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Fox conclui compra da Roku por US$ 22 bilhões
Aquisição estava prevista para 2027, mas foi finalizada em novembro; grupo reúne Roku, Tubi e Fox One numa nova divisão de plataformas digitais
Fox finaliza aquisição antecipadamente
A Fox Corporation concluiu nesta sexta-feira (6/11) a compra da Roku por US$ 22 bilhões, encerrando antecipadamente uma das maiores operações recentes do mercado americano de mídia e tecnologia. O negócio, anunciado em junho, tinha conclusão prevista para o 1º semestre de 2027, mas foi finalizado ainda neste ano. Com a aquisição, o grupo comandado por Lachlan Murdoch passa a controlar a plataforma de televisão conectada Roku, que alcança mais de 100 milhões de domicílios no mundo, além de reunir em sua estrutura serviços como a Tubi e a Fox One.
Negócio combina dinheiro e ações
A operação foi anunciada originalmente em 15 de junho, quando as duas companhias firmaram um acordo que avaliava a Roku em aproximadamente US$ 22 bilhões, considerando seu valor empresarial. A negociação estabeleceu uma combinação de pagamento em dinheiro e ações da Fox. Pelos termos definitivos divulgados nesta sexta-feira, os acionistas da Roku receberão US$ 95,30 em dinheiro e 0,9799 ação ordinária Classe A da Fox por cada ação da Roku que possuíam antes da conclusão do negócio.
Depois da incorporação, os antigos acionistas da Fox passam a deter aproximadamente 74% das ações da companhia combinada, enquanto os investidores da Roku ficam com os 26% restantes. As ações da Roku deixam de ser negociadas separadamente na Nasdaq a partir desta sexta-feira. A operação transforma a fabricante de dispositivos e operadora de plataforma digital numa subsidiária de um dos principais grupos de televisão dos Estados Unidos.
Aquisição terminou meses antes do prazo
A conclusão antecipada chama a atenção porque a transação ainda enfrentava etapas de análise regulatória nos Estados Unidos. Em setembro, o Departamento de Justiça americano havia solicitado informações e documentos adicionais às companhias para examinar a operação sob a legislação antitruste. Esse procedimento, conhecido como Second Request, ampliava o período de avaliação e fazia parte das condições necessárias para a conclusão do acordo.
Documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) ainda indicavam, em outubro, a expectativa de fechamento no 1º semestre de 2027. Além da análise concorrencial, a operação dependia de aprovações societárias e de outras condições previstas no contrato. A Fox não detalhou, no comunicado desta sexta-feira, os fatores que permitiram concluir a compra antes do calendário inicialmente projetado.
A conclusão também altera a composição do mercado de streaming americano. A Fox, tradicionalmente dependente de canais de televisão aberta e por assinatura, ganha acesso direto à infraestrutura de distribuição de aplicativos e publicidade de uma plataforma utilizada por milhões de espectadores. A estratégia procura ampliar a capacidade de alcançar o público que substitui a televisão linear por dispositivos conectados à internet.
Roku amplia o alcance digital da Fox
A Roku ficou conhecida inicialmente pelos aparelhos que permitem acessar aplicativos de streaming em televisores, mas desenvolveu um negócio mais amplo de distribuição de conteúdo e publicidade digital. Sua plataforma está integrada a aparelhos de diferentes fabricantes e reúne serviços gratuitos e pagos, incluindo a Netflix, a Disney+, a Prime Video e a HBO Max.
Além dos dispositivos e do sistema operacional, a empresa opera o The Roku Channel, serviço gratuito sustentado por anúncios. A aquisição permite à Fox combinar essa operação com a Tubi, plataforma de streaming gratuito que já fazia parte de seu portfólio, e com a Fox One, lançada em 2025 para distribuir conteúdo de seus canais de notícias, esportes e entretenimento diretamente aos consumidores.
O grupo também poderá utilizar os dados de audiência e os recursos de publicidade da Roku para ampliar a comercialização de anúncios e melhorar o direcionamento de campanhas.
Fox prevê economia de US$ 400 milhões anuais
A Fox estima alcançar aproximadamente US$ 400 milhões em economias anuais recorrentes até dois anos depois da conclusão da compra. A projeção envolve a integração de estruturas administrativas, tecnologia e operações comerciais, além de possíveis ganhos com a ampliação da distribuição digital. A companhia também espera que a transação contribua positivamente para seu fluxo de caixa livre por ação a partir do 2º exercício completo após o fechamento.
O valor representa uma expectativa anunciada pela administração, não uma economia já realizada. A integração deverá ocorrer enquanto a Fox procura ampliar receitas num mercado em que a migração de espectadores para plataformas digitais pressiona o modelo tradicional de televisão por assinatura.
Fundador da Roku assume cargo na Fox
Anthony Wood, fundador da Roku, passará a integrar o conselho de administração da Fox Corporation e será copresidente da nova divisão Fox Digital Platforms. Ele dividirá o comando com Paul Cheesbrough, que também assumirá a função de diretor executivo da unidade.
A divisão reunirá Roku, Tubi, Fox One, Red Seat Ventures e outros produtos digitais do conglomerado. A estrutura coloca Wood numa posição de liderança sobre negócios que vão além da empresa que fundou, enquanto a Fox centraliza suas operações de streaming e distribuição tecnológica.
Lachlan Murdoch, presidente executivo e diretor-presidente da Fox, afirmou que a prioridade será preservar a variedade de serviços disponíveis para os usuários e a relação da plataforma com seus parceiros comerciais. Wood também destacou que a Roku continuará operando como um ecossistema aberto a diferentes empresas de conteúdo.
Plataforma continuará recebendo serviços concorrentes
Um dos principais pontos da aquisição é a manutenção da Roku como plataforma aberta. Diferentemente de serviços de streaming que disponibilizam apenas seus próprios catálogos, o sistema reúne aplicativos de diferentes companhias, inclusive concorrentes diretos da Fox.
No comunicado de conclusão, as empresas afirmaram que pretendem preservar essa característica, considerada fundamental para a presença da Roku em mais de 100 milhões de domicílios. A estratégia também permite que a Fox obtenha receitas de publicidade e distribuição relacionadas ao consumo de conteúdo produzido por outras empresas.