
Instagram/Macklemore
Macklemore é retirado da turnê de Ed Sheeran após defender Palestina
Rapper afirma que donos de estádios ameaçaram cancelar shows e aponta: “As vítimas são o povo palestino”
Rapper deixa próximas apresentações
Macklemore foi retirado nesta segunda (14/9) das próximas apresentações da “Loop Tour”, de Ed Sheeran, nos Estados Unidos, após defender a Palestina durante os dois primeiros shows que abriu para o cantor britânico. A Messina Touring Group, promotora da etapa americana, confirmou a decisão à Rolling Stone e afirmou ter sido informada por locais da turnê de que não receberiam os concertos caso o rapper permanecesse no elenco. Macklemore estava escalado para oito dos 10 shows restantes.
O que Macklemore disse nos shows?
A controvérsia começou nas apresentações de 4 e 5 de setembro no MetLife Stadium. Macklemore disse que um dos motivos para aceitar a turnê era poder usar grandes estádios para dizer “Palestina livre”. Durante “Hind’s Hall”, música lançada em 2024 em apoio aos protestos estudantis pró-Palestina, os telões exibiram imagens de Gaza, da Cisjordânia e das manifestações em universidades americanas.
A apresentação motivou uma campanha do Israeli-American Council pela retirada do rapper e críticas da organização StopAntisemitism. Pink compartilhou inicialmente uma publicação do segundo grupo e sofreu muitas críticas nas redes sociais. O rapper já havia respondido às acusações de antissemitismo no segundo show, quando afirmou que criticar Israel, o apartheid e o que chama de genocídio não representa crítica aos judeus.
Rapper acusa pressão de Robert Kraft
Após sua retirada, Macklemore publicou um longo comunicado no Instagram e rejeitou se apresentar como prejudicado pela decisão. “Eu não sou uma vítima. Ed Sheeran não é uma vítima. Pink não é uma vítima”, escreveu, antes de definir o foco de sua manifestação: “As vítimas são o povo palestino”.
O rapper também apresentou sua versão para os bastidores da decisão. Segundo ele, Sheeran contou que recebeu uma ligação de Robert Kraft, dono do New England Patriots e do grupo proprietário do Gillette Stadium, onde a turnê tem duas apresentações marcadas. Macklemore afirma que Kraft comunicou que ele não poderia subir ao palco no estádio e depois teria articulado outros proprietários para impor o mesmo veto. A consequência, segundo seu relato, foi um ultimato: a turnê não poderia passar por esses locais se ele continuasse entre as atrações.
Macklemore disse que as conversas colocaram em conflito sua posição política e a postura pública de Sheeran. Segundo o rapper, o britânico lhe contou que a expressão “Palestina livre” e a bandeira palestina eram consideradas “dolorosas para muita gente” com quem havia conversado. Macklemore respondeu que existia uma diferença fundamental entre eles caso essas manifestações provocassem mais reação que a morte de crianças palestinas. Sheeran e Kraft não haviam se pronunciado publicamente sobre esse relato até a publicação da declaração.
Promotora cita risco para toda a turnê
A versão da Messina Touring Group confirma a pressão dos locais, embora não atribua a articulação a Kraft. A empresa afirmou à Rolling Stone que vários estádios avisaram que não aceitariam Macklemore no elenco e que manter o rapper colocaria em risco os concertos, com impacto para centenas de milhares de espectadores. Após discussões com as partes envolvidas, a produção decidiu retirá-lo das datas restantes.
Entre os locais apontados pela Rolling Stone estão o Gillette Stadium, além dos estádios que receberão a turnê na Filadélfia, Atlanta, Indianapolis, Charlotte, Arlington e Tampa. A etapa americana continua com Lukas Graham e Aaron Rowe entre as atrações de abertura e termina em novembro.
Posição antecede parceria com Sheeran
A defesa da Palestina não começou na “Loop Tour”. Macklemore manifesta apoio público aos palestinos desde 2023 e participou do Artists4CeaseFire, movimento que pediu cessar-fogo em Gaza, libertação dos reféns e entrada de ajuda humanitária. No ano seguinte, lançou “Hind’s Hall”, cujo título homenageia Hind Rajab, menina palestina morta em Gaza. Os rendimentos da faixa foram destinados à agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos, a UNRWA.
No comunicado desta segunda, o rapper afirmou que tem mesma posição em seus shows há quase três anos e atribuiu a reação atual à dimensão da turnê de Sheeran.
Ele também se disse satisfeito com a repercussão do caso. “Eu não precisava de 10 shows de Ed. Precisava de dois”, escreveu, referindo-se às apresentações diante de cerca de 90 mil pessoas. Ao encerrar a manifestação, voltou à frase que provocou a pressão por sua saída: “Palestina livre”.