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Nudez de Sydney Sweeney em anúncio esportivo revolta atletas olímpicas
Campeã Ariarne Titmus chama campanha da Novig de "bofetada" no esporte feminino, e atriz responde com nus de Serena Williams e outras atletas
Atletas reagem contra campanha
Sydney Sweeney provocou uma reação em cadeia entre atletas olímpicas após aparecer nua numa campanha da Novig, plataforma americana de previsões esportivas da qual também é acionista e parceira estratégica. Nadadoras, velocistas, ginastas, surfistas e lutadoras acusaram a publicidade de sexualizar o esporte feminino e reduzir mulheres novamente ao corpo num momento em que atletas profissionais ainda lutam por reconhecimento baseado em desempenho. A australiana Ariarne Titmus, dona de quatro ouros olímpicos na natação, resumiu sua reação como “raiva”.
O que mostra o anúncio?
A campanha lançada na quarta-feira (9/9) apresenta a estrela de “Euphoria” nua em diferentes cenários esportivos. Bolas de futebol americano e basquete, raquetes, tacos, luvas e outros equipamentos são posicionados para cobrir partes de seu corpo enquanto ela simula modalidades como tênis, hóquei, golfe e futebol.
O conceito brinca com o slogan “Só esportes”. “Acha que entende de esportes? Prove. A Novig é só esporte”, diz Sydney no comercial. A empresa usa a atriz para enfatizar que seu mercado de previsões não aceita negociações sobre política, guerras ou mortes.
A participação de Sydney vai além de um contrato publicitário. A atriz entrou na Novig como acionista e parceira estratégica e participou da elaboração da campanha. “Não gosto simplesmente de colocar meu rosto em alguma coisa”, declarou à Complex ao explicar seu envolvimento com a empresa.
“Não consigo descrever a raiva”
Ariarne Titmus afirmou inicialmente que não pretendia comentar a publicidade para evitar ampliar sua repercussão, mas mudou de ideia diante das imagens. “Não consigo descrever a raiva que sinto quando vejo isso”, escreveu a ex-nadadora australiana.
“Isso não é apenas uma bofetada na cara de todas as mulheres que dedicaram a vida a aperfeiçoar seu esporte, mas de todas as mulheres que gostam do esporte pelo que ele realmente é: trabalho em equipe, amizade, dedicação, excelência, união… Como vivemos num mundo em que monetizar o corpo feminino e sexualizar o esporte feminino ainda é uma realidade?”, questionou.
A velocista britânica Amy Hunt levou a reação para uma competição. Depois de disputar os 200 metros no Ultimate Championships, dirigiu-se diretamente à atriz: “Sydney Sweeney, é assim que as mulheres no esporte são”. Em seguida, enumerou o que acabara de presenciar na pista: “Músculos. Trabalho duro, sangue, suor, lágrimas”. “Quando você é uma mulher no esporte, nem sempre é bonito. Não é glamouroso. Definitivamente não é sexy o tempo todo”, acrescentou.
Protesto ganha adesão de outras esportistas
A ginasta americana Gracie Kramer respondeu publicando imagens reais de seus treinamentos e competições com a frase: “Não sei como Sydney acha que o esporte se parece, mas é assim”. A ideia se espalhou entre outras atletas.
A nadadora olímpica Lani Pallister e a velocista Bree Rizzo publicaram montagens semelhantes, enquanto o Instituto Australiano do Esporte reuniu imagens de mulheres praticando tiro com arco, ginástica, boxe, softball e outras modalidades sob a mensagem “O esporte é ISTO”.
A jogadora de polo aquático Tilly Kearns foi ainda mais direta ao afirmar que “odeia” a campanha. A campeã mundial de boxe Skye Nicolson diferenciou a valorização da aparência de uma atleta do uso deliberado da sexualização para vender um produto ligado ao esporte. “Há uma grande diferença entre parecer ‘sexy’ porque você pratica esporte e usar sexo para vender ‘esporte'”, escreveu.
A surfista australiana Felicity Palmateer disse à CNN que ficou em “completa incredulidade” com a campanha. Para ela, um comercial de poucos segundos conseguiu representar um retrocesso na imagem conquistada pelas mulheres no esporte. “Queremos ser valorizadas pelo que conseguimos fazer, não pela nossa aparência”, afirmou.
Sydney responde com Serena Williams nua
Sydney não respondeu às críticas em texto, mas publicou no domingo (13/9) uma sequência de imagens que deixou clara sua posição. A atriz compartilhou ensaios de atletas que posaram nus para a antiga edição “Body Issue” da ESPN Magazine, começando por Serena Williams.
Também apareceram Ronda Rousey, Sue Bird, Megan Rapinoe e Caroline Wozniacki, além de esportistas homens como Rob Gronkowski e Myles Garrett. A seleção sugere uma comparação entre sua campanha e os ensaios de nudez protagonizados durante anos por atletas de elite.
A resposta, porém, abriu uma nova discussão. Críticos apontaram uma diferença de propósito entre as imagens: o “Body Issue”, publicado entre 2009 e 2019, foi concebido para destacar força, desempenho e diversidade física de atletas profissionais, enquanto a campanha da Novig usa uma atriz nua ao lado de equipamentos esportivos para vender uma plataforma comercial.
Atriz já tinha transformado nudez em estratégia
A campanha foi mais um passo da exploração comercial que Sydney faz da própria imagem. Além de investir na Novig, a atriz criou neste ano a marca de lingerie Syrn e anteriormente chamou atenção por participar da venda de sabonetes da Dr. Squatch produzidos com água usada em seu banho.
A estratégia também sucede a controversa campanha da American Eagle de 2025, construída em torno do trocadilho entre “jeans” e “genes”. A publicidade gerou acusações de eugenismo ao associar a brincadeira à atriz loira e de olhos azuis e provocou uma batalha política nas redes sociais.
Desta vez, a controvérsia deslocou-se para outro terreno. O debate não questiona a decisão de Sydney de posar nua, mas o uso de uma imagem sexualizada como representação do esporte. É justamente essa distinção que atletas como Titmus, Hunt e Nicolson passaram os últimos dias tentando estabelecer.