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Divulgação/Big Hit

Música|11 de agosto de 2026

Artigo do New York Times compara impacto do BTS ao de Michael Jackson

Professor da NYU vê boicote ao Grammy como desafio à divisão de artistas por origem e idioma


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Comparação com o Rei do Pop
2 Por que o BTS decidiu não disputar o Grammy?
3 Artigo questiona segregação dentro do Grammy
4 Michael Jackson enfrentou barreiras semelhantes
5 BTS tem força para desafiar o sistema
6 O que diz a Recording Academy?
7 Taylor Swift entra na repercussão

Comparação com o Rei do Pop

O BTS ganhou uma comparação de peso ao transformar sua ausência do Grammy de 2027 numa discussão sobre as divisões da indústria musical. Em artigo de opinião publicado pelo New York Times, o professor Dan Charnas classificou o septeto sul-coreano como “possivelmente os maiores artistas do mundo desde Michael Jackson” e apontou o grupo como um dos poucos com força suficiente para confrontar o sistema de categorias da premiação.

Por que o BTS decidiu não disputar o Grammy?

RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook anunciaram em 29 de julho que não submeterão “Arirang” nem outras músicas lançadas no atual período de elegibilidade à consideração da Recording Academy. A decisão veio pouco mais de um mês depois da criação da categoria Melhor Performance de Música Pop Asiática.

“Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma”, afirmaram os sete integrantes na mensagem publicada simultaneamente em suas redes sociais.

O grupo não citou expressamente a nova categoria como motivo do boicote, mas a declaração foi imediatamente relacionada à mudança. A nova disputa abrange K-pop, J-pop, C-pop e outros trabalhos associados aos mercados asiáticos, desde que tenham uso significativo de pelo menos um idioma asiático.

Artigo questiona segregação dentro do Grammy

No texto “Pop Music Is the Problem”, Charnas argumenta que a multiplicação das categorias do Grammy reproduz divisões históricas da indústria fonográfica americana. A premiação começou com 28 categorias, em 1959, e atualmente chegou a 100.

Para o professor, parte dessas separações nasceu da divisão comercial entre artistas negros e brancos, mesmo quando suas músicas tinham características semelhantes. Ele vê ecos desse modelo na criação de prêmios definidos por nacionalidade, origem ou idioma.

Charnas também questiona o próprio significado de música pop. Se o gênero representa essencialmente aquilo que alcança o grande público, argumenta, estabelecer uma categoria especificamente “asiática” para artistas que já ocupam o mercado pop global cria uma fronteira difícil de justificar musicalmente.

Michael Jackson enfrentou barreiras semelhantes

É nesse ponto que o artigo aproxima BTS e Michael Jackson. Charnas relembra que “Off the Wall” (1979), apesar do enorme sucesso, não conseguiu indicação nas principais categorias do Grammy de 1980. Jackson ganhou naquele ano em uma categoria de R&B, enquanto seu trabalho continuava a enfrentar barreiras para ser reconhecido simplesmente como pop.

O professor também recupera a resistência inicial da MTV em exibir videoclipes de Jackson no começo dos anos 1980. A situação só mudou depois da pressão da CBS Records, antes que “Thriller” transformasse o cantor num fenômeno capaz de atravessar as divisões raciais e comerciais da indústria.

Para Charnas, o K-pop percorre hoje uma discussão semelhante. O gênero incorporou elementos de R&B, hip-hop, dance, rock e pop, mas continua frequentemente tratado pelo mercado americano como uma categoria determinada pela origem de seus artistas.

BTS tem força para desafiar o sistema

O argumento central não é que BTS tenha superado Michael Jackson em números ou importância histórica. Charnas usa Jackson como referência para dimensionar o alcance mundial do grupo e, sobretudo, sua capacidade de negociação diante da indústria americana. Mas vale apontar que algumas músicas do grupo lembram mesmo a fase de ouro de Michael Jackson.

Segundo o professor, grandes gravadoras podem evitar confrontar o Grammy porque dependem da premiação para promover artistas em ascensão. O BTS ocupa uma situação diferente: após mais de uma década de carreira, o grupo tem autonomia e público suficientes para abrir mão dessa exposição.

“Arirang”, primeiro álbum do septeto depois do período de serviço militar dos integrantes, passou duas semanas no topo da Billboard 200, um recorde para um artista de K-pop. A atual turnê também esgotou rapidamente apresentações na América do Norte e na Europa.

O que diz a Recording Academy?

Harvey Mason Jr., presidente da Recording Academy, disse ter ficado triste com a decisão do BTS, mas afirmou respeitá-la. Ele rejeitou a interpretação de que a categoria tenha sido criada para isolar artistas asiáticos.

Segundo Mason, a intenção é ampliar o reconhecimento da música produzida na Ásia. Ele também ressaltou que uma inscrição em Melhor Performance de Música Pop Asiática não impede o mesmo trabalho de concorrer às categorias gerais, como Álbum do Ano, Gravação do Ano e Canção do Ano.

O BTS, porém, preferiu não apresentar nenhum trabalho à 69ª edição do Grammy. O grupo já recebeu cinco indicações na premiação, incluindo por “Dynamite”, “Butter”, “My Universe” e “Yet to Come”, mas nunca conquistou uma estatueta.

Taylor Swift entra na repercussão

A comparação com Michael Jackson também provocou disputa entre fandoms nas redes sociais. Admiradores de Taylor Swift questionaram a afirmação de Charnas e apontaram os recordes comerciais e de turnês da cantora como argumentos para colocá-la entre os maiores fenômenos musicais da era atual.

O artigo, entretanto, não estabelece um ranking entre BTS, Taylor ou outros artistas. A referência a Michael Jackson aparece dentro de uma discussão específica sobre artistas capazes de atravessar fronteiras impostas pela indústria e usar seu poder comercial para desafiar essas divisões.

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