Produtor da série NCIS: New Orleans é acusado de abuso e assédio pela própria equipe
O produtor Brad Kern, que desde 2016 é responsável pela série “NCIS: New Orleans”, somou-se à lista de personalidades de Hollywood com múltiplas acusações de abuso e assédio sexual, além de acrescentar à lista doses de misoginia e racismo. Segundo apurou o site da revista Variety, duas investigações chegaram a ser conduzidas pelo departamento de recursos humanos da produtora CBS Television Studios sobre o comportamento de Kern tão logo ele assumiu a série, em 2016. A primeira não deu em nada. A segunda o obrigou a frequentar um treinamento de sensibilidade por seis meses, mas não o afastou do trabalho nem sequer durante este período. O caso foi tratado internamente e abafado, como assume a CBS. “Nós estávamos cientes dessas alegações quando aconteceram em 2016, e as levamos muito a sério”, disse a empresa em um comunicado. “Ambas as queixas foram respondidas imediatamente com investigações e medidas disciplinares subseqüentes. Enquanto não fomos capazes de corroborar todas as alegações, tomamos essa ação para contornar o comportamento e o estilo de gerenciamento, e não recebemos mais reclamações desde que isso foi implementado”. Apesar do teor da nota, o comportamento de Kern não se alterou, segundo sete pessoas ouvidas pela Variety, que pediram para não serem identificadas. “Ele discrimina as mulheres, as mães que trabalham e qualquer uma que ele não possa controlar”, disse uma fonte. O fato de ter sido chamado pelo RH virou até piada, afirmam. “Ele começou a dizer: ‘Eu não posso tocar em você, porque o RH me colocou uma coleira de choque’. Era hilário para ele. Esse foi o único resultado da investigação do RH”, afirma um funcionário que pediu demissão. A maioria dos ouvidos pela publicação informam que Kern “duplicou” suas observações questionáveis e comportamentos de assédio. “Ele foi encorajado”, diz uma fonte. Kern teria o costume de fazer comentários de natureza sexual para as mulheres de sua equipe, dar-lhes massagens sem perguntar e também humilhá-las com frases pejorativas. Além disso, de acordo com múltiplas fontes, ele gosta de imitar de forma exagerada e ofensiva como falam os atores negros da série. Ele também vetou um casal interracial na atração, porque “não via como uma mulher branca poderia ser casada com um negro”. São muitas acusações. As mais graves afirmam que ele retalhou e demitiu impunemente a roteirista que fez uma das queixas contra ele, além de ter decidido afastar uma das atrizes do elenco porque não a achava “f*dível”. A atriz em questão era Zoe McLellan, que foi procurada pela Variety e preferiu não comentar. As fontes ressaltaram que o ambiente de trabalho na série é o pior possível. E que não adianta reclamar, porque o RH do CBS Television Studios não faz nada. A saída foi vir à público. Brad Kern é um produtor veterano da TV americana, com passagens por séries como “Remington Steele” (1982-1987), que lançou a carreira de Pierce Brosnan, e “Charmed” (1998-2006), estrelada por duas atrizes que tiveram destaque no movimento de denúncias de assédio em Hollywood, Rose McGowan e Alyssa Milano. E as histórias de bastidores sobre o que ele fazia na época de “Charmed” são de arrepiar, desde comentários explícitos na reunião dos roteiristas sobre as fotos da atriz Shannen Doherty na Playboy, sugestões para as roteiristas escreverem seus textos peladas, até a forma como se referia ao elenco da atração como “cadelas” e fazia pedidos para ser alertado quando “atrizes quentes” fossem fazer testes para participar de algum episódio. Nos EUA, as séries da franquia “NCIS” estão entre as mais vistas de toda a programação da TV aberta. O spin-off passado em New Orleans é visto por mais de 8 milhões de telespectadores todas as semanas e está em sua 4ª temporada.
