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    Fernando “Pino” Solanas (1936 – 2020)

    7 de novembro de 2020 /

    O célebre cineasta Fernando “Pino” Solanas, um dos mais famosos diretores de cinema da Argentina, morreu aos 84 anos em Paris, dias depois de ser internado em um hospital por coronavírus, informou neste sábado (7/11) o ministério das Relações Exteriores argentino. “Enorme dor por Pino Solanas. Faleceu enquanto cumpria suas obrigações como embaixador da Argentina na Unesco”, disse o ministério no Twitter. “Será lembrado por sua arte, por seu compromisso político e por sua ética sempre a serviço de um país melhor”, acrescentou. O diretor havia anunciado no Twitter, no dia 16 de outubro, que ele e sua esposa, Ángela Correa, haviam contraído a covid-19 na capital francesa, onde se encontra a sede da Unesco, e que ele estava internado em observação. Na imagem que acompanhava a mensagem, o cineasta aparecia em um leito de hospital e com máscara. Cinco dias depois, o diretor premiado afirmou que o seu estado era “delicado”, mas que ainda “resistia”. Foi sua última mensagem na rede social. Solanas foi um cineasta tão político quanto prolífico. Nascido em 16 de fevereiro de 1936 em Buenos Aires, ele estreou no cinema em 1962, com o curta “Seguir Andando”, e em 1967, com o documentário “La Hora de los Hornos”, deu início a uma trilogia co-dirigida com Octavio Getino, com duração de mais de quatro horas, que virou marco do cinema politicamente comprometido, de denúncia e resistência à ditadura. Os dois também assinaram o manifesto “Hacia un Tercer Cine”, lançando um movimento latino-americano em oposição a uma linguagem cinematográfica dominante, comercial e ditada principalmente pelos Estados Unidos. “A luta anti-imperialista dos povos do Terceiro Mundo, e dos seus equivalentes nas metrópoles, constitui hoje o eixo da revolução mundial. O Terceiro Cinema é para nós aquele que reconhece nessa luta a mais gigantesca manifestação cultural, científica e artística do nosso tempo, a grande possibilidade de construção por cada povo de uma personalidade libertada: a descolonização da cultura”, afirmavam Solanas e Getino nos anos 1960. Seu engajamento refletia um posicionamento político claro. Solonas filmou duas entrevistas com Juan Domingo Perón em 1971, que foram reverenciadas como chamada à luta pelos jovens peronistas da época. Ele só foi estrear na ficção após a volta da democracia na Argentina. Seu primeiro drama, “Los Hijos de Fierro” (1978), usava um poema de Martin Fierro como metáfora para contar a história da ditadura militar, entre o golpe de 1955 e o triunfo eleitoral peronista de 1973. “El Exilio de Gardel (Tangos)”, de 1985, foi premiado no Festival de Veneza, e Solanas recebeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes por seu longa “Sur”, em 1988. Cannes também lhe concedeu um prêmio especial de excelência técnica pelo longa seguinte, “A Viagem” (1992), enquanto Veneza fez o mesmo com “La Nube” (1998). Em 2004, ele voltou aos documentários com “Memoria do Saqueio”, sobre a convulsão social e a precária condição socioeconômica da Argentina. O filme foi premiado na Mostra de São Paulo e apresentado no Festival de Berlim no mesmo ano em que Solanas recebeu o Urso de Ouro honorário em reconhecimento à sua carreira. Seguiram-se mais nove documentários, inclusive o último filme de sua carreira, “Tres a la Deriva”, que se encontrava em pós-produção na época de sua morte. Paralelamente à consagração artística, Solanas também construiu uma sólida carreira política. Em 1992 foi eleito senador pela cidade de Buenos Aires e um ano depois foi deputado pela Frente Grande. Também foi candidato à presidência em 2007 pelo movimento Projeto Sul, progressista, ambientalista e de centro-esquerda, em aliança com o Partido Socialista Autêntico. Em junho de 2019, anunciou que ingressaria na Frente de Todos e endossou a chapa presidencial de Alberto Fernández e Cristina Fernández. Mesmo com a idade avançada, ele era considerado um jovem de espírito, lutando pelas mesmas coisas que acreditava na juventude, aliando-se inclusive à causa feminista. Em 2018, incentivou as jovens que realizaram uma mobilização feminista histórica nas ruas do país em defesa de um projeto de lei sobre o aborto, que acabou rejeitado pela Câmara alta. “Bravo meninas, vocês elevaram a honra e a dignidade da mulher argentina. Se não sair hoje, no ano que vem vamos insistir. E se não sair no ano que vem, vamos insistir no outro. Ninguém vai conseguir parar a onda da nova geração”, disse ele. No início de outubro, Solanas se encontrou com o papa Francisco no Vaticano, uma de suas últimas atividades públicas, para discutir projetos de luta “contra as mudanças climáticas e os direitos da Mãe Terra”, segundo descreveu no Twitter. Sua última mensagem, dizendo que “resistia”, representa uma síntese de sua vida. Não por acaso, sua morte criou comoção nas redes sociais, mobilizando tanto os círculos políticos quanto os culturais da Argentina.

