
Instagram/Guga Chacra
Guga Chacra nada 46 km por 8:35 horas em Nova York: “Um sonho”
Correspondente da Globo contornou a ilha de Manhattan, passou sob 20 pontes e atravessou os rios East, Harlem e Hudson
Sonho começou quando chegou a Nova York
Guga Chacra completou uma volta a nado pela Ilha de Manhattan, em Nova York, depois de permanecer 8h35 na água. O jornalista de 50 anos da GloboNews e da TV Globo realizou na quarta (9/9) a tradicional travessia 20 Bridges Swim, que percorre cerca de 46 km pelos rios East, Harlem e Hudson. Alguns registros do trajeto por GPS apontaram aproximadamente 48 km. “Um sonho meu quase desde que me mudei para NY em 2005”, escreveu ao celebrar a conquista.
O que Guga encontrou pelo caminho?
O percurso contorna completamente Manhattan e passa sob 20 pontes, entre elas a Brooklyn Bridge e a George Washington Bridge. Guga contou que teve auxílio da maré no East River e no Harlem River e da corrente do Hudson, mas enfrentou vento forte em sentido contrário durante parte da prova. “Foram 8 horas e 35 minutos nadando”, relatou. A distância oficial da 20 Bridges é de 45,9 km, embora a quilometragem efetivamente percorrida possa variar com a trajetória dentro dos rios.
A volta também funcionou como um roteiro pela própria história do correspondente, que vive em Nova York desde 2005. Ele passou pelo River Café, onde se casou com Ana Maria, pela Universidade Columbia, onde estudou, e pelo Columbia Presbyterian Hospital, onde nasceram os filhos TomTom e Julia. O trajeto ainda cruzou Williamsburg, a sede da ONU, Roosevelt Island, o estádio dos Yankees, Riverside Park e regiões como Chelsea, West Village, Soho e Tribeca.
Equipe acompanhou as oito horas de prova
Guga destacou que a travessia individual depende de uma equipe de apoio durante todo o percurso. Alexandre Fortunato acompanhou o jornalista de caiaque e ajudou a orientá-lo, enquanto Capri Djati Asmoro, sua companheira de treinos durante o inverno em Brighton Beach, integrou a tripulação. Michael Kaplan comandou a embarcação de suporte e Michael Dwass trabalhou como observador da prova. “Você pode nadar sozinho em um desafio aquático. Mas, sem a ajuda de um grupo de pessoas, isso seria impossível”, escreveu.
A estrutura faz parte das regras da 20 Bridges. Cada nadador conta com barco e capitão, caiaque, observador e acompanhamento por GPS. A alimentação também ocorre durante a travessia, entregue pelo caiaque sem que o participante deixe a água. A organização programa a largada de acordo com marés e correntes, fatores fundamentais para completar o circuito.
A prova integra a chamada Triple Crown of Open Water Swimming, ao lado da travessia do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França, e do Canal de Catalina, na Califórnia. A primeira volta completa registrada em Manhattan ocorreu em 1915, quando Robert Dowling concluiu o percurso em 13h45.
Natação vem da infância
A conquista não surgiu de uma preparação esportiva recente. Guga começou a nadar ainda criança por influência da mãe, Isabel Cerello Chacra, campeã sul-americana de natação em 1962. Aos 11 anos, passou para o polo aquático e praticou a modalidade durante a adolescência no Club Athletico Paulistano. Mais tarde, voltou a concentrar os treinos na natação.
O jornalista já mantinha uma rotina incomum de águas abertas em Nova York. Durante o inverno, costuma nadar em Brighton Beach mesmo com temperaturas próximas de 0°C. Em reportagem exibida neste ano, contou que chega a nadar cerca de 5 mil metros por dia em piscina e que havia começado a se dedicar mais intensamente ao mar aberto cerca de seis anos antes.
A ligação familiar apareceu novamente na comemoração da volta de Manhattan. Guga agradeceu à mãe por tê-lo colocado na água desde pequeno e ao pai pelo incentivo para construir sua vida em Nova York. Após retornar ao Battery Park, resumiu a experiência: “Com a ajuda da maré, da corrente, mas, mesmo assim, durou bastante”.