
Divulgação/GoUp
Ministro aponta dinheiro do crime organizado em financiadora do filme de Bolsonaro
Dario Durigan afirma que Grupo Entre recebia recursos do Banco Master e do PCC, ampliando polêmica sobre origem do dinheiro do longa
Crime cinematográfico?
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24/9) em Brasília que o Grupo Entre, usado em transferências destinadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro registrado no Brasil como “O Azarão”, recebia dinheiro tanto do Banco Master quanto do crime organizado. Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos, foi alvo da Operação Crédito Oculto, nova etapa da investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis.
O que liga a empresa ao filme?
Mineiro já havia colocado a Entre no caminho do dinheiro de “Dark Horse” em sua colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. Segundo seu relato, a empresa realizou sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, entre fevereiro e setembro de 2025, por determinação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O fundo, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, foi usado para financiar a produção.
Os repasses também aparecem na investigação sobre a participação de Flávio Bolsonaro na captação de recursos para o filme. Mensagens já reveladas mostram que o senador negociou com Vorcaro um investimento previsto de US$ 24 milhões e cobrou a continuidade dos pagamentos. Flávio sustenta que buscou investidores privados para o projeto e já declarou: “Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme”.
Como o PCC entrou na investigação?
A financiadora de “Dark Horse” apareceu na Operação Crédito Oculto, que investiga uma estrutura financeira usada para lavar recursos vindos do crime organizado. O Estadão apurou que a investigação identifica Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, como líderes do PCC responsáveis pelas transações. Os dois estão foragidos.
Segundo a apuração, os suspeitos usaram fintechs, fundos de investimento, holdings e companhias de fachada para ocultar a origem de uma fortuna e os beneficiários finais. Em uma das operações identificadas, R$ 100 milhões circularam por diferentes contas antes de chegar ao fundo usado na aquisição. A Entre fez parte deste ecossistema suspeito, que teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Dinheiro do crime bancou o filme?
Questionado sobre a possibilidade de os valores enviados ao exterior para “Dark Horse” terem saído da mesma estrutura financeira identificada como pertencente ao PCC, Durigan respondeu à imprensa: “Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”.
O ministro ressaltou, porém, que ainda é necessário separar a origem e o destino de cada parcela enviada para os Estados Unidos para supostamente bancar o filme. Esse rastreamento permanece sob investigação.
Filme já está sob investigação
O financiamento de “Dark Horse” já era investigado separadamente pela Polícia Federal. A apuração procura esclarecer a origem dos recursos, o caminho seguido pelo dinheiro e as responsabilidades dos envolvidos nas negociações entre Flávio Bolsonaro, Vorcaro e as estruturas que receberam e transferiram os valores destinados à produção.
A defesa de Mineiro informou nesta quinta-feira à Folha de S. Paulo que não comentaria a Operação Crédito Oculto por causa das regras de confidencialidade de seu acordo de colaboração premiada. O empresário confirmou à PGR que atuava em operações financeiras determinadas por Vorcaro, inclusive remessas internacionais e obtenção de dinheiro em espécie.
Aberto para posicionamentos
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