
Divulgação/Sony
Guia da Pipoca: novo Resident Evil e Antártida chegam aos cinemas
Terror baseado em videogame tem estreia mais ampla e chega em mil salas nesta quinta-feira
O reboot de “Resident Evil” é a maior lançamento da semana, com distribuição em mil salas. Além dos monstros derivados dos videogames, os cinemas recebem o suspense de “Antártida”, uma nova adaptação teen de Thalita Rebouças e outros cinco filmes brasileiros. A lista tem ainda um policial de época hollywoodiano, dois longas infantis russos e mais três produções italianas. Confira tudo o que estreia nesta quinta (17/8).
🎞️ RESIDENT EVIL
Depois de impressionar com “Noites Brutais” e se consagrar “A Hora do Mal”, Zach Cregger encara sua primeira franquia. O desafio foi encontrar uma solução para revitalizar “Resident Evil”. Em vez de colocar soldados ou uma super-heroína diante de monstros, o novo filme acompanha um homem comum que entra em Raccoon City no pior momento possível. A mudança devolve vulnerabilidade a uma marca que, ao longo dos anos, trocou o horror de sobrevivência dos jogos por tiroteios e acrobacias no cinema.
Cregger e o corroteirista Shay Hatten evitaram adaptar diretamente os games e construíram uma história totalmente nova dentro do universo da corporação Umbrella. Austin Abrams (“Euphoria”) vive Bryan, entregador de medicamentos que se vê preso numa cidade tomada por uma infecção.
Apesar do ineditismo da trama, algumas sequências em primeira pessoa evocam a linguagem dos jogos sem transformar o longa numa imitação de gameplay. Os fãs podem reclamar de não ver na tela seus personagens favoritos, mas os críticos de cinema finalmente encontraram motivos para recomendar uma adaptação da Capcom. As primeiras críticas renderam a 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, resultado excepcional para “Resident Evil”, cujos filmes até então nunca tinha conseguido sequer chegar a 40% de resenhas positivas.
🎞️ ANTÁRTIDA
O frio e o isolamento marcam o suspense nacional de Bruno Safadi (“O Prefeito”). Uma equipe de cientistas e militares entra no inverno de uma estação brasileira na Antártida quando Inês, jovem pesquisadora interpretada por Marina Ruy Barbosa (“Tremembé”), sofre uma violência sexual e não consegue identificar o agressor. Como ninguém pode simplesmente deixar a base, vítima e criminoso permanecem presos no mesmo lugar.
Andréa Beltrão (“Tapas & Beijos”) vive Elisabeth, subcomandante que assume a investigação, enquanto Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”), Lázaro Ramos (“Ó Paí, Ó”) e Antonio Calloni (“Os Outros”) integram o grupo isolado. O roteiro de Cláudia Jouvin (“Dias Perfeitos”) transforma cada homem em suspeito e explora também a estrutura hierárquica da base, onde disciplina militar, relações pessoais e solidariedade entre as mulheres interferem na busca pelo responsável.
O aspecto mais impressionante está fora da história: nenhuma cena foi filmada no continente gelado. Painéis de LED e produção virtual nos Estúdios Globo, no Rio, criam a estação e a paisagem com resultado convincente. A tecnologia é bem mais consistente que o roteiro. Há material para um thriller claustrofóbico potente, mas o excesso de subtramas dilui a investigação central e transmite a sensação de que uma história concebida originalmente como série foi comprimida para 94 minutos.
🎞️ ERA UMA VEZ MINHA 1ª VEZ
Quatro adolescentes decidem perder a virgindade antes da formatura e descobrem que transformar sexo em prazo só aumenta a pressão que pretendiam eliminar. Claudia Castro volta a dirigir uma adaptação de livro de Thalita Rebouças após “Ela Disse, Ele Disse”, numa comédia sobre a distância entre expectativa, desejo e a experiência real da primeira relação sexual. A escritora também participou do roteiro.
