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Divulgação/Agência Brasil

Filme|10 de agosto de 2026

Festival de Brasília é cancelado por falta de verba

Governo do Distrito Federal bloqueou patrocínio devido à crise do banco estatal

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Festival fica sem recursos
2 Como o festival ficou sem dinheiro?
3 BRB mantém patrocínio, mas dinheiro viria depois
4 Crise do BRB pressiona as contas do Distrito Federal
5 Banco ainda não apresentou balanço de 2025
6 Escândalo do Master agravou situação
7 Festival atravessou ditadura e pandemia

Festival fica sem recursos

A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi cancelada depois que o Governo do Distrito Federal decidiu não repassar os R$ 3 milhões necessários para sua realização. Marcado para começar em 11 de setembro, o evento não deixava de acontecer desde a ditadura militar e agora se torna mais uma vítima financeira do rombo causado pelo Banco Master.

Como o festival ficou sem dinheiro?

A produção trabalhava na edição de 2026 desde março, quando as inscrições foram abertas e o calendário foi anunciado nacionalmente com apoio do próprio governo. A primeira parcela do financiamento público, de R$ 1,5 milhão, deveria ter sido liberada em junho para bancar a pré-produção, mas o dinheiro não chegou.

Outros R$ 1,5 milhão estavam previstos em duas etapas: R$ 1 milhão na semana do festival e R$ 500 mil depois do encerramento. Sem o primeiro repasse, a equipe já vinha considerando a possibilidade de não conseguir realizar o evento.

BRB mantém patrocínio, mas dinheiro viria depois

O BRB é patrocinador principal do Festival de Brasília desde 2024 e confirmou R$ 750 mil para a edição deste ano. O recurso, porém, não poderia substituir o dinheiro que deixou de ser liberado pelo GDF.

Segundo a Folha de S. Paulo, o contrato com o banco funciona por reembolso. A produção precisaria primeiro realizar as despesas e só depois receber do BRB os valores comprovados, até o limite estabelecido no patrocínio.

Henrique Rocha, diretor-geral de produção do festival, recebeu a informação sobre a falta do repasse em reunião na Secretaria de Cultura. “É inacreditável”, afirmou ao Jornal de Brasília. Ele destacou que nunca houve um cancelamento desse tipo durante o período democrático.

Crise do BRB pressiona as contas do Distrito Federal

O corte ocorre dentro de uma política mais ampla de contenção de despesas do Governo do Distrito Federal, que tenta administrar também os efeitos da crise do BRB, banco controlado pelo próprio GDF. A instituição enfrenta dificuldades desde que vieram à tona as operações realizadas com o Banco Master.

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master movimentaram R$ 16,7 bilhões em operações entre as duas instituições. Investigações apuram a compra pelo banco estatal de carteiras que podem conter créditos inexistentes ou sem o valor inicialmente atribuído a eles.

O Banco Central estimou que o BRB poderá precisar reconhecer mais de R$ 5 bilhões em provisões relacionadas a essas operações. Estimativas de mercado citadas pelo UOL colocam as possíveis perdas com ativos ligados ao Master em patamar ainda superior.

Banco ainda não apresentou balanço de 2025

A dimensão exata do problema continua incerta porque o BRB ainda não divulgou suas demonstrações financeiras de 2025. O prazo legal terminou em 31 de março, e o último balanço completo disponível é referente ao 2º trimestre do ano passado.

O próprio presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, afirmou em audiência no Senado que o plano de fortalecimento prevê uma necessidade de até R$ 8,8 bilhões. Os acionistas já aprovaram uma operação de aumento de capital nesse limite.

Outra frente envolve a negociação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O banco também tenta recuperar liquidez por meio da transferência de ativos ligados ao Master para um fundo administrado pela Quadra Capital.

Escândalo do Master agravou situação

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, no mesmo período em que a Polícia Federal abriu uma investigação sobre suspeitas de fraude na comercialização de carteiras de crédito. O BRB havia tentado comprar o Master meses antes, mas a operação foi rejeitada pelo Banco Central.

As consequências atingiram diretamente o banco público de Brasília porque o BRB já havia adquirido grandes volumes de ativos do Master antes da tentativa de compra. Desde então, a instituição tenta determinar quanto conseguirá recuperar e quanto precisará reconhecer como perda.

A crise também provocou mudanças na direção, auditorias independentes e sucessivas cobranças de órgãos reguladores pela divulgação dos números atualizados do banco.

Festival atravessou ditadura e pandemia

Criado em 1965, o Festival de Brasília é o mais antigo festival de cinema em atividade no país. Antes de 2026, suas únicas interrupções ocorreram entre 1972 e 1974, durante a ditadura militar.

Nem a pandemia de covid-19 interrompeu a sequência. Naquele período, o evento adotou formatos alternativos para manter as edições.

A 59ª edição já tinha filmes selecionados para a mostra competitiva e outras sessões, embora os títulos ainda não tivessem sido divulgados quando o cancelamento foi comunicado.

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