
Divulgação/Go Up Entertainment
PF apura corrupção e lavagem em financiamento de “Dark Horse”
Investigadores rejeitam versão de mero patrocínio privado e apuram relação do senador com recursos de Daniel Vorcaro para o filme
Investigadores rejeitam versão de patrocínio
A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios que envolveram Flávio Bolsonaro (PL), Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro que ganhou o título brasileiro de “O Azarão”. A investigação contraria a versão apresentada pelo senador e candidato à Presidência na entrevista ao “Jornal Nacional” de sexta-feira (28/8), quando ele classificou a busca de dinheiro junto ao ex-banqueiro como uma operação privada. “Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme”, afirmou.
O que a Polícia Federal investiga?
Segundo investigadores ouvidos pelo blog de Andréia Sadi no g1, o ponto central é determinar se houve solicitação ou recebimento de vantagem indevida em razão da função pública de Flávio. A apuração não depende necessariamente da identificação de um ato específico praticado pelo senador em contrapartida. O artigo 317 do Código Penal define corrupção passiva como solicitar ou receber vantagem indevida, direta ou indiretamente, para si ou para outra pessoa, em razão da função pública. O Superior Tribunal de Justiça também já estabeleceu que não é indispensável demonstrar um ato de ofício específico para caracterizar o delito.
A PF procura esclarecer se o dinheiro efetivamente foi entregue, de onde vieram os recursos, quais pessoas participaram das operações, por quais caminhos os valores circularam e qual foi seu destino. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é a informação de que Vorcaro não queria aparecer publicamente como patrocinador. Por isso, a avaliação relatada por Andréia Sadi é que a relação não pode ser reduzida, neste momento, a um contrato privado: para os investigadores ouvidos pela jornalista, “Dark Horse” é “caso de polícia”.
Quanto Vorcaro teria colocado no filme?
A relação ganhou dimensão pública em maio, quando o Intercept Brasil revelou áudios e mensagens em que Flávio cobrava Vorcaro por repasses para “Dark Horse”. As reportagens apontaram uma negociação de até R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido transferidos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025. Flávio sustenta que buscou investidores privados para o filme sobre o pai, sem oferecer qualquer contrapartida relacionada ao mandato de senador.
A investigação também passou a considerar declarações de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, sobre uma visita de Flávio a Vorcaro depois que o banqueiro já havia sido preso e cumpria medidas judiciais. Em maio, Valdemar afirmou à GloboNews que o senador foi encontrá-lo para “ver se conseguia o restante do dinheiro”. A declaração contrastou com a explicação anterior de Flávio de que procurou Vorcaro para colocar um ponto final na relação.
Essa frente relacionada ao dinheiro de Vorcaro é distinta de outras investigações que também alcançaram “Dark Horse”. Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a PF a acessar provas obtidas pela Polícia Civil de São Paulo numa apuração sobre a Go Up Entertainment, produtora do longa, e um contrato de R$ 108 milhões firmado por uma entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama com a Prefeitura de São Paulo. Outra frente investiga repasses de emendas parlamentares para organizações ligadas à produtora.
Aberto para posicionamentos
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que não houve contrapartida pública no financiamento do filme. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.