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Agência Senado/Andressa Anholete

Etc|9 de julho de 2026

MP processa Virginia e Blaze em R$ 120 milhões por propaganda de bet

Ação civil pública acusa influenciadora e plataforma de práticas abusivas e publicidade enganosa durante a Copa do Mundo


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Processo mira publicidade de apostas
2 Qual o alcance da ação?
3 Apostas na Copa do Mundo
4 MP cita “engenharia predatória”
5 Pedido inclui remoção de conteúdos
6 Neymar também foi citado
7 CPI das Bets já havia mirado influenciadora
8 O que diz a Blaze?
9 O que diz a defesa de Virginia?
10 Aberto para posicionamentos

Processo mira publicidade de apostas

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ajuizou uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a plataforma Blaze por supostas práticas abusivas na divulgação de apostas esportivas. O órgão pede indenização de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

Qual o alcance da ação?

A ação foi protocolada nesta quinta (9/7) e também envolve a Foggo Entertainment Ltda., responsável pela operação da marca Blaze no Brasil.

A plataforma tem Virginia e Neymar como parceiros oficiais.

Apostas na Copa do Mundo

Um dos pontos citados na ação é um vídeo em que Virginia incentivou seguidores a apostarem na seleção de Cabo Verde contra a Argentina durante a Copa do Mundo 2026. Segundo o MPDFT, a influenciadora não identificou de forma clara que o conteúdo era publicidade.

O Ministério Público afirma que Virginia e a Blaze usaram estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo com a promessa de ganhos fáceis. O órgão também sustenta que a divulgação teria explorado a confiança dos seguidores na influenciadora.

MP cita “engenharia predatória”

Na ação, o MPDFT afirma que a atuação da Blaze, em parceria com influenciadores e agentes comerciais, não se limitaria a episódios isolados.

“A conduta da Blaze, em coautoria com Virginia Fonseca e demais agentes de seu ecossistema empresarial, não se limita a ilícitos pontuais, mas estrutura uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva, gerando externalidades negativas sistêmicas”, diz a ação, conforme revelado pelo jornal O Globo.

O relatório técnico ainda menciona mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma, incluindo relatos de retenção de valores depositados, bloqueio de contas e justificativas genéricas a consumidores.

Pedido inclui remoção de conteúdos

Além da indenização de R$ 120 milhões, o MPDFT pede a remoção de conteúdos considerados enganosos e a adoção de medidas de proteção aos consumidores.

O órgão também solicita que Blaze e Virginia sejam condenadas a custear e veicular uma campanha de contrapropaganda educativa sobre riscos do jogo, superendividamento e direitos do consumidor.

Neymar também foi citado

Na ação, o MPDF também cita Neymar ao afirmar que a estratégia da Blaze envolve parceria com figuras públicas conhecidas.

O órgão argumenta que a imagem do jogador é usada para propagar a ilusão de vitória, além de definir que a utilização dos famosos “potencializa exponencialmente o alcance da publicidade ostensiva, agravando o risco de lesão patrimonial a um número incalculável de consumidores, especialmente aqueles em situação de hipervulnerabilidade econômica”.

A ação ainda será analisada pelo Poder Judiciário.

CPI das Bets já havia mirado influenciadora

Virginia Fonseca já havia sido alvo de questionamentos na CPI das Bets. Em 2025, a senadora Soraya Thronicke pediu o indiciamento de influenciadores ligados à divulgação de plataformas de apostas, e a dona da WePink estava entre os nomes citados.

À época, foram atribuídos a Virginia os crimes de estelionato e propaganda enganosa, sob a acusação de simular apostas de altos valores para induzir seguidores a jogar em plataformas das quais era contratada. A CPI, porém, terminou sem indiciamentos.

O que diz a Blaze?

Em nota, a Blaze afirmou que ainda não foi formalmente intimada sobre a ação do MPDFT. “A Foggo Entertainment Ltda., detentora da marca e operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT)”, informou.

A empresa disse atuar de acordo com a legislação e com regras de jogo responsável e afirmou ainda que prestará esclarecimentos quando for notificada.

“A Foggo se mantém comprometida com a transparência e a conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável”, declarou.

O que diz a defesa de Virginia?

A defesa de Virginia Fonseca, representada pelo advogado Sanderson Mafra, afirmou que soube da ação pela imprensa e que responderá às acusações nos autos. “A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos”, diz a nota.

O comunicado afirma que a própria petição inicial reconhece diligências pendentes, incluindo requisição de contratos e informações consideradas essenciais para esclarecer a natureza do vínculo, a forma de remuneração e os limites da atuação publicitária da influenciadora.

“A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda. A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”, acrescentou.

A defesa também afirmou que a responsabilização civil deve se basear em provas concretas, “e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora”.

Aberto para posicionamentos

O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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