Letícia Braga (“Turma da Mônica: Lições”), Castorine (“Mania de Você”), Lívia Silva (“O Filho de Mil Homens”) e Duda Matte (“Garota do Momento”) vivem Teresa, Clara, Tuca e Patty. O pacto une as amigas, mas cada uma chega à descoberta da sexualidade com inseguranças, interesses e limites diferentes. É justamente aí que a premissa encontra algo mais interessante que uma simples corrida para deixar de ser virgem: a constatação de que não existe calendário coletivo para intimidade.
O filme tenta atualizar a comédia adolescente brasileira sem voltar ao moralismo que por muito tempo tratou sexualidade feminina como perigo ou punição. A intenção é clara, mas execução se dá com ressalvas à artificialidade de diálogos e situações criadas para parecer jovens. Quando abandona a obrigação de soar “adolescente”, a história encontra seu ponto mais honesto na amizade das quatro e na ideia de que a primeira vez não precisa provar nada para ninguém.
🎞️ NO LIMITE DA JUSTIÇA
Um agente negro do FBI e um assassino da máfia contra a Ku Klux Klan. A história real por trás do thriller de Elegance Bratton (“The Inspection”) já parece argumento de filme policial, mas aconteceu no Mississippi dos anos 1960, quando o FBI recorreu ao mafioso Gregory Scarpa durante investigações sobre crimes racistas.
Yahya Abdul-Mateen II (“Watchmen”) vive Wayne Strider, agente fictício criado para conduzir a trama, enquanto Mark Wahlberg (“Os Infiltrados”) interpreta Scarpa. A parceria começa durante a investigação de assassinatos de líderes dos direitos civis e coloca os dois diante de um sistema em que policiais locais, supremacistas brancos e impunidade praticamente se confundem. O elenco também destaca Giancarlo Esposito (“Breaking Bad”) como o ativista Vernon Dahmer, assassinado depois que membros da Klan incendiaram sua casa.
O material histórico rende um policial violento sobre a diferença entre justiça e vingança, mas também cria o principal problema do filme. Bratton oscila entre drama racial e entretenimento pulp, enquanto Wahlberg transforma Scarpa numa presença tão espalhafatosa que desvia o foco do dilema moral vivido pelo personagem de Abdul-Mateen, um negro atuando na polícia em meio ao racismo institucional dos anos 1960.
🎞️ PROCURANDO EMILY
A Working Title, produtora de “Quatro Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “O Diário de Bridget Jones”, volta às comédias românticas britânicas com uma atualização da velha fórmula, incluindo aplicativos e redes sociais na velha capacidade humana de se apaixonar pela pessoa errada.
O protagonista Owen, vivido por Spike Fearn (“Alien: Romulus”), conhece uma garota numa festa e recebe um número de telefone incompleto. Convencido de que encontrou o amor da vida, tenta localizar todas as Emilys de uma universidade de Manchester. É quando aparece Emily Raine, estudante americana de psicologia interpretada por Angourie Rice (“Meninas Malvadas”), que decide ajudá-lo enquanto transforma a obsessão do rapaz em material para uma pesquisa sobre comportamento amoroso.
A procura começa como romance por uma desconhecida e naturalmente desloca a atenção para quem está participando dela. O roteiro não reinventa o gênero, mas entende que previsibilidade não é necessariamente defeito quando há química entre os protagonistas. A recepção da estreia da diretora Alicia MacDonald foi positiva, com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes.
🎞️ OS TRAPACEIROS DE GARIBALDI
Em 1860, Giuseppe Garibaldi desembarcou na Sicília com pouco mais de mil voluntários para combater o Reino das Duas Sicílias, campanha decisiva no processo de unificação da Itália. Roberto Andò (“A Estranheza”) olha para esse episódio fundador menos como epopeia patriótica que como terreno fértil para acaso, improvisação, covardia e engano.
Toni Servillo (“A Grande Beleza”) interpreta o coronel Vincenzo Giordano Orsini, encarregado por Garibaldi de conduzir uma manobra de distração contra o exército inimigo. Paralelamente, Domenico e Rosario, vividos pelos comediantes Salvo Ficarra e Valentino Picone, entram para as tropas por motivos bem menos nobres e tentam escapar assim que percebem que a guerra envolve risco de morte. Tommaso Ragno (“Vermiglio”) aparece como Garibaldi.
