
Divulgação/Sony
Guia da Pipoca: Estreias de cinema destacam novo “Sobrenatural”
Terror chega às telas junto de "O Shaolin do Sertão 2", "Amigas sem Filtro", "Refém por um Fio" e mais uma dezena de títulos
🎞️ SOBRENATURAL: AGORA ENTRE NÓS
O 6º filme da franquia “Sobrenatural” deixa para trás a família Lambert e apresenta uma nova protagonista ligada ao Além, dimensão habitada por espíritos e entidades que sustentou os capítulos anteriores. Gemma (Amelia Eve, de “A Maldição da Mansão Bly”) é uma jovem mãe que cria a filha na casa onde passou a infância e descobre possuir a capacidade de atravessar conscientemente para esse território sobrenatural.
A habilidade se torna mais perigosa quando Gemma percebe que consegue fazer o caminho inverso: não apenas entrar no Além, mas trazer de volta ao mundo físico as criaturas encontradas ali. A descoberta chama a atenção de entidades que passam a perseguir mãe e filha e transforma sua casa numa passagem entre os dois planos. Brandon Perea (“Não! Não Olhe!”) integra o novo núcleo, enquanto Lin Shaye retorna como Elise Rainier, a médium que permanece como principal ligação com os filmes anteriores.
Jacob Chase (“Vem Brincar”) assume direção e roteiro depois que “Sobrenatural: A Porta Vermelha” encerrou o arco principal dos Lambert. A mudança permite ampliar as regras do Além em vez de repetir a perseguição à mesma família: o novo conflito não envolve apenas pessoas entrando naquele espaço, mas a possibilidade de seus habitantes atravessarem deliberadamente para o mundo dos vivos.
🎞️ O SHAOLIN DO SERTÃO 2
Dez anos após “O Shaolin do Sertão”, Halder Gomes reencontra Aluísio Li (Edmilson Filho), o cearense apaixonado por filmes chineses que acreditava ser descendente de um monge e enxergou num desafio contra o lutador Toni Tora Pleura a oportunidade de provar que também poderia se tornar mestre das artes marciais. A continuação encontra o personagem depois daquela vitória, mas em situação oposta à consagração que imaginava: desiludido com a própria relação com as lutas, ele precisa redescobrir o que procurava quando decidiu assumir a identidade de Shaolin do sertão.
A nova jornada leva Aluísio a desafiar diferentes adversários enquanto busca respostas sobre suas supostas raízes chinesas e tenta recuperar a confiança perdida. O percurso termina diante de Kanako Musashi, campeão vivido pelo ex-lutador de UFC Lyoto Machida. A presença de um artista marcial profissional coloca o protagonista, acostumado a reproduzir movimentos aprendidos no cinema, contra alguém cuja técnica não pertence ao universo de fantasia que orientou sua vida.
Gomes amplia nesta sequência as referências aos filmes de luta que já faziam parte da comédia original. Edmilson Filho, praticante de taekwondo, também trabalhou na coreografia dos combates, inclusive na preparação do confronto com Machida. Para a luta decisiva, a equipe construiu uma arena de tijolos inspirada no Coliseu e na sequência entre Bruce Lee e Chuck Norris em “O Voo do Dragão”, reforçando a intenção de filmar as cenas como obras de artes marciais antes de extrair humor delas.
🎞️ AMIGAS SEM FILTRO
A comédia reúne Leslie Mann (“Bem-Vindo aos 40”), Isla Fisher (“Penetras Bons de Bico”), Michelle Buteau (“Clube da Luta para Meninas”) e Anna Faris (“Todo Mundo em Pânico”) como quatro amigas de longa data que percebem quanto suas relações foram consumidas por trabalho, casamento, filhos e outras responsabilidades. Exaustas e cada vez mais afastadas, elas reservam um fim de semana num spa de luxo com a intenção de descansar e recuperar a proximidade.
O plano de massagens, tratamentos e tranquilidade rapidamente sai do controle. A viagem acumula álcool, experiências de bem-estar que terminam mal, decisões impulsivas e novas relações, transformando o retiro cuidadosamente programado numa sequência de situações que obriga o grupo a confrontar ressentimentos e frustrações acumulados. Entre os desvios aparecem desde ioga com cabras até um passeio descontrolado num carrinho de golfe.
