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Macklemore defende liberdade para Palestina: “Nunca deveria ser controverso”
Cantor reafirma posição após organização pró-Israel pedir sua retirada dos shows de Ed Sheeran nos Estados Unidos
Rapper mantém posição
Macklemore respondeu nesta segunda-feira (7/9) à pressão para que seja retirado da turnê de Ed Sheeran após defender a Palestina durante dois shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey. “Querer que todos os seres humanos sejam tratados igualmente nunca deveria ser controverso”, discursou.
O que Macklemore respondeu?
No discurso preparado previamente e lido durante o show, o artista procurou separar suas críticas ao governo de Israel de qualquer ataque à população judaica. “A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio de forma alguma é uma crítica a vocês”, afirmou durante a segunda apresentação.
“Minha mensagem é de paz, amor e de que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade”, acrescentou. Na sequência, defendeu liberdade para palestinos, libaneses, cubanos, congoleses e sudaneses, além de atacar o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Protesto aconteceu em shows de Ed Sheeran
Macklemore abriu as apresentações de Ed Sheeran no MetLife Stadium na sexta-feira (4/9) e no sábado (5/9). No palco, contou que uma das razões para participar da “Loop Tour” era aproveitar grandes estádios americanos para repetir a mensagem “Palestina livre”.
“Quero que essas palavras sejam ouvidas alto e claro para que as pessoas de Gaza até a Cisjordânia ocupada saibam que não esquecemos delas”, declarou.
O discurso serviu de introdução para “Hind’s Hall”, música de protesto lançada em 2024. Durante a performance, os telões exibiram imagens de Gaza, da Cisjordânia e de manifestações pró-Palestina.
Organização pede retirada da turnê
A manifestação provocou reação do Israeli-American Council (IAC), organização pró-Israel que lançou uma petição dirigida a Ed Sheeran, sua equipe, responsáveis pelos locais dos shows e produtores da turnê.
“Este era um show de Ed Sheeran — não um comício político, não um protesto e não um evento ativista”, argumenta a organização. A petição acusa Macklemore de usar uma plataforma mundial para promover uma “agenda política unilateral”.
O grupo também pediu esclarecimentos sobre se o discurso, as imagens exibidas nos telões e a execução de “Hind’s Hall” haviam sido previamente aprovados pela produção.
Petição não impediu segundo show
A campanha começou a circular no sábado, mas Macklemore subiu normalmente ao palco naquela noite e repetiu sua defesa da Palestina. Foi justamente nessa segunda apresentação que acrescentou a declaração dirigida diretamente aos judeus.
Ed Sheeran ainda não se pronunciou publicamente sobre o pedido para retirar o rapper das próximas datas de sua turnê americana.
A cantora Pink, por outro lado, repercutiu uma publicação da organização StopAntisemitism criticando a apresentação. Nas redes sociais, a manifestação dividiu o público entre espectadores que reclamaram da presença de política no show e fãs que defenderam o uso da música como plataforma para causas humanitárias.
Hind’s Hall nasceu de protestos estudantis
“Hind’s Hall” foi lançada durante os protestos pró-Palestina realizados em universidades americanas em 2024. O título faz referência à ocupação do Hamilton Hall, na Universidade Columbia, que manifestantes rebatizaram em homenagem a Hind Rajab, menina palestina de 6 anos morta em Gaza.
Macklemore dedicou a música aos estudantes envolvidos nas manifestações e citou grupos como Students for Justice in Palestine e Jewish Voice for Peace. Os rendimentos obtidos com a faixa foram destinados à agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos, a UNRWA.
A posição do rapper antecede a atual turnê. Em 2023, ele já havia aderido ao Artists4CeaseFire, iniciativa de artistas que pediu cessar-fogo em Gaza, libertação dos reféns e entrada de ajuda humanitária.