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Jenna Ortega vira novo alvo de crítica sobre magreza extrema em Hollywood
Comentários sobre aparência da atriz se espalham enquanto remédios GLP-1 ampliam presença nos Estados Unidos e Europa
Imagens chocam fãs de Jenna Ortega
Jenna Ortega falou sobre fama, infância, Tim Burton e o impacto de “Wandinha” numa longa entrevista publicada pela Esquire na terça (11/8), mas a repercussão girou inteira sobre as imagens que acompanharam o material. Fotos e trechos da conversa circularam nas redes acompanhados de comentários sobre magreza extrema e comparações com Ariana Grande, colocando a atriz de 23 anos no centro de um debate que já envolve padrões de beleza, celebridades e a expansão dos medicamentos usados no tratamento da obesidade.
Há alguma relação entre Jenna Ortega e os GLP-1?
Não existe evidência pública de que Ortega use semaglutida, tirzepatida, orforglipron, canetas emagrecedoras ou qualquer outro medicamento para perda de peso. A atriz também não afirmou ter transtorno alimentar ou problema de saúde relacionado ao peso.
Entretanto, a relação surgiu nas redes, justamente num momento em que mudanças físicas de celebridades vêm sendo frequentemente associadas, com ou sem fundamento, à popularização dos GLP-1. A preocupação legítima com padrões de magreza acaba se misturando à mesma fiscalização dos corpos femininos que artistas vêm criticando há anos, mas com viés reverso. Fãs estão preocupados com a obsessão pelo padrão magro que estaria deixando celebridades esqueléticas.
Fala sobre infância ganhou outra repercussão
Um trecho da entrevista chamou atenção nesse contexto. Ao recordar os primeiros trabalhos como atriz mirim, Ortega contou que evitava pedir qualquer coisa durante as filmagens porque tinha medo de atrapalhar os adultos.
“Eu não pedia nem um gole de água. Passava o dia inteiro sem comer, beber, qualquer coisa, porque queria muito não atrapalhar ninguém”, afirmou.
Ao olhar para o comportamento anos depois, ela reconheceu o problema. “Talvez esse tenha sido meu erro, eu não estava realmente cuidando de mim mesma.”
As declarações dizem respeito à infância e à postura que adotava nos primeiros sets. Ortega, porém, não relacionou esse problema à sua aparência atual.
Por que fãs ficaram preocupados?
Parte dos comentários comparou a aparência de Jenna à de Ariana Grande, que também vem despertando preocupação por seu emagrecimento. “A próxima Ariana Grande”, escreveu um usuário ao compartilhar imagens da entrevista. Outro foi mais direto: “Estou genuinamente preocupado com o que está acontecendo com essa garota, Ortega. Gente? Onde estão os pais dessa garota? Espero que ela esteja cuidando de si mesma.”
A discussão ultrapassa as duas artistas. Hollywood atravessa uma fase em que corpos muito magros voltaram a aparecer com frequência entre estrelas acompanhadas por milhões de jovens, ao mesmo tempo em que medicamentos capazes de provocar grandes perdas de peso se tornaram conhecidos fora dos consultórios médicos.
A relevância desses medicamentos para a discussão não é se Jenna e Ariana os estão usando. É que nunca foi tão fácil para um fã observar o emagrecimento de uma celebridade, tentar se espelhar nela e recorrer a produtos disponíveis e capazes de provocar grandes perdas de peso mesmo sem ter indicação clínica para usá-los.
O que são as canetas emagrecedoras?
Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound ajudaram a popularizar a expressão “canetas emagrecedoras”. São medicamentos desenvolvidos para tratar diabetes, obesidade ou ambos, dependendo da substância, da marca e da autorização concedida em cada país.
Alguns deles imitam a ação de um hormônio chamado GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino depois das refeições. Em termos simples, eles ajudam a pessoa a sentir menos fome e ficar satisfeita por mais tempo, além de participar do controle do açúcar no sangue.
A semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy, atua dessa forma. A tirzepatida, usada em Mounjaro e Zepbound, age também sobre outro hormônio envolvido na fome e no metabolismo.
A consequência pode ser uma perda expressiva de peso, o que transformou medicamentos criados para doenças crônicas em objetos de enorme interesse entre pessoas interessadas apenas em emagrecer.
Canetas já viraram comprimidos
O termo popular começa até a ficar desatualizado. A nova geração desses tratamentos não depende necessariamente de injeções.
Os Estados Unidos aprovaram uma versão do Wegovy em comprimidos para controle de peso e, em abril, autorizaram o Foundayo, nome comercial do orforglipron, medicamento oral de uso diário para adultos com obesidade ou determinados casos de sobrepeso.
O Reino Unido autorizou o Wegovy oral em junho e aprovou o Foundayo na segunda (10/8), um dia antes da publicação da entrevista de Jenna, tornando-se o primeiro país europeu a liberar o novo medicamento.
A chegada dos comprimidos pode tornar esse tipo de tratamento ainda mais presente no cotidiano, ao retirar justamente uma das barreiras que afastavam alguns pacientes: a necessidade de injeções.
Estados Unidos permitem propaganda ao consumidor
Nos Estados Unidos, esses medicamentos continuam sujeitos a receita, mas convivem com um ambiente comercial diferente do brasileiro. A legislação americana permite que laboratórios anunciem remédios de prescrição diretamente ao consumidor, inclusive na televisão, desde que cumpram as exigências da FDA sobre apresentação de benefícios e riscos.
Isso ajuda a explicar por que nomes de medicamentos sujeitos a prescrição se tornaram parte da cultura popular americana e aparecem com frequência em conversas sobre emagrecimento.
A FDA também vem combatendo versões falsificadas, produtos vendidos ilegalmente pela internet e preparações que são apresentadas como equivalentes aos medicamentos registrados sem passar pelo mesmo processo de avaliação.
Brasil apertou controle das vendas
No Brasil, a Anvisa endureceu as regras em 2025 diante do crescimento do uso sem indicação adequada. Desde 23 de junho daquele ano, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro só podem ser vendidos com receita em duas vias, e uma delas fica retida na farmácia.
A receita vale por até 90 dias. O modelo se aproxima do controle já adotado para antibióticos.
Também existe uma diferença importante na publicidade. Remédios que exigem receita não podem ser anunciados diretamente ao público brasileiro. A propaganda comercial desses produtos é restrita aos profissionais habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos.
Uso para emagrecimento rápido acendeu alerta
A própria Anvisa reforçou o alerta em fevereiro deste ano após observar crescimento das notificações de problemas associados ao uso dessas substâncias. A agência chamou atenção especialmente para pessoas que recorrem aos medicamentos com objetivo de emagrecer rapidamente ou por razões estéticas, sem indicação clínica e acompanhamento profissional.
Náusea, vômito, diarreia e outros problemas gastrointestinais estão entre os efeitos conhecidos de alguns desses medicamentos. Há também complicações mais graves.
A Anvisa destacou o risco de pancreatite aguda, inflamação do pâncreas que, em casos raros, pode evoluir para formas graves e fatais. O Reino Unido reforçou advertência semelhante em janeiro.
Jenna Ortega 1 year transformation 👀 pic.twitter.com/eGZeYtiJrI
— kira 👾 (@kirawontmiss) August 11, 2026
Jenna Ortega tells Esquire she would go entire days without eating or drinking on set as a child actor because she “wanted so badly to not be in the way of anybody.” pic.twitter.com/Hj4qOpPxSq
— Pop Crave (@PopCrave) August 11, 2026