Jon Lucas e Scott Moore, dupla de “Perfeita É a Mãe!” e roteiristas de “Se Beber, Não Case!”, escrevem e dirigem o longa. A estrutura retoma uma especialidade dos dois: colocar adultos aparentemente organizados numa situação coletiva em que a tentativa de escapar temporariamente das obrigações desencadeia consequências cada vez maiores. Aqui, porém, o ponto de partida não é maternidade ou despedida de solteiro, mas a manutenção de uma amizade que atravessou diferentes fases da vida.
🎞️ REFÉM POR UM FIO
Gus Van Sant (“Gênio Indomável”) recria um sequestro que mobilizou a imprensa americana em 1977. Bill Skarsgård (“It: A Coisa”) interpreta Tony Kiritsis, empresário de Indianápolis que acreditava ter sido enganado pela companhia responsável pelo financiamento de um empreendimento imobiliário. Ele invade o escritório da Meridian Mortgage, captura o executivo Richard Hall (Dacre Montgomery, de “Stranger Things”) e prende ao pescoço do refém uma espingarda ligada ao gatilho por um fio: se Tony for morto ou perder o controle da arma, o mecanismo dispara.
Kiritsis exige US$ 5 milhões, imunidade criminal e um pedido público de desculpas da família Hall. O impasse se prolonga por mais de dois dias e deixa de ser apenas uma negociação policial quando o sequestrador começa a procurar emissoras de rádio e televisão para apresentar sua versão da história. Colman Domingo (“Sing Sing”) interpreta o radialista que se torna intermediário entre Tony e o público, enquanto Al Pacino (“O Poderoso Chefão”) vive o pai de Richard e dirigente da empresa responsabilizada pelo sequestrador por sua ruína financeira.
Van Sant retorna ao longa de ficção depois de sete anos e trabalha a crise também como retrato da relação entre crime e espetáculo televisivo. O roteiro de Austin Kolodney preserva a base factual do caso e acompanha como a transmissão ao vivo transformou Kiritsis simultaneamente em criminoso, celebridade e símbolo de ressentimento contra instituições financeiras. Exibido fora de competição no Festival de Veneza, o filme conquistou a crítica pela tensão e pela maneira como reproduz o ambiente midiático do episódio.
🎞️ SÓ POR UMA NOITE
Will Gluck (“Todos Menos Você”) parte de uma regra absurda para construir “Só por uma Noite”: numa versão ligeiramente alterada de Nova York, pessoas solteiras só podem fazer sexo livremente em uma noite específica do ano. É durante essa autorização coletiva que Allie (Monica Barbaro, de “Um Completo Desconhecido”) conhece Owen (Callum Turner, de “Mestres do Ar”), recém-abandonado pela namorada e pouco interessado em participar da celebração que domina a cidade.
Allie também procura algo diferente de um encontro descartável. Os dois reconhecem rapidamente a possibilidade de uma relação mais duradoura, mas uma sucessão de decisões equivocadas e compromissos paralelos os separa antes que consigam descobrir se aquela conexão sobrevive à madrugada. A história passa então a acompanhar os dois atravessando festas e situações diferentes pela cidade, aproximando-os e afastando-os durante a única noite em que todos ao redor parecem interessados exatamente no contrário do que eles procuram.
O diretor usa a regra social inventada como ponto de partida para uma comédia romântica sobre intimidade num ambiente organizado para impedir compromissos. Maya Hawke (“Stranger Things”), Julia Fox (“Joias Brutas”), Molly Ringwald (“Clube dos Cinco”) e LeVar Burton (“Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”) aparecem ao longo da peregrinação noturna, sem deslocar o centro da narrativa do encontro entre Allie e Owen.
🎞️ TERRA À DERIVA 2: DESTINO
Embora chegue ao Brasil depois de “Terra à Deriva”, “Terra à Deriva 2: Destino” é um prelúdio do sucesso chinês de ficção científica. A história volta ao período em que cientistas descobrem que o Sol caminha para uma expansão que destruirá a Terra. Em vez de abandonar o planeta, governos começam a desenvolver milhares de motores gigantescos capazes de retirar a própria Terra do Sistema Solar e conduzi-la, ao longo de gerações, até outro sistema estelar.