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  • Etc,  Filme

    Estudo denuncia controle da China sobre conteúdo do cinema americano

    5 de agosto de 2020 /

    Um relatório divulgado nesta quarta-feira (5/8) pela organização Pen America acusa os maiores estúdios de cinema dos EUA de promoverem autocensura para permitir que seus filmes sejam bem-vindos no milionário mercado chinês. O estudo de 94 páginas do grupo literário e de direitos humanos revelou uma profunda influência do governo chinês em Hollywood, detalhando as várias maneiras em que os estúdios alteram “elenco, enredo, diálogo e cenários” em um “esforço para evitar antagonizar as autoridades chinesas” em seus filmes. A lista de produções que sofreram intervenção pró-chinesa inclui blockbusters como “Homem de Ferro 3”, “Guerra Mundial Z” e até o vindouro “Top Gun: Maverick”. Segundo a associação, essa autocensura vai desde a remoção da bandeira de Taiwan na jaqueta de Tom Cruise em “Top Gun: Maverick” até a exclusão da China como fonte de um vírus zumbi no filme “Guerra Mundial Z”, lançado em 2013. A prática da autocensura também busca evitar tópicos sensíveis, como Tibete, Taiwan, Hong Kong ou Xinjiang, e eliminar personagens pertencentes à comunidade LGBTQIA+. Para entrar no mercado chinês, conteúdo LGBTQIA+ foi removido de “Bohemian Rhapsody”, quase transformando Freddie Mercury num cantor heterossexual. Filmes como “Star Trek: Sem Fronteiras”, “Alien: Covenant” e “A Viagem” também eliminaram cenas LGBTQIA+. Sequências com mortes de chineses foram tiradas de “007: Operação Skyfall” e “Missão: Impossível III”, e um personagem principal teve a etnia alterada de tibetano para celta em “Doutor Estranho”, da Marvel, uma decisão tomada pelo roteirista para evitar o risco de “alienar 1 bilhão de pessoas”, e que assim atingiu 7,5 bilhões de pessoas, para ficar na metáfora numérica. “Apaziguar o governo chinês e seus censores se tornou uma maneira simples de fazer negócios como qualquer outra”, diz o relatório. Pequim possui um dos mais rígidos sistemas de censura do mundo, sediado no departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês. O comitê de censura decide se um filme estrangeiro pode ser lançado no mercado local de filmes, que é o segundo e pode se tornar no maior do mundo após a pandemia de covid-19. Para se ter ideia, os sucessos de bilheteria “Vingadores: Ultimato” e “Homem-Aranha: Longe de Casa” geraram mais receita na China do que nos Estados Unidos. “O Partido Comunista Chinês realmente exerce uma enorme influência sobre a lucratividade dos filmes de Hollywood e os executivos do estúdio sabem disso”, diz a Pen America. Isto gera uma submissão ao autoritarismo chinês, que pode render até momentos constrangedores, como a ida do então CEO da Disney, Michael Eisner, até Pequim para pedir desculpas pessoalmente pela produção do filme “Kundun” de Martin Scorsese, lançado em 1997, que trata da vida de Dalai Lama, líder espiritual do Tibete no exílio. Isto mesmo: a Disney lamentou que o filme existisse, após ele ser censurado e proibido de ser lançado na China, porque seu principal interesse na época era construir um parque temático em Xangai. O relatório denuncia que a censura se institucionalizou a ponto de alguns estúdios fazerem “voluntariamente determinadas restrições sem serem solicitados” e outros até convidam censores chineses para os sets. “Se algum projeto for considerado abertamente crítico” ao regime chinês, os estúdios temem que “sejam colocados em uma lista negra”, disse um produtor, que pediu para não ser identificado, à agência AFP. Assim, não permitem sequer que filmagens críticas à China sejam realizadas, eliminando-as do cinema de Hollywood. Em junho passado, o ator Richard Gere, que é budista e defensor da causa tibetana, já tinha comparecido ao Senado dos EUA para denunciar a forma como a China estava controlando o conteúdo de Hollywood. “A combinação da censura chinesa com o desejo dos estúdios de cinema americanos de acessar o mercado chinês leva à autocensura e a negligenciar as questões sociais que os grandes filmes americanos sempre abordaram”, disse ele na ocasião. “Ao obedecer aos ditames chineses, a abordagem de Hollywood cria um padrão para o resto do mundo”, afirma a Pen America, que conclui seu relatório lamentando a forma como esse “novo normal” consolidou-se em países supostamente orgulhosos de sua liberdade de expressão.

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