
Instagram/Mario Frias
Produtora de Dark Horse pagou R$ 136 mil em faturas de Mario Frias
Go Up também bancou hospedagens do deputado, enquanto PF questiona R$ 645,4 mil que ele transferiu à produtora
Produtora quitou quatro faturas
A Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, pagou quatro faturas de cartão de crédito de Mario Frias que somaram R$ 136.868,03 entre agosto e novembro de 2025. Os comprovantes aparecem nos documentos da investigação sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do STF, na sexta-feira (11/9). Frias é roteirista e produtor-executivo do filme e também transferiu R$ 645,4 mil à mesma produtora num período próximo, movimentação cujo lastro financeiro é questionado pela Polícia Federal.
O que mostram os comprovantes?
As faturas foram pagas em quatro operações: R$ 32.604,39 em 22 de agosto, R$ 34.164,08 em 25 de setembro, R$ 33.242,21 em 21 de outubro e R$ 36.857,35 em 19 de novembro. As duas primeiras antecederam as filmagens brasileiras, iniciadas em 20 de outubro, enquanto as outras duas ocorreram durante a produção. Os registros foram revelados inicialmente pelo g1 e também constam da documentação analisada pelo UOL.
Segundo o UOL, a Go Up ainda bancou hospedagens de Frias entre o fim de outubro e o começo de novembro. A reportagem discrimina pagamentos de R$ 3.675 entre 28 e 31 de outubro, R$ 4.666,30 entre 31 de outubro e 4 de novembro e R$ 7.560 entre 4 e 10 de novembro. Todo esse intervalo coincide com as gravações de “Dark Horse”, realizadas até 7 de dezembro.
Dinheiro circulou nos dois sentidos
Os novos comprovantes ampliam o quadro financeiro entre Frias e a produtora. Ao mesmo tempo em que a Go Up pagava faturas e hospedagens do deputado, relatórios analisados pela PF identificaram R$ 645,4 mil transferidos por ele diretamente à empresa em menos de dois meses. Os investigadores consideram esse valor incompatível com os rendimentos mensais de R$ 44.008,52 declarados pelo parlamentar e com os créditos encontrados em suas contas.
A PF afirma que essa movimentação coloca Frias além da posição de simples autor das emendas parlamentares sob investigação e o trata como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”. A corporação apura a origem dos recursos enviados pelo deputado e sua eventual relação com o circuito de empresas e entidades que receberam verbas públicas.
Os documentos divulgados até agora não esclarecem a natureza das compras incluídas nas quatro faturas do cartão nem apresentam uma justificativa da Go Up para assumir essas contas. Portanto, os pagamentos demonstram a existência do fluxo financeiro entre a empresa e Frias, mas não permitem estabelecer isoladamente a finalidade de cada gasto.
PF investiga rota de dinheiro público
Frias e Karina Gama, dona da Go Up, foram alvos da Operação Make Up na quinta (10/9). A PF e a CGU cumpriram 49 mandados de busca e apreensão numa investigação sobre suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares por meio de entidades e empresas relacionadas ao grupo. São apurados possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em contratações.
Uma das rotas investigadas começa com R$ 700 mil destinados pelo Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, a duas empresas contratadas para um projeto financiado por emenda de Frias. Posteriormente, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial dos fornecedores, transferiu R$ 750 mil à Go Up durante as filmagens. A PF ainda não afirma que se trate exatamente do mesmo dinheiro, mas considera relevantes a sequência das operações, a proximidade dos valores e os vínculos entre os envolvidos.
Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a produtora registrou cerca de R$ 9 milhões em entradas e R$ 10 milhões em saídas classificadas como movimentação atípica. Além dos R$ 645,4 mil enviados por Frias, apareceram R$ 2,6 milhões da Go7, outra empresa de Karina Gama, R$ 1 milhão do ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro Marcello Lopes e R$ 750 mil da NTT Brasil.
Frias ainda não explicou pagamentos
O UOL procurou Mario Frias especificamente sobre as faturas e hospedagens, mas não recebeu resposta até a publicação. Após a Operação Make Up, o deputado classificou a investigação como “cortina de fumaça” e afirmou: “Vou colaborar com tudo que for pedido. Vou entregar cada documento.”
Aberto para posicionamentos
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