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Divulgação/Warner Bros.

Filme|15 de setembro de 2026

Zack Snyder chama 300 de “um dos filmes mais gays já feitos”

Diretor rejeita rótulos de homofobia e fascismo e volta a destacar o homoerotismo que afirma ter colocado conscientemente no épico

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Diretor volta ao debate sobre 300
2 O que Snyder diz sobre as críticas?
3 Homoerotismo foi deliberado
4 Franquia quase ganhou romance entre homens
5 Filme permanece cercado por leituras políticas

Diretor volta ao debate sobre 300

Zack Snyder voltou a discutir as leituras políticas e sexuais de “300” ao afirmar que considera o épico de 2006 “um dos filmes mais gays já feitos”. Em entrevista à Variety após a exibição de “The Last Photograph” no Festival Internacional de Cinema de Toronto, o cineasta rejeitou acusações de homofobia e fascismo que acompanham sua obra e respondeu com humor: “‘300’ é um dos filmes mais gays já feitos. Olha, há poucos filmes em que as pessoas entram hétero e saem gays, e ‘300’ é um deles”.

O que Snyder diz sobre as críticas?

O diretor lembrou que as reações extremadas começaram antes mesmo do lançamento comercial do filme. Na passagem de “300” pelo Festival de Berlim, em 2007, parte da imprensa acusou a produção de exaltar uma estética fascista, enquanto outras leituras apontaram homoerotismo, racismo e homofobia. “É ‘homoerótico’, ‘transfóbico’, ‘fascista’ e todas essas coisas”, resumiu agora ao comentar os rótulos acumulados ao longo dos anos.

Snyder contou que uma das perguntas feitas naquela época condensou a contradição das interpretações: um jornalista quis saber se ele era “pró-gay ou pró-NRA”, referência à associação americana de defesa das armas. “Vou ser sincero: sou um pouquinho dos dois”, respondeu. Em seguida, acrescentou que é “obviamente pró-gay” e usou “300” como argumento contra a ideia de que sua filmografia expressaria hostilidade à homossexualidade.

Homoerotismo foi deliberado

A declaração não representa uma revisão recente do filme. Snyder já havia defendido a mesma leitura em 2024, durante uma entrevista ao podcast de Joe Rogan. Na ocasião, explicou que estava consciente da sexualidade da cultura espartana e tentou incorporar essa dimensão visualmente às relações entre os guerreiros, mesmo sem transformá-la em elemento explícito da trama.

“‘300’, de certa forma, é um dos filmes mais gays já feitos. É incrivelmente centrado nos homens, obcecado pelos homens”, declarou naquela conversa. O diretor disse que procurou criar uma “sexualidade visceral” na interação dos personagens masculinos e acrescentou: “Independentemente de você reconhecer isso ou não, está lá”.

Essa leitura encontra respaldo na própria estética que transformou “300” em fenômeno cultural. A adaptação dos quadrinhos de Frank Miller e Lynn Varley constrói seus guerreiros como corpos quase escultóricos, com torsos expostos, músculos acentuados pela fotografia digital e longas sequências dedicadas à contemplação da força física masculina. O contraste com Xerxes, interpretado por Rodrigo Santoro, também faz da sexualidade parte da linguagem visual do filme.

Franquia quase ganhou romance entre homens

O interesse de Snyder em explorar diretamente esse aspecto chegou a produzir um roteiro. Durante a pandemia, a Warner Bros. pediu que ele desenvolvesse o que poderia se tornar o 3º filme ligado a “300”. O projeto acabou se afastando dos espartanos e virou “Blood and Ashes”, história centrada em Alexandre, o Grande, e Heféstion.

“Acabou virando um filme sobre a relação entre Heféstion e Alexandre. Virou uma história de amor”, contou Snyder em 2021. O diretor definiu o roteiro como “uma linda história de amor e guerra”, mas a Warner recusou o projeto.

Três anos depois, ao falar sobre uma possível série situada no universo de “300”, Snyder voltou a dizer que gostaria de ampliar os elementos homoeróticos. Segundo ele, uma nova produção poderia abordar de forma mais direta aspectos da sexualidade masculina que permaneceram apenas sugeridos no longa original.

Filme permanece cercado por leituras políticas

Baseado na HQ de Frank Miller, “300” dramatiza a Batalha das Termópilas e acompanha o rei Leônidas (Gerard Butler) à frente de 300 guerreiros espartanos contra o exército persa comandado por Xerxes. O longa transformou Snyder em diretor de grandes produções e arrecadou mais de US$ 450 milhões mundialmente.

Ao mesmo tempo, sua representação dos espartanos como defensores heroicos do Ocidente diante de uma força persa monstruosa alimentou interpretações políticas desde o lançamento. Snyder continua rejeitando a ideia de que sua abordagem traduza adesão ao fascismo e afirma que as leituras contraditórias de “300” mostram como seus filmes adquiriram significados que não controla.

As novas declarações surgiram durante a divulgação de “The Last Photograph”, drama de ação independente que estreou no Festival de Toronto no domingo (13/9). O filme acompanha um ex-agente da DEA que atravessa uma região conflagrada da América do Sul em busca da sobrinha e do sobrinho desaparecidos.

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