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  • Filme

    Sandra Milo, estrela de clássicos de Fellini, morre aos 90 anos

    30 de janeiro de 2024 /

    A atriz italiana Sandra Milo, conhecida por papéis memoráveis em “8½” (1963) e “Julieta dos Espíritos” (1965) de Federico Fellini, bem como seu trabalho com Roberto Rossellini, faleceu na segunda-feira (29/1) em sua casa em Roma. Ela tinha 90 anos. A vice-ministra da Cultura italiana, Lucia Borgonzoni, lamentou o falecimento de Milo como a perda de uma “protagonista do cinema italiano… uma grande artista talentosa com um carisma avassalador” e “a musa de grandes diretores como Federico Fellini, que conquistou os corações de milhões de italianos.” Milo, cujo trabalho abrangeu vários gêneros, fez sua estreia no cinema em 1955 ao lado do popular ator cômico Alberto Sordi em “O Solteirão”, de Antonio Pietrangeli. Outras comédias se seguiram, entre elas “Totò na Lua” (1958), parceria com o icônico comediante italiano conhecido como Totò. Em 1959, Milo conseguiu um papel em “De Crápula a Herói” (1959) de Roberto Rossellini e continuou sua colaboração com o diretor interpretando uma jovem aristocrata romana no drama “Vanina Vanini” (1961). O encontro de Milo com Fellini em 1963 marcou um grande salto em sua carreira graças ao status atingido por “8½” (1963), no qual ela interpretou Carla, a amante do diretor Guido Anselmi, interpretado por Marcello Mastroianni. O longa venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional. Posteriormente, Milo voltou a trabalhar com o diretor em “Julieta dos Espíritos” (1965), no qual interpretou uma femme fatale desinibida. Ela também estrelou muitos filmes franceses, incluindo “O Espelho tem Duas Faces” (1958), de André Cayette, o policial “Como Fera Encurralada” (1960), ao lado de Jean-Paul Belmondo, e “O Irresistível Gozador” (1964), em que contracenou com Catherine Deneuve. E foi uma das musas das comédias sexuais italianas do período, protagonizando filmes dos principais diretores do gênero, como “Ádua e Suas Companheiras” (1960) e “A Visita” (1963), de Antonio Pietrangeli, “Alguns Preferem… à Francesa” (1964), de Luigi Zampa, “Os Castrados” (1964), de Pasquale Festa Campanile e Massimo Franciosa, “Férias à Italiana” (1965), de Dino Risi, e “Como Aprendi a Amar as Mulheres” (1966), de Luciano Salce. Do final da década de 1960 em diante, Milo quase parou de fazer filmes e trabalhou principalmente na televisão. Ela só retornou de vez às telonas em “Um Coração para Sonhar”, de Pupi Avati, que foi lançado no Festival de Cannes em 2003. Mais recentemente, Milo teve papéis em “Estranhos Normais” (2010) de Gabriele Salvatores e “Aqui em Casa Tudo Bem” (2018) de Gabriele Muccino, que foram sucessos locais, despedindo-se das telas na série da Prime Video “Gigolô per Caso”, no ano passado. Em 2021, Milo recebeu o Prêmio David di Donatello pelo Conjunto da Obra, a maior honraria do cinema do país.

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  • Etc,  Filme

    Valentina Cortese (1923 – 2019)

    10 de julho de 2019 /

    Valentina Cortese, atriz italiana indicada ao Oscar por sua interpretação em “A Noite Americana” (1973), clássico de François Truffaut, morreu nesta quarta (10/7) em Milão, aos 96 anos. Nascida em Milão em 1923, Cortese foi uma das principais “mocinhas” do cinema italiano dos anos 1940, lançada à fama com o papel de Lisabetta em “A Farsa Trágica” (1942), de Alessandro Blasetti. Ela fez nada menos que 26 filmes em sua primeira década de atividade, boa parte deles aventuras de capa e espada, conquistando aclamação para além das fronteiras nacionais ao interpretar tanto Fantine quanto Cosette na versão italiana de “Os Miseráveis”, lançada como dois filmes diferentes em 1948. A repercussão rendeu um contrato com a 20th Century Fox, que a lançou nos Estados Unidos no clássico noir “Mercado de Ladrões” (1949), de Jules Dassin. Fez vários filmes americanos, entre eles “Terrível Suspeita” (1951), de Robert Wise, e “A Condessa Descalça” (1954), de Joseph L. Mankiewicz. Mas a ironia é que Hollywood a tornou ainda mais popular na Europa, o que a levou de volta à Itália. Em seu retorno triunfal, a atriz passou a trabalhar com os grandes mestres do cinema italiano. Os convites não eram mais para papéis de donzelas em aventuras ligeiras, mas para participar de obras dos mais variados gêneros, do drama ao terror, a maioria cultuadíssima, como “As Amigas” (1955), de Michelangelo Antonioni, “Olhos Diabólicos” (1963), de Mario Bava, “Julieta dos Espíritos” (1965), de Federico Fellini, e “Irmão Sol, Irmã Lua” (1972), de Franco Zeffirelli, A atriz ainda participou de filmagens americanas na Itália, como “Barrabás” (1961), passado na Roma antiga, o drama “A Visita” (1964) e o filme de guerra “O Segredo de Santa Vitória” (1969). E trabalhou em produções inglesas, francesas, alemãs, espanholas, etc, como “Onde o Mundo Acaba” (1956), de Luis García Berlanga, “O Assassinato de Trotsky” (1972), de Joseph Losey, e “O Primeiro Amor” (1970), de Maximilian Schell. O papel de Severine, uma estrela de cinema envelhecida e alcoólatra, no clássico francês “A Noite Americana” (1973), de Truffaut, foi um dos pontos mais altos de sua carreira. Além da indicação ao Oscar, o trabalho lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro e o prêmio de Melhor Atriz da BAFTA, a Academia britânica. Ela ainda contracenou com Paul Newman no filme norte-americano de desastre “O Dia em que o Mundo Acabou” (1980) e foi dirigida pelo inglês Terry Gilliam na comédia de época “As Aventuras do Barão Munchausen” (1988), entre dois trabalhos de Zeffirelli, a minissérie “Jesus de Nazaré” (1977) e seu último longa, “Sonho Proibido” (1993), antes de aposentar das telas, com a fama de ter sido uma das maiores divas da história da Cinecittà.

