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    Diretor de O Abraço da Serpente fará série passada na Amazônia para a Netflix

    22 de novembro de 2017 /

    A Netflix anunciou a produção de uma série colombiana ambientada na floresta amazônica. Ainda sem título definido, a atração será encenada na fronteira da Colômbia com o Brasil e acompanhará a investigação de vários crimes bizarros ocorridos no meio da selva. O projeto é uma produção do cineasta colombiano Ciro Guerra, diretor de “O Abraço da Serpente” (2015), indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, e tem o envolvimento da produtora Dynamo, que já trabalhou com a Netflix em “Narcos”, e roteiro de Carlos Contreras, criador da série “El Chapo”. A trama terá crimes, traficantes e tribos indígenas, além de mistérios da mata amazônica. Serão oito episódios ao todo, filmados com a tecnologia digital 4k, e Ciro Guerra deve assinar a direção do primeiro episódio. A série representa o esforço da Netflix para desenvolver produções fora dos Estados Unidos. O Brasil, que já produz “3%”, terá mais três séries na plataforma de streaming em 2018.

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  • Filme

    Z – A Cidade Perdida é jornada exasperante de um Indiana Jones real

    8 de julho de 2017 /

    Para um filme de James Gray, “Z – A Cidade Perdida” é um pouco desapontador. Apesar de embutir um tema comum a outros títulos do diretor, a questão da fuga (ou tentativa de fuga) da família por parte do protagonista, visto de forma mais forte anteriormente em “Amantes” (2008), o longa avança na trilha da grandiloquência épica que “Era uma Vez em Nova York” (2013) já sinalizava, numa narrativa exasperante que visa engrandecer sua tragédia. “Z” gira em torno de um personagem real, Percy Fawcett (Charlie Hunnam, de “Rei Arthur: A Lenda da Espada”), um coronel do exército britânico que desapareceu na selva amazônica nos anos 1920 à procura de uma cidade perdida, cuja descoberta renderia para ele e para o Império Britânico um feito glorioso. Anos antes, numa primeira expedição, ele quase morrera sob o ataque de uma tribo de índios canibais, mas conseguiu voltar para casa com seu fiel escudeiro Henry Costin (vivido por um irreconhecível Robert Pattinson). O retorno é curto e serve para incluir a presença de Sienna Miller como a esposa de Fawcett. Casada com um sujeito que vive perigosamente, enquanto ela cuida da casa e dos filhos, Sienna basicamente repete seu papel em “Sniper Americano” (2014), de Clint Eastwood, reforçando que costuma ser tão bela quanto esquecível. Por outro lado, o jovem Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta para o Lar”) está muito bem no papel do filho que tem ao mesmo tempo raiva do pai (por sua ausência) e grande admiração, inspirando-se a seguir seus passos como explorador. Sua passagem pelo filme é igualmente breve, mas muito mais marcante. Ainda mais porque ele entra em um momento em que a narrativa ameaça ficar enfadonha e sua chegada serve para dar um fôlego extra à reta final de um longa de 140 minutos de duração. Vale dizer que é melhor ver “Z” sem saber nada sobre a vida de Fawcett, até para aproveitar os momentos de surpresa, tensão e aventura que o filme proporciona. Mas a história desse Indiana Jones real surge na tela mais enfadonha do que poderia ser, o que faz com que “Z – A Cidade Perdida” seja o primeiro sinal de declínio na excelência mantida desde a primeira obra de Gray, “Fuga de Odessa”, no já distante ano de 1994.

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    Charlie Hunnam e Robert Pattinson viajam à Amazônia no trailer legendado de Z – A Cidade Perdida

    11 de abril de 2017 /

    A Imagem Filmes divulgou o trailer legendado de “Z – A Cidade Perdida” (The Lost City of Z), drama épico passado no começo do século 20, com direção de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”). A prévia destaca uma expedição à floresta amazônica, em meio a ataques indígenas, com os personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas brasileiras para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento está marcado para 1 de junho no Brasil, mais de um mês após a estreia nos EUA.