O projeto divide a humanidade. Enquanto um grupo defende o chamado Projeto Montanha Móvel, responsável pelos motores planetários, outro aposta no Projeto Vida Digital, que pretende preservar a consciência humana em computadores mesmo que os corpos e o planeta desapareçam. Entre esses conflitos, Liu Peiqiang (Wu Jing), que no primeiro filme aparece como astronauta veterano, surge décadas mais jovem, enquanto o cientista Tu Hengyu (Andy Lau) tenta usar a tecnologia digital para preservar a memória da filha morta.
Frant Gwo novamente dirige a produção, lançada originalmente na China em 2023. O longa expande o universo inspirado na ficção de Liu Cixin e combina os motores planetários com elevadores espaciais, computação quântica, inteligência artificial e outras tecnologias discutidas até por pesquisadores chineses depois do lançamento. A escala também cresceu em relação ao primeiro filme: a produção utilizou 17 estúdios e uma extensa estrutura de cenários físicos e ambientes virtuais para representar as décadas que antecedem a partida da Terra.
🎞️ MIRRORS NO. 3
O alemão Christian Petzold (“Phoenix”) volta a trabalhar com Paula Beer (“Undine”) no drama sobre luto, identidade e a possibilidade de reconstruir vínculos depois de uma perda. Beer vive Laura, jovem estudante de música de Berlim que sofre um acidente de carro durante uma viagem ao interior. O namorado morre, mas ela escapa praticamente sem ferimentos e é acolhida por Betty (Barbara Auer), mulher que testemunhou a colisão e insiste em cuidar dela durante a recuperação.
Laura aceita permanecer na casa de Betty e passa a conviver também com Richard, marido afastado da anfitriã, e Max, filho adulto do casal. A resistência inicial dos dois desaparece aos poucos e os quatro começam a reproduzir uma rotina familiar cuja naturalidade esconde uma ausência anterior. Laura percebe que sua presença naquele lugar significa para Betty muito mais do que simples solidariedade, enquanto a família precisa enfrentar um passado que vinha evitando discutir.
Petzold constrói o mistério menos pela investigação de fatos do que pelo comportamento dos personagens, com a música assumindo papel importante na aproximação entre eles. Apresentado na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, o longa mantém o interesse do diretor por personagens deslocados que assumem novos papéis depois de algum tipo de ruptura, tema também presente em “Em Trânsito”, “Undine” e “Afire”.
🎞️ CORAÇÃO PARTIDO
O romance russo adapta o best-seller de Anna Jane e acompanha Polina (Veronika Zhuravleva), adolescente que chega a uma nova cidade tentando reconstruir a própria vida. A mudança rapidamente se torna hostil quando ela passa a sofrer bullying na escola e encontra pouca proteção entre os colegas. A situação muda com a aproximação de Bars (Daniel Vegas), estudante temido pelos demais e cercado por uma reputação que faz com que poucos estejam dispostos a enfrentá-lo.
Bars oferece proteção a Polina, mas impõe uma condição: ela precisa obedecer às regras dele e fingir que os dois estão namorando. O acordo de conveniência reduz os ataques na escola, enquanto a proximidade transforma a relação inventada em envolvimento real. O problema é que o mesmo comportamento controlador que inicialmente oferece segurança começa a estabelecer uma dinâmica de dependência, ciúme e submissão entre os dois.
Dirigido por Mikhail Vaynberg, o filme trabalha com o modelo de romance juvenil em que o namoro falso aproxima personagens de personalidades opostas, mas coloca no centro da relação a diferença entre proteção e controle. A história desenvolve esse conflito a partir das inseguranças de Polina, do isolamento provocado pelo bullying e da necessidade de pertencimento que a torna mais vulnerável às exigências de Bars.