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  • Filme

    Denis Villeneuve diz que vai se especializar em sci-fi e gostaria de filmar remake de Duna

    18 de setembro de 2016 /

    O cineasta canadense Denis Villeneuve está entusiasmado com a ficção científica. Após ganhar destaque em Hollywood pelos thrillers “Os Suspeitos” (2013) e “Sicario: Terra de Ninguém” (2015), ele arrancou diversos elogios no Festival de Veneza com sua primeira sci-fi, “A Visita”, e já começou a trabalhar em outra produção do gênero, nada menos que a continuação do clássico “Blade Runner” (1982). Mas não é só. Em entrevista ao site da revista Variety, Villeneuve revelou que pretende seguir no gênero, que é sua verdadeira paixão cinematográfica. Inclusive, revelou que seu sonho é fazer um versão definitiva de “Duna”, clássico sci-fi do escritor Frank Herbert, que já foi filmado por David Lynch em 1984, com um elenco que tinha Kyle MacLachlan, Patrick Stewart, Linda Hunt, Max von Sydow e até o cantor Sting. Enquanto esse sonho não sai do papel, ele diz já ter outras duas ideias dentro do gênero, que pretende filmar após a continuação, ainda sem título, de “Blade Runner”. Sua primeira sci-fi, “A Chegada”, com Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker, estreia nos cinemas brasileiros no dia 9 de fevereiro.

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  • Filme

    M. Night Shyamalan volta ao terror e à boa forma com A Visita

    28 de novembro de 2015 /

    Quem aprecia o cinema de M. Night Shyamalan certamente torcia por sua volta por cima, após o diretor trocar o terror pelos massacrados “O Último Mestre do Ar” (2010) e “Depois da Terra” (2013). Lembrar desses dois filmes até sugere que o novo “A Visita” não é apenas o retorno de Shyamalan ao gênero que o consagrou, mas também parece integrar uma espécie de trilogia com os anteriores. Afinal, os três longas usam o ponto de vista de crianças e tratam, em sua construção narrativa, de questões similares, como o apego e desapego, a necessidade impositiva de crescer diante das adversidades e lidar com relacionamentos desde muito cedo. Portanto, é interessante ver que os trabalhos do diretor são coerentes, por mais que seja tentador enxergar apenas os aspectos negativos. Embora tenha recebido críticas mais animadas, “A Visita” não repete a unanimidade gerada pelos primeiros filmes do diretor, e é até fácil entender o porquê. Shyamalan utiliza o já manjado recurso do “found footage” para contar a história de dois irmãos, que são enviados pela mãe para passar uns dias na casa dos avós que eles não conheciam. Aos poucos, eles vão percebendo um comportamento muito estranho no casal de idosos. Acontece que, apesar de haver um ou dois momentos que remetem à franquia “Atividade Paranormal”, o cineasta vai por um caminho bem diferente, referenciando fábulas, evitando sustos gratuitos e usando seu tradicional cuidado com os enquadramentos, mesmo aderindo à estética da câmera amadora na mão. O que dizer da beleza de uma das cenas finais, envolvendo as crianças e a mãe? Nesse momento, “A Visita” atinge uma qualidade catártica de arrepiar, isso depois das sequências que encerram a questão dos velhinhos sinistros, que nem deve ser contada aqui, sob o risco de estragar as surpresas. Quem lembra dos requintados trabalhos de construção visual que o diretor fez em filmes como “Sexto Sentido” (1999), “A Vila” (2004) e “A Dama na Água” (2006), percebe que ele filma como um pintor, além de usar o cinema de gênero para tratar de assuntos recorrentes, suas obsessões pessoais. Não é muito diferente em “A Visita”, que, na verdade, é uma obra híbrida. Algumas vezes, não sabemos se estamos vendo uma comédia ou um filme que se leva a sério. Noutras, há uma tentativa de tratar dos problemas pessoais dos jovens personagens com uma seriedade dramática que soa deslocada da narrativa, por mais que isso contribua, até positivamente, para a estranheza pretendida. Talvez seja mais fácil definir “A Visita” como um terror que permite sair do cinema com um sorriso nos lábios, especialmente depois da divertida cena final, de uma simpatia impressionante. É Shyamalan voltando à boa forma, em uma produção de baixo orçamento, e se reafirmando como grande autor que é.

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