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    Matheus Nachtergaele pretende dirigir filme na Amazônia com elenco indígena

    21 de fevereiro de 2017 /

    Matheus Nachtergaele (“Trinta”) prepara seu segundo filme como diretor. E novamente pretende filmar na Amazônia. O detalhe é que, desta vez, ele planeja trabalhar apenas com atores indígenas. As informações são do blog Sem Legendas, da Folha de São Paulo. O veterano e premiado ator brasileiro estreou como diretor de cinema em “A Festa da Menina Morta” (2008), rodado em Barcelos, no interior do Amazonas. Na ocasião, misturou atores locais com astros reconhecidos do cinema e da TV, como Daniel de Oliveira e Paulo José. Seu novo filme será uma adaptação da peça “Woyzeck”, do dramaturgo Georg Buchner, que Nachtergaele já encenou no teatro. A trama original acompanha Franz Woyzeck, um soldado que é humilhado pelo chefe no quartel, traído pela esposa e submetido a uma experiência científica bizarra pelo médico da sua vila: comer apenas ervilhas durante meses. “Não me sai da cabeça algo que vi na Amazônia: índios marchando como soldados. Tudo foi retirado deles e, ainda assim, eles têm que defender as fronteiras de um país que não é mais deles”, disse o ator, citado no blog. Não está claro se a adaptação fará uma transferência do enredo para o cotidiano de uma tribo indígena. E também não há informações sobre o início das filmagens. A produção será feita pela Bananeira Filmes, que produziu “A Festa da Menina Morta”. “Woyzeck” já foi levado aos cinemas em filmes marcantes do alemão Werner Herzog, em 1979, e do húngaro János Szász, em 1994.

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    Charlie Hunnam vai parar no meio dos índios da Amazônia em trailer de drama histórico

    7 de fevereiro de 2017 /

    A Amazon divulgou os novos pôster e trailer do drama épico “The Lost City of Z”, de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”). A prévia explora o caráter místico das aventuras reais do protagonista, obcecado em encontrar uma cidade perdida no meio da floresta amazônica no começo do século 20. O vídeo revela, inclusive, ataques indígenas aos personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. O britânico se embrenhou nas matas sul-americanas para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento está marcado para 20 de abril no Brasil, um mês após o lançamento britânico.

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    Charlie Hunnam e Robert Pattinson enfrentam índios na Amazônia em novo trailer épico

    22 de janeiro de 2017 /

    O StudioCannal divulgou o trailer britânico do drama épico “The Lost City of Z”, de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”). A prévia acompanha expedições à floresta amazônica no começo do século 20, com direito a ataques indígenas aos personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas sul-americanas para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento está marcado para 20 de abril no Brasil, um mês após o lançamento britânico.

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    18 fotos de drama histórico mostram Charlie Hunnam e Robert Pattinson perdidos na Amazônia

    15 de janeiro de 2017 /

    O Amazon Studios divulgou 18 fotos novas de “The Lost City of Z”. Como as imagens revelam, o drama épico com direção de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”) acompanha uma expedição à floresta amazônica no começo do século 20, com direito a ataques indígenas aos personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas sul-americanas para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento está marcado para 20 de abril no Brasil, um dia antes da estreia nos EUA. Clique nas imagens para ampliá-las em tela inteira.

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    Teaser de épico histórico mostra Charlie Hunnam e Robert Pattinson perdidos na floresta amazônica

    24 de dezembro de 2016 /

    Oito meses após o primeiro trailer internacional, o Amazon Studios divulgou o teaser oficial de “The Lost City of Z” para o mercado americano. O drama épico com direção de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”) acompanha uma expedição à floresta amazônica no começo do século 20, com direito a ataques indígenas aos personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas sul-americanas para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento, que já deveria ter acontecido segundo a previsão original, foi remarcado para 20 de abril no Brasil, um dia antes da estreia nos EUA.