🎞️ ANISTIA 79
O documentário recupera imagens praticamente desconhecidas de um momento decisivo da abertura política brasileira. Em junho de 1979, centenas de exilados e militantes vindos de diferentes países se encontraram em Roma na Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, enquanto o regime militar resistia à libertação de presos políticos e articulava uma lei que também beneficiaria agentes envolvidos na repressão. O encontro foi registrado em filme, que ficou guardado num porão em Paris por quase meio século.
Anita Leandro (“Retratos de Identificação”) parte desse material para reencontrar participantes da conferência e colocar as imagens de 1979 diante das pessoas que aparecem nelas. Entre discursos, reuniões e depoimentos, o longa recupera a organização de brasileiros banidos ou forçados ao exílio e mostra que o debate daquele momento não se limitava ao direito de retorno: já existia uma disputa sobre o alcance da anistia e sobre a possibilidade de responsabilizar os autores de torturas e outros crimes da ditadura.
O trabalho com os negativos encontrados é o próprio método narrativo do documentário, que aproxima arquivo e testemunho contemporâneo sem transformar as imagens apenas em ilustração histórica. “Anistia 79” venceu o Prêmio Carlos Reichenbach do júri oficial e o prêmio do público na Mostra Olhos Livres da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
🎞️ MUNDURUKUYÜ – A FLORESTA DAS MULHERES PEIXE
Realizado por Aldira Akay, Beka Munduruku e Rilcélia Akay, o documentário foi filmado e concebido dentro da aldeia Sawre Muybu, às margens do rio Tapajós, no Pará. As filmagens partem da cosmologia Munduruku, na qual seres humanos se transformaram, na origem do mundo, em árvores, plantas e animais. Nesse entendimento do território, os espíritos da floresta não pertencem a uma dimensão separada do cotidiano: integram as relações familiares e a memória das pessoas que vivem ali.
As três cineastas integram o coletivo audiovisual Daje Kapap Eypi e voltam suas câmeras para mulheres que participam da defesa da floresta e da Terra Indígena Sawré Muybu. O filme aproxima relatos ancestrais da vida presente e acompanha uma comunidade pressionada pelas forças que avançam sobre a Amazônia, transformando o registro audiovisual também numa ferramenta de proteção territorial e de transmissão da própria história.
A perspectiva é significativa porque inverte uma relação histórica recorrente: em vez de equipes externas chegarem ao território para interpretar os Munduruku, são mulheres da própria comunidade que decidem o que filmar e de que maneira contar sua experiência. O longa passou pelo É Tudo Verdade e por outros festivais de documentários, além de receber prêmios de direção e fotografia no Filmambiente.
🎞️ AMÉLIA TOLEDO – LEMBRAR DE NÃO ESQUECER
“Amélia Toledo – Lembrar de Não Esquecer” percorre sete décadas da trajetória da artista brasileira que transitou por pintura, desenho, joalheria, escultura e instalações até sua morte, em 2017, aos 90 anos. Hélio Goldsztejn parte da casa transformada por Amélia em ateliê para mostrar uma produção na qual acrílico, chapas metálicas, pedras, conchas e materiais reaproveitados conviviam com pesquisas sobre cor, luz, espaço e formas encontradas na natureza.
O documentário também acompanha sua atuação como professora no Mackenzie e na FAAP e sua participação na equipe da recém-criada Universidade de Brasília durante a gestão de Darcy Ribeiro. O golpe militar de 1964 interrompeu essa experiência e levou Amélia e a família temporariamente para Portugal. Ao retornar, ela continuou uma carreira marcada pelo contato com artistas e intelectuais como Anita Malfatti, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Waldemar da Costa e Vilanova Artigas, além de trabalhos que anteciparam discussões sobre ecologia e reaproveitamento de materiais.
Goldsztejn começou a desenvolver o projeto depois de conhecer Amélia durante seu trabalho no programa “Metrópolis”, da TV Cultura, a partir de um convite de Moacir Toledo, filho da artista. Imagens inéditas, registros das obras e depoimentos de parentes, amigos e outros artistas formam o retrato de uma criadora cuja produção ultrapassou os limites entre objeto artístico, arquitetura e ambiente.
