
Instagram/GH Rell RJ e João Victor Gonçalves
Polícia intima GH após ataque contra João Victor Gonçalves
Streamer de 19 anos e ator de “Quem Ama Cuida” serão ouvidos pela Decradi, que investiga denúncia de homofobia
Streamer é intimado
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e intimou Jean Almeida Hilário, de 19 anos, conhecido nas redes como GH Rell RJ, após a hostilização sofrida pelo ator João Victor Gonçalves nos arredores do Rock in Rio. O caso está nas mãos da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que investiga se houve crime de homofobia durante a abordagem transmitida ao vivo pela Kick.
O que acontece agora?
Segundo apuração do Terra, a polícia localizou GH na região de Duque de Caxias, onde ele mora. O streamer deverá comparecer à Decradi para prestar depoimento. João Victor, intérprete de Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, também será chamado para dar sua versão dos fatos.
A Polícia Civil informou que a investigação segue sob sigilo. Além da abordagem registrada na live, os investigadores poderão analisar manifestações feitas posteriormente pelos envolvidos nas redes sociais, incluindo a acusação de racismo levantada por GH contra o ator.
Live registrou perseguição
O episódio aconteceu na noite de sexta-feira (4/9), quando João Victor deixava o Rock in Rio. Como a Pipoca Moderna mostrou, GH estava acompanhado por outros jovens que passaram a zombar da roupa e do modo de andar do ator enquanto o seguiam pela rua. “Tá horroroso! Muito feio!”, gritaram durante a transmissão.
João Victor tentou se afastar sem responder ao grupo. Em determinado momento, um dos homens ergueu uma sacola preta perto de sua cabeça. Depois de chegar em casa, o ator publicou um vídeo emocionado e classificou a abordagem como homofóbica.
“Impunes não vão ficar. Homofobia é crime”, afirmou. O relato ganhou repercussão ainda maior porque Mau Mau, seu personagem em “Quem Ama Cuida”, também enfrenta homofobia na trama de Walcyr Carrasco.
GH chamou abordagem de “entretenimento”
Após a repercussão, GH publicou um pedido de desculpas, mas negou ter agido por homofobia. O streamer disse que estava fazendo “entretenimento” durante a transmissão e manteve as críticas à roupa usada pelo ator.
Mais tarde, mudou o foco da discussão e acusou João Victor de racismo. GH relacionou a acusação ao momento em que o ator contou ter temido ser roubado enquanto era seguido pelo grupo. “Se eu fui homofóbico pros meus seguidores, pra mim, você foi racista”, declarou.
Os advogados Gustavo Polido e Andressa Knapp, que representam João Victor, rejeitaram a acusação. Eles afirmaram que o medo relatado surgiu porque o ator estava sozinho diante de quatro homens que o seguiam e filmavam, e não pela cor da pele dos envolvidos.
Ministério Público também apura caso
O episódio chegou paralelamente ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O órgão recebeu denúncias e também foi acionado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que pediu investigação sobre a conduta dos envolvidos e a responsabilidade da plataforma usada para transmitir a abordagem.
A própria Decradi havia instaurado a investigação após tomar conhecimento das imagens, sem depender de um registro policial feito previamente por João Victor.
Kick retirou perfil do ar
A repercussão também atingiu a conta usada para transmitir a abordagem. Segundo a colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles, a Kick retirou o perfil de GH do ar após o episódio. A página chegou a ficar indisponível para os usuários.
A plataforma não divulgou publicamente detalhes sobre a duração da medida ou os critérios adotados para a punição.
Ator recebeu apoio público
Walcyr Carrasco gravou um vídeo em solidariedade ao ator. “Ele sofreu um ataque homofóbico e homofobia não é entretenimento, é crime”, afirmou o autor de “Quem Ama Cuida”.
João Victor respondeu: “Obrigado, Walcyr. Vamos juntos com nossa novela mudar essas pessoas.” Liniker, Eliana, Gil do Vigor, Marcos Mion, Luana Piovani e outros artistas também manifestaram apoio.
Neste domingo (6/9), João Victor voltou ao Rock in Rio e contou ter recebido abraços e manifestações de solidariedade do público. Questionado sobre as providências jurídicas, evitou antecipar os próximos passos.
Aberto para posicionamentos
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