
Divulgação/SBT
Ratinho anuncia fim das “brincadeiras” após virar alvo de inquérito
Apresentador diz que evitará falas consideradas homofóbicas no ar após ser alvo de várias denúncias
Vai parar com “brincadeiras”
Ratinho anunciou nesta segunda (10/8) que não fará mais o que chamou de “brincadeiras” no “Programa do Ratinho”, depois de virar alvo de um novo inquérito para investigar falas consideradas homofóbicas. O apresentador de 70 anos negou ter desrespeitado pessoas ao longo da carreira e reagiu diretamente à denúncia provocada pelo comentário sobre o visual do cantor Tiago Piquilo.
O que Ratinho disse sobre a investigação?
O apresentador lembrou da fala da quarta (5/8), quando comentou o cabelo platinado de Tiago, da dupla Hugo & Tiago. “Aliás, teve um episódio na quarta-feira passada e vocês da internet confundem, fazem questão de complicar as coisas. Eu sempre brinquei com todo mundo que vem aqui ao programa. Nunca, na minha vida, em nenhum momento, desrespeitei uma pessoa sequer. O que mais tenho pelas pessoas é respeito.”
Sem citar Agripino Magalhães Júnior, ativista LGBTQIA+ responsável pela nova denúncia, Ratinho acusou o denunciante de recorrer à Justiça para obter vantagem. “O senhor que está me processando está usando uma entidade para levar vantagem. Está usando essa entidade. Não vou falar seu nome, não merece que eu fale. O senhor sabe que eu estava brincando. O Brasil sabe que eu brinco. Faz 28 anos que brinco na televisão. Nunca desrespeitei uma pessoa sequer. Nenhuma pessoa”.
Apresentador reclama de novos processos
Ratinho também criticou a judicialização de suas declarações. “Quando eu brigo, eu brigo. Não desrespeito. Vou para o tapa, para o soco, para o pontapé, mas nunca desrespeitei ninguém. Não fala bobagem e para com bobagem. Outra: a Justiça do Brasil já tem muito processo e vai incomodar de novo um juiz a fim de ganhar dinheiro. Para com isso”, afirmou.
Ao anunciar a mudança de comportamento, ele lembrou uma decisão de Silvio Santos após receber críticas pela maneira como brincava com crianças em seu programa. “Uma vez, o Silvio Santos começou a brincar com crianças e um produtor falou que ele estava tratando mal as crianças. Ele disse: ‘Eu não sei tratar criança? Então, não vou mais brincar com criança’. E eu vou fazer isso. Não brinco mais. É melhor, mais fácil e evito processo.”
A investigação foi aberta após Ratinho dizer a Tiago Piquilo: “Você pintou o cabelo? Você está com uma cara de ‘viado’…”. O apresentador ainda perguntou se o sertanejo estava usando maquiagem. Tiago respondeu que os convidados do próprio programa passam pelo camarim antes de entrar no palco.
O que Daniela Beyruti havia dito?
Três dias antes do novo pronunciamento de Ratinho, Daniela Beyruti saiu em defesa do apresentador. Em resposta ao jornalista Fefito, a presidente do SBT afirmou que a comunidade LGBTQIA+ sempre teve espaço na emissora e disse acreditar que as falas não tenham intenção de ofender.
“Para o SBT, todos são aceitos e bem-vindos. Os LGBTs fazem parte da nossa história, sempre tiveram espaço em nossos palcos. Somos iguais, independente de qualquer coisa. Sei que o Ratinho não fez e não faz por mal”, afirmou.
Daniela também relacionou o comportamento à idade e à formação do apresentador. “Ratinho vem de uma geração diferente. Conheço ele, ele ama as pessoas”.
Apesar disso, ela avisou que tomaria uma atitude: “Vamos falar com ele porque ele precisa entender que apesar da brincadeira não ter a intenção de machucar alguém, machuca.”
Ratinho acumula episódios semelhantes
O comentário sobre Tiago não foi um episódio isolado. Em maio, Ratinho criticou a presença de casais gays nas novelas e sugeriu que esse tipo de representação poderia incentivar a homossexualidade. “Quando eu vejo dois homens se beijando, eu já fico preocupado: ele já saiu do mercado e levou mais um. É porque é muita novela mostrando homem beijando homem, mulher beijando mulher. Não sei se incentiva isso, porque, no meu tempo, que o negócio funcionava, não tinha isso”, declarou.
Em março, o apresentador também virou alvo de ações depois de negar a identidade de gênero de Erika Hilton ao comentar a eleição da deputada para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. “Ela não é mulher, ela é trans”, afirmou.
O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra Ratinho e o SBT por aquelas declarações e pediu R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos, além de retratação e medidas para impedir novas manifestações discriminatórias.
Parada LGBT também motivou denúncia
Em 2023, Agripino Magalhães já havia acionado o Ministério Público depois que Ratinho atacou a realização da Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista. O apresentador defendeu que o evento fosse transferido para o Sambódromo e afirmou que a avenida deveria ser deixada “para as famílias”.
Na ocasião, também definiu a Parada como “um carnaval dos viados e das sapatão”. As declarações motivaram uma representação por homofobia e passaram a integrar a sequência de episódios levados por Agripino às autoridades.