Um dos diretores mais premiados da Coreia da Sul é acusado de assédio e condenado por agredir atriz
Não é só nos Estados Unidos que mulheres começaram a denunciar os abusos de figuras importantes da indústria cinematográfica. Um dos diretores mais premiados da Coreia do Sul, Kim Ki-Duk, foi condenado após ser acusado por uma atriz de agredi-la e forçá-la a fazer cenas de sexo fora do roteiro de uma filmagem. A denúncia é bastante incomum no país, onde o conservadorismo extremo torna as vítimas temerosas da sofrer vergonha pública. Kim Ki-Duk é conhecido por contratar atrizes pouco conhecidas e filmar cenas de violência extrema. E sua acusadora, que pediu para manter o anonimato, afirmou à imprensa do país que sua participação no filme “Moebius” (2013), um thriller sobre o incesto, a deixou “profundamente traumatizada”. A atriz acusou Kim de abusos físicos e sexuais, afirmando que ele bateu nela durante as filmagens e a obrigou a fazer cenas de nudez e atos sexuais que não estavam no roteiro. Como ela se recusou, foi agredida e cortada do filme. Desde então, tem buscado ajuda de advogados, que sugeriram que ela esquecesse o caso. Mas ela decidiu não se submeter e, mesmo buscando preservar sua privacidade, apresentou a denúncia na justiça. E, na semana passada, o diretor de 56 anos foi condenado a pagar US$ 4,6 mil por agressão física. Uma vitória de Pirro, já que outras acusações foram arquivadas, incluindo a de assédio sexual por alegação de falta de provas. A denúncia acontece em um momento em que Hollywood vem sofrendo uma devassa, com demissões e investigações criminais de produtores, diretores e atores envolvidos em escândalos sexuais. No Brasil, também houve o caso do ator José Mayer, afastado pela rede Globo após assediar uma figurinista. Resta saber se esse movimento vai atingir outros países. E se Kim Ki-Duk continuará a ganhar financiamento para seus filmes, após o escândalo. Ele já venceu o Festival de Berlim com “Samaritana” (2004) e o de Veneza com “Pieta’ (2012).
Atrizes devem vestir preto no Globo de Ouro em protesto contra o assédio sexual em Hollywood
O Globo de Ouro 2018 deve servir de palco para um protesto silencioso contra os assédios sexuais de Hollywood. Mais de 30 atrizes que comparecerão ou apresentarão a cerimônia em 7 de janeiro estariam combinando vestir preto para demonstrar sua indignação contra os abusos cometidos por figuras como o produtor Harvey Weinstein. A informação foi obtida e divulgada pelo site de celebridades E! News e pelo programa televisivo “The Morning Breath”. Especula-se que entre as atrizes envolvidas no protesto estejam Reese Witherspoon, Saiorse Ronan e Jessica Chastain, que já se manifestaram a respeito das denúncias. “Todas as atrizes e convidadas ou, pelo menos, a maioria, estão estendendo sua solidariedade uma a outra em forma de protesto. Todas vestirão preto, obviamente, para se manifestar contra as injustiças que estiveram acontecendo em Hollywood desde sempre”, disseram as apresentadoras do “The Morning Breath”, Jackie e Claudia Oshry. As vítimas que denunciaram assédio sexual no cinema e em outras áreas foram eleitas, simbolicamente, como “Personalidades do Ano” pela revista americana Time.
