
Divulgação/Disney
Mary Poppins vai ganhar série com lado sombrio dos livros
Projeto volta aos textos originais de P. L. Travers, onde a babá é mais severa, imprevisível e assustadora que nas versões da Disney
Mary Poppins volta aos livros
Uma nova série live-action de “Mary Poppins” está em desenvolvimento com a intenção de recuperar o lado mais estranho e sombrio da personagem criada por P. L. Travers. Em vez de refazer o musical da Disney de 1964, o projeto pretende usar diretamente os oito livros da autora para ampliar um universo em que a babá é menos acolhedora e muito mais difícil de decifrar.
O que muda em relação aos filmes?
Nos livros, Mary Poppins é descrita como severa, vaidosa, imprevisível e por vezes ameaçadora. Ela conduz Jane e Michael Banks por aventuras mágicas que também podem assumir tons surreais e assustadores, bem distantes da figura mais afetuosa consagrada por Julie Andrews no cinema. A edição brasileira da obra publicada pela Zahar, por exemplo, define a personagem como “durona e misteriosa”.
Essa diferença acompanha um incômodo da autora com o primeiro filme. Travers não escondia sua insatisfação com a adaptação da Disney, que suavizou a personalidade da protagonista e transformou sua criação num musical familiar. O conflito da escritora com Walt Disney durante a produção serviu décadas depois como ponto de partida para o filme “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (2013), com Emma Thompson como Travers e Tom Hanks como Disney.
Disney não está no projeto
A série é desenvolvida por Tom Winchester para a Pure Fiction Television, produtora independente apoiada pela See-Saw Films, responsável por “Slow Horses” e “Heartstopper”, e pela agência britânica Hamilton Hodell. Winchester adquiriu a opção dos direitos diretamente com os administradores do espólio de P. L. Travers.
Essa negociação permite que o projeto avance sem depender da autorização da Disney. Mesmo assim, conversas preliminares ocorrem com o estúdio por causa de sua longa associação com a personagem. A produção ainda está em fase inicial de apresentação e busca um showrunner.
A situação abre a possibilidade de uma adaptação visualmente distante da iconografia criada pela Disney. Elementos como músicas, caracterizações e criações específicas dos filmes pertencem ao estúdio, enquanto o novo projeto parte dos direitos literários administrados pelo espólio de Travers.
Julie Andrews definiu imagem da personagem
A versão mais conhecida continua sendo “Mary Poppins” (1964), estrelada por Julie Andrews e Dick Van Dyke. O longa recebeu 13 indicações ao Oscar e venceu cinco, entre elas Melhor Atriz para Andrews. A interpretação fixou por décadas a imagem da babá no imaginário popular.
A Disney retomou a personagem em “O Retorno de Mary Poppins” (2018), com Emily Blunt no papel principal e Lin-Manuel Miranda no elenco. Dirigida por Rob Marshall, a continuação preservou o formato de fantasia musical do clássico, e contou com participação de Dick Van Dyke aos 92 anos.
A nova série pretende seguir na direção oposta: partir da personalidade criada por Travers e usar a extensão dos livros para mostrar aspectos que ficaram reduzidos ou desapareceram das adaptações anteriores.