
Divulgação/Netflix
Ed Sheeran se pronuncia após tirar Macklemore da turnê
Cantor diz que tentou mediar impasse com estádios, mas defende escolha de manter política fora de seus shows
Cantor rompe silêncio
Ed Sheeran se manifestou nesta terça-feira (15/9) sobre a retirada de Macklemore das próximas apresentações americanas da “Loop Tour” e negou ter tomado a decisão de afastar o rapper após suas manifestações pró-Palestina. Em comunicado publicado no Instagram, o britânico atribuiu a medida à Messina Touring Group, promotora da turnê nos Estados Unidos, e aos estádios que ameaçaram cancelar os shows caso Macklemore permanecesse entre as atrações.
O que Ed Sheeran diz sobre a decisão?
Sheeran afirmou que Macklemore pediu no ano passado para integrar a turnê e recebeu liberdade para definir o próprio repertório, como os demais artistas de abertura. O problema surgiu depois dos shows de 4 e 5 de setembro no MetLife Stadium, quando o rapper pediu “Palestina livre”, exibiu imagens da destruição em Gaza e apresentou “Hind’s Hall”, música dedicada aos protestos pró-Palestina.
Segundo o cantor, os locais das apresentações seguintes comunicaram que retirariam os shows de suas agendas se Macklemore continuasse escalado. Sheeran disse que passou a semana conversando com os estádios, promotores e ativistas dos dois lados do conflito na tentativa de encontrar uma solução. “A decisão foi da promotora, não minha”, afirmou. Ele acrescentou que o contrato de Macklemore era diretamente com a Messina, e não com ele.
Kraft confirma veto no Gillette Stadium
A manifestação esclarece parte dos bastidores descritos por Macklemore um dia antes. O rapper havia apontado Robert Kraft, dono do New England Patriots e do grupo que controla o Gillette Stadium, como o responsável por iniciar a pressão para retirá-lo da turnê. Sheeran confirmou que conversou diretamente com Kraft durante as negociações.
Kraft também confirmou que proibiu a participação de Macklemore nos shows marcados para 25 e 26 de setembro em seu estádio. Em nota, afirmou que o local não oferece espaço para discurso de ódio e atribuiu a decisão às manifestações recentes do rapper, ao conteúdo exibido no palco e ao que classificou como um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas. A declaração não apresentou exemplos específicos das manifestações atuais que considerou antissemitas. As imagens eram de destruição da faixa de Gaza.
Macklemore rejeita o rótulo de antissemitismo. No segundo show com Sheeran, dirigiu-se diretamente ao público judeu para separar sua oposição ao governo israelense e à guerra em Gaza de qualquer hostilidade aos judeus. “Criticar Israel […] de forma alguma é uma crítica a vocês”, declarou. O rapper mantém manifestações públicas em defesa dos palestinos desde 2023.
Versões divergem sobre responsabilidade
A diferença entre os relatos está menos na pressão dos estádios, agora reconhecida por todas as partes, e mais em quem efetivamente decidiu aceitar o ultimato. Macklemore contou que Sheeran lhe informou que Kraft havia mobilizado outros proprietários de estádios e que a consequência seria a perda de várias datas caso ele permanecesse na turnê.
A Messina Touring Group confirmou na segunda-feira (14/9) que vários locais recusaram receber os concertos com Macklemore no elenco. Segundo a empresa, insistir na escalação colocaria em risco toda a etapa americana e afetaria centenas de milhares de espectadores. O rapper estava previsto em oito dos 10 shows restantes.
Sheeran agora procura afastar a ideia de que tenha escolhido pessoalmente demitir o amigo, mas também explicou por que não aderiu à manifestação política de Macklemore. O cantor disse que evita usar sua plataforma profissional para política porque seus shows recebem públicos de diferentes origens e muitas crianças. “Não sou cúmplice”, escreveu ao rejeitar críticas de que seu silêncio público sobre Gaza represente indiferença.
Cantores discordaram sobre postura pública
Macklemore já havia revelado que os dois tiveram “conversas difíceis” durante a crise. Amigos há 13 anos, eles discordaram sobre a posição que Sheeran deveria assumir diante da pressão. Segundo o rapper, o britânico mencionou que a expressão “Palestina livre” e a bandeira palestina eram dolorosas para algumas pessoas com quem conversara.
O americano respondeu que não poderia considerar esse desconforto mais grave que a morte de palestinos e questionou a opção de Sheeran por uma postura apolítica. Apesar do conflito, Macklemore afirmou não considerar o cantor uma vítima da situação. “As vítimas são o povo palestino”, escreveu ao anunciar sua saída.
Crise provoca campanha de boicote
A retirada passou a atingir diretamente a imagem de Sheeran. Javier Bardem compartilhou publicações sobre o episódio e anunciou “boicote ativado” contra o cantor. Nas redes sociais, o nome do britânico entrou entre os assuntos mais comentados após a divulgação do relato de Macklemore.
A Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI), ligada ao movimento BDS, também reagiu ao novo comunicado e pediu o cancelamento da turnê, acusando Sheeran de tentar colocar os dois lados do conflito em situação equivalente ao falar sobre paz sem abordar as responsabilidades pela destruição em Gaza.
A etapa americana da “Loop Tour” retoma os shows no sábado (19/9), sem Macklemore entre as atrações de abertura.