
Divulgação/Netflix
Elliot Page diz que não recebe propostas de filmes após A Odisseia
Ator afirma que está difícil conseguir papéis e cogita criar os próprios projetos após voltar a trabalhar com Christopher Nolan
Telefone não toca
Elliot Page revelou que não recebeu novas propostas de trabalho após participar de “A Odisseia”, blockbuster de Christopher Nolan lançado em julho. A declaração foi feita no canal “On Film… With Kevin McCarthy”, depois que o apresentador sugeriu que o ator provavelmente estaria recebendo inúmeras ligações após o filme.
“Não, Kevin, não estou recebendo ligações. Então, se alguém quiser me ligar…”, respondeu Page.
Por que está mais difícil?
O ator de 39 anos afirmou que a maneira como é enxergado pela indústria mudou e admitiu que talvez precise assumir uma postura mais ativa para conseguir novos trabalhos.
“Antes eu era visto de uma certa maneira, e agora é diferente, então talvez faça sentido entrar em contato com as pessoas e tentar criar projetos. Mas está um pouco complicado conseguir ser escalado agora, por questões óbvias”, declarou, referindo-se a sua mudança de gênero.
Page não pretende se afastar da atuação. Durante a mesma conversa, disse que gostaria de continuar fazendo trabalhos que considere bons e acredita estar numa fase em que pode entregar algumas das melhores interpretações de sua carreira.
Transição mudou relação com atuação
Page anunciou sua transição de gênero em 2020 e já falou diversas vezes sobre como passou a se sentir mais confortável diante das câmeras. Na entrevista, comparou essa experiência à fase anterior de sua carreira e lembrou que, apesar de ter gostado de trabalhar em “A Origem” (2010), vivia naquele período um forte desconforto pessoal.
O sentimento foi diferente ao reencontrar Nolan 16 anos depois. Page descreveu a participação em “A Odisseia” como um momento de volta completa ao ponto de partida e contou ter se emocionado ao encerrar as filmagens. “Sinto que talvez possa fazer alguns dos meus melhores trabalhos agora”, afirmou.
Escalação gerou ataques
A dificuldade mencionada pelo ator surge também após uma campanha de críticas à sua escalação como Sinon, soldado grego que participa da sequência do Cavalo de Troia. Antes mesmo da estreia, comentaristas conservadores atacaram a escolha de um homem trans para o papel, acreditando em fake news sobre sua escalação como Aquiles.
Christopher Nolan rejeitou as críticas e elogiou o trabalho de Page. Depois da estreia, a Variety destacou sua interpretação como vulnerável e apontou sua participação como parte importante da sequência do Cavalo de Troia.
Whoopi Goldberg também reagiu à controvérsia no programa “The View”. “Se você não quer assistir, não assista. Por que você se importa com quem foi escalado?”, questionou ao rebater críticas do influenciador conservador Ben Shapiro ao ator.
Sucesso não trouxe novos papéis
A ausência de propostas chama atenção pelo desempenho comercial de “A Odisseia”. O épico estrelado por Matt Damon ultrapassou US$ 1,5 bilhão mundialmente e se tornou o filme para maiores de idade de maior bilheteria da história, além de estabelecer um novo recorde de arrecadação em salas IMAX.
Page interpreta Sinon, personagem envolvido na estratégia do Cavalo de Troia. O papel marcou seu retorno às telas depois do encerramento da série “The Umbrella Academy” (2019-2024) e também retomou sua parceria com Nolan após “A Origem”.
Antes disso, o ator havia protagonizado o drama independente “Close to You” (2023), que também produziu e ajudou a desenvolver.
Carreira estourou com Juno
Page tornou-se conhecido internacionalmente com “Juno” (2007), em que viveu a adolescente grávida Juno MacGuff e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz, mas já havia chamado atenção como protagonista de “Menina Má.Com” (2005). Depois, integrou produções como “A Origem”, “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e “The Umbrella Academy”, em que a transição de seu personagem Vanya para Viktor Hargreeves foi incorporada à trama para ecoar o anúncio público do ator.