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Netflix eleva mensalidade a R$ 71,90 após corte de mil empregos
Streaming reajusta todos os planos no Brasil um dia depois de anunciar a maior demissão em massa de sua história
Aumento um dia após demissões em massa
A Netflix aumentou nesta quinta-feira (15/10) os preços de todos os seus planos de assinatura no Brasil, elevando a mensalidade mais cara para R$ 71,90. O reajuste foi anunciado apenas um dia depois de a empresa revelar o corte de aproximadamente mil funcionários, equivalente a 6% de sua força de trabalho mundial. Trata-se da maior demissão em massa da história da plataforma, que enfrenta uma desaceleração no crescimento da audiência e pressão dos investidores, apesar de continuar registrando lucros bilionários.
Quanto custam os novos planos da Netflix?
O plano Padrão com anúncios passou de R$ 20,90 para R$ 25,90 mensais, um aumento de 23,9%. O Padrão sem publicidade, que permite assistir em duas telas simultâneas com resolução Full HD, subiu de R$ 44,90 para R$ 51,90, alta de 15,6%. Já o Premium, com quatro telas simultâneas e qualidade 4K, ficou R$ 12 mais caro, saltando de R$ 59,90 para R$ 71,90, reajuste de 20%.
É o primeiro aumento geral dos planos brasileiros desde maio de 2024. A Netflix informa em sua central de ajuda que os reajustes também serão aplicados aos assinantes atuais, que receberão um aviso por e-mail um mês antes da primeira cobrança com o novo valor. A companhia justifica alterações periódicas de preços pela ampliação de seu catálogo, melhorias no serviço e mudanças nas condições dos mercados em que atua.
Por que a Netflix demitiu mil funcionários?
O anúncio das demissões foi feito na quarta-feira (14/10) pelos copresidentes executivos Ted Sarandos e Greg Peters, em comunicado interno obtido pelo Wall Street Journal e pela Reuters. Os cortes atingem principalmente os departamentos de produtos, tecnologia, jurídico e recursos humanos. A empresa contava com cerca de 16 mil funcionários no fim de 2025 e não promovia uma redução de pessoal dessa dimensão desde 2022, quando dispensou aproximadamente 450 trabalhadores.
No comunicado, Sarandos e Peters afirmaram que a Netflix precisa estabelecer prioridades mais rigorosas para seus investimentos e concentrar recursos nas áreas consideradas estratégicas. Os executivos ressaltaram que o negócio permanece sólido e que a companhia continuará investindo em conteúdos e tecnologias com maior potencial de crescimento. A reestruturação ocorre num momento de disputa cada vez mais intensa pela atenção do público, não apenas com outras plataformas de streaming, mas também com serviços gratuitos como YouTube e TikTok.
A redução do quadro de funcionários não decorre de prejuízos financeiros. A Netflix encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 11 bilhões e faturamento de US$ 45,2 bilhões, crescimento de 26% e 16%, respectivamente, sobre o ano anterior. A companhia possui mais de 325 milhões de assinantes no mundo, mas enfrenta questionamentos sobre a desaceleração do tempo de consumo de seus conteúdos e acumula desvalorização de aproximadamente 25% na Bolsa em 2026. Seus resultados financeiros do 3º trimestre serão divulgados na terça-feira (20/10).