
Instagram/Anitta e Luiz Bacci
Anitta processa Luiz Bacci após ataques sexuais e políticos
Cantora acionou a Justiça após apresentador fazer comentários sobre sua vida sexual em programa no YouTube, depois de seu apoio a Lula
Cantora leva ataques à Justiça
Anitta entrou na Justiça contra o apresentador Luiz Bacci após ser alvo de comentários sexuais e ataques pessoais em programa no YouTube. A ação, revelada nesta segunda-feira (19/10) pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, foi motivada por declarações feitas depois que a cantora anunciou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). A artista pede a retirada do conteúdo ofensivo da internet e indenização por danos morais e materiais, ainda sem valor definido.
O que Bacci disse sobre Anitta?
A primeira ofensiva ocorreu no “Show do Bacci”, após a cantora criticar a estratégia de comunicação dos bolsonaristas nas redes sociais. Em uma transmissão de 10 de outubro, o apresentador recuperou imagens de uma performance de Anitta com um homem no palco e fez uma referência sexual explícita à artista: “E você que bota um macho no palco para chupar quase a tua x*reca. Maravilha, hein?”.
Dias depois, Bacci voltou a atacar Anitta e seus fãs ao comentar especulações sobre sua própria sexualidade. “Eu cresci na vertical, não precisei me deitar na cama com outras pessoas pra chegar onde eu tô”, declarou, numa insinuação sobre a maneira como a cantora teria construído sua carreira. O apresentador também chamou os admiradores dela de “um bando de alienados” e afirmou que a artista “não canta nada”, comparando sua capacidade vocal à de Sandy.
Conflito começou com apoio a Lula
Anitta declarou voto em Lula no dia 9 de outubro, por meio de um vídeo publicado no Instagram. Na gravação, afirmou que havia subestimado a força do bolsonarismo nas eleições e acusou o movimento de explorar conflitos religiosos, discursos de ódio e conteúdos polêmicos para mobilizar eleitores. A cantora também destacou seu engajamento contra as plataformas de apostas online e em defesa do fim da escala de trabalho 6×1.
As críticas de Bacci à artista, entretanto, começaram antes dessa declaração. Em setembro, quando Anitta se manifestou contra as bets, o apresentador a acusou de hipocrisia por participar de eventos que, segundo ele, receberam patrocínio de empresas do setor. O jornalista fez cobranças semelhantes à campeã do BBB 26, Ana Paula Renault, questionando se ela deveria devolver o prêmio recebido no reality por causa da publicidade de apostas na Globo.
O confronto ganhou contornos políticos depois que Anitta declarou seu voto. Durante o “Show do Bacci”, o apresentador também recebeu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que atacou a carreira musical da cantora e a associou à esquerda. Bacci questionou sua capacidade de cantar sem recursos tecnológicos, enquanto o parlamentar afirmou que ela havia se transformado em cabo eleitoral de um campo político.
Justiça pode determinar retirada de vídeos
A ação apresentada por Anitta busca impedir que os ataques continuem disponíveis nas plataformas digitais, além de obter reparação pelos danos que a cantora atribui às declarações. O pedido de retirada do conteúdo depende de decisão judicial. O valor pretendido pela artista não foi especificado na notícia inicial sobre o processo.
Bacci era garoto-propaganda de bets
Os ataques de Bacci às posições de Anitta e Ana Paula Renault contra as bets refletem seu próprio histórico comercial. Em 2024, o apresentador mantinha contrato publicitário com a Vai de Bet, empresa envolvida na Operação Integration, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Na época, sua assessoria confirmou que a página do jornalista recebia pagamentos pela divulgação da plataforma.
Em abril de 2025, Bacci também foi anunciado como embaixador de outra casa de apostas, a 7Games, em parceria comercial divulgada pela Band.
Empresa de Bacci participou de campanha ligada a Vorcaro
O apresentador também apareceu nas investigações sobre a campanha de desinformação promovida por Daniel Vorcaro contra o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Em janeiro, o Estadão revelou que Bacci havia publicado pelo menos quatro vídeos questionando a atuação da autoridade monetária e sugerindo irregularidades na decisão que fechou o banco. Em um deles, afirmou que a liquidação havia ocorrido “na surdina, na calada da noite”, embora o processo de análise tivesse durado mais de cinco meses.
Em maio, uma investigação de Constança Rezende e Lucas Marchesini, da Folha de S. Paulo, revelou que a BN Publicidade e Marketing, empresa de Bacci, figurava entre as contratadas da agência Mithi para o chamado “Projeto DV”, organizado em defesa de Vorcaro. O acordo previa R$ 500 mil mensais durante seis meses, num total de R$ 3 milhões, para a publicação de 30 conteúdos por mês. A investigação identificou orientações para atacar o Banco Central e seu ex-diretor Renato Gomes, que havia atuado na análise da tentativa de compra do Master pelo BRB.
Bacci confirmou à Folha sua relação comercial com a Mithi, mas não revelou os valores recebidos nem os detalhes do contrato, alegando cláusulas de confidencialidade. Os R$ 3 milhões correspondem ao valor previsto para o período, não a pagamentos integralmente comprovados. As publicações do apresentador foram identificadas pela imprensa entre os conteúdos que atacavam o Banco Central, publicados sem indicação de postagem paga ou publicidade.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.