
Divulgação/20th Century
Michael Wright, ator de “Ritmo e Blues” e “Oz”, morre aos 70 anos
Ele também estrelou a série "V" e sofria de um distúrbio degenerativo raro
Morte em Los Angeles
O ator Michael Wright, conhecido por interpretar Elias Taylor em “V” e Omar White em “Oz”, morreu na quarta (19/8), em Los Angeles, aos 70 anos. A morte foi anunciada por sua mulher, Susan Wright.
Qual foi a causa da morte?
Segundo o site TMZ, Wright morreu de insuficiência cardíaca e complicações da doença de Marchiafava-Bignami, um distúrbio neurológico degenerativo raro. A família não havia informado publicamente que o ator enfrentava a doença.
Susan se despediu do marido em uma publicação no Instagram. “Nossa família está enfrentando uma perda enorme e profundamente pessoal. Michael, seu trabalho viverá para sempre, mas seu amor viverá ainda mais nos corações daqueles que melhor o conheciam. Descanse em paz, meu amor. Você fará uma falta que palavras não conseguem expressar.”
De “V” a “Oz”
Um dos trabalhos mais conhecidos de Wright na televisão foi Elias Taylor, integrante da resistência humana contra os invasores alienígenas de “V”. Ele participou da minissérie original de 1983, de “V: A Batalha Final” e da série que deu continuidade à história entre 1984 e 1985.
Anos depois, o ator voltou a ganhar destaque na TV com “Oz”, drama carcerário da HBO. Entre 2001 e 2003, apareceu em 22 episódios como Omar White, detento dependente de drogas e um dos personagens mais marcantes do presídio de Oswald.
Carreira começou nos anos 1970
Nascido em Nova York em 30 de abril de 1956, Wright iniciou sua formação no Lee Strasberg Theatre and Film Institute por meio de um programa de trabalho e estudo. “Eu limpava o chão, atendia telefones, fazia todo tipo de tarefa em troca das minhas aulas”, contou à revista Sheen em 2021. Sua estreia no cinema aconteceu no cultuado filme de delinquentes “A Gangue da Pesada” (The Wanderers, 1979), de Philip Kaufman, no papel de Clinton, líder da gangue Del Bombers.
Em 1983, ele interpretou o instável soldado Carlyle em “O Exército Inútil” (Streamers), dirigido por Robert Altman. O trabalho rendeu a Wright e aos demais protagonistas do longa o prêmio coletivo de Melhor Ator no Festival de Veneza daquele ano.
Como ele virou cantor no cinema?
Um de seus principais papéis veio em “Ritmo e Blues” (The Five Heartbeats, 1991) como Eddie King Jr., vocalista de um grupo de R&B inspirado nas formações da Motown. O personagem enfrenta problemas com drogas e álcool enquanto a banda tentava sobreviver às mudanças provocadas pelo sucesso.
A escalação para “Ritmo e Blues” nasceu de um encontro casual com o diretor Robert Townsend no restaurante de sua mãe, Alberta, no distrito teatral de Nova York.
O diretor contou à revista New York em 1991 como os dois se aproximaram naquela noite. “Eu nunca saio. Mas, quando percebi, estávamos pulando de clube em clube. Depois acabamos no apartamento de Michael às 3 da manhã assistindo a um filme japonês [‘Bedtime Eyes’] que ele havia feito.” Seis meses depois, Townsend enviou a Wright o roteiro e ofereceu a ele o personagem que inicialmente havia sido pensado para Denzel Washington.
Parceria com Wesley Snipes
Outro encontro furtuito rendeu “Inferno Branco” (Sugar Hill, 1994). Ele encontrou Wesley Snipes por acaso num café de Manhattan e decidiu abordá-lo para interpretar seu irmão no filme do diretor Leon Ichaso.
“Eu simplesmente me levantei, agarrei-o pelas lapelas e disse: ‘Cara, eu tenho um filme e quero que você faça comigo'”, contou Wright. “Ele queria que eu explicasse mais. Entramos na limusine dele. Wesley tinha um contrato de três filmes com a Fox, acho. Consegui que Wes se comprometesse a fazer o filme. Foi assim que esse filme aconteceu.”
O ator via no personagem Raynathan, criado pelo roteirista Barry Michael Cooper (“New Jack City”), uma proximidade particular com sua própria trajetória. “Era um papel autenticamente nova-iorquino e foi feito para mim. Muito dele tinha relação com minha própria jornada pessoal. Eu improvisei o filme inteiro.”
Ao longo das décadas seguintes, Wright ainda apareceu em filmes famosos como “Um Diretor contra Todos” (1987), “Tudo por Dinheiro” (1997) e “A Intérprete” (2005), além das séries policiais “Miami Vice”, “New York Undercover” e do super-herói “Raio Negro” (Black Lightning). Seu trabalho mais recente no cinema foi “Dope King”, lançado em 2025.