
Ilustração/Gemini
Paramount destrava compra da Warner após acordo judicial
David Ellison afirma ter caminho livre para a fusão de US$ 110 bilhões e prevê concluir a operação em aproximadamente duas semanas
Acordo remove bloqueio
A Paramount Skydance abriu caminho para concluir a compra da Warner Bros. Discovery após chegar nesta segunda-feira (21/9) a um acordo com a Califórnia e outros 11 estados que haviam entrado na Justiça para impedir a operação. O WGA (Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos) também encerrou sua ação paralela contra a fusão. O entendimento dos estados ainda precisa ser aprovado por um juiz federal, mas elimina a ordem judicial que impedia o fechamento do negócio avaliado em cerca de US$ 110 bilhões.
O que a Paramount aceitou?
O acordo estabelece metas de lançamentos para os próximos 5 anos. A companhia resultante da fusão terá de distribuir pelo menos 30 filmes por ano nos 2 primeiros anos e 32 nos 3 seguintes. O catálogo anual deverá incluir ao menos 4 produções independentes. Caso a Paramount descumpra a quantidade mínima, poderá pagar US$ 30 milhões por filme ausente e, em determinadas condições, ser obrigada a se desfazer da Miramax.
A empresa também assumiu um compromisso de investir pelo menos US$ 1,5 bilhão adicional em produção cinematográfica nos Estados Unidos durante o período e destinar US$ 47,5 milhões a treinamento e apoio a trabalhadores afetados pela fusão. Paramount e Warner terão ainda de negociar separadamente seus canais básicos de TV paga por 5 anos, enquanto CNN e CBS News passarão a contar com um conselho destinado a preservar sua independência editorial.
WGA também encerra ação
O WGA havia recorrido separadamente à Justiça para tentar impedir a união dos grupos. O sindicato sustentava que a redução do número de grandes compradores de filmes e séries diminuiria oportunidades, empregos e poder de negociação dos roteiristas.
O acordo com a Paramount impede demissões de redatores da CBS News durante 5 anos e prevê um pagamento de US$ 17,5 milhões ao fundo de saúde do sindicato, além das despesas jurídicas relacionadas ao processo.
Apesar do entendimento, o WGA afirmou que continua acreditando que a fusão causará prejuízos aos roteiristas e à indústria. A entidade explicou que desistiu do processo porque, após o acordo firmado pelos 12 estados, teria de prosseguir sozinha numa ação antitruste complexa e de custo milionário.
Conclusão pode ocorrer em duas semanas
David Ellison comunicou aos funcionários da Paramount que a empresa considera removidos os principais obstáculos à aquisição. “Estamos planejando provisoriamente concluir em aproximadamente duas semanas”, afirmou o CEO num memorando interno divulgado nesta segunda.
O executivo alertou que o fechamento da transação não significará integração imediata das companhias. Paramount Pictures, Warner Bros., CBS, HBO, CNN, Nickelodeon, MTV, HBO Max, Paramount+ e outros ativos passarão a integrar o mesmo conglomerado, mas a reorganização operacional deve continuar depois da conclusão formal.
Compra sucedeu disputa com Netflix
A Paramount fechou o acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery em fevereiro, depois de vencer uma disputa com a Netflix. A plataforma havia negociado anteriormente a compra de parte da Warner, mas desistiu de cobrir a oferta rival e recebeu uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou a operação em junho, e autoridades antitruste de dezenas de outros mercados também concederam aprovação, inclusive no Brasil. O principal obstáculo remanescente surgiu em julho, quando uma coalizão liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, entrou com ação alegando que a fusão das duas empresas diminuiria a concorrência no cinema e na TV paga.
A demora aumentava o custo da aquisição. O contrato previa pagamentos adicionais aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso a operação ultrapasse o fim de setembro, fator que levou Ellison a pressionar por uma solução antes de outubro.