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  • Filme

    Taika Waititi vai filmar a icônica graphic novel “O Incal”

    4 de novembro de 2021 /

    O diretor Taika Waititi já definiu qual será seu próximo filme após “Thor: Love and Thunder”. Ele vai adaptar a cultuadíssima graphic novel “O Incal”, de Alejandro Jodorowsky e Moebius. Uma das mais influentes aventuras sci-fi da pioneira revista francesa de quadrinhos adultos Métal Hurlant (a versão original da americana “Heavy Metal”), a trama acompanha o detetive John Difool, que encontra um artefato místico conhecido como Incal – um objeto de grande poder, cobiçado por muitas facções em toda a galáxia. À medida que Difool aprende sobre os poderes e propósitos do Incal, ele embarca em uma missão para salvar o universo. Um detalhe curioso é que “O Incal” foi resultado da frustração de Jorodowsky com o cancelamento de sua adaptação de “Duna” no cinema, nos anos 1970. Ele tinha contratado Jean Giraud, o Moebius, para desenvolver os designs do filme, e se inspirou nos desenhos feitos para o projeto nunca finalizado para conceber a trama de “O Incal”. Considerado uma das melhores histórias em quadrinhos já feitas, “O Incal” fez tanto sucesso em seu lançamento original de 1980 que acabou ganhando sequência, virou saga e rendeu inúmeros spin-offs, materializando o “Jodoverso”, um universo de quadrinhos imaginado pelo célebre cineasta psicodélico. Taika Waititi vai trabalhar no roteiro ao lado de seu velho parceiro Jemaine Clement, com quem criou o filme e a série “What We Do in the Shadows”, além de Peter Warren (“Ghost Team”). E pretende dirigir a produção. O projeto ganhou o bênção de Jodorowsky, atualmente com 92 anos de idade e ainda muito ativo – dirigiu três longas na década passada. Ele é último criador sobrevivente, já que Moebius morreu em 2012. Em vídeo publicado no YouTube da editora francesa Humanoids, Jodorowsky lembrou a relação de “O Incal” com “Duna” e comentou que, se ainda fosse jovem e alguém lhe dissesse que sua obra viraria filme, mas ele não seria o diretor, teria ficado “muito furioso e deprimido, como se tivessem me roubando”. “Mas agora tenho 92 anos e não estou em condições de fazer uma obra tão épica”, considerou. “Quando o CEO da Humanoids, Fabrice Giger, me apresentou o trabalho de Taika Waititi, ficou óbvio para mim que ele era o cara certo”, Jodorowsky acrescentou em comunicado. “Confio plenamente na criatividade de Taika para dar ao ‘Incal’ uma apresentação impressionante, íntima e, ao mesmo tempo, de proporções cósmicas.” Ainda em etapa inicial de produção, o filme ainda não tem elenco definido, cronograma de filmagem ou previsão de estreia. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Taika Waititi (@taikawaititi)

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  • Etc

    Juan Giménez (1943 – 2020)

    3 de abril de 2020 /

    O quadrinista argentino Juan Giménez morreu nesta sexta (3/4), aos 76 anos. Ele estava internado em Mendoza, na Argentina, após ter sido diagnosticado com covid-19. Gimenez tinha retornado recentemente da Espanha, onde morava, antes de ser diagnosticado. Ele era celebrado como um dos grandes mestres dos quadrinhos de ficção científica, especialmente na Europa, onde ganhou notoriedade com uma série de histórias curtas chamada “Time Padarox”. Em 1981, Giménez também fez parte da equipe responsável pela realização do cultuado longa animado “Heavy Metal”, desenhando o segmento “Harry Canyon”. E logo em seguida ainda desenvolveu designs para a sci-fi espanhola “O Cavaleiro Estelar” (1986), estrelada por Klaus Kinski (“Fitzcarraldo”), Harvey Keitel (“O Irlandês”) e Fernando Rey (“Esse Obscuro Objeto do Desejo”). Colaborador das principais revistas europeias de quadrinhos, como a francesa “Métal Hurlant” e a italiana “L’Eternauta”, também publicou várias graphic novels e seu maior sucesso foi a saga “A Casta dos Metabarões”, criada em parceria com o cineasta chileno Alejandro Jodorowsky (“A Dança da Realidade”). A publicação durou até 2003 e foi traduzida para vários idiomas.

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  • Etc,  Filme

    Ronnie Taylor (1924 – 2018)

