
Divulgação/Interscope Records
Ex-líder de gangue recebe pena mínima de 40 anos pelo assassinato de Tupac
Duane Davis, de 63 anos, organizou a emboscada de 1996 e só poderá pedir liberdade condicional depois de cumprir pelo menos 40 anos
Sentença após 30 anos
Duane “Keffe D” Davis, ex-líder da gangue South Side Compton Crips, foi condenado nesta terça-feira (13/10) a uma pena mínima de 40 anos de prisão pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, morto em Las Vegas em setembro de 1996. A juíza Carli Kierny, de Nevada, determinou duas penas consecutivas de 20 anos à prisão perpétua, uma pelo homicídio e outra pelo uso de arma de fogo. Davis, de 63 anos, só poderá solicitar liberdade condicional depois de cumprir o período mínimo, o que significa que poderá passar o restante da vida atrás das grades.
O que aconteceu na audiência?
A juíza rejeitou os argumentos de Davis de que havia mudado de vida desde o crime. Ao anunciar a sentença, afirmou que ele não poderia tirar de um homem a vida e o futuro sem enfrentar as consequências. “O mundo nunca se esqueceu dele nem de sua morte, e Las Vegas também não”, declarou Kierny. O ex-líder dos Crips foi considerado culpado quase três décadas depois do assassinato.
Familiares de Tupac acompanharam a audiência e prestaram depoimentos emocionados. Sekyiwa Shakur, irmã mais nova do rapper, afirmou que o irmão havia sido criado para atuar na defesa dos direitos humanos e poderia ter seguido uma carreira de ativismo. “A vida deste homem importava”, declarou.
Como Davis foi responsabilizado?
Tupac foi baleado em 7 de setembro de 1996, quando ocupava o banco do passageiro de um carro dirigido por Suge Knight, fundador da gravadora Death Row Records. Um Cadillac branco emparelhou com o veículo num sinal vermelho e seus ocupantes abriram fogo. O rapper recebeu quatro tiros e morreu seis dias depois, aos 25 anos. A emboscada ocorreu horas após Tupac e integrantes de sua comitiva agredirem Orlando Anderson, sobrinho de Davis, no cassino MGM Grand, depois de uma luta de Mike Tyson.
A investigação permaneceu sem resultado até que o próprio Davis começou a falar publicamente sobre sua participação. Em entrevistas e no livro “Compton Street Legend”, publicado em 2019, ele contou que estava no Cadillac e havia fornecido a arma aos ocupantes do banco traseiro.
As declarações se tornaram provas centrais para a acusação, que sustentou que ele organizou o ataque como vingança pela agressão ao sobrinho. Preso em setembro de 2023, Davis foi o único acusado formalmente pelo homicídio. A legislação de Nevada permite condenar por assassinato quem participa da organização do crime, mesmo sem efetuar os disparos.
Único condenado
A identidade de quem atirou nunca foi estabelecida judicialmente. Orlando Anderson, apontado pelo tio como o autor dos disparos, morreu em 1998, e os outros dois homens que estavam no Cadillac também já faleceram.
Durante o julgamento, o advogado Michael Sanft argumentou que o próprio Davis havia exagerado ou inventado sua participação para ganhar notoriedade e vender livros, questionando a ausência de provas físicas.
A defesa anunciou que recorrerá da condenação.