
Divulgação/Epic Records
Documentário de Michael Jackson estreia na Netflix com polêmicas evitadas pelo filme
Série documental em três episódios reconstrói processo criminal de 2005 e expõe controvérsias do cantor
Foco no julgamento criminal de 2005
A série documental “Michael Jackson: O Veredito” estreou na terça-feira (2/6) no catálogo da Netflix com foco numa parte da vida do cantor que não foi abordada em “Michael”, cinebiografia que está em cartaz nos cinemas. Enquanto o longa-metragem biográfico evita abordar as graves acusações de abuso sexual que marcaram os últimos anos de vida do cantor, a nova produção documental concentra sua narrativa no julgamento criminal de 2005, do qual o artista acabou absolvido.
O que mostra “O Veredito”?
Dividida em três episódios e sob a direção de Nick Green, a série reconstrói as audiências ocorridas em Santa Barbara, na Califórnia, a partir de documentos oficiais, transcrições e depoimentos inéditos de jurados, jornalistas e testemunhas de acusação e de defesa.
O objetivo do projeto é detalhar os argumentos que pautaram o caso de Gavin Arvizo. Em 2003, o jovem de 13 anos acusou o músico de abuso em Neverland Ranch, gerando dez acusações criminais que incluíam abuso infantil, fornecimento de álcool a menores e conspiração. Se fosse condenado, Jackson enfrentaria mais de 20 anos de reclusão, mas o júri o declarou inocente de todas as queixas em 13 de junho de 2005.
Série revela bastidores inéditos do processo
A produção da Netflix resgata um processo que transcorreu totalmente longe das lentes de televisão. Na época, ao contrário de outros julgamentos de grande repercussão midiática nos Estados Unidos, o juiz Rodney Melville proibiu qualquer tipo de gravação ou transmissão ao vivo dentro do tribunal. Por conta dessa restrição, a opinião pública dependeu exclusivamente da cobertura da imprensa para acompanhar os desdobramentos, lacuna que o documentário tenta preencher ao reconstituir os bastidores da corte.
Além de examinar o caso dos anos 2000, o documentário também recupera as denúncias enfrentadas pelo rei do pop na década anterior. A série expõe o caso de Jordan Chandler, ocorrido em 1993, que foi encerrado por meio de um acordo civil financeiro entre as partes. Este episódio também foi completamente ignorado pela cinebiografia musical que está nos cinemas.
Cinebiografia sofreu cortes e restrições
A ausência das polêmicas judiciais tornou-se um dos principais alvos de críticas contra o longa-metragem “Michael”. Produzido com a aprovação direta do espólio do cantor, o roteiro do filme optou por encerrar a narrativa antes das investigações e escândalos que abalaram a imagem pública do artista nas décadas de 1990 e 2000.
Informações de bastidores reveladas pela produção indicam que cenas sobre a investigação de 1993 chegaram a ser escritas, mas acabaram removidas do corte final por conta de uma proibição expressa das famílias envolvidas no caso real.