
Instagram/Ana Castela
Após fazer 22 com Nikolas, Ana Castela terá show de R$ 850 mil pago por emenda do PL
Cachê será bancado por verba federal indicada por Dani Cunha, do mesmo partido do deputado mineiro
Show pago com emenda parlamentar
A foto de Ana Castela fazendo o número 22 ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou atenção para a relação da cantora com políticos do PL. Seu próximo show, marcado para quinta-feira (27/8) na Expo São Fidélis, no Rio de Janeiro, terá cachê de R$ 850 mil bancado com verba federal destinada a partir de uma solicitação da deputada Dani Cunha (PL-RJ). A apuração foi feita pelo colunista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles.
De onde sai o dinheiro?
A Comissão de Turismo da Câmara destinou R$ 1 milhão para o evento a pedido de Dani Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos). A Prefeitura de São Fidélis, administrada pelo PL, deve acrescentar outros R$ 50 mil aos recursos, segundo o termo de fomento apresentado ao Ministério do Turismo.
Desse montante, R$ 850 mil serão destinados ao cachê de Ana Castela. Parte do restante pagará a apresentação da dupla Antony e Gabriel, que já declarou voto em Jair Bolsonaro e participou ativamente da campanha do ex-presidente. O pagamento dos sertanejos foi registrado em maio, enquanto o de Ana ainda não aparecia no Transfere.gov nesta segunda-feira (24/8). Pelo contrato, a cantora deve receber até o dia do show.
Foto com Nikolas joga luz no contrato
O pagamento ganhou repercussão depois que Ana apareceu com Nikolas Ferreira na Festa do Peão de Barretos. Os dois posaram sorridentes fazendo com as mãos o número 22, legenda eleitoral do PL, e a cantora ainda reagiu à publicação do deputado com emojis de fogo.
A aproximação já vinha de antes. Na semana passada, Ana curtiu uma publicação em que Nikolas anunciava sua candidatura à reeleição para a Câmara. A sequência marcou uma mudança em relação ao discurso adotado pela cantora em 2022, quando se declarava “apolítica” e dizia não se importar se uma pessoa votava em Lula ou Bolsonaro.
A repercussão política da foto virou outra notícia: Pabllo Vittar deixou de seguir Ana, Luana Piovani criticou a sertaneja, um dos principais fã-clubes se manifestou contra a aproximação e, ao mesmo tempo, a cantora ganhou cerca de 100 mil novos seguidores em 24 horas.
Quanto Ana Castela já recebeu de dinheiro público?
O contrato de São Fidélis está longe de ser um caso isolado. Levantamento do site De Olho nos Ruralistas citado pelo Metrópoles identificou R$ 73 milhões em contratos de Ana Castela com prefeituras e governos estaduais entre janeiro de 2024 e março de 2026, distribuídos por 93 apresentações.
Os valores continuam elevados em 2026. Desde junho, ela foi contratada por R$ 820 mil em São João del-Rei, R$ 900 mil em Cruz das Almas, R$ 830 mil em Itanhaém, R$ 850 mil em Bauru, R$ 900 mil em Maceió, R$ 850 mil em Salto de Pirapora e R$ 900 mil em Pouso Alegre. Em Barbacena, o cachê chegou a R$ 1,3 milhão. Também houve contratos de R$ 840 mil em Bataguassu, R$ 900 mil em São Mateus, R$ 900 mil em Nova Belém e R$ 890 mil em Dores do Rio Preto.
No fim de 2025, a Prefeitura de São Paulo já havia contratado Ana por R$ 1,35 milhão para o Réveillon da Avenida Paulista, o maior cachê da programação ao lado de Simone Mendes.
Cachês já foram questionados pela Justiça
A relação da cantora com contratos públicos também já entrou no radar do Ministério Público. No início de agosto, o MPMG pediu à Justiça a suspensão de R$ 1,816 milhão em gastos da Prefeitura de Santa Bárbara do Tugúrio, em Minas Gerais, com artistas contratados para a Festa da Banana, entre eles Ana e Gustavo Mioto.
O caso chamou atenção pela proporção dos valores. Segundo o Ministério Público, a arrecadação do município prevista para todo o ano de 2026 era de cerca de R$ 930 mil, praticamente metade do que seria gasto apenas com os shows. O órgão também apontou que a prefeitura remanejou recursos anteriormente reservados para áreas como saúde, educação e infraestrutura para pagar os artistas.
Na ação, o MPMG pediu o bloqueio dos pagamentos ainda não realizados e a proibição dos shows contratados. A prefeitura contestou as acusações e afirmou que as contratações seguiram os procedimentos legais.
No ano passado, a Justiça de Mato Grosso também determinou que a Prefeitura de Sapezal explicasse a contratação de Ana Castela por R$ 950 mil para o aniversário da cidade.
Uma perícia apontada pelo Ministério Público indicou que o valor era 27% superior ao praticado em apresentações comparáveis no estado e calculou em cerca de R$ 750 mil a média cobrada pela Boiadeira Music para shows de 1h30 naquele período. A investigação também apontou divergências na justificativa do cachê e problemas no processo de contratação.
Tendência marca shows sertanejos
Os episódios fazem parte de uma discussão maior sobre o uso de verbas municipais em shows sertanejos, intensificada desde 2022, quando críticas de Zé Neto à Lei Rouanet acabaram chamando atenção justamente para cachês milionários pagos por prefeituras a artistas do gênero. Desde então, contratos de diversos sertanejos passaram a ser contestados por Ministérios Públicos e tribunais quando considerados incompatíveis com as finanças dos municípios.
Aberto para posicionamentos
Ana Castela não se manifestou sobre as verbas até este momento.
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.