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Divulgação/Sundance Film Institute

Filme|4 de junho de 2026

Morre Marjane Satrapi, diretora de “Persépolis”, aos 56 anos em Paris

Artista franco-iraniana faleceu "de tristeza" um ano após a perda do marido, o produtor sueco Mattias Ripa


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Morreu “de tristeza”
2 Dor do luto foi fatal
3 O fenômeno “Persépolis”
4 A carreira cinematográfica
5 Ativismo e homenagens de líderes globais

Morreu “de tristeza”

A cineasta e artista franco-iraniana Marjane Satrapi, aclamada mundialmente por “Persépolis”, faleceu nesta quinta-feira (4/6) em Paris, aos 56 anos. De acordo com um comunicado oficial emitido por seus familiares e divulgado pela agência AFP, ela morreu “de tristeza” pouco mais de um ano após a perda de seu marido, o produtor, ator e diretor sueco Mattias Ripa, que faleceu em 8 de abril de 2025.

Dor do luto foi fatal

Exilada na França desde 1994 e naturalizada cidadã francesa em 2006, Satrapi usava suas redes sociais recentemente para expressar a dor do luto, deixando mensagens em que declarava ter perdido o amor de sua vida.

Mattias Ripa, que conheceu a diretora em Paris durante um intercâmbio universitário, foi um de seus principais pilares pessoais e profissionais, tendo atuado inclusive como um dos tradutores de sua obra máxima. Em fevereiro deste ano, a cineasta havia criado a Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, junto à Academia Francesa de Belas Artes, para apoiar estudantes estrangeiros de cinema na capital francesa.

O fenômeno “Persépolis”

Marjane Satrapi alcançou o estrelato internacional com o lançamento da saga autobiográfica “Persépolis” (2000), uma graphic novel adulta, na qual narrou em traços simples, em preto e branco, sua infância e juventude passada durante a ascensão do regime teocrático do aiatolá Khomeini no Irã, em 1979. A obra literária tornou-se a única publicação de quadrinhos a integrar a prestigiada lista dos 100 melhores livros do início do século 21 elaborada pelo jornal The New York Times.

Em 2007, ela dirigiu a adaptação animada de “Persépolis”, com ajuda do cineasta Vincent Paronnaud, faturando o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, o César de Melhor Roteiro Adaptado e uma indicação ao Oscar de Melhor Animação. O filme, que preservou os traços em preto e branco da obra original, tornou-se ainda mais popular que os quadrinhos, impressionando pelo tom agridoce, que combina memórias felizes de infância, rebelião adolescente em plena teocracia e desencanto universitário alimentado pela solidão do exílio, conforme a obra autobiográfica reflete seu amadurecimento e mudança para Paris nos anos 1990.

A carreira cinematográfica

A repercussão de “Persépolis” permitiu a Satrapi construir uma carreira sólida e diversificada atrás das câmeras. Uma nova parceria com Paronnaud rendeu seu segundo longa-metragem, “Frango com Ameixas” (2011), baseado em outro de seus livros, mas já marcou a mudança para o cinema live-action. Na sequência, ela comandou e estrelou a comédia policial “Bando de Jotas” (2012), na qual atuou ao lado do marido.

Em 2014, fez sua estreia em Hollywood com o suspense fantástico “As Vozes”, estrelado por Ryan Reynolds no papel de um psicopata apaixonado que ouve vozes de bichos. Em 2019, fez a cinebiografia “Radioactive”, protagonizada por Rosamund Pike no papel da cientista Marie Curie. Seu último trabalho como diretora foi a comédia dramática “Paris Paradis”, lançada em 2024.

Ativismo e homenagens de líderes globais

Reconhecida como uma opositora ferrenha das autoridades de Teerã, Satrapi dedicou seus últimos anos a denunciar as violações de direitos humanos no Irã. Em 2023, coordenou o livro coletivo “Mulher, Vida, Liberdade”, ilustrando os protestos desencadeados pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia policial. Por seu papel central no ativismo, recebeu na Espanha o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades em 2024. Firme em suas convicções, recusou a Legião de Honra francesa em 2025 para protestar contra o posicionamento diplomático da França em relação ao governo iraniano.

A morte da diretora repercutiu imediatamente no cenário político e cultural europeu. O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou suas condolências públicas, definindo Satrapi como “uma imensa artista que transformou a infância iraniana em uma fábula universal”. O delegado-geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, também prestou tributo à realizadora. “Marjane era uma artista extraordinária e uma mulher cativante que personificava a alegria da criação e a tristeza do exílio e das memórias dolorosas”, declarou em nota oficial.

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