A graça está em retirar o pedestal de uma história ensinada como construção heroica da nação e observá-la pelo ponto de vista de homens comuns, alguns deles bastante interessados em sobreviver. Andò mistura personagens históricos e ficcionais para questionar a distância entre ideal revolucionário e resultado político. A fórmula divide o filme entre o peso de Servillo e a comicidade de Ficarra e Picone, nem sempre com equilíbrio, mas encontra força quando sugere que países também nascem de blefes, acidentes e ilusões coletivas.
🎞️ QUERENDO OU NÃO
Gianni Di Gregorio (“Almoço em Agosto”) se especializou em filmes sobre homens envelhecidos que finalmente conquistam alguma tranquilidade e imediatamente descobrem que a família tem outros planos. Aqui, ele interpreta um professor aposentado satisfeito com livros, amigos e pequenos hábitos cotidianos até a filha, vivida por Greta Scarano (“Suburra”), aparecer em sua casa com os filhos depois de uma crise conjugal.
O motivo da separação está na Alemanha. Tom Wlaschiha (“Game of Thrones”) vive o marido que, depois de trair a mulher com uma estudante, parte a pé da Alemanha para Roma como penitência numa tentativa de reconquistá-la. Enquanto isso, o avô improvisado precisa trocar sua rotina silenciosa por crianças, conflitos domésticos e responsabilidades que julgava encerradas. Iaia Forte (“A Grande Beleza”) completa o núcleo como uma mulher interessada no protagonista.
Apresentada nas Jornada do Autor do Festival de Veneza, a comédia não entrega grandes viradas, contando uma história previsível e leve, que busca demonstrar que paz absoluta não passa de outro nome para solidão.
🎞️ TRÊS VEZES ADEUS
Michela Murgia escreveu “Três Tigelas” pouco antes de morrer de câncer, em 2023, e transformou doença, comida, separação e proximidade da morte em matéria literária sem a solenidade normalmente associada ao tema. Isabel Coixet (“A Vida Secreta das Palavras”) adapta esse universo concentrando diferentes elementos do livro numa história de casal interpretada por Alba Rohrwacher (“Lazzaro Feliz”) e Elio Germano (“A Nossa Vida”).
Marta e Antonio se separam depois de uma discussão aparentemente banal. Ele, chef de cozinha, mergulha no trabalho. Ela perde o apetite e inicialmente atribui a mudança ao fim da relação, até descobrir que o corpo anuncia algo mais grave. A partir daí, comida deixa de ser apenas metáfora sentimental: sabor, fome e desejo ganham outro peso quando o tempo passa a ter limite.
Coixet filma em 4:3 e usa também material em Super 8, numa tentativa de aproximar a doença de sensações íntimas, lembranças e gestos cotidianos. Rohrwacher sustenta a parte mais delicada da adaptação ao evitar transformar Marta em santa terminal. A recepção italiana foi dividida: houve elogios às atuações e à coragem da transposição, mas também críticas às digressões e à tendência de suavizar a aspereza do livro. O melhor permanece na ideia central de Murgia: despedir-se da vida não significa parar de desejá-la.
🎞️ FURNAS FUNDAS: UMA FÁBULA GÓTICA BRASILEIRA
Uma eleição municipal divide uma pequena cidade brasileira enquanto algo muito mais antigo começa a despertar sob a disputa política. Beto Marquez transforma a campanha local em porta de entrada para fantasia sombria, violência e humor, numa combinação pouco comum no cinema nacional entre sátira de costumes e imaginário gótico.
Bartira, personagem de Gabriela Dias, circula à margem da comunidade com um grupo de figuras que os moradores preferem ignorar. Quando a hostilidade eleitoral rompe o equilíbrio da cidade, justamente esses excluídos precisam enfrentar a ameaça sobrenatural. Eriberto Leão (“Dom”) e Elisa Volpatto (“A Mulher do Pai”) integram o elenco, que também inclui Otávio Müller (“O Auto da Compadecida 2”) e Natália Lage (“O Homem do Ano”).
