
Divulgação/Acervo
Morre Regininha, voz de Teletema, sucesso da novela Véu de Noiva
Cantora e compositora tinha 81 anos e marcou a história das trilhas de novelas da Globo, além de integrar a Turma da Pilantragem
Morte aos 81 anos
A cantora e compositora Regininha, conhecida pela interpretação de “Teletema”, sucesso da novela “Véu de Noiva” (1969), morreu nesta terça-feira (13/10), aos 81 anos. Nascida Regina Amália Serra de Souza, no Rio de Janeiro, ela havia completado aniversário em 1º de outubro. A morte foi anunciada pela GloboNews. O local e a causa do falecimento não foram divulgados.
Como Teletema entrou para a história das novelas?
A gravação de “Teletema”, composta por Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, tornou Regininha conhecida nacionalmente em 1969. A música embalou o romance de Andréa (Regina Duarte) e Marcelo (Cláudio Marzo) em “Véu de Noiva”, novela de Janete Clair dirigida por Daniel Filho. A trama foi exibida entre outubro de 1969 e junho de 1970 e marcou a estreia de Regina Duarte na Globo, num papel que a consagrou como protagonista de novelas.
A canção também participou de uma transformação da indústria fonográfica brasileira. “Véu de Noiva” foi a primeira novela da Globo a contar com uma trilha sonora composta especialmente para sua história. Produzido pela Philips, sob coordenação de Daniel Filho e Nelson Motta, o LP vendeu 70 mil cópias. “Teletema” tornou-se um dos maiores sucessos radiofônicos daquele período, num modelo de produção musical que seria adotado por outras novelas e ajudaria a abrir caminho para a criação da gravadora Som Livre.
Da Turma da Pilantragem à composição
Regininha começou sua carreira profissional em 1966, no movimento Musicanossa, que reunia compositores e intérpretes no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, passou a integrar a Turma da Pilantragem, conjunto criado por Nonato Buzar que misturava samba, bossa nova e elementos da música pop em arranjos dançantes. Participou dos três discos gravados pelo grupo entre 1968 e 1969 e ganhou destaque na versão de “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, ao inserir bem-humoradamente a frase “Me ajuda que a voz não dá” durante uma passagem aguda.
Após a dissolução do conjunto, reuniu-se com Dorinha Tapajós e Málu Ballona no trio Umas e Outras, que lançou em 1970 o álbum “Poucas e Boas”, produzido por Nelson Motta. O repertório incluía composições de Joyce, Ivan Lins, Marcos Valle e Vinicius de Moraes. O grupo também participou de trilhas de novelas, com gravações como “Pigmaleão 70” e “Quarentão Simpático”.
Grandes parcerias
A cantora também trabalhou como vocalista de apoio em discos de Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, João Bosco, Elba Ramalho, Alceu Valença e Edu Lobo, entre outros artistas. “Simples Mágica”, que compôs com Jamil Joanes e Ronaldo Monteiro, foi regravada por Roberto Carlos em 1982.
Carreira na publicidade
Formada em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1971, desenvolveu paralelamente uma carreira na publicidade, com gravações de jingles e locuções. Participou do disco “As Vozes do Jingle” (1981) e integrou equipes de criação e gravação publicitária, atividade à qual dedicou parte significativa de sua vida profissional.