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    Andrea Tonacci (1944 – 2016)

    18 de dezembro de 2016 /

    Morreu o cineasta Andrea Tonacci, um dos principais nomes do cinema marginal brasileiro. Ele faleceu na sexta-feira, vítima de câncer no pâncreas. Tonacci nasceu em Roma, na Itália, em 1944, e se mudou com a família para São Paulo aos 10 anos. Fez sua estreia no cinema com o curta “Olho por Olho” (1966), feito na mesma época e com a mesma equipe de “Documentário”, de Rogério Sganzerla, e “O Pedestre”, de Otoniel Santos Pereira. Seu primeiro longa, “Bang-Bang” (1971), com Paulo Cesar Pereio numa máscara de macaco, se tornou um marco do cinema marginal brasileiro, como ficou conhecida a geração contracultural, que reagia ao intelectualismo exacerbado do Cinema Novo. A ditadura militar não distinguia entre os dois movimentos e tratava de dificultar a exibição por igual. Por isso, o filme teve carreira restrita a cineclubes no Brasil, mas acabou escolhido para a prestigiada Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Rodada em Belo Horizonte, a obra trazia Pereio mascarado e delirante, em fuga de sujeitos estranhos, e pode ser interpretada como alegoria à falta de saídas diante da ditadura. Ele também provocou a ditadura com o curta “Blábláblá” (1968), em que o ator Paulo Gracindo vivia um ditador demagógico. Mas não demorou a abandonar as alegorias para mostrar o que realmente acontecia no país, aproximando-se da linguagem documental e se especializando em temas da cultura indígena. Em curto período, ele dirigiu filmes como “Guaranis do Espírito Santo” (1979), “Os Araras” (1980) e “Conversas no Maranhão” (1977-83). Nos anos 1990, fez apenas um documentário sobre a “Biblioteca Nacional” (1997) para ressurgir com força na década seguinte com seu filme mais impactante, “Serras da Desordem” (2006), que resgata a história do massacre da tribo Awá-Guajá nos anos 1970 na Amazônia, a partir do ponto de vista de um sobrevivente. Combinação de documentário com ficção, o longa venceu os prêmios de Melhor Filme, Direção e Fotografia no Festival de Gramado. E recentemente entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, elaborada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). O último filme de Tonacci foi “Já Visto Jamais Visto” (2014), no qual o cineasta revisita suas memórias com registros inéditos de imagens de família, viagens, projetos inacabados, etc. No começo do ano, ele completou o balaço com uma homenagem e retrospectiva no Festival de Tiradentes, em celebração aos seus 50 anos de carreira.

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    Z – A Cidade Perdida: Veja o trailer do épico estrelado por Charlie Hunnam e Robert Pattinson

    4 de abril de 2016 /

    A MVP Pictures divulgou o primeiro trailer de “The Lost City of Z”, drama épico passado no começo do século 20, com direção de James Gray (“Era uma Vez em Nova York”). A prévia, voltada para o mercado vietnamita, destaca uma expedição à floresta amazônica, em meio a ataques indígenas, com os personagens de Charlie Hunnam (“A Colina Escarlate”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema). O roteiro, escrito pelo próprio Gray, é baseado no livro “Z – a Cidade Perdida”, de David Grann, sobre a história real do Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas brasileiras para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma última viagem com seu próprio dinheiro, levando consigo seu filho Jack Fawcett, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O grupo partiu em 1925 para o Mato Grosso e nunca mais foi visto. O elenco também inclui Sienna Miller (“Sniper Americano”) e Angus Macfadyen (série “Turn”). A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, e o lançamento está marcado para 27 de outubro no Brasil.

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    Entrevista: Equipe de Antes o Tempo Não Acabava revela o Brasil amazônico ao mundo

