
IA Arte/Pipoca Moderna
Fandoms da música pop se mobilizam por Lula no 2º turno
Comunidades de fãs oferecem perfis à campanha após 1º turno e levam técnicas de mobilização da cultura pop para a disputa eleitoral
Fandoms entram na campanha eleitoral
Comunidades brasileiras de fãs começaram a se organizar em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poucas horas depois do 1º turno das eleições presidenciais. Perfis que normalmente divulgam música, shows, vídeos e informações sobre seus artistas colocaram suas estruturas nas redes sociais à disposição da campanha para o 2º turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Quem está participando?
A mobilização reúne páginas dedicadas a artistas como Taylor Swift, Beyoncé, Billie Eilish, Ariana Grande, Lady Gaga, Dua Lipa, Justin Bieber e The Weeknd, além de comunidades de K-pop ligadas a BTS e BLACKPINK. Também participam fandoms de artistas brasileiros. As contas passaram a reproduzir uma mensagem comum oferecendo seus canais para divulgação de informações e materiais da campanha.
A iniciativa pertence aos administradores e integrantes dessas comunidades e não significa que os próprios artistas tenham declarado apoio a Lula. Taylor Swift, por exemplo, não se posicionou na eleição brasileira. Anitta é um caso diferente: a cantora já apoiou Lula em 2022 e voltou a publicar críticas a Flávio Bolsonaro depois do 1º turno deste ano.
O que os fandoms pretendem fazer?
Os grupos querem usar uma estrutura já montada para outros objetivos. Fandoms estão acostumados a organizar mutirões de streaming, votações em premiações, hashtags, campanhas de divulgação e ações coletivas com milhares de participantes. Agora, parte dessa capacidade de mobilização é direcionada à eleição.
Além da hashtag #FandomsComLula, comunidades específicas começaram a usar chamadas como #ARMYSCOMLULA, ligada aos fãs do BTS, e #BLINKSCOMLULA, dos seguidores do BLACKPINK. O foco declarado é circular conteúdo eleitoral, dialogar com indecisos e incentivar a participação de quem não compareceu ao 1º turno.
A equipe de Lula já começou a responder à iniciativa. Pelo menos uma das páginas recebeu uma mensagem privada do perfil oficial do candidato depois de oferecer sua estrutura digital à campanha, indicando que o movimento espontâneo começou a estabelecer contato com o núcleo eleitoral petista.
Por que a abstenção virou alvo?
O movimento surgiu diante da pequena diferença entre os dois candidatos comparada ao número de pessoas que não votaram. Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Entretanto, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, uma abstenção superior a 21%. Outros quase 6 milhões votaram em branco ou anularam o voto. O 2º turno acontece em 25 de outubro, e quem faltou no domingo (4) pode votar normalmente na nova etapa.
É esse universo que vários dos perfis passaram a mencionar nas publicações. Em vez de concentrar a atividade apenas em convencer eleitores de Flávio a mudar de candidato, a mobilização procura ampliar a participação entre pessoas que ficaram fora da votação.
Movimento começou antes da eleição
A aproximação entre fandoms e o governo Lula não nasceu nesta segunda-feira. Em agosto, representantes dessas comunidades participaram no Palácio do Planalto das discussões que precederam dois decretos destinados ao público de shows e grandes eventos.
Uma das medidas criou regras contra o cambismo digital e compras automatizadas de ingressos. A outra determinou acesso gratuito à água potável em eventos com público superior a mil pessoas. As discussões incluíram comunidades de fãs que vinham pressionando por estas mudanças depois de problemas recorrentes na venda de ingressos e nas condições oferecidas em shows.
O encontro reuniu representantes de fandoms de nomes como Taylor Swift, BTS, BLACKPINK, Lady Gaga e Olivia Rodrigo. Agora, pouco mais de um mês depois, parte dessas mesmas redes devolve o apoio de forma organizada em torno da campanha eleitoral.
Ativismo de fãs já apareceu em 2022
A transformação de fã-clubes em redes políticas também não é inédita. Uma dissertação defendida neste ano na Universidade Federal de Pernambuco estudou especificamente a atuação de fandoms brasileiros de K-pop na eleição presidencial de 2022. O trabalho identificou o uso de práticas típicas dessas comunidades, como memes, viralização coordenada e colaboração entre páginas, em publicações favoráveis a Lula.
A diferença em 2026 está na escala e na exposição pública da articulação. Perfis associados a artistas de públicos distintos passaram a publicar a mesma mensagem e a oferecer diretamente seus canais à campanha, transformando uma estrutura criada em torno da cultura pop numa rede de comunicação eleitoral.
FANDOMS ENTRAM NA ELEIÇÃO! Comunidades de fãs da música pop e do K-pop oferecem suas redes à campanha de Lula no 2º turno e miram especialmente quem não votou no domingo. #FandomsComLula #Eleicoes2026 #CulturaPop 🔗 https://pipocamoderna.com.br/2026/10/fandoms-pop-lula-segundo-turno/