A divisão entre vizinhos, o desejo de poder e a facilidade com que uma comunidade encontra inimigos criam ambiente tão importante quanto a criatura adormecida. A alegoria é autoexplicativa e o encontro entre política e horror oferece uma identidade brasileira que dispensa castelos europeus para construir seu gótico prosaico.
🎞️ ALOHA, MALANDRO!
Produção independente paranaense, “Aloha, Malandro!” chega ao circuito comercial depois de passar por festivais como Fantaspoa e Kinoarte. O longa é dirigido e escrito pelo curitibano Evandro Scorsin, realizador ligado à produtora O Quadro, e aposta numa comédia criminal de humor ácido sobre a velha fantasia de enriquecer sem trabalhar.
Arno Pruner (“Sítio do Picapau Amarelo”) vive Jairo, um malandro cujo grande projeto é juntar dinheiro para morar no Havaí. A oportunidade aparece quando ele decide roubar um contrabandista de arte, mas o golpe rapidamente o coloca no meio de problemas que não estavam nos seus planos. Renet Lyon (“3%”, “Irmandade”) e Giovanna Negrelli (“Ferrugem”) integram o elenco.
Com apenas 71 minutos, o filme assume a pequena escala e tira humor principalmente da distância entre a ambição do protagonista e sua capacidade de executá-la. Em vez de transformar Jairo num criminoso sofisticado, acompanha um sujeito que precisa improvisar cada vez mais para sustentar a ilusão de que encontrou a maneira mais simples de escapar do trabalho.
🎞️ MORTE E VIDA MADALENA
Guto Parente (“Estranho Caminho”) transforma o caos de uma filmagem independente numa comédia sobre cinema, luto e gravidez. Entre novela e farsa, a coprodução de Brasil e Portugal acompanha uma equipe tentando realizar uma ficção científica B sem dinheiro enquanto praticamente tudo fora do set também desmorona.
Noá Bonoba vive Madalena, produtora grávida de oito meses que tenta terminar o último roteiro deixado pelo pai recém-morto. O trabalho piora quando Davi, seu ex-marido e diretor do filme, abandona a produção. Nataly Rocha (“Greice”), Tavinho Teixeira (“Batguano”) e Marcus Curvelo (“Eu, Empresa”) integram a equipe que precisa terminar o projeto antes que a gravidez tire a produtora de cena. No centro de toda a confusão está uma associação simples: Madalena carrega ao mesmo tempo um filho e um filme que precisam nascer quase ao mesmo tempo.
Parente transforma a precariedade em linguagem, misturando melodrama, humor e metacinema para brincar com hierarquias, egos e improvisos de uma filmagem. A estreia mundial aconteceu no FIDMarseille, onde o longa recebeu o prêmio Ciné+ de apoio à distribuição.
🎞️ FIEBRE – UM FILME PARA CRIANÇAS QUE NÃO TÊM MEDO DE FOGO
Esta coprodução de Chile, Brasil e Peru transforma uma febre infantil numa fantasia visual que mistura atores, animação, desenho, fotografia e diferentes formas de cinema. Escrita e dirigida pela chilena Elisa Eliash (“Mami te Amo”), a aventura usa cada mudança de técnica como passagem para um novo mundo, numa viagem sobre medo, imaginação e crescimento.
A história começa quando Nino, um menino de 11 anos com febre alta, é sugado por uma pintura misteriosa. Para escapar, precisa entrar em outra imagem, mas cada passagem o leva mais longe de casa. O caminho atravessa desenhos, filmes antigos, fotografias e mitos, transformando a tentativa de voltar para a mãe numa jornada por diferentes maneiras de criar e enxergar imagens.
A variedade visual é o principal atrativo de uma produção infantil que não tenta imitar o acabamento das animações americanas. Em vez de uma sucessão convencional de aventuras, o filme trata a própria imagem como território a ser explorado e confia que crianças consigam acompanhar suas mudanças de linguagem sem precisar receber explicação para tudo.
🎞️ MASHA E OS URSOS
A animação russa “Masha e o Urso”, fenômeno infantil mundial no YouTube e exibida no Brasil pela TV Cultura e canais infantis, ganha uma versão com atores. A diretora Antonina Ruzhe (“Em Busca dos Meus Sonhos”) leva a menina hiperativa e o imaginário dos contos russos para uma aventura de fantasia que combina live action com a animação dos três ursos da história infantil tradicional.