🎞️ SAGRADO CORAÇÃO – SEU REINO NÃO TERÁ FIM
O docudrama francês “Sagrado Coração – Seu Reino Não Terá Fim” reconstrói a origem e a expansão da devoção católica ao Sagrado Coração de Jesus. O ponto de partida são as experiências religiosas atribuídas a Margarida Maria Alacoque no século 17, quando a religiosa francesa afirmou receber revelações de Cristo no convento de Paray-le-Monial. Sabrina Gunnell e Steven J. Gunnell combinam dramatizações desses episódios históricos com depoimentos contemporâneos.
O filme atravessa cerca de 350 anos para mostrar como a imagem do coração de Cristo passou da experiência de uma freira de clausura para uma das devoções mais difundidas do catolicismo. As reconstituições apresentam momentos associados a Margarida Maria, enquanto religiosos e leigos relatam no presente como incorporam essa espiritualidade a experiências de doença, perda, conversão e vida comunitária.
Os Gunnell assumem abertamente uma perspectiva confessional, mais próxima do testemunho religioso que de uma investigação histórica externa à Igreja. A produção encontrou público expressivo na França e depois se expandiu para outros países, percurso que levou seus realizadores a promover sessões acompanhadas de encontros e debates voltados principalmente a comunidades católicas.
🎞️ TÚMULO DOS VAGALUMES
Lançado originalmente em 1988, o anime clássico acompanha Seita e sua irmã pequena Setsuko durante os últimos meses da 2ª Guerra Mundial no Japão. Depois que um bombardeio incendiário americano destrói sua casa em Kobe e mata a mãe, os dois passam algum tempo com uma tia, mas a convivência se deteriora à medida que comida e recursos se tornam mais escassos. Seita decide então sair com a irmã e improvisar uma vida independente num abrigo abandonado.
A decisão transforma a sobrevivência cotidiana no centro do filme. A falta de alimentos, o isolamento e a incapacidade do adolescente de compreender a dimensão da guerra aproximam os irmãos de uma situação que nenhum deles tem condições de administrar. Isao Takahata evita batalhas e heroísmo militar para observar o conflito a partir de crianças que só percebem suas consequências: casas queimadas, famílias separadas, fome e a desintegração gradual da humanidade.
O roteiro de Takahata adapta a novela semiautobiográfica publicada por Akiyuki Nosaka em 1967. O escritor perdeu uma irmã por desnutrição durante a guerra, enquanto o próprio diretor viveu bombardeios quando criança, experiências que conferem ao longa uma atenção incomum aos detalhes materiais daquele período. Produzido pelo Studio Ghibli, “Túmulo dos Vagalumes” tornou-se referência tanto da animação japonesa quanto do cinema sobre guerra. É uma obra-prima, mas também um filme de cortar o coração.
🎞️ LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES
Dez anos depois do lançamento original, “La La Land – Cantando Estações” retorna aos cinemas com a história de Mia (Emma Stone, de “Pobres Criaturas”), aspirante a atriz que trabalha como atendente enquanto enfrenta audições em Hollywood, e Sebastian (Ryan Gosling, de “Barbie”), pianista dedicado ao jazz que sonha abrir o próprio clube. Os dois se aproximam enquanto tentam transformar ambições profissionais em carreiras e descobrem que seus projetos pessoais nem sempre avançam na mesma direção do relacionamento.
Damien Chazelle (“Whiplash”) estrutura a história como um musical contemporâneo em diálogo com o cinema clássico de Hollywood, alternando números coreografados, encontros românticos e mudanças de estação que registram o avanço da relação. A música de Justin Hurwitz também participa da narrativa: temas reaparecem em diferentes arranjos conforme Mia e Sebastian se aproximam ou se afastam, até que a escolha entre amor e realização profissional se torna o conflito decisivo.
O filme recebeu 14 indicações ao Oscar e venceu seis categorias, entre elas Melhor Direção para Chazelle, Melhor Atriz para Stone e Melhor Trilha Sonora para Hurwitz. “City of Stars” levou o prêmio de Melhor Canção Original. O relançamento permite rever em tela grande uma produção concebida em CinemaScope e construída em torno de planos longos, cenários de Los Angeles e sequências musicais que dependem diretamente da relação entre movimento, enquadramento e música.