
Ilustração/Claude Sonnet 4.5
Redes de TV dos EUA suspendem cobertura de Trump após veto à CNN
ABC, CBS, NBC e Fox interrompem pool de vídeo presidencial enquanto CNN, MS NOW e Politico processam Casa Branca por restrição de acesso
Redes suspendem o pool
As quatro grandes redes de TV dos Estados Unidos, ABC, CBS, NBC e Fox (incluindo a Fox News), suspenderam nesta segunda-feira (21/9) a participação no pool de vídeo responsável por registrar e distribuir imagens dos eventos do presidente Donald Trump. A decisão foi tomada em solidariedade à CNN, retirada pela Casa Branca do grupo rotativo formado pelas principais emissoras americanas. Sem uma emissora substituta, os eventos presidenciais que dependem do pool deixam de contar com a cobertura compartilhada até que o impasse seja resolvido.
O que levou ao protesto?
Trump anunciou na sexta-feira (18/9) que CNN, MS NOW e Politico seriam proibidos de acessar a Casa Branca por classificar suas coberturas como “fake news”. No sábado (19/9), jornalistas dos três veículos tiveram suas credenciais desativadas e foram impedidos de entrar no complexo presidencial.
A retirada da CNN afetou diretamente o funcionamento do pool de televisão. A rede divide com ABC, CBS, NBC e Fox News a responsabilidade de fornecer imagens para as demais emissoras quando espaço ou logística impedem a presença de todas. Em comunicado conjunto, as cinco empresas afirmaram: “Nenhum governo deve restringir uma organização de notícias porque se opõe à sua cobertura”.
CNN também vai à Justiça
CNN, MS NOW e Politico reagiram nesta segunda com uma ação conjunta na Justiça federal de Washington. Os veículos alegam que a exclusão por causa do conteúdo de suas reportagens viola a liberdade de imprensa protegida pela 1ª Emenda da Constituição americana e que a retirada das credenciais sem critérios previamente estabelecidos também desrespeita o devido processo previsto na 5ª Emenda.
As empresas pediram uma ordem judicial temporária para recuperar imediatamente o acesso enquanto o processo é analisado. A audiência sobre o pedido foi marcada para quarta-feira (23/9).
A ação inclui como autores as repórteres Betsy Klein, da CNN, Akayla Gardner, da MS NOW, e Cheyenne Haslett, do Politico. Entre os réus aparecem Trump e integrantes do governo responsáveis pelo funcionamento e pela segurança da Casa Branca.
Trump defende a proibição
Trump voltou a justificar a medida nesta segunda. “A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre”, escreveu na Truth Social, antes de afirmar que sua ofensiva se dirige ao que chama de “fake news”. O presidente também classificou esse tipo de cobertura como uma ameaça à segurança nacional, sem apresentar evidências para sustentar a acusação.
A Casa Branca divulgou separadamente um comunicado com o argumento de que o direito constitucional de publicar notícias não garante automaticamente credencial permanente, assento na sala de imprensa ou participação no pool presidencial. O vice-presidente JD Vance também defendeu a decisão e afirmou que o governo pode negar “acesso especial” a veículos cuja cobertura considere propaganda.
A justificativa, porém, expõe a arbitrariedade da medida. O governo dos Estados Unidos está decidindo quais veículos considera legítimos e proibindo acesso daqueles com maior postura crítica, qualificados por Trump como “fake news”. Usar o poder do Estado para condicionar o trabalho da imprensa ao conteúdo que ela publica é uma prática autoritária, associada ao controle da informação por regimes que restringem a liberdade de imprensa. Nos Estados Unidos, a jurisprudência federal impede que credenciais da Casa Branca sejam concedidas ou retiradas por critérios arbitrários ou baseados no conteúdo jornalístico.
Juiz já analisou outro caso da CNN
O processo foi distribuído ao juiz federal Timothy Kelly, indicado por Trump durante seu 1º mandato. Kelly analisou em 2018 outra disputa entre a CNN e a Casa Branca, depois que o governo retirou a credencial do correspondente Jim Acosta após uma discussão com o presidente durante uma entrevista coletiva.
Na ocasião, o magistrado determinou a restauração temporária do passe de Acosta por considerar que o procedimento adotado não respeitou as garantias do devido processo legal. A Casa Branca devolveu a credencial e a CNN posteriormente encerrou aquela ação.