
Divulgação/Cinemark
Cinemas brasileiros batem recorde de público da década com alta de 19,5% até outubro
Com 116,8 milhões de ingressos vendidos, 2026 já supera todo o ano passado, impulsionado por "Homem-Aranha: Um Novo Dia" e "Minha Melhor Amiga"
Mais ingressos vendidos que no ano passado
Os cinemas brasileiros já venderam mais ingressos em 2026 do que em todo o ano passado. Foram 116,8 milhões de espectadores entre janeiro e a última quarta-feira (28/10), segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) divulgados pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. O resultado representa um crescimento de 19,5% sobre os 97,8 milhões de ingressos comercializados no mesmo período de 2025 e também supera os 112,8 milhões de espectadores registrados pela Ancine durante os 12 meses do ano passado.
Maior público da década
O desempenho representa o maior público acumulado até outubro nesta década. A nova marca ultrapassa o recorde anterior para o período, estabelecido em 2023, quando os cinemas receberam 102,5 milhões de espectadores nos primeiros dez meses. Em 2024, o resultado ficou praticamente estável, com 102,4 milhões, antes de cair para 97,8 milhões em 2025. O crescimento deste ano acrescentou 19 milhões de ingressos à comparação anual, recuperando o terreno perdido e estabelecendo um novo patamar de público.
A diferença é ainda maior quando comparada aos anos mais afetados pela pandemia. Em 2020, os cinemas venderam 35,9 milhões de ingressos até outubro, número que caiu para 29,9 milhões em 2021. A recuperação começou em 2022, com 79,2 milhões de espectadores, e ganhou força no ano seguinte. Mesmo assim, o mercado levou mais três anos para superar a marca de 2023.
Quais filmes impulsionaram a bilheteria?
O maior responsável pelo crescimento de 2026 foi “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, estrelado por Tom Holland, que ultrapassou 18,8 milhões de espectadores e arrecadou mais de R$ 410 milhões no Brasil. O filme da Sony Pictures se tornou o 3º maior sucesso de público da história dos cinemas brasileiros. Outros lançamentos de Hollywood também tiveram desempenho expressivo, com “Toy Story 5” acima de 8,4 milhões de espectadores, “Michael” superando 7,5 milhões e “O Diabo Veste Prada 2” perto de 7 milhões. O ranking ainda inclui “A Odisseia”, de Christopher Nolan, com mais de 5,3 milhões de ingressos vendidos.
O cinema nacional também contribuiu para o resultado com “Minha Melhor Amiga”, comédia de Susana Garcia estrelada por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. O longa ultrapassou 5,8 milhões de espectadores e faturou R$ 105 milhões, tornando-se o filme brasileiro mais visto da década. A produção superou o público de “Ainda Estou Aqui” (2024), de Walter Salles, e conquistou o 5º lugar entre todos os lançamentos mais vistos no Brasil em 2026. Seu desempenho foi especialmente importante para o mercado nacional, que havia registrado uma queda de 70% no público de filmes brasileiros durante os cinco primeiros meses do ano, na comparação com 2025.
A comédia também aproveitou a 9ª edição da Semana do Cinema, realizada entre 10 e 16 de setembro. A campanha, que ofereceu ingressos de R$ 10 e R$ 12, vendeu 5,64 milhões de entradas em sete dias, o maior resultado de sua história. “Minha Melhor Amiga” respondeu por aproximadamente 2,1 milhões desse total. A promoção superou em cerca de 30% o recorde anterior, registrado em fevereiro de 2025, e demonstrou o potencial dos preços reduzidos para ampliar a frequência às salas.
Arrecadação também superou 2025
O crescimento não ficou restrito ao número de espectadores. O recorde também chegou à arrecadação. Segundo o Filme B, empresa especializada no acompanhamento das bilheterias brasileiras, os cinemas haviam arrecadado R$ 2,51 bilhões até 21 de outubro, contra R$ 2,33 bilhões registrados durante todo o ano de 2025 no levantamento da consultoria. A receita anual anterior já havia sido ultrapassada na última semana de setembro, antes mesmo de o público acumulado superar o total de ingressos, graças ao lançamento de mais títulos populares em salas premium – e mais caras.
Na comparação entre períodos equivalentes, o levantamento do Filme B apontava crescimento de 29,9% na arrecadação e de 20,6% no público até 21 de outubro. A diferença indica que o faturamento avançou mais rapidamente que a frequência às salas, refletindo a elevação do valor médio pago por ingresso, mesmo com o impacto das campanhas promocionais.
O parque exibidor também continua maior do que antes da pandemia. Segundo o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro, divulgado pela Ancine em agosto, o país encerrou 2025 com 3.544 salas em funcionamento, um recorde histórico. Em 2019, eram 3.507 salas, que receberam mais de 176 milhões de espectadores durante o ano. O número do parque exibidor já foi recuperado, mas o setor ainda busca alcançar novamente o nível de frequência do público de décadas passadas.