
Instagram/GNT
Juliette cobra votação de projeto de lei contra misoginia
Cantora relacionou o avanço do feminicídio à normalização de discursos de ódio contra mulheres
Julgamento de amiga
Juliette usou as redes sociais nesta segunda-feira (13/7) para cobrar medidas contra a misoginia e o feminicídio enquanto acompanhava o início do Tribunal do Júri do caso de Clarissa, sua amiga de infância, morta no ano passado. Em vídeos publicados nos Stories do Instagram, a cantora defendeu mudanças na legislação e pediu que a Câmara dos Deputados avance na análise de um projeto já aprovado pelo Senado.
O que disse Juliette?
A artista iniciou o relato ao comentar a expectativa pelo julgamento e afirmou confiar no trabalho da Justiça.
“Hoje eu acordei com o coração apertado. Tá acontecendo agora o Tribunal do Júri do caso da minha amiga Clarissa, que foi vítima de feminicídio no ano passado. Eu acredito muito na justiça, não só de Deus, mas dos homens, dos profissionais envolvidos nesse caso. Tenho certeza que a justiça será feita. Nada ameniza essa dor, mas a justiça precisa ser feita”, afirmou.
Luta coletiva
Juliette ampliou a discussão ao defender que o combate ao feminicídio não seja tratado como uma pauta partidária ou ideológica.
“A luta contra o feminicídio é de todos. Não é sobre partido, não é sobre ideologia. É uma luta coletiva. O feminicídio não começa na agressão, ele começa na palavra, começa numa cultura, quando alguns comportamentos passam a ser normalizados”, disse.
Mudanças na legislação
A cantora afirmou que a educação precisa ser acompanhada por leis capazes de alterar condutas. Como exemplos, citou as normas sobre consumo de álcool ao volante e a proibição do cigarro em locais fechados.
“A cultura também é modificada através da legislação. A gente precisa de leis que mudem a cultura e que punam comportamentos misóginos. As pessoas precisam entender: ‘Eu não posso fazer isso’. Senão, esses comportamentos vão sendo alimentados até terminarem em crimes de feminicídio”, declarou.
Por que o projeto está parado?
Juliette criticou a demora na tramitação da proposta que prevê a criminalização da misoginia. O PL 896/2023, conhecido como PL da Misoginia, já passou pelo Senado, mas ainda depende de análise na Câmara dos Deputados para virar lei.
“No discurso todo mundo está preocupado com o feminicídio, mas, na prática, fazem inúmeras manobras políticas para atrasar algumas ações. O projeto de lei da misoginia está sendo adiado sob o argumento de que é um tema polêmico e que poderia ferir a liberdade de expressão. Ódio às mulheres é diferente de liberdade de expressão”, afirmou.
Pressão antes do recesso
A influenciadora pediu que a proposta avance antes do início do recesso parlamentar e relacionou a demora à disseminação de discursos misóginos nas redes sociais.
“Essa é a última semana. Se isso não for feito agora, só Deus sabe quando. Eu queria tanto que os discursos se tornassem ações, que pensassem muito mais na proteção das mulheres e menos em interesses secundários. Essas atitudes refletem diretamente nessa cultura redpill, no ódio às mulheres. Eles se sentem muito autorizados a falar e a espalhar esse discurso”, concluiu.