Dustin Hoffman é acusado de abuso sexual por mais mulheres
O ator Dustin Hoffman foi alvo de novas acusações de abuso sexual. As revistas Variety e The Hollywood Reporter trouxeram novas denúncias contra o astro de “A Primeira Noite de um Homem” (1968), “Tootsie” (1982), “Rain Man” (1988) e muitos outros clássicos do cinema. Cori Thomas, amiga de uma das filhas do ator, diz que, em 1980, quando ela tinha 16 anos, Hoffman convenceu as duas a ir para seu quarto de hotel em Nova York. Logo depois, ele teria pedido à filha para ir embora. E então apareceu nu no quarto e pediu para a então adolescente fazer massagem em seu pé. Ela diz que ficou assustada na época e só recentemente contou sobre o caso a seus familiares. Hoje ela é uma autora teatral premiado Outras duas mulheres, que não tiveram os nomes revelados, afirmam que o ator colocou as mãos no meio de suas pernas, sem o consentimento delas. “Eu senti que fui estuprada. Não houve aviso. Eu não sabia que ele ia fazer isso”, disse uma delas à Variety. Por sua vez, o Hollywood Reporter reuniu as principais denúncias, incluindo algumas que ainda não tinham vindo à tona, como a de uma guia turística de Washington, que o ator requisitou para passar o dia com ele, durante a filmagem de “Todos os Homens do Presidente” em 1975. A jovem de 21 anos não pôde ir embora sem fazer sexo oral com o ator. Mais uma menor conta que tinha 15 anos quando trabalhava numa loja de roupas em 1973 e encantou Hoffman, que aproveitou a vontade da jovem de virar atriz para convidá-la à première de um de seus filmes, e depois à visitar sua casa, dizendo que sua filha estaria lá. Mas ao chegarem, ela percebeu que não havia ninguém. E ele se masturbou na sua frente. Foi o Hollywood Reporter quem publicou a primeira denúncia, em novembro, escrita em primeira pessoa pela produtora Anna Graham Hunter, que revelou ter sido assediada por Hoffman no set da adaptação televisiva de “A Morte de um Caixeiro Viajante” (1985). Na época, ela tinha 17 anos e era estagiária. Logo em seguida, a atriz Kathryn Rossetter também assinou um artigo para a revista afirmando que foi alvo de assédio sexual quando os dois atuaram na peça “A Morte de um Caixeiro Viajante”, na Broadway, em 1983. No texto, ela afirmou que o ator “abusa de seu poder e é um porco com as mulheres”. O trabalho mais recente do ator é o filme “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”, da Netflix, que foi exibido no Festival de Cannes 2017.
Weinstein diz que Salma Hayek mente e Antonio Banderas defende honestidade da amiga
Após a atriz Salma Hayek denunciar o assédio de Harvey Weinstein, com direito a ameaças de morte e boicote de seu filme “Frida” (2002), um porta-voz do produtor negou as acusações, dizendo que “não são precisas”. “Todas as alegações sexuais retratadas por Salma Hayek não são precisas e outros que testemunharam os eventos têm opiniões diferentes”, diz o comunicado emitido em nome de Weinstein, que ainda alega que o produtor “não lembra” de ter exigido que ela fizesse uma cena de sexo com uma mulher em “Frida”. “O sr. Weinstein não se lembra de ter pressionado Salma para fazer uma cena gratuita de sexo no filme. Entretanto, isso faz parte da história, já que Frida Kahlo era bissexual”, diz o texto. Diante disse, o ator Antonio Bandeira, amigo de longa data da atriz, foi ao Twitter defender Hayek. “Estou impactado e triste pelo terrível relato que minha queria amiga Salma Hayek tornou público sobre o produtor Harvey Weinstein”, escreveu o ator na rede social, acrescentando: “Sua integridade, honestidade como mulher e profissional me fazem dar total crédito para suas palavras”. Veja abaixo. Estoy impactado y triste ante los terribles hechos que ha hecho públicos mi querida amiga Salma Hayek sobre el productor Harvey #Weinstein. Su integridad, su honestidad como mujer y como profesional me hacen dar absoluto crédito a sus palabras. pic.twitter.com/GZJsgxYGRE — Antonio Banderas (@antoniobanderas) December 14, 2017
iZombie vai manter Robert Knepper no elenco, apesar das acusações de assédio sexual
