
Instagram/Déa Lúcia Amaral
Dona Déa chora morte de Paulo Gustavo em vídeo contra Flávio Bolsonaro: “Ódio!”
Mãe do humorista acusa governo Bolsonaro de negligência na vacinação contra a Covid-19 e rejeita retorno da família à Presidência
Dona Déa revive a dor da perda do filho
Dona Déa chorou ao lembrar a morte do filho Paulo Gustavo por Covid-19 em um vídeo divulgado pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (18/10). A mãe do humorista acusou o governo Jair Bolsonaro de negligência durante a pandemia e rejeitou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de retrocesso.
O que Dona Déa disse sobre Bolsonaro?
No depoimento, Déa Lúcia Amaral recordou o medo que Paulo Gustavo sentia de contrair a doença. Segundo ela, o filho manifestava frequentemente preocupação com a chegada das vacinas, mas morreu antes de ser imunizado. Ao recordar os últimos meses de vida do ator, a mãe lamentou: “Não deu tempo”.
A gravação intercala seu relato com imagens de Jair Bolsonaro ironizando a pandemia, incluindo uma cena em que o então presidente imita uma pessoa com dificuldades para respirar. O contraste provocou indignação na artista. “E o governo ria, o nosso presidente ria. Isso daí eu falo com ódio. Ele ria”, declarou, emocionada.
Por que ela acusa o governo de negligência?
Paulo Gustavo morreu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos, após mais de 50 dias de internação por complicações da Covid-19. Na época, a vacinação brasileira ainda avançava lentamente, e apenas 17,24% da população havia recebido a primeira dose dos imunizantes.
A demora na aquisição de vacinas foi documentada pela CPI da Pandemia. Em depoimento ao Senado, Carlos Murillo, então presidente regional da Pfizer na América Latina, confirmou que a farmacêutica apresentou propostas formais ao governo brasileiro em agosto de 2020, incluindo entregas de doses ainda naquele ano, sem obter resposta dentro dos prazos estabelecidos. O primeiro contrato com a empresa só foi firmado em março de 2021.
Dona Déa relacionou essa demora ao sofrimento das famílias que perderam parentes durante a crise sanitária. A mãe do humorista afirmou que a tragédia de Paulo Gustavo não foi isolada e pediu que os brasileiros recordassem as mais de 700 mil mortes provocadas pela doença no país.
Por que Dona Déa rejeita Flávio Bolsonaro?
Na parte final do vídeo, a artista transformou a lembrança do filho num posicionamento eleitoral. “Flávio é retrocesso”, declarou, antes de afirmar que o sobrenome Bolsonaro lhe provoca arrepios. Ela pediu aos eleitores que não permitam o retorno da família do ex-presidente ao Palácio do Planalto e declarou apoio à reeleição de Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A gravação será utilizada também no horário eleitoral de terça-feira (20/10). A campanha pretende alcançar eleitores que viveram perdas familiares durante a pandemia, especialmente mulheres e pessoas idosas.
Mãe de Paulo Gustavo já criticava Bolsonaro
A manifestação não representa uma mudança de posição de Dona Déa. Em junho de 2021, menos de dois meses após a morte do filho, ela já havia criticado publicamente Jair Bolsonaro por debochar da Covid-19 e atacar uma jornalista. Na época, também se manifestou contra o negacionismo e a resistência do governo às medidas de proteção sanitária.
Aos 79 anos, Déa integra o elenco do “Domingão com Huck”, da Globo, onde conquistou espaço como comentarista e personalidade televisiva após inspirar a criação de Dona Hermínia, personagem interpretada pelo filho na franquia cinematográfica “Minha Mãe É uma Peça”, maior sucesso comercial da história do cinema brasileiro.
A trajetória do humorista também deu nome à Lei Paulo Gustavo, criada em 2022 para financiar a recuperação do setor cultural após os impactos da pandemia, com recursos de aproximadamente R$ 3,86 bilhões.