    23 de fevereiro de 2016 /

    A dupla de diretores Sérgio Andrade e Fábio Baldo foi um dos destaques do Festival de Berlim com seu “Antes o Tempo Não Acabava”, que retrata a vida de um índio (interpretado por Anderson Tikuna) vivendo nas fronteiras entre o mundo urbano e a antiga tribo – para a qual tem de prestar contas, submetendo-se às suas práticas rituais. O sincretismo leva à materialização de situações inusitadas, como Anderson cantando e dançando Beyoncé, além de lidar com a homossexualidade, que não existia antes do contato com os brancos. Exibido na seção Panorama, o filme teve boa resposta do público e da crítica, e garantiu distribuição em alguns países da Europa. À espera da estreia oficial, os diretores e o protagonista conversaram com a Pipoca Moderna sobre este singular amálgama entre dois mundos… Este é um filme com vários elementos: existe a cultura indígena, a vida na periferia de uma grande cidade, rock e música eletrônica e uma abordagem estética com semelhanças com o cinema de autor europeu. Como foi a conjugação disto tudo? SÉRGIO: Tudo começa com a zona intermediária. No Brasil, temos várias vertentes de raça, seja o negro, o europeu, o imigrante, o índio. No caso deste filme, quando o indígena vem da sua aldeia do interior da Amazônia para a periferia da cidade, cria-se aí uma zona limítrofe na qual eles são indígenas mas também são habitantes de uma metrópole e tem de viver sob as normas e desejos da vida urbana. O próprio Anderson, o ator principal, veio de uma aldeia com oito anos e tem algumas semelhanças com a personagem. Ele foi criado no ambiente da cidade e vão se confundindo os preceitos da cultura, tradições e rituais indígenas com as novidades da vida urbana em todos os seus aspetos, sejam religiosos, sexuais e de vida pratica. Foi isso que sempre me impressionou. Nos meus filmes anteriores eu tive uma grande aproximação com os índios e gostei muito de trabalhar com eles – caso da curta “Cachoeira” e do meu primeiro longa, “A Floresta de Jonathas”. Sempre fui muito fascinado com o lendário indígena, que usamos como mola de criatividade, e tive o encontro com o Fábio que foi o montador do “Floresta” e também cuidou do som – especialidade dele. A gente se uniu e as nossas cabeças combinam muito em criatividade e inventividade. FÁBIO: Eu gosto de personagens em zonas de transição, que tem a ver com a relação que o Sérgio tem com os índios e a floresta e eu entre as pessoas da zona rural. O meu primeiro filme (o curta “Caos”) era sobre agricultores… O nosso esforço vem no sentido de entender questões de funções e desejos dentro da vida urbana, de trazer esses conflitos, trazer essas dicotomias para o personagem do Anderson. A música tem uma presença importante. FÁBIO: A música veio também desta necessidade. Uma das fontes de inspiração foi um CD de músicas indígenas que o Sérgio arranjou há uns anos no museu de arte etnográfica de Berlim – que um pesquisador alemão, Koch-Grünberg, gravou no Brasil. É uma música etérea, espiritual, que lembra o passado, tradições, quase gramofônica, e jogamos com esses sons em algumas passagens do filme e vimos como soava. Mas depois pensamos que tínhamos que criar uma dicotomia. Fomos buscar música eletrônica… E aí trouxemos a música do Kraftwerk, que também é uma crítica do homem moderno, da tecnologia… Na conversa com o público do Festival de Berlim vocês fizeram algumas piadas e demonstraram afinidade com a Alemanha. SÉRGIO: Essa “conspiração alemã” já vem de antes, o meu primeiro filme estreou aqui em 17 cidades, em salas de filmes autorais. Depois há uma curiosidade: a primeira vez que desejei entrar no mundo do cinema foi quando fui figurante nas filmagens de “Fitzcarraldo” (obra do alemão Werner Herzog), quando tinha 13 anos. Lembro bem do Klaus Kinski e do José Lewgoy… estava entrando num sonho. Há uma curva com a Alemanha interessante e agora o filme é exibido aqui, sendo bem-recebido. FÁBIO: Houve até umas pessoas na rua que nos deram parabéns! A abordagem estética de vocês vai na linha do cinema europeu? FÁBIO: Não, acho que a estética é mais asiática. SÉRGIO: E tem quatro línguas no filme, todas de alguma forma similares a idiomas asiáticos. E aquela cena quando o índio entra no barraca e a mulher está dando comida à menina lembra coisas de Jia Zhangke, Tsai Ming-Liang, Apichatpong Weerasethakul… Situações como a cena do sacrifício de uma criança, mostrada no filme, acontecem realmente? FÁBIO: Em algumas tribos acontecia… SÉRGIO: Bom, algumas etnias indígenas têm uma forma natural de