A rede CW decidiu manter Robert Knepper no elenco da série “iZombie”, apesar de várias alegações de má conduta sexual contra o ator. Após cinco mulheres acusarem Knepper de assédio e tentativa de estupro ao longo das últimos décadas, a Warner Bros. Television (WBTV) iniciou um processo investigativo. Entretanto, pelo teor do comunicado, a investigação foi focada apenas na conduta do ator durante a produção da série atual. “Estávamos profundamente preocupados com recentes alegações sobre Robert Knepper. Como resultado, realizamos um inquérito interno com parte do elenco e da equipe da ‘iZombie'”, afirmou o estúdio em comunicado. “Não encontramos nenhuma evidência de irregularidades no conjunto da série. Tomamos e continuaremos a tomar as medidas adequadas para garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos, que é a nossa principal prioridade”, concluiu a nota. Entre as inúmeras acusações publicadas nas últimas semanas, nenhuma foi relacionada ao comportamento de Knepper em “iZombie”. Na série, ele interpreta Angus DeBeers, o pai de Blaine DeBeers (personagem de David Anders), que terá maior importância na 4ª temporada. A decisão possivelmente levou em conta que a temporada já está inteiramente gravada e seria caótico cortar o ator na pós-produção. Mas Knepper deve sumir do material de divulgação dos novos episódios, que começam a ser exibidos no início de 2018, ainda sem data definida. Não está descartada, também, a morte de seu personagem ao final da temporada – ou, até mesmo, o cancelamento da série no quarto ano. Knepper não se desculpou com as mulheres que o denunciaram, acusando-as de mentirem. Após a publicação da reportagem em que detalhes de seu passado foram revelados, ele emitiu o seguinte comunicado: “Nós chegamos a um momento em que carreiras construídas com trabalho duro estão sendo perdidas com base em acusações. Preciso reiterar que essas acusações contra mim são falsas. Perdemos a presunção de inocência, perdemos o ‘processo devido’ e perdemos a capacidade de requisitar evidências, permitindo que a mídia se torne ‘juiz e júri’. Até que eu possa me sentar e dialogar com os meus acusadores, não por meio da imprensa, mas por um mediador imparcial, não tenho mais nada a dizer sobre este assunto. Minha esposa, família e amigos íntimos me conhecem e a minha verdadeira natureza e seu grato por seu amor e apoio”.
Diretor de Super Size Me denuncia-se por assédio sexual
Após dezenas de vítimas denunciarem a prática disseminada de assédio sexual em Hollywood, um perpetrador resolveu se auto-incriminar. “Eu sou parte do problema”, reconheceu o cineasta Morgan Spurlock, vencedor do Oscar pelo documentário “Super Size Me” (2004), ao admitir no Twitter que foi acusado de estupro na universidade e, já como profissional, assediou uma assistente de trabalho. O famoso documentarista americano relatou na rede social que não foi denunciado pelos crimes, mas que resolveu revelar seu histórico abusivo ao assistir “heróis e mais heróis” caírem e se motivar a ser uma pessoa melhor. Spurlock destacou que, diante das revelações de assédio, não se questionava quem seria o próximo, mas sim quando o movimento chegaria até ele. Na série de denúncias que derrubaram, entre outros, o produtor Harvey Weinstein e o ator Kevin Spacey, o cineasta viu que não era apenas um inocente observador das notícias. “Eu sou parte do problema. Na minha vida, houve vários momentos que se assemelham ao que vemos nas notícias. Quando estava na universidade, uma garota com que fiquei por uma noite me acusou de estupro. Não houve queixas ou investigações, mas ela escreveu sobre isso em um trabalho de classe e colocou o meu nome”, recordou o diretor. Ele confrontou a vítima por acreditar que a relação sexual tinha sido consentida. Os dois estavam bêbados, e a mulher precisou explicar que negou repetidas vezes o ato e sofreu com a insistência do documentarista. Anos mais tarde, ele fechou um acordo para uma acusação de assédio a uma funcionária não ir à frente. “Foi só verbal, mas foi tão ruim quanto”, reconheceu o americano, que dava apelidos eróticos para a colega de trabalho. Morgan Spurlock confessou que pagou pelo silêncio e “para continuar a ser quem eu era” sem que os outros soubessem. O cineasta também revelou aos seguidores que traiu todas as mulheres e namoradas com que se relacionou e que sofreu abuso sexual quando era criança e adolescente. Ele também assumiu seu alcoolismo. Desde os 13 anos, ele não consegue ficar sóbrio por mais de uma semana. No entanto, para ele, “nenhum desses fatores importa se você faz outra pessoa se sentir menos pessoa”. Aos seguidores, ele garantiu que já procurou ajuda. “Ao reconhecer e abrir publicamente o que fiz nesta situação terrível, eu espero empoderar a mudança em mim mesmo. Nós todos devemos achar a coragem para admitir nossas falhas. Mais do que qualquer coisa, espero reconstruir a confiança e o respeito daqueles que mais amo. Não sei se mereço, mas vou trabalhar todos os dias para reconquistar. Eu farei melhor. Eu serei melhor. Acredito que todos podemos ser melhores”, frisou. Spurlock recentemente dirigiu uma continuação de seu documentário mais premiado, “Super Size Me 2: Holy Chicken!”, exibido no Festival de Toronto e ainda sem estreia comercial definida. Ele também produz um filme sobre a história da MTV e outro sobre a evolução da Inteligência Artificial, previstos para 2018.
