
Divulgação/Marvel
Mark Ruffalo rebate Paramount após acusação de antissemitismo: “Revoltante e desonesta”
Ator diz que crítica aos Ellison, à Oracle e ao governo de Israel não representa hostilidade contra judeus
Ruffalo reage à Paramount
Mark Ruffalo rebateu neste sábado (22/8) a Paramount após a empresa acusá-lo de recorrer a “estereótipos antissemitas” em suas críticas à compra da Warner Bros. Discovery. O ator afirmou que seus ataques são dirigidos às ações do governo israelense, aos contratos militares da Oracle e aos empresários envolvidos no negócio, e não ao povo judeu.
O que Ruffalo respondeu?
“A acusação de que sou antissemita é revoltante e fundamentalmente desonesta. Criticar as ações do primeiro-ministro israelense, um contrato de tecnologia militar ou os executivos que o fornecem não é o mesmo que criticar o povo judeu. Esse diálogo crítico e necessário é então desonestamente enquadrado como anti-Israel. Para deixar claro, minhas opiniões vêm de minhas próprias convicções políticas e nunca devem ser interpretadas como hostilidade contra o povo judeu, por quem tenho profundo amor e respeito. Tudo o que sei sobre atuação, ativismo e humanismo foi profundamente moldado pelos amigos, colegas e pessoas queridas judias que foram essenciais e parte de minha família em todos os momentos da minha vida”, escreveu Ruffalo no X.
A reação veio um dia depois de a Paramount responder aos ataques do ator contra Larry e David Ellison. Ao divulgar um vídeo em que Safra Catz, vice-presidente executiva da Oracle, falava sobre tecnologias fornecidas aos militares israelenses, Ruffalo relacionou a empresa comandada por Larry Ellison ao financiamento da compra da Warner e acusou o grupo de apoiar forças “destrutivas e desumanas”.
Por que Ruffalo relaciona a Oracle à Warner?
Ruffalo sustenta que a operação não pode ser analisada apenas como uma fusão entre empresas de entretenimento porque Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison, CEO da Paramount Skydance, participa do financiamento do negócio. A compra de aproximadamente US$ 111 bilhões também conta com capital estrangeiro, enquanto o novo conglomerado passaria a reunir ativos como CNN, HBO e Warner Bros.
“Esta fusão tem consequências reais para pessoas reais e para o país inteiro. Examinar os Ellison, incluindo o negócio da Oracle baseado em dados, tecnologia de vigilância e contratos governamentais, assim como a séria ameaça à liberdade editorial e à subsistência de milhares de famílias, é justo e necessário. O negócio de US$ 111 bilhões entregaria a uma família o controle sobre CNN, HBO e Warner Bros., financiado em parte por dinheiro estrangeiro cuja influência sobre decisões editoriais nunca foi totalmente explicada ao público.”
O ator também defendeu uma análise de segurança nacional da operação. “Parlamentares dos dois lados já pediram uma revisão séria de segurança nacional, e os reguladores ainda não deram ao público uma resposta real. Até que façam isso, a fusão não deveria avançar. Agora é hora de mergulhar com coragem em todas essas questões, não de recuar ou ceder”, acrescentou.
Paramount falou em “estereótipos antissemitas”
A Paramount reagiu depois que Ruffalo acusou Larry Ellison de financiar, por meio da Oracle, tecnologias utilizadas por Israel na guerra em Gaza e empregou os termos “genocídio” e “apartheid”. A empresa não declarou literalmente que o ator é antissemita, mas afirmou estar “preocupada quando estereótipos antissemitas são invocados supostamente a serviço de uma disputa empresarial”.
A companhia também considerou inadequado relacionar os termos “genocídio” e “apartheid” à transação corporativa e afirmou que não tolera preconceito. Ruffalo interpretou a resposta como uma acusação pessoal de antissemitismo e decidiu reagir publicamente neste sábado.
Ator diz que pode estar numa “lista”
O confronto com a Paramount ocorre após meses de campanha de Ruffalo contra a aquisição. O ator se juntou ao advogado Norm Eisen para pressionar autoridades estaduais a usarem as leis antitruste contra a operação, e uma carta aberta contra o negócio reuniu mais de 5 mil assinaturas.
Em entrevista ao podcast “I’ve Had It”, Ruffalo afirmou que percebeu receio entre profissionais de Hollywood em aderir publicamente à mobilização e disse acreditar que sua oposição já possa ter provocado consequências nos bastidores. “É interessante porque muitas pessoas, logo de cara, ficaram com medo”, afirmou.
Ele então relatou uma conversa com um agente de destaque, cujo nome decidiu preservar. “Eles estão com medo porque, para citar um agente importante cujo nome não vou revelar aqui, os Ellison são uns filhos da p*ta vingativos.” Ruffalo acrescentou que presume já estar “numa lista” por causa de sua atuação contra o negócio.
Compra da Warner continua na Justiça
A aquisição ainda enfrenta uma ação antitruste movida pela Califórnia e outros 11 estados, que alegam que a concentração reduziria a concorrência, elevaria preços e prejudicaria trabalhadores da indústria audiovisual. O Writers Guild of America (WGA), Sindicato dos Atores dos EUA, também tenta barrar a operação.
Além da discussão concorrencial, parlamentares levantaram preocupações sobre o financiamento estrangeiro. Senadores americanos já pediram uma análise de segurança nacional dos investimentos de fundos soberanos da Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos e de seu possível impacto sobre empresas de mídia controladas pelo novo grupo.
Apesar do confronto judicial, Paramount e representantes dos estados devem iniciar conversas para tentar um acordo. Caso não haja solução, o julgamento da ação antitruste está previsto para março de 2027.