
Divulgação/Copacabana Filmes
Carla Camurati quer reunir elenco de “Carlota Joaquina” em continuação
Diretora pretende voltar à sátira histórica com Marieta Severo, Marco Nanini e Marcos Palmeira 31 anos depois do original
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Sequência com o elenco original
A diretora Carla Camurati revelou que quer fazer uma continuação de “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995) com o mesmo elenco do filme original. Em participação no “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães na TV Brasil, ela citou os retornos de Marieta Severo como Carlota Joaquina, Marco Nanini como Dom João VI e Marcos Palmeira como Dom Pedro I.
Como seria o novo filme?
“É a mesma linguagem, tenho o mesmo elenco”, afirmou Carla. A cineasta pretende preservar também o recurso de contar a história brasileira a partir de narradores que observam os acontecimentos de fora do país, uma das marcas do primeiro longa.
“O legal do filme é exatamente a narração fora da história e em outro país. É nisso que a visão fica interessante, porque a imaginação fica livre”, explicou. Carla também deixou claro que pretende manter o tom irreverente usado para revisitar personagens históricos. “Histórias do Brasil são engraçadas e absurdas.”
Filme marcou a Retomada
“Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” se tornou um dos símbolos da Retomada do cinema brasileiro, período de recuperação da produção nacional após a crise provocada pela extinção da Embrafilme no governo Fernando Collor. O longa estreou quando o setor ainda enfrentava dificuldades para produzir, distribuir e levar filmes brasileiros ao circuito comercial.
Carla assumiu uma distribuição independente e conseguiu levar 1,286 milhão de espectadores aos cinemas, segundo dados da Ancine. O resultado ganha dimensão pelo tamanho do lançamento: o filme chegou a no máximo 33 salas ao mesmo tempo.
Três décadas depois, a obra voltou ao circuito. Uma versão restaurada em 4K foi lançada nos cinemas em 2025 para comemorar os 30 anos do filme, renovando o contato do público com a sátira estrelada por Marieta Severo e Marco Nanini, feita seis anos de os dois estrelarem juntos “A Grande Família”.
Carla quer filmes que permaneçam
A intenção de retornar à história de Carlota também está ligada à maneira como Carla encara sua obra. “Gosto de fazer filmes que tenham conteúdo e que eles não desapareçam. Trabalho tanto que falo assim: ‘Aquilo não pode desaparecer completamente. Daqui a 30 anos, alguém tem que achar que aquilo valeu a pena. Ele tem que sobreviver, tem que continuar na história’.”
Antes de se firmar como cineasta, Carla foi uma das atrizes mais conhecidas da televisão brasileira nos anos 1980. Participou de novelas da Globo como “Champagne” (1983), “Livre para Voar” (1984) e “Fera Radical” (1988), mas deixou gradualmente a atuação para se dedicar à direção, ao roteiro e à produção.
Seu trabalho mais recente é “Raízes do Sagrado Feminino”, documentário lançado neste ano que investiga como tradições do Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo influenciaram historicamente o lugar das mulheres na sociedade.