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Instagram/Jennifer Finch

Música|19 de julho de 2026

Jennifer Finch, baixista do L7, morre aos 59 anos

Artista enfrentava câncer cerebral agressivo e havia deixado a turnê de despedida da banda

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Adeus a uma lenda grunge
2 Morte foi confirmada pelo L7
3 Como foi o tratamento?
4 Carreira foi da fotografia ao rock
5 O sucesso com o L7
6 Rock engajado e feminista
7 O que ela fez depois de deixar a banda?
8 A volta do L7
9 Shows históricos no Brasil

Adeus a uma lenda grunge

Jennifer Finch, baixista da banda L7, morreu no sábado (18/7), aos 59 anos. A artista havia sido diagnosticada recentemente com uma forma agressiva de câncer cerebral. Em 2011, ela também enfrentou um câncer de tireoide.

Morte foi confirmada pelo L7

A morte foi anunciada pelas integrantes do L7 nas redes sociais. A banda definiu Finch como uma “amada companheira de banda, irmã e amiga” e afirmou que seu “espírito feroz, humor e criatividade sem limites” ajudaram a construir a identidade do grupo.

“Jennifer era uma verdadeira original, que viveu inteiramente de acordo com suas próprias regras”, acrescentou o comunicado. A baixista havia deixado a turnê de despedida “The Last Hurrah”, marcada para começar em outubro, mas pediu que as colegas mantivessem os shows.

Como foi o tratamento?

O diagnóstico de câncer cerebral foi revelado publicamente há menos de uma semana, em 13 de julho. Segundo a campanha criada por familiares e amigos, havia expectativa de controle da doença com radioterapia, mas complicações levaram Finch a passar por várias cirurgias.

Os procedimentos provocaram limitações físicas e aumentaram a necessidade de atendimento domiciliar. A campanha no GoFundMe buscava custear enfermagem, equipamentos médicos e sessões de fisioterapia e fonoaudiologia.

A arrecadação ultrapassou a meta de US$ 350 mil, que agora serão usados nas despesas fúnebres. Entre os doadores estavam Jeff Ament, baixista do Pearl Jam, Kathleen Hanna, do Bikini Kill, e Maynard James Keenan, vocalista do Tool. A campanha também recebeu contribuições de integrantes e representantes de bandas como Green Day, Garbage e Bad Religion.

Carreira foi da fotografia ao rock

Nascida em Los Angeles em 1966, Finch começou a fotografar a cena punk da cidade durante a adolescência. Suas fotos de Bad Religion, The Cramps e outros foram exibidas no Rock and Roll Hall of Fame décadas depois. Em um registro clássico da época, ela aparece na plateia do documentário de Penelope Spheeris “The Decline of Western Civilization”, de 1981, sobre o auge do punk californiano.

Antes do L7, Finch integrou o Sugar Babydoll em 1984, grupo que também contou com Courtney Love e Kat Bjelland, futuras líderes do Hole e do Babes in Toyland. Ela ainda passou pela garage band feminina The Pandoras antes de formar o L7.

O sucesso com o L7

Jennifer fundou o L7 em 1985 em Los Angeles ao lado das guitarristas Donita Sparks e Suzi Gardner e da baterista Dee Plakas, empregando o que suas colegas de banda descreveram como uma determinação “persistente” de fazer parte do grupo, apesar de não saber tocar baixo inicialmente. Entretanto, foram as conexões de Finch com figuras da cena punk que ajudaram a elevar o status da banda e conseguiram as primeiras gravações.

O álbum de estreia, produzido por Brett Gurewitz (guitarrista do Bad Religion) e lançado pela gravadora punk Epitaph em 1988, trazia na capa uma foto desfocada da banda tocando ao vivo — uma imagem com estética “proto-grunge” que definiria a cena da década seguinte — e abria com a música “Bite the Wax Tadpole”, uma declaração que sintetizava perfeitamente sua sonoridade e atitude.

Após extensas turnês com bandas que dariam forma à era do rock alternativo, L7 se juntou à gravadora Sub Pop e ao veterano produtor de Seattle, Jack Endino (do primeiro disco do Nirvana), para seu segundo álbum, “Smell the Magic” (1990).

No entanto, foi o terceiro trabalho do grupo, “Bricks Are Heavy”, que causou maior impacto. Gravado no final de 1991 com Butch Vig (produtor do segundo e mais famoso álbum do Nirvana), o disco trouxe o maior sucesso da banda, “Pretend We’re Dead”, e conferiu à sonoridade grunge uma pegada power-pop incisiva. O single, que parecia enganosamente alegre, lamentava as estruturas políticas e socioeconômicas que marginalizam as mulheres, tornou-se um sucesso no Top 10 da parada “Modern Rock” da Billboard. O disco foi lançado pela Slash Records, gravadora que vivia o auge do sucesso com o Faith No More e mantinha um acordo de distribuição com a poderosa Warner Bros. Records.

Rock engajado e feminista

Finch compôs várias músicas ao longo da discografia do grupo, incluindo o single de sonoridade crua e agressiva “Everglade”, ao mesmo tempo em que se posicionava, ao lado do L7, como uma defensora declarada dos direitos das mulheres e do movimento feminista como um todo. A banda usou o auge de sua popularidade para defender mudanças políticas e sociais, o que incluiu a criação dos shows “Rock for Choice” em 1991, em defesa dos direitos reprodutivos das mulheres.

O L7 lançou na sequência “Hungry for Stink”, em 1994, mas Finch deixou o grupo dois anos depois.

O que ela fez depois de deixar a banda?

Enquanto o L7 continuou por um tempo com diferentes formações, Finch formou o OtherStarPeople, que lançou um disco pela Interscope, e comandou o grupo punk The Shocker. Ela também apareceu no filme “Mamãe é de Morte” (1994), comédia de John Waters, como integrante da banda fictícia Camel Lips.

A volta do L7

Sem Finch, o L7 acabou se separando em 2001 após dois álbuns com diferentes baixistas, mas a formação clássica voltou à ativa em 2014, embarcando em novas turnês, participando do documentário “L7: Pretend We’re Dead” (2016) e gravando um último álbum, “Scatter the Rats”, lançado em 2019 pelo selo Blackheart Records, de Joan Jett.

O quarteto original continuou tocando junto até este ano, inclusive com passagens pelo Brasil.

Shows históricos no Brasil

A estreia do L7 no Brasil ocorreu no Hollywood Rock de 1993, durante o auge do grunge. A banda se apresentou antes do Nirvana em 16 de janeiro, no Estádio do Morumbi, em São Paulo, e repetiu a dobradinha em 23 de janeiro, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro. A programação daquela edição histórica ainda reuniu Alice in Chains e Red Hot Chili Peppers.

Os shows apresentaram ao público brasileiro a formação clássica com Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e Demetra Plakas pouco depois do lançamento de “Bricks Are Heavy”.

Desde então, a banda voltou várias vezes ao Brasil. A turnê mais recente aconteceu no ano passado em uma dobradinha com o Garbage, banda de Butch Vig, curiosamente produtor de “Bricks Are Heavy”.

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