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Globo troca três diretores e nega efeito Copa na reestruturação
Paulo Marinho rebate relação entre saídas e direitos do Mundial, preferindo destacar nova estrutura com reforço da área digital
Três diretores deixam a Globo
A Globo confirmou nesta sexta-feira (4) a saída de três integrantes de sua alta direção: Manuel Belmar, responsável por Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura; Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação; e Pedro Garcia, diretor de Aquisição de Direitos. A mudança faz parte de uma reestruturação que altera áreas centrais da empresa e redistribui funções ligadas à televisão, streaming, marketing e negociação de conteúdo.
Emissora rebate efeito Copa
O anúncio ocorreu depois que a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, apontou os resultados financeiros e a estratégia adotada para a Copa do Mundo de 2026 entre os fatores que pesaram nas mudanças. O Meio & Mensagem também registrou que a aquisição de apenas parte dos direitos do Mundial era citada nos bastidores como motivo de insatisfação.
Paulo Marinho, presidente da Globo, “repudiou com veemência” essa interpretação. “A decisão de renegociação da compra de direitos da Copa do Mundo 2026 foi tomada exclusivamente pelo Conselho de Administração do Grupo, como é praxe em deliberações de grande porte, que não podem ser atribuídas individualmente aos executivos das empresas”, afirmou em nota enviada à imprensa.
Segundo a empresa, a nova estrutura organizacional, criada para acompanhar a evolução de sua estratégia, é o “único motivo” das movimentações.
CazéTV ganhou espaço no Mundial
A discussão em torno da Copa surgiu porque a Globo rompeu neste ano uma tradição de décadas. A emissora transmitiu 55 das 104 partidas, enquanto a CazéTV adquiriu os direitos de todos os jogos e ficou com exclusividade de dezenas deles. Foi a primeira Copa desde 1970 em que a Globo não teve acesso à competição inteira.
A divisão permitiu que a CazéTV exibisse sozinha partidas importantes, inclusive confrontos de França, Portugal, Inglaterra e Holanda no mata-mata. Algumas histórias de grande repercussão do Mundial apareceram primeiro no canal de Casimiro Miguel antes de serem repercutidas pela concorrência.
Isso não significou um fracasso de audiência da Globo: a emissora continuou alcançando um público maior em várias comparações durante a competição. Mas a Copa consolidou a CazéTV como concorrente de peso na transmissão de grandes eventos esportivos e tornou a estratégia de direitos da Globo alvo de discussão dentro do mercado.
Belmar fica até 2027
As três saídas não acontecerão exatamente da mesma forma. Manuel Belmar, que está no Grupo Globo desde 2003, permanecerá durante um período de transição que termina no primeiro trimestre de 2027. Nos próximos meses, continuará responsável por Finanças e pelo Centro de Serviços Compartilhados e participará da escolha de seu sucessor.
“Manuel Belmar, que há dois anos compartilhou comigo sua decisão de encerrar seu ciclo executivo na Globo, inicia agora uma transição cuidadosamente planejada e que será concluída no primeiro trimestre de 2027”, afirmou Paulo Marinho.
Manuel Falcão encerra uma trajetória de quase três décadas na empresa. “Manuel Falcão completa um ciclo de quase três décadas de uma trajetória profundamente ligada à construção das nossas marcas e conclui sua atuação na Globo”, declarou o presidente.
Pedro Garcia deixa a companhia após 45 anos. Um dos nomes históricos da Globosat, ele atuou em diferentes áreas até assumir a negociação e a gestão de direitos. Marinho destacou que o executivo “teve importantes contribuições para o Esporte e para a construção do portfólio de direitos de conteúdo”.
O que muda na direção?
A reorganização mexe diretamente na divisão de poder da empresa. TV Globo e Estúdios Globo passarão a operar de maneira integrada, aproximando a emissora de seu principal núcleo de produção.
As áreas de Distribuição e Direitos também serão unificadas. Fernando Ramos, que já trabalhava com parcerias e negociações estratégicas de distribuição, assume o novo departamento e ficará responsável pela exploração de conteúdos em diferentes plataformas e acordos com parceiros.
Marca, Marketing e Consumidor formarão outra estrutura integrada. Enquanto a empresa procura um novo líder para a área, Cristovam Ferrara assume interinamente Marca e Comunicação.
Já Júlia Rueff passa a comandar Plataformas Digitais. Ela estava à frente do Globoplay e também liderava Marketing, Experiência do Cliente e Analytics dos produtos digitais.
IA ganha espaço na nova estrutura
A Globo também transferirá Relações Institucionais, Jurídico e Compliance para a holding do grupo e ampliará o escopo da área de Estratégia, que passará a incorporar funções de governança corporativa.
No comunicado, a empresa relacionou a reorganização à transformação tecnológica de seu negócio. O momento, segundo o texto, “exige uma atuação ainda mais integrada de Tecnologia, Dados e Inteligência Artificial aos negócios para acelerar decisões e inovação”.
“Essas prioridades orientaram o desenho da nova estrutura, traduzindo nossa estratégia na forma como nos organizamos”, afirmou Paulo Marinho.
A mudança também busca colocar a perspectiva do consumidor no centro das decisões, preservar a força da televisão aberta e acelerar o crescimento das operações digitais da Globo.