
Divulgação/Globo
Renato Machado, ex-âncora do “Bom Dia Brasil”, morre aos 83 anos
Jornalista trabalhou por quase quatro décadas na Globo e cobriu acontecimentos como a Guerra das Malvinas e o desastre de Chernobyl
Renato Machado morre aos 83 anos
Renato Machado, ex-âncora do “Bom Dia Brasil” e um dos principais nomes do telejornalismo da Globo, morreu aos 83 anos na manhã desta quinta-feira (16/7). Ele estava internado na Clínica São Vicente. A causa da morte não foi divulgada.
O jornalista deixa a esposa, Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, e uma neta.
Carreira começou como ator
Antes de ingressar no Jornalismo, Renato trabalhou como ator e dublador. Na juventude, integrou o Teatro Oficina e participou de montagens de textos como “A Tempestade”, “Romeu e Julieta” e “Antígona”.
Ele também esteve nas primeiras produções de teledramaturgia da Globo. Em 1965, ano de inauguração da emissora, atuou em “Rosinha do Sobrado” e “A Moreninha”. Quatro anos depois, integrou o elenco de “Sangue do Meu Sangue”, sucesso da extinta TV Excelsior.
Como entrou no telejornalismo?
A trajetória jornalística começou em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Renato ingressou na Globo em 1982 e logo participou da cobertura da Guerra das Malvinas.
No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres. A partir da capital britânica, acompanhou acontecimentos como os atentados terroristas de 1986 em Paris e o desastre nuclear de Chernobyl.
Coberturas marcantes
Renato trocou a Globo provisoriamente pela TV Manchete em 1990, onde cobriu a Guerra do Golfo. A experiência foi curta. Após retornar à Globo no ano seguinte, participou das coberturas do impeachment de Fernando Collor e da morte de Ayrton Senna.
Ao longo da carreira, também apresentou o “Jornal da Globo” e o “RJTV”, além de ter feito participações na bancada do “Jornal Nacional” e diversas reportagens especiais para diferentes programas.
Marca no “Bom Dia Brasil”
O período mais associado à imagem de Renato Machado começou em 1996, quando ele assumiu a apresentação e a edição do “Bom Dia Brasil”. Durante cerca de 15 anos, dividiu a bancada do telejornal matutino primeiro com Leilane Neubarth e depois com Renata Vasconcellos.
Sob seu comando, o telejornal adotou uma linguagem mais dinâmica, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo, comentaristas fixos e melhor aproveitamento do estúdio. O formato ajudou a estabelecer o modelo seguido posteriormente pelas atrações jornalísticas das manhãs da Globo.
Fase final da carreira
Renato voltou a trabalhar como correspondente em Londres em 2011 e permaneceu na função até 2016. De volta ao Brasil, passou a produzir reportagens especiais para o “Globo Repórter”.
Entre os trabalhos do período está “A Arte como Passaporte”, edição sobre projetos de música e dança que transformavam a vida de crianças e suas famílias. Exibido em 2016, o programa recebeu uma indicação ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.
O jornalista deixou a Globo em 2021, durante uma reformulação que resultou na saída de vários profissionais veteranos da emissora.
Que disse a Globo?
Em comunicado, a empresa destacou o rigor jornalístico, a elegância diante das câmeras e a capacidade de Renato de transitar por diferentes áreas.
“Além do jornalismo diário, Renato era reconhecido pela paixão pela cultura, pela gastronomia e pelos vinhos, assuntos que também levou para projetos especiais na televisão, no rádio, na imprensa e em plataformas digitais. Sua versatilidade profissional fez dele uma das vozes mais respeitadas do jornalismo brasileiro”, afirmou a Globo, que também destacou a “carreira marcada por grandes coberturas, reportagens memoráveis e uma contribuição decisiva para a história do telejornalismo brasileiro”.