
Instagram/Tony Belotto
Tony Bellotto diz que seu maior objetivo após diagnóstico de câncer é continuar vivo
Guitarrista dos Titãs revela que interrompeu a quimioterapia e conta como a doença transformou sua relação com a vida
Continuar vivo é a prioridade
Tony Bellotto afirmou que seu maior objetivo para os próximos anos é continuar vivo. Diagnosticado com câncer de pâncreas em março de 2025, o guitarrista dos Titãs, de 66 anos, contou ao jornal O Globo como a doença transformou suas prioridades e sua maneira de encarar o futuro. “Nos próximos anos, primeiro eu gostaria de continuar vivo. Isso vai ser o suficiente”, declarou.
O músico explicou que pretende aproveitar o tempo para continuar tocando, escrevendo e se divertindo, sem estabelecer grandes metas profissionais. “Ficar vivo, esse é o meu objetivo”, resumiu.
Tratamento continua, mas sem quimioterapia
O guitarrista descobriu o tumor durante exames de rotina, em março de 2025, e passou por uma cirurgia para retirada da lesão no mês seguinte. Depois, enfrentou sessões de quimioterapia e precisou interromper temporariamente suas atividades profissionais.
Na nova entrevista, Bellotto revelou que não está mais fazendo quimioterapia, mas continua sob acompanhamento médico e tratamento para controlar a doença. Ele afirmou que conseguiu recuperar a rotina, com apresentações dos Titãs, exercícios físicos e trabalho como escritor. Apesar da evolução positiva, não se considera curado.
O artista também contou que apresentou neuropatia após a cirurgia, com formigamento na mão direita. O problema despertou preocupação por sua atividade como guitarrista, mas ele afirmou que se recuperou completamente, sem sequelas.
Diagnóstico mudou sua visão da morte
Bellotto descreveu a descoberta do câncer como uma mudança radical em sua percepção da existência. Segundo ele, o diagnóstico de uma doença grave torna a possibilidade da morte concreta e exige uma adaptação imediata à nova realidade.
O guitarrista explicou que encontrou nos ensinamentos do zen-budismo, que estuda desde a adolescência, uma maneira de lidar com a incerteza. A filosofia o ajudou a concentrar a atenção no presente, sem permitir que a preocupação com o futuro dominasse sua vida.
Em outra entrevista, concedida à Folha de S.Paulo, o músico afirmou que não tem medo da morte, embora se preocupe com a possibilidade de sofrer e com o impacto de sua perda sobre as pessoas que ama. Para ele, a consciência da finitude intensificou a valorização das experiências cotidianas.
“Cada dia que eu acordo é mais especial do que era antes do diagnóstico”, afirmou.
Música ajuda a conviver com a doença
O retorno aos palcos também teve importância em sua recuperação. Bellotto voltou a se apresentar com os Titãs em agosto de 2025, quatro meses depois da cirurgia, e retomou progressivamente seus compromissos com a banda.
A música passou a representar uma pausa nas preocupações relacionadas à saúde. “Enquanto estou tocando, a doença não existe”, declarou à Folha.
Em entrevistas anteriores, o guitarrista já havia explicado que prefere não encarar a doença como uma batalha. Sua proposta é estabelecer uma convivência pacífica com o câncer, preservar a rotina e aproveitar as possibilidades oferecidas pelos tratamentos disponíveis.
Guitarrista participará de congresso de oncologia
A experiência de Bellotto será apresentada no XXVII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado entre 5 e 7 de novembro no Rio de Janeiro. O músico participará de uma conversa com especialistas em 6 de novembro, uma sexta-feira, para discutir a relação entre arte, ciência, vida e cuidados médicos.
O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e reúne profissionais para debater avanços nos tratamentos e na qualidade de vida dos pacientes. Bellotto participará da programação ao lado de sua oncologista, Fernanda Cunha Capareli.
O guitarrista também pretende abordar o estigma associado ao câncer, que considera um obstáculo adicional para quem recebe o diagnóstico. Sua participação busca mostrar como a continuidade das atividades pessoais e profissionais pode fazer parte da convivência com a doença.