Vitaliya Kornienko interpreta Masha, que precisa salvar o irmão depois que um espírito da floresta o transforma em bode. Para desfazer o feitiço, ela se alia aos três ursos e atravessa um mundo povoado por criaturas e referências aos contos de fadas.
Com 79 minutos e classificação de 6 anos, o filme aposta numa estrutura direta de missão e resgate, sem exigir familiaridade com a série animada. A graça está justamente em transportar para atores e cenários físicos a lógica exagerada dos desenhos, preservando a floresta como território em que qualquer encontro pode virar ameaça, ajuda ou piada.
🎞️ GATOS NO MUSEU 2: TESOUROS DO EGITO
O gato Vincent e o rato Maurice deixam os corredores de um museu russo para uma aventura no Egito, onde um antigo papiro aponta o caminho de um gênio capaz de conceder apenas um desejo a cada mil anos.
A mudança de cenário da continuação transforma pirâmides, templos e o Rio Nilo numa espécie de caça ao tesouro para crianças, dirigida novamente pelo russo Vasiliy Rovenskiy. Mas o que menos importa é o mistério arqueológico. Maurice enxerga no gênio uma oportunidade de resolver seus problemas, enquanto Vincent tem outros planos, e a amizade entre os dois passa a ser posta à prova pelo desejo. A estrutura é simples o bastante para dispensar conhecimento do longa anterior: dois animais amigos querem a mesma coisa por razões diferentes e precisam decidir até onde estão dispostos a ir.
A animação permanece distante do acabamento dos grandes estúdios americanos, mas compensa parte da diferença com movimento constante e variedade de cenários. Construída sobre perseguições e perigos moderados, a aventura infantil russa tem como tema a velha lição de que realizar um desejo pode custar mais do que parece.
🎞️ NÃO HAVERÁ MAIS HISTÓRIA SEM NÓS
A Amazônia costuma ser apresentada ao mundo como floresta, reserva natural ou território ameaçado. Priscilla Brasil desloca a pergunta para quem produziu essas imagens e quem ficou de fora delas. Dois pesquisadores amazônicos percorrem arquivos e instituições entre Belém e Munique para investigar como a região foi descrita durante séculos como espaço vazio, selvagem e disponível para exploração.
O documentário confronta uma ideia aparentemente positiva que também pode esconder violência: a floresta como paraíso intocado. Quando o território é tratado como vazio, seus povos deixam de aparecer como agentes históricos, e exploração econômica pode ser narrada como descoberta, ocupação ou desenvolvimento. O chamado greenwashing contemporâneo entra no filme como continuação de uma longa disputa por quem tem direito de definir o que é a Amazônia.
A diretora, que também responde pela fotografia e montagem, transforma o arquivo em objeto de confronto, não simples ilustração. Produção brasileira com participação portuguesa, o longa passou pelo Bali International Film Festival e pelo Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o Fica.
🎞️ GRENAL: O MAIOR CLÁSSICO DAS AMÉRICAS
O maior clássico do futebol gaúcho começou em 1909 e transformou uma disputa esportiva numa divisão cultural capaz de atravessar famílias, bairros e gerações no Rio Grande do Sul. Os diretores Belisario Franca (“Menino 23”) e Tatiana Sager (“Central”) percorrem mais de um século dessa rivalidade. No documentário, imagens de arquivo se alternam com depoimentos de jogadores, técnicos, jornalistas e torcedores de Grêmio e Internacional.
Abel Braga, Luiz Felipe Scolari, D’Alessandro, Paulo Nunes, Valdomiro, Ancheta e Carlos Simon estão entre os participantes, numa seleção que procura equilibrar memórias coloradas e gremistas. O futebol aparece tanto nos gols quanto nas derrotas que cada torcida transformou em trauma hereditário.
Os cineastas retratam a rivalidade como uma gangorra, não como campeonato estatístico. Quem domina uma década inevitavelmente assiste ao outro lado responder em algum momento, e essa alternância alimenta a permanência do confronto por mais de 100 anos.