
Divulgação/Columbia Pictures
Versalhes consagra “Maria Antonieta” 20 anos após vaias em Cannes
Exposição no Petit Trianon transforma filme recebido com hostilidade em Cannes em referência sobre a própria imagem da rainha
Vinte anos depois de enfrentar vaias no Festival de Cannes, “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola, ganhou uma consagração que seria difícil de imaginar em 2006. O Palácio de Versalhes está dedicando uma exposição ao filme no Petit Trianon, reconhecendo sua influência sobre a imagem contemporânea da rainha e do próprio palácio. A mostra permanece aberta até 24 de janeiro de 2027.
Cannes recebeu o filme com vaias
O filme foi o mais divisivo na carreira de Sofia Coppola. A sessão para a imprensa em Cannes terminou sob vaias, embora também houvesse aplausos. A reação tinha um componente particularmente francês: Coppola, uma diretora americana, havia transformado uma das figuras mais odiadas da história do país em uma adolescente solitária, cercada por luxo, códigos sociais e uma corte sufocante.
Meses depois, ela contou que jornalistas franceses lhe diziam: “Gosto da sua Maria Antonieta, mas ainda odeio a verdadeira Maria Antonieta”.
O que mudou em 20 anos?
Versalhes agora adota justamente a interpretação que provocou resistência em 2006. Ao anunciar a exposição, o palácio definiu “Maria Antonieta” como um filme cult que “renovou profundamente a imagem da última rainha”, aproximando história, modernidade e imaginário pop. A instituição também afirma que Coppola transformou a percepção de Maria Antonieta e do próprio Château.
Laurent Salomé, diretor do Museu Nacional dos Palácios de Versalhes e Trianon, reforçou a revisão em declaração ao Hollywood Reporter. “A força do filme é como ele continua tão moderno. Parece que foi filmado ontem”, afirmou.
Para a curadora Hélène Delalex, especialista nos aposentos de Maria Antonieta, o retrato íntimo de Coppola é “muito preciso” ao captar “seu espírito jovem, graça, sinceridade e légèreté, no sentido de frivolidade”.
Da provocação ao patrimônio de Versalhes
A própria diretora vê uma mudança na recepção daquilo que parecia provocador há duas décadas, como a inclusão de uma trilha pós-punk e cenas com tênis All Star sob os vestidos de baile do século 18. “Não achei tão absurdo colocar música moderna naquele período, e é legal ver que isso é totalmente aceito pelo público hoje, e também que um ponto de vista feminino é aceito como algo não incomum”, disse Coppola ao Hollywood Reporter.
Ela também lembrou que Kirsten Dunst sofreu com as críticas ao filme. “As pessoas foram duras com Kirsten quando o filme saiu, e ela se sentiu mal por achar que tinha me decepcionado. Eu sempre adorei a atuação dela, então é bom ouvir as pessoas expressando isso também”, afirmou. Dunst voltou a Versalhes com Coppola e Jason Schwartzman para a celebração dos 20 anos.
A inversão se completa quando o próprio palácio reconhece que hoje recebe visitantes em busca não apenas da Versalhes histórica, mas da Versalhes criada pelo filme. “Para muitas pessoas, o estilo Maria Antonieta tornou-se sinônimo do estilo de Sofia Coppola”, afirmou Delalex. “Muitos visitantes vêm aqui esperando ver a Versalhes do filme. Sua estética é tão forte que é como uma obra de arte.”
Veja o trailer de Maria Antonieta