Premiação do Sindicato dos Atores será apresentada apenas por atrizes após escândalos de Hollywood
A premiação do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos, o SAG Awards, será apresentado apenas por mulheres em 2018. Todas as 13 categorias da premiação, que tiveram seus indicados revelados nesta quarta-feira (13/12), terão seus vencedores anunciados por atrizes de Hollywood. A principal apresentadora do evento será Kristen Bell (série “Good Place”). A produtora executiva do SAG, Kathy Connell, afirmou que a decisão é política e visa celebrar o empoderamento feminino como uma resposta ao delicado momento enfrentado pelas mulheres em meio às denúncias sucessivas de assédio sexual na indústria do entretenimento. “Começando com a marcha das mulheres em janeiro, 2018 será o ano da mulher. Esta é uma homenagem em prol da união para as mulheres que foram muito corajosas ao denunciarem os crimes que enfrentaram”. declarou. A decisão não significa que os homens não terão vez na cerimônia: os atores, claro, subirão ao palco para receberem e agradecerem a seus prêmios. A cerimônia de premiação do SAG Awards 2018 acontece no dia 21 de janeiro, em Los Angeles, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT no Brasil.
Salma Hayek revela assédio, chantagem e ameaça de morte de Harvey Weinstein
A atriz Salma Hayek fez revelações chocantes em um texto escrito para o jornal The New York Times sobre os assédios e traumas que sofreu com o produtor Harvey Weinstein. Segundo a atriz mexicana, Weinstein a perseguiu por anos e tentou convencê-la a tomar um banho com ele e até fazer sexo oral. Após as recusas, ele passou a tratá-la com raiva e a ameaçou de morte. E só teria escapado de ser estuprada por sua amizade com Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, responsáveis pelos maiores sucessos do produtor. “Sabendo o que sei agora, eu me pergunto se não foi a minha amizade com eles e George Clooney que me salvou de ser estuprada”, ela reflete no texto. Salma conta que seu inferno começou no ano de 2002, quando estrelou “Frida”. Na época, o estúdio Miramax, de Weinstein, era considerado sinônimo de qualidade e garantia de premiações. Logo, ela lutou para tentar levar seu filme para a produtora. O acordo inicial previa que Weinstein pagasse os direitos do trabalho já desenvolvido por ela. Como produtora, ela receberia um crédito, mas não teria pagamento, “o que não era raro para uma produtora mulher nos anos 1990”. Ele também havia pedido a assinatura de um contrato em que ela se comprometeria a fazer diversos outros filmes com a Miramax, “o que eu pensei que concretizaria meu status como atriz principal”. “Eu não ligava para o dinheiro, estava tão animada em trabalhar com ele e a empresa. Na minha ingenuidade, pensei que fosse meu sonho se tornando realidade. Ele havia validado os últimos 14 anos da minha vida e dado uma chance para mim — uma ninguém. Ele disse sim. Mal sabia eu que logo seria minha vez de dizer não”, contou. “Não para abrir-lhe as portas a qualquer hora da noite, hotel atrás de hotel, locação atrás de locação, onde ele aparecia inesperadamente, incluindo em um local em que eu estava fazendo um filme que ele não estava envolvido. Não para tomar um banho com ele. Não para deixá-lo me ver tomando banho. Não para deixá-lo me dar uma massagem. Não para deixar um amigo nu dele me dar a massagem. Não para deixá-lo fazer sexo oral em mim. Não para me deixar nua com outra mulher. Não, não, não, não, não”, desabafou. Em seguida, ela conta que começou a despertar a fúria de Weinstein, que prometia se vingar e atrapalhar sua vida: “Em um ataque de fúria, ele disse: ‘Eu vou te matar, não pense que não posso’”. “Em seus olhos, eu não era uma artista. Eu não era sequer uma pessoa. Eu era uma coisa: não uma ninguém, mas um corpo”, prosseguiu. Weinstein chegou a ameaçar não lançar “Frida”, pelo qual ela tanto tinha se empenhado. E ela finalmente disse sim para uma condição. Salma aceitou fazer uma cena de sexo com outra mulher para