas variações nos gastos de produção são muito comuns. Se acontece um acidente, cai uma chuva muito forte ou alguém fica doente de repente, a equipe de um filme precisa adiar os trabalhos, o que representa gastos imprevistos com hospedagem e transporte. Isto aponta que o TCU desconhece, em vários níveis, como funciona a dinâmica do audiovisual. Como o Brasil é o país da burocracia, para tentar voltar a investir em filmes e séries, a Ancine está dando entrada em embargos de declaração, visando “suspender o efeito de pontos do Acórdão”. “A Ancine requer ao TCU a imediata concessão de efeito suspensivo dos itens impugnados do acórdão. Porém, diante da necessidade de preservar a integridade operacional da Agência e principalmente de seus servidores, foram feitas recomendações às áreas para evitar ações que possam ser interpretadas como descumprimento da decisão do TCU”, diz um comunicado da entidade divulgado no fim da noite de quinta. A decisão de suspender o repasse de recursos busca dar “segurança jurídica” aos projetos, segundo a Ancine. Entre as medidas anunciadas, estão a suspensão das publicações de resultado final dos processos seletivos em andamento e a publicação de novos contratos, bem como a suspensão do encaminhamento de novos pedidos de aprovação de verbas. Segundo a agência, os desembolsos dos recursos dos projetos no Fundo Setorial Audiovisual com contratos que foram publicados até o dia 18 de abril serão autorizados e realizados normalmente. Entretanto, a decisão radical de paralisar a Ancine se junta à orientação do governo para que estatais deixem de patrocinar cultura, colocando em risco à realização dos festivais de cinema no país, e à suspensão da aprovação de novos projetos pela Lei Rouanet, que não acontece desde janeiro, quando o presidente Bolsonaro sugeriu que ela passaria por reforma. É um cenário de tempestade perfeita, como um tsunami prestes a devastar a cultura brasileira. Para representantes da direita brasileira, identificados com o governo Bolsonaro, isso é bem feito. Ao informar a paralisação da Ancine numa notícia com tamanho de tuíte, o site O Antagonista aplaudiu: “Certamente faria muito bem ao setor audiovisual se parasse de uma vez de mamar dinheiro público”. Vale lembrar que o dinheiro repassado pela Ancine não sai de hospitais ou escolas – que o governo não abriu ou melhorou – , mas de taxas cobradas para a própria indústria audiovisual. Na prática, funciona de um forma que os blockbusters ajudam a pagar filmes autorais, como os que vão representar o país em Cannes. Isso não é “mamar dinheiro público”, mas regulação de mercado. Um relatório da Ancine demonstrou que o setor audiovisual brasileiro arrecadou para o governo R$ 2,13 bilhões somente com impostos diretos em 2017 – levantamento do FSA (Fundo Setorial Audiovisual). É importante ser didático neste caso, pois o setor que gera uma fortuna para o governo abrir hospitais ou escolas – além de empregar estimada 335 mil pessoas – está sendo paralisado, sob aplausos de alguns, com a visão de que isso é política cultural progressista.

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    Ministro “traduz” Bolsonaro: teto da Lei Rouanet será só para musicais

    9 de abril de 2019 /

    O ministro da Cidadania, Osmar Terra, juntou-se ao time de “tradutores” que costumam se manifestar após as entrevistas do Presidente Jair Bolsonaro. Assim como em outras oportunidades, foi necessário explicar o que o presidente quis dizer quando disse textualmente que pretendia “travar” a Lei Rouanet com um teto de US$ 1 milhão “sem exceções”. Após a tradução, descobre-se que o teto de US$ 1 milhão seria a exceção. Terra falou do assunto com a imprensa durante a Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília nesta terça (9/4). Segundo o Ministro, a quem a Secretaria de Cultura é subordinada, apenas os espetáculos musicais serão alvo dessa mudança. “O presidente está focando na questão dos espetáculos musicais, que estavam com um valor exagerado. Um artista poder recolher R$ 60 milhões não tem sentido. Então, isso foi recuado para ficar em R$ 1 milhão. Nós estamos discutindo agora, por exemplo, a reconstrução do patrimônio histórico, museus, quanto vai ter de recursos para isso. Outra coisa são as orquestras sinfônicas. Tem uma série de incentivos que a lei dá que talvez requeiram um valor maior. Mas isso é uma coisa que nós estamos estudando. Por enquanto, o que o presidente falou foi a questão dos espetáculos musicais, um artista só recolhendo uma quantidade muito grande de recursos”, disse o Ministro, que ainda esclareceu que o teto de R$ 1 milhão será por projeto e não por proponente. Ele também afirmou que as mudanças podem ser formalizadas já na próxima semana. A Lei Rouanet foi alvo de críticas de Bolsonaro durante toda a campanha presidencial, vista como fonte de corrupção e “marxismo cultural”. Mas não são apenas os musicais – como “O Fantasma da Ópera”, autorizado a captar R$ 28,6 milhões – que consomem quantias superiores a US$ 1 milhão por projeto. Grandes mostras de arte, como a Bienal de São Paulo, costumam ter orçamento sempre acima dos R$ 20 milhões, além de festivais de cinema, museus, centros culturais e algumas orquestras que dependem da lei de incentivo para bancar suas operações anuais. O Ministro parece estar ciente de que “tem uma série de incentivos que a lei dá que talvez requeiram um valor maior”. Ao contrário de Bolsonaro, que foi contundente em sua versão “sem tradução”. Em entrevista realizada no Palácio do Planalto para o programa “Os Pingos nos Is”, da rádio Jovem Pan, o presidente garantiu que não faria exceções. “O teto hoje em dia, acredite, é R$ 60 milhões, R$ 60 milhões. De acordo com o teu tráfico de influência no passado, você conseguia R$ 10 milhões, R$ 15 milhões, R$ 20 milhões, até mais. Nós estamos passando para R$ 1 milhão, então tem gente do setor artístico que está revoltada e quer algumas exceções”, ele disse. “Eu acho que não tem que ter exceção nenhuma, porque, com todo o respeito, você com R$ 1 milhão, para você divulgar e ter um espaço junto ao povo brasileiro para a sua obra, é mais do que o suficiente”, concluiu. Veja a íntegra da entrevista abaixo. Logo no início de seu mandato, Bolsonaro também anunciou que ia aumentar o IOF e que faria uma redução da alíquota do Imposto de Renda para a pessoa física. Imediatamente, o ministro Onyx Lorenzoni deu uma entrevista coletiva para desmentir o chefe – ou, de forma mais elegante, inaugurar o costume de “traduzir” as declarações de Bolsonaro. Não era nada daquilo. O mesmo aconteceu em relação ao compartilhamento de um vídeo obsceno no Twitter oficial do presidente, quando Bolsonaro afirmou que “é isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro”. A Secretaria de Comunicação do Planalto correu para traduzir, afirmando que não era uma crítica ampla e sim específica “à distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular”. Também a mudança da Embaixada Brasileira em Israel foi traduzida com um escritório comercial em Jerusalém. E, desta vez, sem palavras.

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