seleção e pensam muito na saúde do guerreiro, que vai ter que trabalhar em prol da aldeia. Crianças que nascem com problemas de saúde podem vir a ser alguém que vai trazer problemas para a sua comunidade. Para eles, isso é perfeitamente natural. Mas são apenas algumas etnias e não existem estimativas que digam que isso continua acontecendo. De qualquer forma, não queríamos fazer um julgamento, embora seja sempre uma questão delicada de abordar. Também houve elogios à fotografia, à sua maneira de filmar a selva… FÁBIO: O Yure César (diretor de fotografia) é de Manaus e é fotógrafo, tem uma empresa produtora de cinema. Ele é muito técnico e busca a perfeição. Sendo ele muito técnico, nós meio que nos confrontamos, pois ele quer a imagem mais bonita, mais perfeita e nós estamos preocupados com a informação, com os planos. Deste conflito surgiu um filme que tem um registro quase documental. É quase todo feito com luz natural – tirando algumas sequência à noite. Uma coisa que nós gostamos muito é que o Yure pensa a luz, ele não é como esses fotógrafos novos com equipamento digital. Ele entende a forma como a luz afeta um personagem. Também há uma abordagem pouco usual, que é associar à questão indígena uma temática LGBT… FÁBIO: A sexualidade é um ponto importante do filme, mas isso está inserido em algo maior, a busca da identidade, dos seus aspetos culturais, filosóficos. Não é apenas um filme gay, é mais que isso. SÉRGIO: Para mim, a questão da sexualidade é tão importante quanto as outras e na cena mais forte de sexo eu vejo um fetiche de um pelo outro, uma experiencia nova, mas também uma miscigenação, duas raças. É uma simbologia de que sexo é prazer. ANDERSON: Entre os índios não havia a homossexualidade, que veio depois do contato com o branco. O povo agora é evangélico, mas em geral respeita essa opção, não há discriminação. Anderson, como acha que vão reagir às cenas de sexo na sua aldeia? ANDERSON: Meu pai e minha mãe me apoiam e é o meu trabalho como ator, isso é um filme de ficção. O que esta achando de Berlim e deste outro tipo de ritual, que é o do grande festival de cinema? ANDERSON: Um sonho, sonho realizado, estou feliz ter ganho a oportunidade de trazer esse filme, essa cultura. Estou ansioso para mostrar o filme ao meu povo. Vão fazer perguntas de como foi. FÁBIO: Berlim é um dos festivais que mais abraça filmes brasileiros depois de Rotterdam. E é o que está dando mais visibilidade. Para além da importância para nós, no Brasil temos grandes eixos de cinema – São Paulo, Rio, Pernambuco e Minas, mas não temos a representação do norte. Agora estamos começando a ser ouvidos, e trazer um filme para cá vai nos tornar mais fortes. Trouxemos um filme de Manaus onde 90% da equipe são pessoas de lá, é algo inédito. SÉRGIO: o festival tem uma orientação para acolher filmes que venham de uma cinematografia em desenvolvimento e com temas provocadores, polémicos, diferentes, que plantam uma semente do bem e do mal, ele acolhe bem esse tipo de filme. Se estamos aqui é porque conseguimos fazer um projeto que deu certo. O que podem adiantar sobre os seus novos projetos? FÁBIO: estou desenvolvendo um argumento com uma produtora em São Paulo, vou passar esse ano escrevendo para rodar em 2017. Aí retomo as minhas indagações sobre os homens do campo, com algo meio biográfico sobre o meu pai, com um pouco de ficção científica, como tinha no meu primeiro filme. Trata dos dilemas dos pequenos agricultores diante das grandes indústrias de fertilizantes, dos transgênicos. Meu pai continua tentado sobreviver, mas os últimos 15 anos têm sido muito difíceis. SÉRGIO: Desde a pré-produção do “Antes o Tempo não Acabava” eu já estava escrevendo um roteiro novo – que se chama “Terra Negra dos Caua”, que é uma etnia fictícia e trata da questão da terra indígena. É uma família que cultiva uma terra negra num sítio nas cercanias de Manaus que, para além das propriedades agrícolas, tem poderes energéticos e até sobrenaturais. É uma metáfora para a questão da posse da terra indígena. Esse projeto ganhou o edital de baixo orçamento do Ministério da Cultura Vou filmar em 2017. É uma quase ficção científica etnográfica. Então vão trabalhar separados? (risos) SÉRGIO: ainda não sabemos! Foi tudo muito rápido. Houve um diretor aqui da Panorama que perguntou se tínhamos feito um filme juntos e quando dissemos que sim ele respondeu: ‘E vocês ainda são amigos’? (risos). FÁBIO: pois é, ainda somos! Talvez não sobrevivamos a um segundo projeto!

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