o filme, para que Weistein não impedisse sua distribuição. Descrevendo o dia da filmagem da cena, a atriz disse ter ficado perturbada. “Não por ficar nua com outra mulher, mas porque precisava estar nua com outra mulher por Harvey Weinstein”. “Frida” acabou sendo uma das produções mais premiadas da Miramax, vencendo dois Oscars e rendendo uma indicação a Salma Hayek por seu papel em 2003. E Weinstein quase não lançou o filme por capricho. Ao concluir seu relato, a atriz ressaltou a importância das denúncias feitas por outras pessoas que sofreram com assédios do produtor: “Quando tantas mulheres se apresentaram para descrever o que Harvey tinha feito a elas, eu tive que confrontar minha covardia e aceitar que minha história, por mais importante que fosse para mim, não era nada senão uma gota em um oceano de tristeza e confusão.”
Filme inédito de Louis C.K. vaza na internet após ter estreia cancelada durante escândalo sexual
O filme inédito “I Love You, Daddy”, que teve sua estreia cancelada devido ao envolvimento de Louis C.K. num dos escândalos sexuais que abalam Hollywood, vazou na internet. Na segunda-feira (11/12), uma versão de 1,5gb do filme apareceu no site Pirate Bay, de acordo com a revista Variety. A cópia foi feita pelo famoso grupo de pirataria Hive-CM8, que há pelo menos três anos comemora o Natal divulgando cópias piratas de filmes inéditos e/ou indicados a premiações importantes. A versão que apareceu na internet pertence a um dos críticos que votam na temporada de prêmios. Cópias em DVD do filme foram enviadas para avaliação no mesmo dia em que o jornal The New York Times publicou as denúncias de abusos sexuais do diretor, roteirista e protagonista do longa-metragem, data que também foi véspera da sua première nos cinemas. A repercussão negativa da reportagem fez com que a produtora Orchard cancelasse a estreia e desistisse do lançamento, amargando o prejuízo dos US$ 5 milhões gastos na aquisição do longa no Festival de Tribeca. Por azar, há alguns dias o comediante contatou a distribuidora para comprar de volta seu filme. Mas, antes que o negócio pudesse ser feito, os piratas jogaram o trabalho no mar virtual. Em texto distribuído junto com a versão pirata, o Hive-CM8 disse que estava compartilhando o filme porque o seu lançamento era incerto. “Pensamos que seria um desperdício deixar um ótimo filme de Louis C.K. sem ser visto”, dizem os piratas. Ironicamente, a trama de “I Love You, Daddy” lida com assédio em Hollywood. Rodado em preto e branco, o filme acompanha a relação de um roteirista (papel de CK) e sua filha adolescente (Chloe Moretz) em meio ao ambiente hedonista de Hollywood, destacando em particular um cineasta de passado controvertido, que gosta de atrizes bem jovens – para preocupação do pai-protagonista.
Novo site denuncia se filmes e séries têm integrantes acusados de assédio sexual
A lista negra dos acusados de assédio sexual em Hollywood ganhou mais uma ferramenta de denúncia. Um novo site, chamado Rotten Apples (numa referência ao agregador de resenhas Rotten Tomatoes), foi criado para ajudar a localizar as “maçãs podres” dos filmes e programas de TV, baseado nas denúncias divulgadas nos últimos meses. O funcionamento é simples. Basta incluir o título da produção no campo de pesquisa, e um banco de dados informa se nela há “rotten apples” (pessoas denunciadas por abuso). O site cita nominalmente os envolvidos, com um link para notícias sobre as acusações de assédio de cada indivíduo. Os filmes do produtor Harvey Weinstein, dos diretores James Toback e Brett Ratner e do ator Kevin Spacey estão entre as maçãs mais podres, mas há falhas na lista, que ainda não inclui alguns alvos de denúncias. Por exemplo: a animação “Hercules” não entrega o ator James Woods. Mas o site permite que o internauta entre em contato e sugira mudanças e correções, o que já causou a inclusão dos produtores Andrew Kreisberg na pesquisa por “Supergirl” e Chris Savino na série animada “Loud House”, originalmente ausentes da listagem.