    10 de agosto de 2018 /

    Morreu Ronnie Taylor, veterano diretor de fotografia britânico que venceu o Oscar por “Gandhi” (1982). Ele tinha 93 anos e faleceu em sua casa na ilha de Ibiza, na Espanha, na sexta passada (3/8), após sofrer um AVC. O anúncio do falecimento só foi feito hoje pela Sociedade Britânica de Diretores de Fotografia. Taylor começou sua carreira como operador de câmera, trabalhando em clássicos como “Os Inocentes” (1961), “Barry Lyndon” (1975) e até no primeiro “Guerra nas Estrelas” (1977). E foi assim também que iniciou seu relacionamento profissional com o cineasta Richard Attenborough. Ator famoso do cinema britânico (até hoje lembrado como o Professor Hammond de “Jurassic Park”), Attenborough virou diretor com “Oh! Que Bela Guerra!” (1969) e “As Garras do Leão” (1972), e quando se viu em apuros devido a uma emergência na produção de “Gandhi”, lembrou-se do cameraman desses filmes e chamou Ronnie Taylor para fazer História. Ainda novato na função, o currículo de Ronnie Taylor como diretor de fotografia tinha apenas quatro filmes – entre eles o musical “Tommy” (1977) – , quando se viu convocado por Attenborough para salvar as filmagens de “Gandhi”. É que o cinematógrafo original, Billy Williams (de “Num Lago Dourado”), tinha sofrido uma fratura na coluna e precisou se afastar das filmagens. A superprodução caríssima correu risco de interrupção. Mas Attenborough encontrou um aliado precioso em Taylor, que aceitou o desafio e já na sua primeira cena imprimiu o tom grandioso que transformou a cinebiografia num épico. Seu primeiro dia de trabalho foi justamente a recriação do funeral de Gandhi, que usou mais de 300 mil figurantes, um recorde de atores até hoje inigualado, de acordo com o Livro Guinness dos Recordes. Billy Williams acabou voltando posteriormente para a produção, mas Attenborough considerou que ambos tiveram contribuições importantes para as filmagens e decidiu que eles compartilhariam os créditos da direção fotográfica. Acabaram compartilhando também o Oscar de Melhor Fotografia. “Gandhi” também venceu os Oscars de Melhor Filme, Diretor, Ator (Ben Kingsley), Roteiro, Direção de Arte, Figurino e Edição. Depois de vencer o Oscar, Taylor voltou a trabalhar com Attenborough em “Chorus Line: Em Busca da Fama” (1985) e “Um Grito de Liberdade” (1987). Também firmou nova parceria, ao filmar “Terror na Ópera” (1987), “Um Vulto na Escuridão” (1998) e “Insônia” (2001) para o mestre do terror italiano Dario Argento. Outros trabalhos notáveis de sua filmografia ainda incluem “O Cão dos Baskervilles” (1983), aventura de Sherlock Holmes, “Vítimas de uma Paixão” (1989), com Al Pacino, e o drama “O Ladrão do Arco-Íris” (1990), de Alejandro Jodorowsky.

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  • Filme

    Poesia sem Fim evoca juventude de Alejandro Jodorowsky com beleza surreal

    9 de julho de 2017 /

    Escolher a poesia como ofício e condição de vida é um ato de coragem. Também de destemor, de enfrentamento do sistema, talvez revelando um irreal excesso de confiança. Coisa para se fazer aos 20 anos de idade, enquanto se pode arriscar mais, quem sabe, tudo. Alejandro Jodorowsky, poeta, escritor, ator e cineasta chileno, nascido em 1929, fez um filme irreverente, transgressor e inventivo sobre essa escolha de vida. Segunda parte de uma reflexão autobiográfica, após abordar sua infância em “A Dança da Realidade” (2013), “Poesia sem Fim” dispensa de forma quase absoluta o realismo. Com uma câmera ágil, irriquieta, constrói um universo plástico belíssimo, que respira liberdade, sensualidade, autenticidade. E vai desenrolando sua narrativa de forma fantástica, metafórica, realizando um cinema que é pura magia, como sempre foram os filmes do diretor dos clássicos psicodélicos “El Topo” (1970) e “A Montanha Sagrada” (1973). Sedutor para quem se entrega, se deixa levar. Mais do que os fatos que, de alguma forma, também estão lá, o que vale são as sensações, os sentimentos, a libertação. O encontro com o que se é e se deseja criar, produzir, realizar, como sentido de vida. Quem vê o mundo por uma forma poética, artística, acaba percebendo que precisará contestar muito, transgredir sempre, para chegar a se encontrar e dar sua contribuição à sociedade com aquilo que lhe é natural e precioso. Alejandro Jodorowsky nos conta isso no filme, inovando bastante, quebrando convenções, provocando e nos trazendo muita beleza. Ou seja, sua forma é o seu conteúdo, é a sua história e a sua luta. Trabalho de um homem de 87 anos que se mostra fiel a seus ideais de juventude, desenvolvidos ao longo de toda sua vida. O relacionamento pai e filho, que remonta aos anos 1940 e 1950 no relato de “Poesia Sem Fim”, é vivido por dois filhos do diretor, Adan e Brontis Jodorowsky. E o próprio Alejandro participa numa ponta. Uma família que enfrenta os conflitos pelo caminho da arte e embarca ao lado de um elenco todo dedicado à experimentação poética e visual do cineasta. Um filme como “Poesia sem Fim” não busca mercado, não aspira ao sucesso, quer se expressar, se comunicar, sem amarras. O jeito é buscar apoio financeiro, não nas instituições e mecanismos de financiamento, mas nas pessoas que possam se envolver no projeto. Foi o que fez Alejandro Jodorowsky. Com uma trajetória de filmes cults, que gerou muitos aficcionados, ele se valeu de 1 milhão de seguidores nas redes sociais para angariar contribuições individuais e, por meio de financiamento coletivo, viabilizar este novo trabalho.

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