Polícia de Los Angeles investiga nova acusação de abuso sexual de Polanski nos anos 1970
A polícia de Los Angeles abriu uma nova investigação contra o cineasta Roman Polanski, acusado de abusar sexualmente de uma garota em 1975, quando ela tinha apenas 10 anos, segundo a agência Associated Press. Oficiais ouvidos pela agência afirmam que, apesar de o crime já ter prescrito, a polícia pode usar evidências para ajudar em outros casos. A vítima em questão, a artista Marianne Barnard, procurou a polícia em outubro, afirmando que o diretor a molestou durante uma sessão de fotos mais de quatro décadas atrás, ao lhe pedir que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles. O advogado de Polanski, Harland Braun, afirmou ter contratado um investigador para conversar com os pais de Marianne. “Acredito que uma investigação competente da polícia de Los Angeles vai provar que a história toda é falsa”, disse. Polanski é considerado foragido da justiça americana desde 1978, quando ele fugiu para a França em meio a um julgamento por abuso sexual de uma garota de 13 anos. A vítima, Samantha Geimer, pediu ao juiz que encerrasse o caso em junho deste ano, afirmando que não queria que sua família sofresse mais por causa da situação, mas teve o pedido negado. Recentemente, mais três mulheres acusaram o diretor de estupro nos anos 1970, quando eram menores.
Ator acusado de assédio comemora indicação ao Globo de Ouro
Acusado de “comportamento inadequado” e afastado da Academia Australiana de Cinema e TV, o ator Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”) recebeu uma indicação ao Globo de Ouro 2018 por sua atuação na série limitada “Genius”, em que interpretou Albert Einstein. Em uma comemoração discreta, ele afirmou acreditar na “complexidade da humanidade”. A íntegra de seu comunicado diz: “Esta é uma boa notícia para Albert Einstein. Eu acredito na ciência. Eu também acredito na complexidade da humanidade. Tenho a honra de estar na companhia de candidatos nomeados que, com sua arte, se esforçaram para definir a multiplicidade de dimensões na experiência masculina”. Rush pediu licença do cargo de presidente da Academia Australiana após ser envolvido em alegações de assédio durante uma montagem teatral da peça “Rei Lear”, de Shakespeare. O ator de 66 anos negou as acusações, que vieram à público no final de novembro, quando a Companhia de Teatro de Sydney informou ter recebido queixas contra seu comportamento. Vencedor do Oscar em 1997 por seu papel em “Shine — Brilhante” e indicado outras três vezes – a última por “O Discurso do Rei” (2010) – , o ator está processando o jornal australiano The Daily Telegraph por publicar a notícia. Em comunicado anterior, Rush afirmou desconhecer os detalhes das acusações contra ele. “Desde o momento em que soube dos rumores de denúncia, falei imediatamente com a direção da Companhia de Teatro de Sydney pedindo um esclarecimento dos detalhes do comunicado. Eles se negaram a me dar detalhes”. A academia australiana também emitiu uma nota confirmando a decisão de Geoffrey Rush de “se afastar de forma voluntária”, na qual diz apoiar “um procedimento que respeite tanto o direito à presunção de inocência e a um processo justo, como também à boa gestão da direção nestas circunstâncias”. Rush vai disputar o Globo de Ouro com Robert De Niro (por “O Mago das Mentiras”), Jude Law (“The Young Pope”), Kyle MacLachlan (“Twin Peaks”) e Ewan McGregor (“Fargo”). Já Jeffrey Tambor e Kevin Spacey, que também foram objeto de denúncias recentes, não foram indicados por suas atuações em “Transparent” e “House of Cards”, respectivamente, apesar de ambos terem vencido Globos de Ouro por suas interpretações nas duas séries há dois anos.











